Imagem

 

Álvaro Filipe Oxley da Rocha1 Unisinos, RS,

Brasil alvaro555@yahoo.com

Gabriel Eidelwein Silveira2 Unisinos, RS, Brasil

 

Resumo Este artigo explora a possibilidade de se utilizar a teoria das formas de governo de Montesquieu para interpretar a conduta típica do político brasileiro. Identifica-se o problema da incompatibilidade das instituições democráticas com a ação fundada no respeito ao bem público, em face da cultura brasileira. A teoria de Montesquieu é contextualizada na corrente das teorias das formas de governo de Aristóteles e de Maquiavel. A par disso, é proposta uma atualização sistemática da teoria de Montes- quieu, aproximando-a do conceito sociológico de habitus, no uso de Bourdieu. Por fim, são utilizados elementos de Faoro com o objetivo de esclarecer a conjuntura política que produziu o habitus antidemocrático do político no Estado brasileiro.

 

“Ah, esse coqueiro que dá coco…” (Ary Barroso, Aquarela do Brasil)
Considerações iniciais

Este artigo se propõe a elaborar, em linhas bastan- te gerais, o problema da interpretação teórica do com- portamento político ideal-típico observado no Brasil, para sustentar a causalidade histórico-cultural de um conheci- do descompasso entre o primado do público, exigido pelas instituições democráticas, e a normalizada e naturalizada atitude egoística em relação à coisa pública, denominada como “corrupção estrutural”. Para tanto, será utilizada a clássica tipologia das “naturezas” e dos “princípios” dos governos criada por Montesquieu (2002), aproximando essa mesma teoria do conceito sociológico de habitus, no uso que dele faz Bourdieu (2004b). Com esse procedi- mento, pretende-se garantir uma atualização sistemática na teoria política – filosófica – para o contexto científico atual, em que as teorias devem responder às categorias das ciências humanas mais desenvolvidas, notadamente as da sociologia e da psicanálise. A metodologia utilizada é basicamente a dos “tipos ideais” ou “puros” (Weber, 1999), em que se exageram um ou mais traços da realidade para formar “conceitos puros” (Timasheff, 1960). Por esse método, o cientista deve indicar o grau de aproximação do “tipo puro” em relação à realidade observada (Weber, 1999)3. Para o nosso problema específico – o do descompasso entre o comportamento político exigido pela democra- cia e o padrão da atitude política mais geral observada
no Brasil – será preciso estabelecer o traço caracte- rístico do tipo ideal da “república democrática” como Estado Democrático de Direito4 – em que o referido descompasso está ausente –, bem como será mister es- tabelecer o traço característico do habitus político histó- rico observado no Brasil.

Montesquieu no contexto das teorias das formas de governo

Além da conhecida teoria da “divisão dos poderes”, pela qual a maioria refere o nome de Charles Secondat, barão de Montesquieu, esse pensador elaborou uma outra, de eficácia científica muito maior e em razão da qual ele foi considerado “pai da sociologia” (Al- buquerque in Weffort, 1989). Nessa empresa, Montes- quieu (2002) debruçou-se sobre as teorias das formas de governo, principalmente a de Aristóteles (2002) e a de Maquiavel (1996), superando a perspectiva de ambos, pelo fato de ter-se preocupado com a definição da base social em que estão fundamentadas as diversas formas de governo. O critério desses inspiradores de Montesquieu, utilizado por eles para definir os regimes políticos, leva- va em conta apenas questões relativas à cúpula do go- verno (classe política), desdenhando a estrutura social que é o seu sustentáculo – justamente esse foi o ponto em que Montesquieu os superou5. Neste estudo, primeiro, analisa-se a perspec- tiva de Aristóteles (2002), segundo a qual as formas de governo devem ser compreendidas pelo crité- rio duplo do número de governantes e da qualidade do seu governo. Obtém-se a tipologia aristotélica,
3 A intenção, aqui, é simplesmente a de desenvolver alguns elementos para a elaboração do “tipo ideal” do habitus. Portanto, trata-se de uma intenção puramente teórica; e a validade do esquema interpretativo aqui proposto deve ser verificada em cada aproximação empírica, portanto, em cada pesquisa específica. 4 Nossa opção pela terminologia de Montesquieu (monarquia, república, despotismo) impõe que o “habitus democrático” seja referido como quase sinônimo do “prin- cípio republicano”, ainda que seja evidente a distinção entre os conceitos de democracia e de república. 5 Quer dizer que Montesquieu (2002) já antecipava um ramo de estudos hoje muito em voga, que é o das pesquisas sobre as “bases culturais dos sistemas políticos” ou, para falar sociologicamente, sobre as condições sociais de tais sistemas.
 Estado e democracia: esboço de uma interpretação do habitus político brasileiro respondendo-se a duas perguntas básicas: “Quantos governam?” e “Como governam?”. Assim, quanto ao número de governantes, os governos podem ser classificados em monarquias, aristocracias ou demo- cracias, conforme seja a soberania exercida por um, por poucos ou por muitos, respectivamente. Esses são também os nomes que se atribuem às formas retas de governo – em que os governantes estão atentos à causa comum –, em oposição às suas for- mas corruptas. Quando as formas de governo são, por assim di- zer, corrompidas em favorecimento da “classe política”, elas recebem, respectivamente, os nomes de tirania, oli- garquia ou demagogia.

O critério para essa classificação sêxtupla das for- mas de governo, dividida em duas partes tripartites, conforme sejam retas ou corruptas, leva em con- sideração o fato de estar o governo voltado para o atendimento das necessidades da comunidade (retas) ou para o das necessidades e vontades ego- ístas daquele(s) que governa(m) (corruptas) (Bittar, 2002, p. 80).
Aristóteles (2002) avalia o grau de corruptibili- dadede em cada uma dessas constituições, perceben- do que a monarquia, considerada a melhor forma de governo6, é também a mais corruptível, por, facilmente, degenerar-se em uma tirania. Por sua vez, a aristocra- cia não é considerada um governo tão bom quanto o é a monarquia, mas é menos corruptível e possui menos chances de transformar-se numa oligarquia. Por fim, a democracia, forma de governo considerada essencialmente ruim, é, segundo o critério de análi- se aristotélico, a mais estável das formas puras. Por isso, Aristóteles (2002) teoriza a possibilidade de um governo misto de aristocracia e de democracia, por ele chamado de politeía, (Quadro 1) caracterizado pela constituição do povo e da elite no núcleo da soberania – proposta essa que teria se aproximado da república romana histórica7.
Quadro 1 – As formas de governo segundo Aristóteles (2002). Chart 1 – Forms of government according to Aristotle (2002).
Quantos governam?
Como governam? Forma “boa” Forma corrupta Um Monarquia Tirania
Poucos Aristocracia Oligarquia
Muitos Democracia Demagogia
Governo misto Politeía

Depois de Aristóteles, Maquiavel (1996) estabe- leceu uma nova classificação das formas de governo (Quadro 2) , pela qual se admite a existência de apenas duas formas: a monarquia ou principado e a república, esta última, a forma classificatória mais amplamente aceita até hoje (Füher e Füher, 2003). A teoria de Ma- quiavel afasta-se do idealismo metafísico de Aristóte- les e se fixa nas demandas impostas pela realidade8. Por um lado, a monarquia ou principado é a forma de governo que se impõe para um Estado em fundação, em que o príncipe reúne bastantes meios de coação física para eliminar os poderes parciais e institui a or- dem jurídica (Weber, 2002b); a república, por outro, é apropriada para o Estado que já superou o problema da obtenção da paz interna e pode, portanto, experi- mentar as formas institucionais pelas quais se obtém a liberdade política, o bem segundo na escala das priori- dades políticas.

Maquiavel sugere que há basicamente duas respos- tas à anarquia decorrente da natureza humana e do confronto entre os grupos sociais: o Principado e a República. A escolha de uma ou de outra forma insti tucional não depende de um mero ato de vontade ou de considerações abstratas e idealistas sobre o regime, mas da situação concreta. Assim, quando a nação encontra-se ameaçada de deterioração, quando a corrupção alastrou-se, é necessário um governo forte, que crie e coloque seus instrumentos de poder para inibir a vitalidade das forças desagregadoras e centrífugas. O príncipe não é um ditador; é, mais propriamente, um fundador do Estado, um agente da transição numa fase em que a nação se acha ameaçada de decomposição. Quando, ao contrário, a sociedade já encontrou for- mas de equilíbrio, o poder político cumpriu sua função regeneradora e “educadora”, ela está preparada para a República. Neste regime, que por vezes o pensador florentino chama de liberdade, o povo é virtuoso, as instituições são estáveis e contemplam a dinâmica das relações sociais. Os conflitos são fonte de vigor, sinal de uma cidadania ativa, e portanto são desejáveis (Sa- dek in Weffort, 1989, p. 20-21).
 

O argumento pelo qual a monarquia pode ser considerada a melhor forma de governo é bastante simples. Já que o rei é uma autoridade formada por um homem apenas, está descartado o inconveniente de a autoridade política contradizer-se, tal como acontece o tempo todo nos “corpos coletivos” – tanto mais quanto mais desigual cultural e economicamente forem as suas partes constituintes. Se o rei é bom e sábio, tudo estará resolvido no plano da política. Se for mau ou incapaz, ao contrário, tenderá a tornar-se um tirano. Mas a democracia nem sequer teria a chance de manter-se como uma forma reta. Ela foi considerada a pior forma de governo porque já parte do princípio de que muitos tomarão partido, e, assim, o regime está fadado à contradição, motivo pelo qual Aristóteles a considerou uma forma política essencialmente má. 7 O senado patrício romano é contraposto pelo tribunato plebeu, numa constituição tipicamente republicana, que pode ser considerada a antecessora histórica das modernas Câmaras dos Lordes e dos Plebeus inglesas ou das nossas Câmaras dos Senadores e dos Deputados – isso se, entre nós, essas instituições fossem realmente representativas de classe e não houvesse a “corrupção estrutural” descrita neste artigo. 8 Maquiavel declarava buscar a “verdade efetiva”, antecipando intuitivamente o objetivismo baconiano. Ele argumentava buscar a verdade sobre aquilo que os homens realmente fazem, e nem tanto as razões que evocam para justificar as suas ações. Essa atitude é tipicamente científica e tende a um certo tipo de empirismo, além de marcar a distância entre Maquiavel e os pensadores puramente lógicos, como Aristóteles.

Quadro 2 – As formas de governo segundo Maquiavel. Chart 2 – Forms of government according to Machiavelli.
Formas de governo Função política Monarquia Paz, ordem República Liberdade
Montesquieu, por sua vez, inspirou-se tanto em Aris- tóteles quanto em Maquiavel para criar a sua tipologia das formas de governo. Mas, diferentemente deles, estava inte- ressado em descobrir as leis gerais (“espírito”) das diferen- tes sociedades, razão pela qual apenas uma – e não qualquer uma – forma política lhes pode ser própria. “Seria el efecto de un gran azar si las leyes de una nación pudieran convenir a otra” (Groethuysen, 1989, p. 55). Para Montesquieu (in Châtelet et al., 2000), as leis são “relações necessárias que derivam da natureza das coisas”, de modo que as diferentes nações ou sociedades, com os princípios ou paixões que lhes são próprios, não poderiam ajustar-se senão a uma – ape- nas a uma – natureza constitucional específica. Montesquieu (2002) denomina como natureza do governo as suas diferentes formas institucionais, re- pública, monarquia, despotismo, (Quadro 3); e como seu princípio o sentimento social sem o qual as diferentes formas de governo não poderiam prosperar (virtude, honra, medo). Assim, não havendo uma congruência entre as naturezas dos governos e os seus respectivos princípios, qualquer forma política é considerada cor- rupta9. A exigência de uma resposta das formas políticas
às exigências da qualidade de sua base social é o inova- dor aspecto sociológico da teoria política de Montes- quieu (Albuquerque in Weffort, 1989).

As leis mantêm relações com a natureza e com o princípio de cada governo: a teoria da lei exige uma nova classificação dos regimes políticos. Os gover- nos podem ser distinguidos a partir de sua natureza, ou seja, a partir dessa estrutura particular que de- fine o modo de detenção e de exercício do poder, mas também a partir de seu princípio, ou seja, desse conjunto de paixões específicas […] (Châtelet et al., 2000, p. 63).
Primeiro, a república, que “se caracteriza pelo fato de que o poder é detido pelo povo (sua natureza) e que nela reina a virtude (seu princípio), entendida no sentido político (amor pela res publica)” como “amor socrático”, no uso que Voltaire (2002, p. 27) faz da expressão, quer dizer um sentimento capaz de unir o povo “pelo jura- mento de dar a vida uns pelos outros”. Em última análise, o amor socrático, que caracteriza o ideal da república, é o princípio da primazia do interesse público ou do Direito do Estado, em face dos interesses egoístas dos particu- lares. Foi com base nesse sentimento, ou princípio, que Sócrates deixou-se matar pela eclesia ateniense, ainda que injustamente, para demonstrar a sua submissão total aos interesses do Estado (Platão, 2002). Mais um detalhe: a natureza da república é tal que engloba tanto os governos democráticos como os aristocráticos. Por sua vez, a monarquia “Pela sua natureza, é o governo de um só que dirige o Estado através de leis fixas e estabelecidas. Pelo seu princípio, é o rei- no da honra” (Althusser, 1972, p. 92). Nota-se, nes- sa definição, o repúdio ao absolutismo do monarca e a exigência de que o mesmo exerça a soberania por meio da Lei, contra a qual ele não pode nem deve aten- tar – princípio defendido originariamente por Hobbes (2001). O princípio da monarquia é a honra, entendida como o amor àquilo que cada um deve à sua posição ou status social. Num regime monárquico, o rei deve contar com o apoio de sua honrada nobreza, verda- deiro sustentáculo do regime, que serve ao rei em troca dos privilégios da distinção: “[…] o rei só é rei pela existência da nobreza e do clero e deve, em tro- ca disso, reconhecê-los e conservar-lhes o privilégio” (Althusser, 1972, p. 94).
9 A retidão ou a corrupção das formas de governo, aqui, não fazem parte da essência dessas formas. Estão condicionadas à congruência ou à incongruência das formas políticas as suas bases sociais. Até mesmo um governo despótico pode ser um “bom” governo, se estiver adaptado ao princípio de um povo específico, que esteja acostumado a ter medo e que, portanto, funcione melhor num ambiente político que realimente esse medo (despotismo) que num outro que lhe exigiria interesse e participação políticos (democracia).
Rocha e Silveira | Estado e democracia: esboço de uma interpretação do habitus político brasileiro
Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 1(1):9-15 13
A honra é um princípio fácil, que a nobreza produz como que involuntariamente; sua vaidade ou seu egoísmo a impele para o esforço. Já na República, a virtude é de certo modo forçada. Portanto, há in- teresse em conservar os privilégios da nobreza, a fim de beneficiar-se com seus efeitos (Châtelet et al., 2000, p. 64).
Por fim, “o despotismo, como governo em que um só homem, sem leis nem regras, obtém tudo pela sua vontade e pelos seus caprichos” (Althusser, 1972, p. 108) distancia-se da monarquia pelo fato de não haver hierarquia social ou distinção nobiliárquica; dessa forma, todos são iguais. No entanto, a igualdade do despotis- mo não é a mesma igualdade da república: se nesta to- dos são iguais em direitos, naquele todos são iguais na submissão ao déspota, razão pela qual o despotismo só pode ter por princípio o medo:
Os homens são nele todos iguais, não se podem pre- ferir uns aos outros; já que os homens são nele todos escravos, nada pode ser preferido […], e como é pre- ciso haver virtude numa República e honra numa mo- narquia, é preciso haver temor num governo despótico (Montesquieu in Châtelet et al., 2000, p. 63).
Atualização sistemática: os princípios como habitus políticos
Este trabalho sugere a hipótese de que aquilo que Montesquieu (2002) chamou “princípios” poderia ser descrito igualmente pelo conceito sociológico de habi- tus, no uso que Bourdieu (in Ortiz, 2003) faz do termo. Bourdieu (2004b) formulou o conceito de habitus para dar conta de uma dificuldade teórica que dividia os cien-
tistas sociais desde a fundação formal da sociologia como ciência por Weber (2002b) e Durkheim (2001). Enquanto Durkheim (2001) sustentava a primazia das forças sociais externas ao indivíduo para a determinação das suas ma- neiras de agir, pensar e sentir, Weber (2002b) entendia que a ação social era compreensível, a partir das razões conscientes internas visadas pelos indivíduos. Com a intenção declarada de evitar o fatalismo durkheimiano, sem cair na filosofia da consciência we- beriana, Bourdieu (2004b) sugere a hipótese de que o peso do social, vinculado ao fato de se pertencer a um contexto social – nacional, político, econômico etc. –, é incorporado pelos indivíduos sob a forma de um sis- tema de disposições (os habitus), sem que isso neces- sariamente permita-lhes consciência do fato de o seu comportamento ser, em grande parte, influenciado por esse condicionamento.
[…] [Os habitus são] sistemas de disposições duráveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, como princípio gerador e estruturador das práticas e das represen- tações que podem ser objetivamente “reguladas” e “regulares” sem ser o produto da obediência a regras, objetivamente adaptadas a seu fim sem supor a in- tenção consciente dos fins e o domínio expresso das operações necessárias para atingi-los e coletivamente orquestradas, sem ser o produto da ação organizadora de um regente (Bourdieu, 2004b, p. 53-54).
Nesse contexto, nada impede de se levar adian- te a hipótese de que os princípios de Montesquieu (2002) possam ser tratados como sendo os mesmos habitus de Bourdieu (2004b). Há, inclusive, intérpretes de Montesquieu que, ao abordar o tema da congruência entre a natureza dos governos e os seus respecti- vos princípios, sustentam que “[…] unas condiciones económicas y morales crearon una cierta disposición de espírito”, e que “[…] todas las instituciones deben ajustarse a esa disposición […]” (Groethuysen, 1989, p. 56). Ora, “disposições inculcadas” no interior do indivíduo pelo seu contexto social são exatamente a forma que define o conceito de habitus. Decorre que o meio social (inclusive as insti- tuições políticas), com todo o peso da história que o produziu, é capaz de criar sistemas de disposições (ha- bitus) que respondem muito bem às suas próprias con- dições de produção, mas não a outras. Isso significa que regimes monárquicos produzem disposições de honra, as quais reproduzem e sustentam os regimes monár- quicos. Repúblicas produzem cidadãos virtuosos, que reproduzem essas repúblicas, e assim por diante. Se for assim, é possível apontar teoricamente algu- mas das possíveis causas do descompasso – descrito como corrupção estrutural – entre as instituições políticas brasilei- ras, pretensamente democráticas, e a atitude típica da grande maioria dos políticos brasileiros frente à coisa pública.

A “corrupção estrutural” da democracia brasileira

Do ponto de vista formal, o Brasil se define como Estado Democrático de Direito (Art. 1o da Constituição Federal, Brasil, 1988), identifica-se com a realização his- tórica da forma constitucional que reúne os principais elementos do Estado Liberal (segurança jurídica) e do Es- tado Social (prestações positivas do poder público) e se compromete, por definição, com o projeto de transfor- mação do status quo (Morais e Streck, 2000). Entretanto, essa é apenas a posição oficial do Estado – e dos juristas que aderem a ele sem nenhuma crítica, quer dizer, com fidelidade tanto maior quanto maior for o lucro (econô- mico ou simbólico) que conseguem obter dele. Na prática, percebe-se um certo descompasso entre as instituições democráticas e a cultura brasileira (Rocha, 2002), descrito, no plano jurídico-hermenêutico, como “desfuncionalidade” (Streck, 2000). Os autores identificam no habitus a causa dessa incongruência entre as instituições formais e a atitude material (Coppeti, 2000; Rocha, 2005, 2002) das pessoas em relação à coisa pública no Brasil. É preciso definir as condições históricas da produção do habitus político típico-ideal do brasileiro para compreender legitima- mente a razão pela qual “se torna muito difícil aplicar em nosso contexto o modelo de Estado Ocidental im- portado” (Badie in Rocha, 2002, p. 18).
Segundo Rocha (2002), o modelo de democracia praticado nos Estados Unidos e elogiado por Tocque- ville pressupõe a difusão ou generalização da cultura democrática, trabalho que, entre nós, não ocorreu. A cultura democrática a ser generalizada é precisamente a “virtude republicana” de que falava Montesquieu (2002), a qual só poderia ser inculcada como habitus em condi- ções sociais, culturais e econômicas específicas, diferen- tes das condições brasileiras. Essas condições se fizeram presentes entre os colonizadores da América de modo excepcional e, com dificuldade um tanto maior (vejam- se as Revoluções), também estiverem presentes para os ingleses, franceses e outros povos com histórias bem específicas de aculturamento político. Faoro (2001) explica que o fato de, em Portugal e no Brasil colonial e regencial, ter existido um “estado patrimonial” – no lugar do “estado feudal” da França e da Inglaterra – tornou improvável o afloramento de uma clas- se social economicamente interessada em riqueza, desvin- culada do Estado. A confusão entre o patrimônio do rei e o erário público, bem como o surgimento de um estamen- to de tipo burocrático que se enobrece e enriquece pela ocupação dos cargos públicos, usurpados por eles, está no contexto sociopolítico do qual deriva o habitus político – tipicamente medieval ou monárquico – presente no com- portamento do político brasileiro até hoje. Compreende- se, pois, que o habitus político, como sistema disposicional de atitudes frente à coisa pública, foi produzido segundo condições muito antidemocráticas. Por essa razão, não se pode esperar que ele produza as práticas democráticas que o tipo ideal (natureza) da república exige. Segundo a teoria de Montesquieu (2002), a repú- blica – democrática ou aristocrática – pressupõe uma atitude em que o interesse particular se dobra perante a primazia do público (virtude), ao passo que a monar- quia exige uma nobreza ansiosa pela distinção social e pelas vantagens que o Estado pode lhe oferecer (honra). Paradoxalmente, a atitude habitual do político brasileiro, pertencente ao estamento que dominou a nossa política desde a colonização, é surpreendentemente semelhante à descrição do princípio da honra monárquica e, assim, diverso da virtude republicana:
O estamento supõe distância social e se esforça pela conquista de vantagens materiais e espirituais exclusi- vas. As convenções, e não a ordem legal, determinam as sanções para a desqualificação estamental, bem como asseguram privilégios materiais e de maneiras. O fechamento da comunidade leva à apropriação de oportunidades econômicas, que desembocam, no pon- to extremo, nos monopólios de atividades lucrativas e de cargos públicos (Faoro, 2001, p. 62).

Segue-se que os políticos, no Brasil, salvo exce- ções notáveis, têm o seu imaginário fulcrado em habitus capazes de produzir práticas e discursos “estrutural- mente corrompidos”, tais como aqueles denunciados no exemplo extremo de Severino Cavalcanti, que, como deputado, nomeou oito parentes seus para a ocupação de cargos federais comissionados sob o pretexto de possuírem curso superior. Segundo a sua lógica de pen- samento, meio tímida ou dissimulada, mas muito presen- te, a res publica lhe pertence e deve ser apropriada por ele por direito (Terra Notícias, 2005). Observa-se uma exacerbada vontade de enobre- cer pela fidalguia e pelas relações pessoais, uma atitude tipicamente medieval (Bourdieu, 2004a) e contrária à ética do trabalho. Enquanto os colonizadores dos Esta- dos Unidos, por exemplo, tinham em mente uma ética do trabalho e do enriquecimento pelo trabalho (Weber, 2002a) – certamente ligada a idéias religiosas –, os co- lonizadores do Brasil possuíam uma ética do enobreci- mento pela nomeação e um forte repúdio em relação ao trabalho manual.
Os netos dos conquistadores de dois mundos podem, sem desonra, consumir no ócio o tempo e a fortuna, ou mendigar pelas secretarias um emprego: o que não podem, sem indignidade, é trabalhar! Uma fábrica, uma oficina, uma exploração agrícola ou mineira, são coisas impróprias da nossa fidalguia. Por isso as melhores in- dústrias nacionais estão nas mãos dos estrangeiros, que com elas se enriquecem, e se riem das nossas preten- sões. Contra o trabalho manual, sobretudo, é que é uni- versal o preconceito: parece-nos um símbolo servil! Por ele sobem as classes democráticas em todo o mundo, e se engrandecem as nações; nós preferimos ser uma aristocracia de pobres ociosos a ser uma democracia próspera de trabalhadores (Faoro, 2001, p. 105-106).
Conclui-se, por esse esboço bastante rápido e abstrato, que uma série de conjunturas históricas e culturais, ligadas ao processo de formação dos Estados português e brasileiro, produziram habitus políticos, em conseqüência dos quais, as relações personificadas de le- aldades e de trocas de vantagens, referidas como capital social, segundo a terminologia de Bourdieu (in Coradini, 1998) ainda são decisivas entre nós. Para nossa fidalguia, “a conquista do emprego, ao posto, à dignidade, se faz à custa da intriga bem tecida, da conversa doce” (Faoro, 2001, p. 99) e não mediante regras claras e requisitos intelectuais de uma meritocracia da virtude. É possível que, em razão disso, não só a população e os ingênuos se deixam enganar: mesmo juristas cultos sustentam o fato de que vivemos numa democracia. Paradoxalmente, em nenhum lugar se observam as atitudes necessárias à
materialização da práxis democrática, ou à virtude como princípio, cujas condições históricas de produção não estiveram presentes em nossa formação social.

 

Referências: 
ALTHUSSER, L. 1972. Montesquieu: a política e a histórica. São Paulo, Presença, 163 p. ARISTÓTELES. 2002. Política. São Paulo, Martin Claret, 272 p. BITTAR, E.C.B. 2002. Doutrinas e filosofias políticas: contribuições para a história das idéias políticas. São Paulo, Atlas. BRASIL. 1988. Constituição Federal. Brasília, Senado Federal. BOURDIEU, P. 2004a. A produção da crença: contribuição para uma eco- nomia dos bens simbólicos. São Paulo, Zouk, 220 p. BOURDIEU, P. 2004b. O poder simbólico. 7ª ed., Rio de Janeiro, Ber- trand Brasil 311 p. CHÂTELET, F.; DUHAMEL, O.; PISIER-KOUCHNER, E. 2000 História das idéias políticas. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 399 p. COPETTI, A. 2000. Direito penal e estado democrático de direito. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 213 p. CORADINI, O.L. 1998. A formação da elite médica no Brasil e seu re- crutamento: confronto com o caso francês. Cadernos de ciência política, série pré-edições, 11:1-24. DURKHEIM, E. 2001. As regras do método sociológico. São Paulo, Martin Claret, 160 p. FAORO, R. 2001. Os donos do poder: formação do patronato político bra- sileiro. 3ª ed., São Paulo, Globo, 903 p. FÜHER, M.R.E.; FÜHER, M.C. 2003. Resumo de direito constitucional. 5ª ed., São Paulo, Malheiros, 176 p. GROETHUYSEN, B. 1989. Filosofía de la revolución francesa. Cidade do México, Fondo de Cultura Econômica. HOBBES, 2001. T. Leviatã: ou matéria, forma e poder de um estado eclesi- ástico e civil. São Paulo, Martin Claret, 527 p. MAQUIAVEL, N. 1996. O príncipe. 2ª ed., São Paulo, Martins Fontes. MONTESQUIEU. 2002. Do espírito das leis. São Paulo, Martin Cla- ret, 727 p. MORAIS, J.L.B. de; STRECK, L.L. 2000. Ciência política e teoria geral do estado. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 183 p. ORTIZ, R. (org.). 2003. A sociologia de Pierre Bourdieu. São Paulo, Olho d´Água, 172 p. PLATÃO. 2002. Apologia de Sócrates. Banquete. São Paulo, Martin Cla- ret, 175 p. ROCHA, A.F.O. 2005. O direito na obra de Pierre Bourdieu: campos jurídico e político. Estudos jurídicos, 38(1):46-53. ROCHA, A.F.O. 2002. Sociologia do direito: a magistratura no espelho. São Leopoldo, Unisinos, 147 p. STRECK, L.L. 2000. Hermenêutica jurídica e(m) crise: uma exploração hermenêutica da construção do direito. 2ª ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado, 366 p. TERRA NOTÍCIAS. 2005. Nível superior justifica nepotismo, diz Severi- no. Disponível em: http://noticias.terra.br/brasil/interna/0,,OI49I495- EIII94,00.html. Acesso em: 04/12/2005. TIMASHEFF, N.S. 1960. Teoria sociológica. Rio de Janeiro, Zahar, 453 p. VOLTAIRE. 2002. Dicionário filosófico. São Paulo, Martin Claret, 512 p. WEBER, M. 2002a. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo, Martin Claret, 224 p. WEBER, M. 2002b. Ciência e política: duas vocações. São Paulo, Martin Claret, 128 p. WEBER, M. 1999. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia com- preensiva. 4ª ed., São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, vol. 1 e 2, 580 p. WEFFORT, F.C. 1989. Os clássicos da política. São Paulo, Ática, vol. 1, 288 p.

Imagem

Têmis Limberger1

Unisinos, RS, Brasil
temis@via-rs.net
Hector Cury Soares2
UFRGS, RS, Brasil
hcurys@hotmail.com

 

 

Resumo
O presente trabalho analisa os desafios da efetivação do direito à saúde, especialmente no que tange ao fornecimento gratuito de medicamentos. Para tanto, apresenta-se toda a complexidade que envolve a promoção de políticas públicas em um país de modernidade tardia como o Brasil, onde os recursos são escassos, e o deferimento de determinadas demandas pode representar a escolha entre a vida de um sujeito e a vida da coletividade. Com base nisto, estuda-se a priorização de demandas coletivas como a melhor forma de efetivação das políticas públicas de saúde, em particular, o fornecimento gratuito de medicamentos. Dessa forma, neste artigo, são traçados limites mínimos entre a intervenção do Poder Judiciário no Poder Executivo, repensando as políticas públicas e suas implicações no Estado Democrático de Direito.

Introdução

Os direitos não são um dado, mas um construído. Pode-se formular esta ideia a partir do pensamento de Arendt (1998), que concebe os direitos humanos, desde a construção da igualdade, e a cidadania como o direito a ter direitos, o qual se conforma no primeiro direito humano. Isto significa pertencer, pelo vínculo da cidadania, a algum tipo de comunidade juridicamente organizada e viver numa estrutura em que vige o princípio da le- galidade, evitando-se o surgimento de um novo estado totalitário de natureza (Arendt, 1998, p. 368-382). Nesta perspectiva, quando se comemoram 20 anos da promulgação da Constituição Cidadã, a questão principal não é mais a declaração de novos direitos, mas a busca pela efetividade dos mesmos. Aí se insere o direito à saúde que, por ser um direito social, requer a disponibilida- de orçamentária para sua implementação. O direito à saúde teve a sua trajetória de construção nestas duas décadas, e muito ainda há de ser feito. No Brasil, devido à falta de planejamento, são despendidas elevadas quantias quando se trata da im- plementação dos direitos sociais. Ao invés de haver uma atitude de prevenção, se gasta muito mais na reparação. Pode-se pensar na questão da educação, moradia, segurança, transporte, trabalho, previdência social, lazer, saú- de etc. Todos estes direitos sociais previstos no art. 6º, caput, da Constituição Federal (CF) se prestam para investigação, mas, devido a um corte metodológico necessário, é imprescindível delimitar a questão. Nesta perspectiva, os dois direitos sociais que têm as chamadas “verbas carimbadas” por parte dos poderes públicos, no sentido de que o percentual de recursos se encontra previamente defi nido, são educação (art. 212, da CF) e saúde (art. 198, § 2º, da CF). Isto afi rma a importância de investimento para estes setores tão prioritários para que, no futuro, o Brasil seja um país sem tantas desigualdades sociais. Assim, este trabalho aborda o direito à saúde, especialmente nestes últimos anos da recente
história constitucional democrática brasileira. Neste cenário, o desafio que se impõe é fazer com que o direito à saúde não seja um comando meramente programático, mas se torne efetivo. Diante desse quadro, pergunta-se: quais são as possibilidades e os limites do controle judicial, atinente às políticas públicas que visem à implementação do direito à saúde? Para responder a esta questão, algumas tomadas de posição são necessárias diante dos questionamentos: por que vigora(ou) no direito administrativo brasileiro o dogma da impossibilidade de revisão dos atos administrativos que se albergavam sob o manto da discricionariedade administrativa; qual o conceito de política pública; e quais os critérios para se estabelecer a intervenção do Poder Judiciário nesta seara. Neste artigo, abordam-se as políticas públicas como determinações constitucionais, ou seja, mandatos a serem realizados pelo administrador, sujeitos, portan- to, ao controle judicial. Assim, tarefas que são previstas na Constituição e que devem ser realizadas de acordo com a capacidade orçamentária, mas que não se cons- tituem em uma discricionariedade administrativa e não fi cam, portanto, imunes ao questionamento judicial. Com isto, revisa-se o conceito de discricionariedade da administração que foi transposto equivocamente do direito francês ao direito brasileiro e, também, a for- ma de realização dos direitos sociais, na qual a doutrina alemã não se adapta totalmente à realidade brasileira. Por isso, há necessidade de desenvolver uma teoria vol- tada às especifi cidades de nosso país, desde a ótica de uma hermenêutica comprometida com uma nova crítica do direito e, ao fi nal, à busca de uma solução adequada constitucionalmente. Nesse sentido, a redemocratização representou uma profunda mudança do sistema jurídico brasileiro. A Constituição Federal de 1988 promoveu uma revisão dos conceitos jurídicos em todos os ramos do direi- to. O fenômeno da constitucionalização do direito é percebido não somente nos debates doutrinários, mas, sobretudo, na prática forense. Assim, a Constituição Fe- deral de 1988, ao conferir constitucionalidade a diver- sos princípios inerentes ao Estado de Democrático de Direito, cria um programa salutar a ser seguido pelos agentes públicos no desenvolvimento de políticas pú- blicas à concretização do direito à saúde. O direito ao recebimento de medicamentos, problema eminente e objeto frequente de demandas judiciais individualizadas, possui o status constitucional de direito social. Entre- tanto, o dever de fornecimento de medicamento por parte do Poder Executivo gerou uma judicialização ex- cessiva, sendo necessária a elaboração de critérios de controle judicial adequados, barrando o ativismo judicial e permitindo ao poder público a elaboração de políticas públicas de saúde voltadas à coletividade. Assim, no Brasil, os direitos sociais, para que sejam efetivos, demandam um caminho diferente dos países europeus, onde estes são uma determinação da Constituição ao legislador ordinário ou ao administra- dor. Em nosso país, diante da particularidade própria em que estes comandos não são atendidos por seus destinatários, é importante a intervenção do Poder Ju- diciário. O desafi o consiste em verifi car os limites em que ocorre a atuação do Poder Judiciário, a qual não pode se substituir em atividades destes outros dois po- deres, mas tem de propiciar a efetividade dos direitos fundamentais sociais, quando decorrentes de políticas públicas insufi cientes ou inexistentes. Passaram-se quase 20 anos para que os direitos sociais fossem relacionados com os dispositivos orça- mentários. Isso é o que Canotilho e Moreira (1991, p. 173)3 denominam de “Constituição Orçamental”. As me- didas de gestão orçamentária são importantes quando se pretende a realização dos serviços públicos. Questões vitais como saúde, educação, segurança e moradia reclamam, para sua implementação, dispêndios por parte do poder público que precisa contar com dis- posições orçamentárias. Assim, o administrador, quando concretiza uma política pública, encontra no orçamen- to o limite objetivo da reserva do possível (Sarlet, 2010, p. 27). Da mesma forma, diante da omissão ou precarie- dade da implementação da política pública, o Poder Ju- diciário fi ca também adstrito ao orçamento, mas, para efetivar os direitos sociais, pode pronunciar-se quando provocado. Durante muitos anos havia a errônea concep- ção de discricionariedade administrativa que servia para
agasalhar todos os desmandos ou inefi cácia do executivo. Sob o manto do ato discricionário, não poderia o Judici- ário se imiscuir na atividade da administração. As ações judiciais interpostas e algumas decisões judiciais indicam que houve uma mudança de posição. É claro que isto não signifi ca suprimir ou substituir a atividade administrativa, mas buscar a efetividade dos direitos sociais. Com estes balizadores será possível travar uma discussão da efi cácia e dos limites de implementação das políticas públicas de concretização dos direitos sociais, quando forem submetidas ao crivo do Poder Judiciário, especialmente no que diz respeito ao direito à saúde, não no sentido de sentenças formuladas com critérios eminentemente subjetivos, mas a decisão adequada (Streck, 2008b, p. 99), desde o ponto de vista constitu- cional. Portanto, é preciso propor limites constitucional- mente adequados para a intervenção judicial nas políti- cas públicas de saúde (fornecimento de medicamentos), principalmente em se tratando de países periféricos (de modernidade tardia), nos quais os recursos voltados à saúde são cada vez mais escassos. Além da própria ten- são entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário, há um confl ito maior entre um interesse (direito) individual à saúde – em última instância, à vida – e um direito coleti- vo (da coletividade) à saúde.
O semiestado social brasileiro e a importância da intervenção do poder judiciário na promoção de políticas públicas
A ideia central é investigar as principais causas do aumento do número de demandas individuais vol- tadas ao fornecimento de medicamentos (política pú- blica de saúde) e como racionalizar os escassos recur- sos disponibilizados na peça orçamentária à saúde. Esse é o contexto brasileiro! Junte-se, então, a esse breve panorama a condição de país de modernidade tardia, predicado adquirido tendo em vista a não realização do Estado social. O resultado de tudo isso vem na contra- mão da história: esse modelo foi mal fi xado na Consti- tuição Federal; houve (e ainda há) ações para reduzir a intervenção estatal ao mínimo – diga-se: ao mínimo do mínimo. Ou seja, nada se tinha, mas, mal se fi xou um rol de direitos sociais na Constituição que ainda não foram concretizados, e já se pensa em excluí-los.
3 Na Constituição orçamental estariam os preceitos relativos ao orçamento do Estado, principalmente a aprovação parlamentar do orçamento, incluindo a autorização parlamentar anual dos impostos e a autorização e o controle parlamentar das despesas públicas.
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63 53
Em um contexto mundial, a crise do Estado So- cial e a derrota dos socialismos reais foram pressu- postos perfeitos à modernização neoliberal. A política econômica do neoliberalismo tem como estratégia a privatização, a desregulamentação, a fl exibilidade, a dí- vida externa, o ajuste e, como fi nalidade essencial, a adjudicação de recursos da sociedade e do poder, favo- recendo a transnacionalização da economia, da política e da cultura. A tese do Estado Mínimo confronta-se com as bases do Estado Social (países centrais). Em países peri- féricos, como o Brasil, de curtos e incipientes lapsos de democracia do Estado Social, as diferenças sociais cres- cem de forma progressiva, rumo ao mínimo do mínimo. O discurso moderno do neoliberalismo é assentado sob a privatização, o confi sco de direitos trabalhistas, a eliminação de estabilidade de funcionários públicos, o ajuste fi scal para equilibrar as receitas e as despesas, a privatização de serviços públicos e a dolarização da economia.4 No Brasil, intenta-se retornar a um Estado Mí- nimo, desregulamentado, privatizado, sem ter ao menos efetivado suas promessas da modernidade. Dito de outra forma, não há o mínimo de cidadania (direitos sociais) e vislumbra-se a redução do mínimo: nada mais ade- quado do que a expressão Estado Mínimo do Mínimo! Isto é refl exo de pensamentos hegemônicos e, portan- to, pequeno-burgueses de que o Estado deve atender tão-somente aos contribuintes5. Desta forma, há uma ampliação das funções do Estado (formalmente) e dos diretos sociais, porém não se cumprem as chamadas promessas da modernidade. Em outras palavras, há um simulacro de modernidade, uma modernidade tardia6, na medida em que tão logo foram incorporados esses direitos sociais, intentou-se uma redução desse Estado7. Assim, com a precarização dos direitos sociais e econômicos, assume relevância a intervenção do Poder Judiciário, havendo um deslocamento da legitimidade do
Poder Executivo8. Daí o crescente aumento de deman- das judiciais visando à efetivação de direitos sociais em países periféricos como o Brasil. Os recursos da saúde, entretanto, são muito es- cassos, sendo necessária a adoção de algumas priorida- des pelo gestor público. Para se ter dimensão, o aplicado em saúde hoje no Brasil, na esfera federal, não represen- ta 2% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme apre- senta a Tabela 1 (Brasil, 2007b). Como se pode observar, não há uma grande va- riação do total do gasto federal com saúde, em relação ao PIB, entre 1995 e 2006. O PIB, em 2007, representou cerca de 2,5 trilhões de reais (Brasil, 2006); destes, 1,7% destina-se a gastos federais com a saúde. É nesse con- texto que deve ser efetivado o direito à saúde, o que inclui o fornecimento gratuito de medicamentos. Observe-se que a tendência ao estabelecimento de uma linha de tensão nas relações entre o Judiciário, de um lado, e o Executivo e o Legislativo, de outro, além da fi losofi a política da Carta de 1988 e da agenda neo- liberal, deve ser equilibrada ao estado atual da econo- mia brasileira. Em contrapartida, o welfare state exigiria o acabamento do Poder Judiciário, quando provocado pelas instituições e pela sociedade civil a estabelecer o sentido ou a completar o signifi cado de uma legisla- ção que nasce com motivações distintas às da “certeza jurídica”. Assim, o Poder Judiciário seria investido, pelo próprio caráter da lei no Estado Social, do papel de “le- gislador implícito” (Vianna, 1999, p. 21). A falta de critérios do Poder Judiciário, aliada a poucos investimentos na saúde pública e à constante negativa por parte do Poder Executivo em fornecer medicamentos, gera a proliferação de decisões extrava- gantes ou até mesmo emocionais, as quais condenam a Administração Pública ao custeio de tratamentos des- cabidos, ou mesmo ao fornecimento de medicamentos experimentais, de efi cácia duvidosa, associados a tera- pias alternativas.
4 “Os neoliberais sabem que a superação da ordem do capital e a afi rmação dos valores democráticos, os mais caros à tradição liberal, correm risco com a denúncia re- novada dos socialistas. Daí a deliberada ofensiva contra toda a proposta de superação vinda daquele campo político, a começar pela despolitização das relações sociais, pressuposto basilar do projeto neoliberal. Qualquer regulação política do mercado, via Estado, via instituições da sociedade civil é negada por princípio. A despolitização é um de seus pressupostos, assim como… a vontade de quebrar a espinha dorsal dos sindicatos e dos movimentos organizados da sociedade” (Arruda Júnior, 1997, p. 63). 5 Bem referiu Camargo (2008, p. 16): “Não é incomum, nos tempos que ora correm, a reclamação em torno de o Estado somente dever atender a quem é contribuinte dos tributos que arrecada, sendo os demais verdadeiros vampiros sociais das forças vivas que movem a nação, por traduzir, invariavelmente, a generosa opção pelos pobres uma cruel opção pela pobreza”. 6 “Evidentemente, a minimização do Estado em países que passaram pela etapa do Estado Providência ou welfare state tem consequências absolutamente diversas da minimização do Estado em países como o Brasil, onde não houve o Estado Social” (Streck, 2008a, p. 21). 7 O Professor Dromi (2005, p. 10) apresenta interessante conjuntura da América Latina invadida pelo (neo)liberalismo: “Antes bien, la disminuición del aparato estatal no se traslada a sus responsabilidades, las que cada vez se dirigen más hacia la regulación y el control de las conductas públicas. Este processo aparece consolidado, no obstante la existencia de algunas vocês que hablan de su agotamiento, al tiempo que afi rman ver el retorno a ciertas formas de estatismo, particularmente, en America Latina. La gestión estatal es desempeñada cada vez más subsidiariamente, quedando reservado su ejercicio exclusivo o preeminente a materias muy específi cas (defensa, seguridad, justicia) y dejando las restantes a entes privados y públicos no estatales, mientras las puedan desenvolver adecuadamente”. 8 Santos (2007, p. 21) assim resume: “Por estas razões – diferentes de país para país, mas convergentes no seu sentido geral – temos mesmo vindo a assistir, em alguns países a um deslocamento da legitimidade do Estado: do poder executivo e do poder legislativo para o poder judiciário”.
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
54 Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63
O casuísmo das decisões judiciais brasileiras le- vará à não realização do previsto na Constituição Fe- deral, art. 196, que estatui: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e re- cuperação”, impedindo que políticas públicas coletivas sejam devidamente implementadas. A escassez de recur- sos faz com que a Administração Pública estabeleça al- gumas prioridades para a efetivação dos direitos sociais. Todavia, cumpre salientar que não são apenas os direitos sociais que geram um custo ao Estado, os chamados di- reitos de primeira geração (dimensão) também geram
custos em sua realização. Basta imaginar, por exemplo, o custo da segurança pública, o custo da manutenção (pública) de um corpo de bombeiros, tudo isto para a garantia de um direito de liberdade9. Coloca-se por ter- ra a tese minimalista de que somente os direitos sociais geram custos ao Estado. O último fator contribui ao aumento da com- plexidade da nossa equação (fornecimento de medica- mentos – direito à saúde – orçamento estatal – escassos recursos), sem esquecer-se das difi culdades de o Brasil ser um país periférico10. Exatamente pela sua condição de periférico o Poder Judiciário passa a intervir na rea- lização de políticas públicas, necessitando afi rmar a sua legitimidade, pois não a obtém por meio de processo
“Ao contrário do que se passa nos países centrais, não se tratam de infl uências exercidas sobre o Estado e sua ação, mas da confi guração interna do próprio poder do Estado. O autoritarismo estatal, por ser relativamente inefi caz, não só é incompleto como contraditório, e, por sua vez, contribui para a grande heterogeneidade e fragmentariedade da actuação (sic) do Estado. Tal heterogeneidade assume várias formas, algumas das quais já analisei em trabalhos anteriores. Menciono aqui uma raramente referida. Reside no modo como a actuação (sic) da burocracia do Estado oscila entre a extrema rigidez, distância e formalismo com que obriga o cidadão anónimo (sic) e sem referências (a que chamo sociedade civil estranha) a cansar-se aos balcões de serviços inacessíveis, a preencher formulários ininteligíveis, e a pagar impostos injustos e a extrema fl exibilidade, intimidade e informalidade com que trata, para os mesmos efeitos, o cidadão conhecido e com boas referências (a sociedade civil íntima)” (Santos, 2006, p. 131).
Tabela 1: Gasto federal com saúde, como proporção do PIB, segundo item de gasto Brasil, 1995-2006 Table 1: Federal spending on health as a proportion of GDP by expenditure item Brazil, 1995-2006.
Item de gasto 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Total 1,79 1,53 1,67 1,58 1,69 1,70 1,71 1,68 1,58 1,62 1,59 1,70
I. Gasto direto com saúde
1,55 1,26 1,31 1,01 0,97 0,87 0,81 0,75 0,67 0,54 0,48 0,53
a. Pessoal 0,35 0,28 0,25 0,22 0,22 0,21 0,19 0,19 0,21 0,20 0,18 0,21
b. O utras despesas correntes
1,16 0,96 1,04 0,77 0,72 0,62 0,59 0,54 0,44 0,31 0,28 0,29
c. Outros gastos diretos
0,04 0,02 0,03 0,02 0,02 0,04 0,03 0,02 0,02 0,03 0,03 0,03
II. Transferência a estados e DF
0,11 0,06 0,08 0,09 0,11 0,19 0,21 0,24 0,26 0,37 0,41 0,45
III. Transferência a municípios
0,10 0,18 0,24 0,41 0,54 0,59 0,63 0,63 0,60 0,66 0,65 0,69
IV. Outras transferências
0,04 0,03 0,04 0,07 0,07 0,05 0,06 0,06 0,05 0,05 0,05 0,04
Fonte: IPEA/DISOC – estimativas anuais a partir dos dados do SIAFI/SIDOR e das Contas Nacionais do IBGE.

 

O casuísmo das decisões judiciais brasileiras le- vará à não realização do previsto na Constituição Fe- deral, art. 196, que estatui: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e re- cuperação”, impedindo que políticas públicas coletivas sejam devidamente implementadas. A escassez de recur- sos faz com que a Administração Pública estabeleça al- gumas prioridades para a efetivação dos direitos sociais. Todavia, cumpre salientar que não são apenas os direitos sociais que geram um custo ao Estado, os chamados di- reitos de primeira geração (dimensão) também geram
custos em sua realização. Basta imaginar, por exemplo, o custo da segurança pública, o custo da manutenção (pública) de um corpo de bombeiros, tudo isto para a garantia de um direito de liberdade9. Coloca-se por ter- ra a tese minimalista de que somente os direitos sociais geram custos ao Estado. O último fator contribui ao aumento da com- plexidade da nossa equação (fornecimento de medica- mentos – direito à saúde – orçamento estatal – escassos recursos), sem esquecer-se das difi culdades de o Brasil ser um país periférico10. Exatamente pela sua condição de periférico o Poder Judiciário passa a intervir na rea- lização de políticas públicas, necessitando afi rmar a sua legitimidade, pois não a obtém por meio de processo eleitoral. A legitimidade do Poder Judiciário reside exa- tamente na capacidade de proteger os direitos dos cida- dãos, resistindo à pressão política exercida pelo governo (Lobato, 2001). A intervenção, exatamente pela complexidade, não pode ser desmedida sem a utilização de critérios por parte do Poder Judiciário. O fator econômico (es- cassez de recursos) não pode ser o único pesado pelo Judiciário, mas não pode ser esquecido. Ao desconside- rar o fator econômico, pressupõe-se que não há uma organização e planejamento do Poder Executivo em propor políticas públicas de saúde e, ademais, que não há uma lista de medicamentos elaborada conforme es- tudos regionalizados do Ministério da Saúde. O Poder Judiciário apresenta-se, então, como a tábua de salvação àqueles que tiveram o fornecimen- to de medicamento negado pelo Poder Executivo. Na decisão, fatores emocionais ou mesmo um pseudo- ativismo judicial fazem com que todo o planejamento voltado à garantia da saúde de uma coletividade seja comprometido em virtude de uma pessoa necessitar do fornecimento de determinado medicamento. Ignora-se totalmente a apresentada complexidade da equação dos gastos públicos e o espaço discricionário – necessário – a proposição de políticas públicas de saúde de deter- minado governo. A própria ideia de separação dos poderes (fun- ções) implica um entrelaçamento harmônico entre Ju- diciário, Executivo e Legislativo, contrariando o que se observa em relação ao deferimento de demandas indi- viduais para o fornecimento gratuito de medicamento, na medida em que a judicialização excessiva tem dado resultados práticos. Em última instância, pode-se afi rmar que o deferimento dessas demandas seria contrário ao próprio projeto de Constituição Federal brasileira. É evidente a necessidade da intervenção do Po- der Judiciário na implementação de políticas públicas, sendo uma imposição do atual. Entretanto, a matéria não pode ser tratada sem os cuidados pertinentes. Como foi apresentada, essa matéria envolve grande complexidade, a qual não pode ser ignorada pelo Poder Judiciário ao exercer seu controle sobre as políticas públicas de for- necimento de medicamentos. Portanto, observa-se o aumento progressivo (tendência) de demandas judiciais para a realização de políticas públicas. Contudo, a intervenção do Poder Ju- diciário não pode ser uma intervenção sem precaução, pois é uma imposição do atual estágio do Estado Demo- crático de Direito. Impõe-se uma modifi cação na pers- pectiva de que o orçamento é uma peça de fi cção ou meramente decorativa, devendo-se admitir, dentro dos parâmetros defi nidos, o controle excepcional do orça- mento público (Barros, 2008, p. 94).
A superação do totem da discricionariedade administrativa.
Durante muitos anos, no direito brasileiro vi- gorava o entendimento da impossibilidade de revisão judicial da atividade administrativa. O controle judicial dos atos da administração não era realizado, fundado na justifi cativa da discricionariedade administrativa. Esta posição, que vigorou em nosso país de forma inconteste, ainda encontra seguidores, embora tenha sido supera- da, por, no mínimo, três motivos. Primeiramente, está a impossibilidade de revisão dos atos administrativos por parte do Judiciário, que é doutrina transposta do direito francês, no qual existe uma especifi cidade co- nhecida como o contencioso administrativo que, no di- reito brasileiro, não encontra similar. O segundo motivo reside na teoria transposta do direito alemão em que os direitos sociais são comandos endereçados ao legis- lativo e administrativo, não cabendo ao Judiciário este controle. Na Alemanha, tais poderes realmente levam a sério a implementação destas políticas públicas, sem que seja necessária a interferência do Judiciário. Por fi m, o terceiro aspecto a ser considerado é que, no Estado Democrático de Direito, a escolha do administrador está vinculada aos preceitos constitucionais, em especial pela pauta dos direitos fundamentais. O Poder Judiciário, quando toma esta decisão, não pode cair na casuística, autorizando ou negando todas as pretensões que lhe vêm a julgamento, sem considerar os dispositivos orça- mentários, mas deve buscar a solução adequada consti- tucionalmente, e aí reside a questão. Com essa perspectiva, desenvolve-se este traba- lho, investigando os limites em que são controladas as políticas públicas judicialmente. Assim, o questionamento judicial destes atos da administração vem ocorrendo, mas o importante é apontar os critérios segundo os quais este vem se implementando, para que o Judiciário não se substitua à atividade do administrador, e tampouco o administrador fi que livre dos controles judiciais. Esta sindicabilidade tem de ocorrer de forma a concretizar os preceitos estabelecidos pela Constituição Federal. As grandes questões do direito público, neste terceiro mi- lênio, dizem respeito à possibilidade de controle judicial dos atos da administração referente às políticas públicas. Em um país como o Brasil, onde os direitos so- ciais ainda não estão assegurados para grande parte da população, a pergunta que se faz é a seguinte: fi ca ao alvedrio a implementação destas políticas públicas por
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
56 Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63
parte do Executivo, ou o Poder Judiciário pode ser um importante mecanismo de pressão na implementação destes direitos e em que limites? Assim, por exemplo, referente ao direito à saúde, a Constituição objetiva as- segurar um tratamento caro no exterior para uma só pessoa ou o tratamento de doença epidemiológica re- levante para uma parcela expressiva da sociedade? Por isso, quando está ausente ou insufi ciente uma política pública, o Judiciário deve agir, mas com critérios e limi- tes, sob pena de se cair no subjetivismo judicial. Desse fator advém a necessidade desta investigação, pois, em casos de omissão ou atuação precária do administrador, por vezes o Judiciário manifesta-se de forma tímida ou sem critérios. Visa-se, com este estudo, contribuir para esta questão, no sentido de apontar critérios formula- dos a partir dos preceitos constitucionais, sem que se caia em um casuísmo destituído de fundamento legal. Com relação ao primeiro aspecto, a inadequação do modelo francês transposto à realidade brasileira, faz- se um retrospecto a respeito dos controles da adminis- tração. Pode-se afi rmar que existem dois sistemas: o da unidade e o da dualidade da jurisdição. Esses sistemas decorrem da interpretação do Princípio da Separação dos Poderes. É importante salientar que a doutrina a que se convencionou a denominação “Separação dos Poderes” (Montesquieu, 1979, p. 148-154) não foi as sim conceituada por seu autor. Da leitura de sua obra, ex- traem-se duas ideias principais: a distinção tripartite das funções do Estado e a ideia de controle recíproco entre estas atividades. Em momento algum escreveu o autor a palavra “separação dos poderes”. Isto decorreu da inter- pretação principal de sua obra, mormente a apropriação da doutrina que se constituiu em um dos paradigmas apregoados pela Revolução Francesa. A interpretação e a crítica de Althusser (s.d., p. 127) não tiveram fortes ecos, no sentido de que Montesquieu era de origem no- bre, conhecido como Barão de La Brède, e formulou a teoria apenas para fortalecer o poder monárquico, na época em que este se encontrava em crise. Na França, berço do princípio da “Separação dos Poderes”, devido à doutrina de Montesquieu (1979), este foi interpretado de forma drástica como a impos- sibilidade de um poder exercer o controle sobre outro. A origem histórica desta interpretação encontra-se na desconfi ança que os legisladores da Revolução Francesa tinham para com o Poder Judiciário, pois este mostra-
va-se resistente às conquistas populares. Waline (1952, p. 45) assevera que a Lei n. 16, de 24 de agosto de 1790, dispunha sobre a organização judiciária e proclamava a separação das funções administrativas e judiciais, que foi reafi rmada com o período que se seguiu à Revolução Francesa. Houve proibição legal expressa aos juízes do conhecimento da matéria administrativa. As reclama- ções com conteúdo administrativo não poderiam ser, em nenhum dos casos, encaminhadas aos tribunais. De- veriam ser submetidas ao rei, então chefe da administra- ção geral (Laubadère, 1995, p. 107). Por contencioso administrativo, entende-se o conjunto de regras relativas aos litígios organizados que questionam a atividade dos administradores públicos. O progresso do direito administrativo francês deveu-se à existência de um contencioso. Esta instituição garantiu o desenvolvimento do direito propriamente dito, dando respaldo às teorias subjetivas, por meio das garantias de legalidade criadas, pela importância do aspecto moral da conduta dos administradores. O recurso por excesso de poder é uma criação jurisprudencial devido ao próprio Conselho de Estado, constituindo-se no principal instrumento de controle da legalidade administrativa (Laubadère, 1995, p. 105-107)11. Assim, o Conselho de Estado12 é um órgão de fi scaliza- ção dos atos da administração, situado dentro do pró- prio Executivo, e desempenha suas funções decisórias com imparcialidade e em consonância com a legalidade. A justifi cativa é no sentido de que o legislativo é o po- der constituído a partir da vontade popular, e não seria democrática a substituição da representação da sobe- rania do povo pelo Poder Judiciário, que não é eleito democraticamente. Essa questão é bem enfrentada por Cademartori (2006, p. 115), que analisa o fator legitimidade. Assim, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário possuem inter- venção calcada em pressupostos de legitimidade distin- tos. A legitimidade do poder legislativo decorre da ideia de soberania popular. O poder legislativo é o represen- tante da população, em que pese poderem ser feitas críticas ao modelo representativo. Com pressuposto diferente de legitimidade se encontra o Poder Judiciário, que possui seu fundamento no Estado de Direito. Basicamente, são estas as razões de ordem histó- rica pelas quais não se permite a revisão dos atos admi- nistrativos no direito francês, que consagra a dualidade de
11 A respeito da evolução do recurso de excesso de poder, o autor faz uma análise de sua evolução até o fi nal do século XX. 12 Da mesma forma, o Conselho Constitucional é o órgão a quem incumbe o controle da constitucionalidade das leis, que é realizado de uma maneira preventiva, não se permitindo ao judiciário o controle destas questões.
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63 57
jurisdição. Esta doutrina é inaplicável ao direito brasileiro em virtude do art. 5º, XXXV, da CF, que consagra a inafas- tabilidade do controle judicial de todos os atos. Logo, os atos da administração que traduzem opções de políticas públicas não podem fi car à margem do questionamento judicial: o desafi o está em estabelecer estes critérios. Além disso, no Brasil, os poderes executivo e le- gislativo não têm implementado as políticas públicas a contento, por isso a discussão se insere na órbita judi- cial. Neste contexto, outro aspecto a ser considerado é a sindicabilidade das políticas públicas como decorrên- cia do Estado Democrático de Direito. Atualmente não existe um poder discricionário livre, mas somente um poder discricionário vinculado (Maurer, 2007, p. 50). Esta vinculação pode se relacionar aos ditames constitucio- nais. Desta maneira, o conteúdo das políticas públicas não pode fi car ao alvedrio do administrador, mas tem de buscar efetivar os preceitos contidos na Constituição. O direito administrativo se estruturou no século XIX, a partir do Princípio da Legalidade, confi gurando- se no primeiro grande freio imposto ao administrador, porém, atualmente, com a denominada fuga do direito administrativo ou a tendência neoliberalizante do Estado, ocasionando a chamada efi cácia com relação a terceiros “drittwirkung”13, novos pressupostos devem ser erigidos. Por isso, o grande desafi o posto aos estudiosos do direito administrativo na atualidade é esta possibili- dade de controle judicial. Moreira Neto (2006, p. 406) e Alli Aranguren (2004, p. 377) afi rmam que há atuações administrativas constitucionalmente mandatórias, como é o caso das políticas públicas nacionais e não apenas governamentais da educação, da saúde e da segurança pública. Assim, o Estado Democrático de Direito re- clama a implementação dos direitos fundamentais, por meio das políticas públicas. Logo, a atividade administra- tiva no terceiro milênio deve ser pautada dentro dos balizadores que compõem o Estado Democrático de Direito: os direitos do homem e a democracia subs- tantiva. A partir destes dois vetores são estatuídos os quatro paradigmas atuais do direito administrativo (Mo- reira Neto, 2008): legitimidade, fi nalidade, efi ciência e resultados, os quais devem ser analisados de forma con- junta e não isoladamente, tendo em vista a realização
do serviço público. Esses paradigmas serão necessários quando exercidos os controles com relação à atividade administrativa, quer no âmbito preventivo ou repressivo. Assim, legitimidade e fi nalidade, que eram re- quisitos intrínsecos dos atos administrativos, deman- dam um novo olhar. No tocante à legitimidade, serão constitucionais as prestações públicas que respeitem os direitos fundamentais. A legitimidade, fundada no que se denominava pacto social, não basta mais; deve-se perquirir a respeito do atendimento dos valores que visam programar a pauta dos direitos humanos, prin- cipalmente quando estes completam 60 anos (Moreira Neto, 2008, p. 33). A legitimação é, sobretudo, um fenô- meno antropológico indissociável do consenso alcança- do pelos grupos sociais, que consiste na verifi cação da concordância com os fenômenos políticos e valorativos relacionados ao poder, ou seja, a sua concentração, a sua distribuição, ao seu acesso, ao seu exercício e ao seu controle (Moreira Neto, 2008, p. 63). Concernente à fi nalidade, estando sob a época da redescoberta dos valores e das fi nalidades, deve-se buscar identifi car a fi – nalidade nos princípios. A efi ciência é um princípio trazido pela Emen- da Constitucional (EC) 19/98, que traduz um aspecto axiológico, no sentido de que o direito administrativo deve e pode ser um instrumento para a realização dos direitos fundamentais e facilitador do desenvolvimento econômico e social. Após o aspecto valorativo, o último paradig- ma é o do resultado. Cuida-se de mensurador prático, em que são buscadas técnicas de controle da gestão (Moreira Neto, 2008, p. 139)14. Deve-se atentar para a prestação do serviço público, que possui um espectro distinto da seara privada. Já foi mencionado o fenômeno da efi cácia horizontal dos direitos fundamentais, no qual os confl itos migraram da seara pública à privada. É a denominada fuga do direito administrativo em direção ao direito privado (Fleiner, 1928, p. 326 in Mir Puigelat, 2004, p. 158). Isto também aconteceu com a questão da saúde. Há, porém, especifi cidades próprias, pois a iniciativa privada somente se interessa por setores em que há a possibilidade de lucro. As áreas defi citárias são suportadas pelo poder público. Assim, a prestação de serviço pelo Sistema Único de Saúde (SUS) responde por aproximadamente 75% da população brasileira15. Isto demonstra que os 25% restantes incumbem à ini- ciativa privada porque são setores com a potencialidade de lucro. Desta forma, o princípio da efi ciência deve ser aferido com características próprias e não com os mes- mos balizadores privados. Como se pode observar, a perspectiva totemiza- da de não ser possível o controle dos atos administrati- vos discricionários não é coadunada pelo atual ordena- mento constitucional. Há uma confusão conceitual entre discricionariedade e arbitrariedade, pois a liberdade da administração a exarar atos de sua oportunidade e con- veniência está adstrita à Constituição da República. Da mesma forma, tal aspecto refl ete no controle jurisdicio- nal das políticas públicas, permitindo ao Poder Judiciário promover ou concretizar essas políticas sem que, com isso, esteja desequilibrando a relação harmônica entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário.
Os desafi os a estabelecerem limites. E agora, judiciário?
Com base nas premissas analisadas anteriormen- te, notou-se a importância da intervenção do Poder Ju- diciário para a implementação de políticas, porém há ne- cessidade de uma intervenção responsável, considerando as peculiaridades orçamentárias brasileiras e objetivando conferir sentido ao direito à saúde. Ademais, verifi cou-se a necessidade de valorizar as demandas coletivas como adequadas (não únicas) para um maior equilíbrio na equa- ção orçamento (gasto público com medicamentos) versus efetivação do direito ao fornecimento gratuito de medi- camentos pelo Estado. Agora, cabe analisar qual o espaço de liberdade (discricionariedade) à Administração Pública para a determinação de políticas públicas de saúde, sem intervenção do Poder Judiciário e qual o espaço de inter- venção do Poder Judiciário. Para tanto, é preciso compre- ender o sentido de políticas públicas no Estado (Social) Democrático de Direito. Dessa forma, as políticas públicas16 são defi nidas como um programa ou quadro de ação governamental,
porque consistem num conjunto de medidas articuladas (coordenadas), cujo escopo é dar impulso, isto é, movi- mentar a máquina de governo, no sentido de realizar al- gum objetivo de ordem pública, ou, na ótica dos juristas, concretizarem um direito constitucionalmente assegu- rado (Bucci, 2006, p. 14). Assim, o governo deve traçar uma série de medidas voltadas à coletividade (ordem pública) com o intuito de concretizar um direito, e à ju- risdição constitucional caberá verifi car a constituciona- lidade das políticas públicas, interpretando-as conforme a constituição. Nesse sentido, os exemplos clássicos são o direito à saúde e o direito à educação. Contextualizando historicamente, as políticas públicas surgem no chamado Estado Social, que nada mais é (historicamente) que um intento de adaptação do Estado tradicional (Estado liberal burguês) às con- dições sociais da civilização industrial e pós-industrial aos seus novos e complexos problemas, mas também com suas grandes possibilidades técnicas econômicas e organizativas para enfrentá-los. Daí se desenvolve, no primeiro terço do século XIX, as chamadas políticas so- ciais com o objetivo de remediar as péssimas condições dos extratos mais desamparados da população (sem a intenção de transformar a estrutura social). A atual polí- tica social transforma-se em política social generalizada. Isso faz com que as constituições incorporem ao seu texto uma série de direitos sociais. As condições histó- ricas que tornam possível essa nova função do Estado se consolidam em uma nova etapa do neocapitalismo, ou seja, a necessidade de resolver os problemas gerados pela estrutura do Estado liberal e as possibilidades ofe- recidas pelo desenvolvimento cultural e tecnológico do período industrial (García-Pelayo, 1996, p. 18-19). No Brasil, isso ocorre no período pós-45, quan- do há uma forte aceleração na industrialização do país, obrigando-o à adoção dos direitos sociais, que perduram na Constituição de 1988. Em que pese à presença des- ses direitos na Constituição, eles não foram efetivados e, mais que isso, quando houve uma forte instrumenta- lização da jurisdição constitucional atenta à democracia, o projeto de constituição confrontou-se com a agen- da neoliberal. Tudo isso exige do Poder Judiciário uma atuação mais comprometida com a Constituição, acima
15 De acordo com a pesquisa mundial sobre saúde, desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e coordenada no país pelo Centro de Informação Cientí- fi ca e Tecnológica (CICT) da Fiocruz, em estudo que avalia os sistemas de saúde de 71 nações, consigna que os brasileiros dispensam em média 19% da renda familiar com saúde, da parcela da população de 25,8% que têm acesso aos planos de saúde privados, enquanto a maioria, 74,2%, conta com os serviços do SUS (Brasil, 2008). 16 O conceito de políticas públicas é oriundo da Ciência Política e das Ciências da Administração Pública; logo, o debate no campo jurídico implica abertura à interdisci- plinaridade. A fi gura das políticas públicas, no âmbito jurídico, surge como uma forma de concretização dos chamados direitos sociais, fruto de transformação do Estado liberal operada no século XX. “O paradigma dos direitos sociais, que reclama prestações positivas do Estado, corresponde, em termos da ordem jurídica, ao paradigma do Estado intervencionista, de modo que o modelo teórico que se propõe para os direitos sociais é o mesmo que se aplica às formas de intervenção do Estado na economia. Assim, não há um modelo jurídico de políticas sociais distinto do modelo de políticas públicas econômicas” (Bucci, 2006, p. 1, 5).
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63 59
de interesses de cunho meramente econômico17. Assim, se percebe porque o tema das políticas públicas entra na pauta jurídica, nos últimos tempos. Da passagem do Estado Liberal com sua feição de abstenção18, chega-se ao Estado Social, com seu conteúdo de intervenção, a partir das demandas concretas formuladas pelo cidadão. É o constitucionalismo social inaugurado no início do século XX, depois da Revolução Industrial e do Socialis- mo (Sigmann, 1985, p. 155), que tem sua marca na Cons- tituição Mexicana de 1917, Constituição de Weimar de 1919 e, em nosso país, na Constituição de 1934, da era Vargas. Passado o movimento pendular no sentido de constituições antidemocráticas e democráticas, chega- se à Constituição de 1988, na qual a democracia começa a se estabilizar e confere margem para a efetividade dos direitos. Deste modo, a discussão das políticas públicas ganha espaço no cenário jurídico. Nesse diapasão são elaboradas as políticas pú- blicas de saúde, como a de fornecimento de medica- mentos. O Estado interventor, o Estado Social, não mais interessa no contexto da sociedade globalizada. A nova tendência centrista é o neoliberalismo. Na América La- tina, o Judiciário não fi gurou como tema importante em matéria de reforma, cabendo ao juiz a fi gura inanimada de aplicador da letra da lei emprestada do modelo eu- ropeu. A intervenção do Judiciário passa a ter relevância com o fi m dos regimes autoritários. Com o Estado So- cial, a legitimidade do Estado não se funda na soberania popular, mas na realização das fi nalidades coletivas a serem realizadas programadamente; o critério classifi – catório das funções e, portanto, dos Poderes estatais só pode ser o das políticas públicas ou programas de ação governamental. No Estado Democrático de Direito, como pro- põe a Constituição Federal de 1988, o controle judicial de políticas públicas de saúde não pode traduzir-se em demandas individuais visando o acesso a medicamentos que não constam em listas fornecidas pelo Sistema Úni- co de Saúde. Deve-se atentar à possibilidade de contro- le que estabeleça a efetivação de políticas públicas para a coletividade. É necessária uma atuação comprometida da jurisdição constitucional, principalmente no controle de constitucionalidade das leis voltadas a constituírem um sentido ao direito à saúde, possibilitando a todos o
acesso aos medicamentos. Na Suspensão de Segurança n. 3073, o Estado do Rio Grande do Norte requer a suspensão da execução da liminar concedida pela de- sembargadora relatora do Mandado de Segurança n. 2006.006795-0, em trâmite no TJ/RN, que determinou ao ente federado o fornecimento de medicamentos de alto custo e não constantes na lista de medicamentos excepcionais do Ministério da Saúde. A Ministra Ellen Gracie (Brasil, 2007a) considerou que
[…] a norma do art. 196 da Constituição da República, que assegura o direito à saúde, refere-se, em princípio, à efetivação de políticas públicas que alcancem a po- pulação como um todo, assegurando-lhe acesso uni- versal e igualitário, e não a situações individualizadas. A responsabilidade do Estado em fornecer os recursos necessários à reabilitação da saúde de seus cidadãos não pode vir a inviabilizar o sistema público de saúde. No presente caso, ao se deferir o custeio do medica- mento em questão em prol do impetrante, está-se di- minuindo a possibilidade de serem oferecidos serviços de saúde básicos ao restante da coletividade. Ademais, o medicamento solicitado pelo impetrante, além de ser de custo elevado, não consta da lista do Programa de Dispensação de Medicamentos em Caráter Excep- cional do Ministério da Saúde, certo, ainda, que o mes- mo se encontra em fase de estudos e pesquisas.
A temática das políticas públicas, como processo de formação do interesse público, está ligada à questão da discricionariedade do administrador, na medida em que o momento essencial da discricionariedade é aque- le em que se invidualizam e se confrontam os vários interesses concorrentes. Um interesse é reconhecido como interesse público quando é assim qualifi cado pela lei ou pelo direito, que é exatamente o que se faz no processo de formação da política pública como dado de direito, ou seja, sancionar determinados fi ns e objetivos, defi nindo-os legitimamente como a fi nalidade da ativi- dade administrativa. As políticas públicas podem ser entendidas como forma de controle prévio da discricionariedade, na me- dida em que exigem a apresentação dos pressupostos materiais que informam a decisão, em consequência da qual se desencadeia a ação administrativa. O processo de elaboração da política seria propício a explicitar e
17 Diz Vianna (1999, p. 9-10) que: “Mudara, sobretudo, a circunstância, fruto de uma alteração na rota do processo de transição à democracia, quando a sua direção escapou das mãos de personalidades, partidos e grupos sociais comprometidos com os valores da tradição republicana brasileira, passando ao controle de lideranças que, em nome de ajustar o país às exigências da chamada globalização, entronizam o mercado como instância determinante da vida social. A primeira e mais óbvia repercussão desse ajuste foi o desalinhamento do projeto e das ações governamentais em relação ao texto constitucional recém-aprovado. Inevitável, portanto, a tendência ao estabelecimento de uma linha de tensão nas relações entre o Judiciário, de um lado, e o Executivo e o Legislativo, de outro, entre a fi losofi a política da Carta de 1988 e a agenda neoliberal”. 18 A propósito disso, sugere-se consulta à Constituição dos Estados Unidos de 1787 e à Constituição Francesa de 1791.
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
60 Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63
19 “Não obstante a formulação e a execução de políticas públicas dependam de opções políticas a cargo dos poderes populares, não há liberdade absoluta nesse domínio, quer do legislador, quer do Executivo. Se tais poderes agirem de modo irrazoável ou procurarem neutralizar direitos sociais, com inércia ou abusivamente, afetando a existência digna, cumpre ao Judiciário corrigir tais condutas” (Figueiredo, 2007, p. 66). 20 No Estado do Rio de Janeiro foram gastos com os programas de assistência farmacêutica R$ 240.621.568,00, enquanto com o saneamento básico foram investidos R$ 102.960.276,00. Comparando-se as duas quantias, o gasto com saneamento é menos da metade (Barroso, 2008).
documentar os pressupostos da atividade administrativa e, dessa forma, tornar viável o controle posterior dos motivos (Bucci, 2002, p. 265). Como visto, na elaboração da lista de medicamentos, uma série de fatores são leva- dos em conta a sua elaboração, motivando as escolhas realizadas pelo agente público, as quais se pressupõem a conformidade com a Constituição Federal. Assim, o Judiciário não deve invadir a área de atu- ação do Poder Executivo. Deve, por outro lado, corrigir inconstitucionalidades, ilegalidades, abusos ou desvios de poder, decisões desproporcionais, como também pro- mover ou corrigir ações afi rmativas, compatibilizando as políticas públicas às diretrizes e metas constitucionais (Figueiredo, 2007, p. 27-66). Entretanto, podem-se ob- servar, neste caso, dois momentos distintos de controle jurisdicional: controle na elaboração e controle na exe- cução da política pública de fornecimento gratuito de medicamentos. No tocante ao controle na elaboração, este deverá ser mais restrito, por se tratar exatamente do espaço de discricionariedade da Administração Pública, para confor- mar políticas adequadas constitucionalmente, com base em toda a estruturação para a escolha de determinado medicamento ou tratamento. O controle na elaboração, pelo seu caráter político, é um controle de exceção, só cabendo em caso de inconstitucionalidade fl agrante na elaboração das políticas públicas (o que inclui eventual desvio de poder). Cumpre salientar que a ideia de dis- cricionariedade19 da Administração Pública não implica fi car à disposição do agente público – o que poderia ser chamado de arbitrariedade. Discricionariedade adminis- trativa é sempre uma escolha adequada à Constituição. Diferentemente, o controle na execução é mais amplo pelo seu caráter jurídico. Destarte, caberá ao Poder Judiciário intervir no caso de não cumprimento da lista de medicamentos (e tratamentos) estipulados pelo Poder Público e de verifi car se um novo tratamen- to (medicamento) é comprovadamente mais efi ciente, permitindo inseri-lo na lista em razão da tutela coletiva. Enquanto aquele controle pretende acompanhar a ela- boração conforme a Constituição, este presume a cons- titucionalidade e exige o estipulado pelo Executivo ou mesmo acresce àquilo que o Executivo defi niu. O Judiciário está autorizado a intervir, quando o Poder Público não fi zer o aporte exigido constitucio- nalmente à área da saúde, em conformidade com o art.
198, § 2º, da CF. O foro mais adequado para discutir a inclusão ou exclusão de algum medicamento é por via das ações coletivas, com legitimados ativos representa- tivos e que permitem um amplo debate a respeito das prioridades, as quais são estabelecidas tendo em vista as determinações da Organização Mundial da Saúde, levando em conta as peculiaridades de cada país, imple- mentadas pelo Ministério respectivo, após debate junto ao Congresso Nacional. Atinente aos medicamentos em experimentação, que não têm a sua efi cácia comprova- da, não podem ser objeto de inclusão na lista pelo Poder Judiciário. Deve-se, ainda, optar pelo genérico de menor custo, quando houver esta possibilidade. Nos casos de demanda individual, compreende-se a agonia do cidadão que requer o remédio, da família que passa por uma situação difícil e do magistrado que, muitas vezes, se encontra em uma decisão entre a vida e a mor- te, eminentemente, mas se trava um embate entre as de- liberações públicas e privadas e as situações de risco em curto e médio prazo. Por exemplo, às vezes se gasta mais na parte curativa do que preventiva. Vejam-se os números que são investidos em saneamento básico e construção de redes potável, comparativamente à saúde20 (Barroso, 2008). Os primeiros são muito tímidos, se comparados aos segundos. A ausência de investimento em saneamen- to básico é um foco para disseminar doenças, posterior- mente. Então, na premência do momento, descuida-se de uma perspectiva de futuro. Deste modo, a concessão dos medicamentos não deve se pautar por uma abordagem individual dos problemas sociais, mas pela busca de uma gestão efi ciente dos escassos recursos públicos, analisan- do-se os custos e benefícios, desde o prisma das políti- cas públicas. Aí se pode estabelecer mais uma refl exão a partir do pensamento de Arendt (2002, p. 31-88), quando trata da dicotomia público e privado. As atividades humanas são condicionadas pelo fato de que os homens vivem juntos. O termo públi- co denota dois fenômenos intimamente correlatos, mas não perfeitamente idênticos. Isso signifi ca, em primeiro lugar, que tudo o que vem a público pode ser visto e ou- vido por todos e tem a maior divulgação possível. Torna- se aparente, constituindo-se na realidade, aquilo que é visualizado e ouvido pelos outros e nós mesmos. Por segundo, público signifi ca o próprio mundo, na medida em que é comum a todos nós e diferente do lugar que nos cabe dentro dele. Se o mundo deve conter um es-
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63 61
paço público, não pode ser construído apenas para uma geração e planejado somente para os que estão vivos: deve transcender a vida de homens mortais. O Brasil, portanto, remanesce com a espinha de Estado (social) Democrático de Direito, em que pese às reformas liberalizantes, não podendo ser obscurecido o caráter compromissório da Constituição de 1988. Des- ta forma, é essencial o controle pelo Poder Judiciário, porém este controle deve ter uma pauta como limites, sob pena de violar a separação (harmônica) entre as diferentes funções (ao invés de poderes), brotando com o Judiciário um verdadeiro poder que se sobrepõe aos outros. É preciso controle, mas com parâmetros.
Considerações fi nais
Na perspectiva de novos temas referentes à ad- ministração, o controle judicial das políticas públicas é o tema pautado neste terceiro milênio, coincidindo com o processo de redemocratização e reconstitucionalização do país, que é fruto da mudança de paradigma: a busca de efetividade dos direitos fundamentais. Assim, preten- de-se contribuir ao debate, a fi m de traçar os limites e possibilidades de atuação judicial, no tocante às políticas públicas, e construir um horizonte, com perspectiva fa- vorável, para milhares de brasileiros que necessitam da efi cácia dos direitos fundamentais sociais. No fi nal do século XX, produziram-se importan- tes mudanças no âmbito econômico, social e cultural, devido à revolução tecnológica, à globalização, à circula- ção rápida da informação e das comunicações, aos pro- cessos de integração econômica e política, ao término da guerra fria, à dissolução da URSS, à queda do muro de Berlim e ao ataque de movimentos fundamentalistas. Todos estes fatores contribuíram para uma mudança no direito administrativo que até então havia se constru- ído com o aporte iluminista e se estruturado a partir do princípio da legalidade. Com a mudança do aspecto territorial, como um dos elementos do Estado, devido à globalização, um novo contexto de Estado vem se defi – nindo, conferindo ao direito administrativo um novo ho- rizonte como a efetividade das garantias dos cidadãos, que fazem superar a concepção tradicional de busca de equilíbrio das prerrogativas da administração e as ga- rantias dos cidadãos, para almejar o cumprimento do preceituado pela Constituição por parte dos Poderes Públicos, em especial, no que diz respeito aos direitos fundamentais. O Estado Social produziu a superação do con- ceito de interesse público, calcado exclusivamente a partir dos objetivos da administração, e foi substituído
pelo interesse coletivo, aberto à participação popular. Percebe-se que o direito à saúde está sendo construído, por meio das políticas públicas de implementação de tratamentos e de medicamentos ditos essenciais, cons- tituindo-se o Poder Judiciário um instrumento de reali- zação dos direitos dos cidadãos, desde que se apliquem critérios adequados com os preceitos da Constituição, deixando-se o casuísmo e o subjetivismo, nesta seara. Outro importante aspecto a ser considerado é a aten- ção dos direitos sociais aos dispositivos orçamentários. Os vinte últimos anos de constitucionalismo democráti- co brasileiro demonstram esta busca de efetividade dos direitos fundamentais sociais. Desse modo, a crise do direito administrativo é uma mutação para adequar-se às transformações e mu- danças sociais vividas no início do século XXI. É neces- sário voltar-se à pauta dos direitos fundamentais, que até hoje não foram efetivados de maneira universal, conside- rando, especialmente, o direito à saúde no Brasil. Somen- te assim, poderemos acenar com a construção de um país com população mais saudável nas próximas gerações. Como se pode observar, a equação – e não se quer com esta expressão, simplesmente, tornar a realiza- ção de políticas públicas um mero cálculo – é mais com- plexa do que o simples deferimento pelo Poder Judiciá- rio de demandas, intentando o fornecimento gratuito de medicamentos. Programar políticas públicas de saúde em terrae brasilis não é tão simples; os recursos são escassos e, muitas vezes, não resta alternativa ao Administrador Público, a não ser negar o medicamento demandado. O gasto com saúde pública no Brasil represen- ta cerca de 1,7% do Produto Interno Bruto, proporção irrisória dado os imensos problemas na saúde, como a falta de leitos ou mesmo a disponibilização de medica- mentos por parte de todos os entes federados. Ao cida- dão resta buscar por meio do Judiciário o deferimento de um medicamento, o qual, por sua vez, defere com base no artigo 196 da Constituição Federal de 1988. Fazendo isso, o Judiciário atende uma tendência em paí- ses de democracia incipiente – é imprópria a expressão redemocratização, pois, no Brasil, nunca tivemos demo- cracia antes de 1988 – de ser o responsável pela aplica- ção de direitos fundamentais, fruto de uma Constituição dirigente. Porém, no tocante ao fornecimento de medi- camentos, a equação é mais complexa, pois, como dito, os recursos para a saúde são escassos e se nota um ex- pressivo crescimento de demandas individuais pedindo o fornecimento de medicamentos. A título de ilustração, nos últimos três anos, o gasto com fornecimento de medicamentos com base em demandas individuais cresceu 123%, o que repre-
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
62 Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63
senta um expressivo aumento no gasto da saúde com medicamentos. Não se quer de forma alguma tolher o acesso a medicamentos, pela via judicial; a Administra- ção Pública, entretanto, na elaboração da lista de me- dicamentos para fornecimento gratuito, a faz de forma motivada. Isto signifi ca dizer que a lista não é feita ao acaso, mas considerando as necessidades básicas (e excepcionais) dos brasileiros, em todo o território. Ao deferir a demanda individual, o Poder Judiciário, além de invadir a esfera do Poder Executivo, não sabe se aquele medicamento (ou tratamento) é realmente efetivo para aquele paciente ou se vai surtir o resultado esperado. A partir disso se entende a priorização da tutela coletiva de direitos, para o caso de um medicamento que esteja fora da lista ou de um tratamento novo, ainda não presente nas listas do Poder Público. A discussão coletiva obrigará um exame no contexto geral das polí- ticas públicas de saúde, e os legitimados terão melhores condições de trazer elementos aos autos. Na litigação individual, o Juiz perde de vista as necessidades relevan- tes e as imposições orçamentárias (que serão examina- das na esfera coletiva). Além disso, é claro, está a decisão, na ação coletiva, de produzir efeitos para todos. A tutela individual será efi ciente para aqueles casos em que o Poder Executivo negar o fornecimento gratuito de me- dicamento presente na lista. Ao fi nal, estabeleceram-se os parâmetros de controle das políticas públicas de fornecimento de me- dicamento, a partir de uma constituição de sentido para políticas públicas no Estado Democrático de Direito. Observou-se que, no tocante ao controle da elabora- ção de políticas públicas, o âmbito de intervenção do Judiciário é mais restrito (espaço de discricionarieda- de da Administração Pública), enquanto, no controle de execução de políticas públicas, seria mais amplo. Em linhas gerais, portanto, estabeleceram-se pa- râmetros ao controle judicial de políticas públicas, com perspectiva para a superação dos obstáculos postos ao Poder Judiciário, o qual se tornou o foro para o debate acerca da concretização de políticas públicas. Demons- trou-se, também, neste artigo, a complexidade da ela- boração de políticas públicas de fornecimento gratuito de medicamentos em países periféricos como o Brasil.
Referências
ALLI ARANGUREN, J.-C. 2004. Derecho Administrativo y Globalización. Madrid, Thomson Arandazi, 393 p. ALTHUSSER, L. [s.d.]. Montesquieu – A política e a história. 2ªed., Lisboa, Editorial Presença, 163 p. ARENDT, H. 2002. A Condição Humana. 10ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 352 p. ARENDT, H. 1998. Los orígenes del totalitarismo. Madrid, Taurus, 618 p.
ARRUDA JÚNIOR, E.L. de. 1997. Direito e Século XXI: confl ito e ordem na onda neoliberal pós-moderna. Rio de Janeiro, Luam. BARROSO, L.R. 2008. Da falta de efetividade à judicialização excessiva: direito à saúde, fornecimento gratuito de medicamentos e parâmetros para a atuação judicial. Disponível em http://www.lrbarroso.com.br/ pt/noticias/medicamentos.pdf, acessado em: 08/11/2008. BARROS, M.A. de F. 2008. Controle Jurisdicional de Políticas Públicas: Pa- râmetros objetivos e tutela coletiva. Porto Alegre, Sergio Antonio Fabris, 238 p. BILBAO UBILLOS, J.M. 1997. La efi cacia de los derechos fundamentales frente a particulares. Madrid, CEC, 852 p. BRASIL. 2007a. Supremo Tribunal Federal. Suspensão de Segurança n. 3073/RN. Min. Ellen Gracie. Julgado em 09/02/2007. Disponível em: http://www.stf.gov.br/portal/diarioJustica/verDiarioProcesso.asp?num Dj=32&dataPublicacaoDj=14/02/2007&numProcesso=3073&siglaClas se=SS&codRecurso=0&tipoJulgamento=M&codCapitulo=6&numMat eria=10&codMateria=7, acessado em: 30/10/2008. BRASIL. 2007b. Ministério da Saúde. Indicadores e Dados Básicos do Brasil (1995-2006). Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/ idb2007/e07_2000.htm, acessado em: 02/05/2010. BRASIL. 2008. Ministério da Saúde. Disponível em: http://www.ministe- riodasaude.gov.br, acessado em: 20/08/2008. BRASIL. 2006. Banco Central do Brasil. Indicadores Econômicos. Pro- duto Interno Bruto. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/?INDECO, acessado em: 02/11/2008. BUCCI, M.P.D. 2002. Direito Administrativo e Políticas Públicas. São Paulo, Saraiva, 298 p. BUCCI, M.P.D. 2006. O conceito de política pública em direito. In: M.P.D. BUCCI, Políticas Públicas: refl exões sobre o conceito jurídico. São Paulo, Saraiva, p. 1-47. CADERMATORI, S. 2006. Estado de Direito e Legitimidade: uma aborda- gem garantista. 2ª ed., Campinas, Millennium, 249 p. CAMARGO, R.A.L. 2008. “Custos dos Direitos” e Reforma do Estado. Porto Alegre, Sergio Antonio Fabris, 310 p. CANOTILHO, J.J.G.; MOREIRA V. 1991. Fundamentos da Constituição. Coimbra, Coimbra Ed., 310 p. DROMI, R. 2005. Modernización del Control Público. Madrid, Hispana Li- bros, 162 p. FIGUEIREDO, M. 2007. O controle de políticas públicas pelo Poder Ju- diciário no Brasil – Uma visão geral. Revista Interesse Público, 44:27-66. GARCÍA-PELAYO, M. 1996. Las Transformaciones del Estado Contempo- ráneo. Madrid, Alianza Editorial, 211 p. HOLMES, S.; SUNSTEIN, C. 2000. The Cost of Rights: why liberty depends on taxes. New York, W.W. Norton, 256 p. LAUBADÈRE, A. 1995. Manuel de Droit Administratif. 15ª ed., Paris, L.G.D.J. LOBATO, A.O.C. 2001. Política, Constituição e Justiça: os desafi os para a consolidação das instituições democráticas. Revista de Socio- logia e Política, 17:45-52. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo. php?pid=S0104-44782001000200005&script=sci_arttext&tlng=en, acessado em: 21/05/2010. http://dx.doi.org/10.1590/S0104- 44782001000200005 MAURER, H. 2007. Elementos de Direito Administrativo Alemão. Porto Alegre, Fabris, 168 p. MIR PUIGELAT. 2004. Globalización, Estado y Derecho. Las transformacio- nes recientes del Derecho administrativo. Madrid, Civitas, 285 p. MONTESQUIEU, C.L. de S. 1979. Do espírito das leis. 2ª ed., São Paulo, Abril Cultural, 539 p. MOREIRA NETO, D. de F. 2008. Quatro paradigmas do direito admi- nistrativo pós-moderno: legitimidade, fi nalidade, efi ciência, resultados. Belo Horizonte, Fórum, 161 p. MOREIRA NETO, D. de F. 2006. Novos horizontes para o direito ad- ministrativo: pelo controle das políticas públicas. Revista de Direito do Estado, 4:403-412.
Limberger e Soares | Políticas públicas e o direito ao fornecimento gratuito de medicamentos: desafi os ao poder judiciário
Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito (RECHTD), 2(1):50-63 63
SANTOS, B. de S. 2006. Pela Mão de Alice: o social e o político na pós- modernidade. São Paulo, Cortez, 348 p. SANTOS, B. de S. 2007. Para uma revolução democrática da justiça. São Paulo, Cortez, 120 p. SARLET, I.W. (org.). 2010. Reserva do possível, mínimo existencial e direito à saúde: algumas aproximações. In: I.W. SARLET et al., Direitos Fundamentais – orçamento e reserva do possível. 2ª ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado, p. 13-50. SIGMANN, J. 1985. 1848 – Las revoluciones románticas y democráticas de Europa. 3ª ed., Madrid, Siglo Veintiuno Editorial, 305 p.
STRECK, L.L. 2008a. Hermenêutica Jurídica e(m) crise. 8ª ed.,Porto Ale- gre, Livraria do Advogado, 388 p. STRECK, L.L. 2008b. Decisionismo e discricionariedade em tempos pós- positivistas: o solipsismo hermenêutico e os obstáculos à concretização da Constituição no Brasil. In: J.A. NUNES; J.N. de M. COUTINHO, O Direito e o Futuro – O Futuro do Direito. Coimbra, Almedina, p. 91-116. VIANNA, L.W. 1999. A judicialização da política e as relações sociais no Brasil. Rio de Janeiro, Renavan, 272 p. WALINE, M. 1952. Traité Élémentaire de Droit Administratif. 6ª ed., Paris, Recueil Sirey.

Direito e Diferença: considerações constitucionais sobre o direito e a identidade.

Nota  —  Publicado: abril 21, 2014 em Diversos

Imagem

— Estás com sono?

— Não, senhor.
— Nem eu; conversemos um pouco. Abre a janela. Que horas são?
— Onze.
— Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta,
chegaste aos teus vinte e um anos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854,
vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos bigodes, alguns
namoros…
— Papai…
— Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha
aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Senta-te e conversemos. Vinte e um
anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura,
na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há
infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a
primeira sílaba do nosso destino. Os mesmos Pitt e Napoleão, apesar de precoces,
não foram tudo aos vinte e um anos. Mas qualquer que seja a profissão da tua
escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou pelo menos notável, que te
levantes acima da obscuridade comum. A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os
prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é
que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem
imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e
desdouros, e ir por diante.
— Sim, senhor.
— Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice,
assim também é de boa prática social acautelar um ofício para a hipótese de que os
outros falhem, ou não indenizem suficientemente o esforço da nossa ambição. É isto
o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.
— Creia que lhe agradeço; mas que ofício, não me dirá?
— Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. Ser medalhão
foi o sonho da minha mocidade; faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e
acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além das esperanças que
deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende. És moço, tens
naturalmente o ardor, a exuberância, os improvisos da idade; não os rejeites, mas
modera-os de modo que aos quarenta e cinco anos possas entrar francamente no
regime do aprumo e do compasso. O sábio que disse: “a gravidade é um mistério do
corpo”, definiu a compostura do medalhão. Não confundas essa gravidade com
aquela outra que, embora resida no aspecto, é um puro reflexo ou emanação do
espírito; essa é do corpo, tão-somente do corpo, um sinal da natureza ou um jeito da
vida. Quanto à idade de quarenta e cinco anos…
— É verdade, por que quarenta e cinco anos?
— Não é, como podes supor, um limite arbitrário, filho do puro capricho; é a
data normal do fenômeno. Geralmente, o verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinqüenta anos, conquanto alguns
exemplos se dêem entre os cinqüenta e cinco e os sessenta; mas estes são raros.
Há-os também de quarenta anos, e outros mais precoces, de trinta e cinco e de
trinta; não são, todavia, vulgares. Não falo dos de vinte e cinco anos: esse madrugar
é privilégio do gênio.
— Entendo.
— Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o
cuidado nas idéias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será
não as ter absolutamente; coisa que entenderás bem, imaginando, por exemplo, um
ator defraudado do uso de um braço. Ele pode, por um milagre de artifício,
dissimular o defeito aos olhos da platéia; mas era muito melhor dispor dos dois. O
mesmo se dá com as idéias; pode-se, com violência, abafá-las, escondê-las até à
morte; mas nem essa habilidade é comum, nem tão constante esforço conviria ao
exercício da vida.
— Mas quem lhe diz que eu…
— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia
mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com
que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina, e vice-versa, porque
esse fato, posto indique certa carência de idéias, ainda assim pode não passar de
uma traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas
expender francamente as tuas simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete,
das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das botas novas. Eis aí um
sintoma eloqüente, eis aí uma esperança, No entanto, podendo acontecer que, com
a idade, venhas a ser afligido de algumas idéias próprias, urge aparelhar fortemente
o espírito. As idéias são de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as
sofreemos, elas irrompem e precipitam-se. Daí a certeza com que o vulgo, cujo faro
é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do medalhão incompleto.
— Creio que assim seja; mas um tal obstáculo é invencível.
— Não é; há um meio; é lançar mão de um regime debilitante, ler compêndios
de retórica, ouvir certos discursos, etc. O voltarete, o dominó e o whist são remédios
aprovados. O whist tem até a rara vantagem de acostumar ao silêncio, que é a
forma mais acentuada da circunspecção. Não digo o mesmo da natação, da
equitação e da ginástica, embora elas façam repousar o cérebro; mas por isso
mesmo que o fazem repousar, restituem-lhe as forças e a atividade perdidas. O
bilhar é excelente.
— Como assim, se também é um exercício corporal?
— Não digo que não, mas há coisas em que a observação desmente a teoria.
Se te aconselho excepcionalmente o bilhar é porque as estatísticas mais
escrupulosas mostram que três quartas partes dos habituados do taco partilham as
opiniões do mesmo taco. O passeio nas ruas, mormente nas de recreio e parada, é
utilíssimo, com a condição de não andares desacompanhado, porque a solidão é
oficina de idéias, e o espírito deixado a si mesmo, embora no meio da multidão,
pode adquirir uma tal ou qual atividade.
— Mas se eu não tiver à mão um amigo apto e disposto a ir comigo?
— Não faz mal; tens o valente recurso de mesclar-te aos pasmatórios, em
que toda a poeira da solidão se dissipa. As livrarias, ou por causa da atmosfera do
lugar, ou por qualquer outra, razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim;
e, não obstante, há grande conveniência em entrar por elas, de quando em quando,
não digo às ocultas, mas às escâncaras. Podes resolver a dificuldade de um modo
simples: vai ali falar do boato do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa, de qualquer coisa, quando não prefiras interrogar
diretamente os leitores habituais das belas crônicas de Mazade; 75 por cento desses
estimáveis cavalheiros repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é
grandemente saudável. Com este regime, durante oito, dez, dezoito meses —
suponhamos dois anos, — reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, à
sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum. Não trato do vocabulário, porque ele
está subentendido no uso das idéias; há de ser naturalmente simples, tíbio,
apoucado, sem notas vermelhas, sem cores de clarim…
— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando…
— Podes; podes empregar umas quantas figuras expressivas, a hidra de
Lerna, por exemplo, a cabeça de Medusa, o tonel das Danaides, as asas de Ícaro, e
outras, que românticos, clássicos e realistas empregam sem desar, quando
precisam delas. Sentenças latinas, ditos históricos, versos célebres, brocardos
jurídicos, máximas, é de bom aviso trazê-los contigo para os discursos de
sobremesa, de felicitação, ou de agradecimento. Caveant consules é um excelente
fecho de artigo político; o mesmo direi do Si vis pacem para bellum. Alguns
costumam renovar o sabor de uma citação intercalando-a numa frase nova, original
e bela, mas não te aconselho esse artifício: seria desnaturar-lhe as graças vetustas.
Melhor do que tudo isso, porém, que afinal não passa de mero adorno, são as frases
feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos, incrustadas
na memória individual e pública. Essas fórmulas têm a vantagem de não obrigar os
outros a um esforço inútil. Não as relaciono agora, mas fá-lo-ei por escrito. De resto,
o mesmo ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o
pensado. Quanto à utilidade de um tal sistema, basta figurar uma hipótese. Faz-se
uma lei, executa-se, não produz efeito, subsiste o mal. Eis aí uma questão que pode
aguçar as curiosidades vadias, dar ensejo a um inquérito pedantesco, a uma coleta
fastidiosa de documentos e observações, análise das causas prováveis, causas
certas, causas possíveis, um estudo infinito das aptidões do sujeito reformado, da
natureza do mal, da manipulação do remédio, das circunstâncias da aplicação;
matéria, enfim, para todo um andaime de palavras, conceitos, e desvarios. Tu
poupas aos teus semelhantes todo esse imenso aranzel, tu dizes simplesmente:
Antes das leis, reformemos os costumes! — E esta frase sintética, transparente,
límpida, tirada ao pecúlio comum, resolve mais depressa o problema, entra pelos
espíritos como um jorro súbito de sol.
— Vejo por aí que vosmecê condena toda e qualquer aplicação de processos
modernos.
— Entendamo-nos. Condeno a aplicação, louvo a denominação. O mesmo direi
de toda a recente terminologia científica; deves decorá-la. Conquanto o rasgo peculiar
do medalhão seja uma certa atitude de deus Término, e as ciências sejam obra do
movimento humano, como tens de ser medalhão mais tarde, convém tomar as armas
do teu tempo. E de duas uma: — ou elas estarão usadas e divulgadas daqui a trinta
anos, ou conservar-se-ão novas; no primeiro caso, pertencem-te de foro próprio; no
segundo, podes ter a coquetice de as trazer, para mostrar que também és pintor. De
outiva, com o tempo, irás sabendo a que leis, casos e fenômenos responde toda essa
terminologia; porque o método de interrogar os próprios mestres e oficiais da ciência,
nos seus livros, estudos e memórias, além de tedioso e cansativo, traz o perigo de
inocular idéias novas, e é radicalmente falso. Acresce que no dia em que viesses a
assenhorear-te do espírito daquelas leis e fórmulas, serias provavelmente levado a
empregá-las com um tal ou qual comedimento, como a costureira esperta e
afreguesada, — que, segundo um poeta clássico. 

Quanto mais pano tem, mais poupa o corte, Menos monte alardeia de
retalhos; e este fenômeno, tratando-se de um medalhão, é que não seria científico.

— Upa! Que a profissão é difícil!
— E ainda não chegamos ao cabo.
— Vamos a ele.

— Não te falei ainda dos benefícios da publicidade. A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar à força de pequenos mimos, confeitos,
almofadinhas coisas miúdas, que antes exprimem a constância do afeto do que o
atrevimento e a ambição. Que D. Quixote solicite os favores dela mediante, ações
heróicas ou custosas, é um sestro próprio desse ilustre lunático. O verdadeiro
medalhão tem outra política. Longe de inventar um Tratado científico da criação dos
carneiros, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja
notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos. Uma notícia traz outra; cinco,
dez, vinte vezes põe o teu nome ante os olhos do mundo. Comissões ou deputações
para felicitar um agraciado, um benemérito, um forasteiro, têm singulares
merecimentos, e assim as irmandades e associações diversas, sejam mitológicas,
cinegéticas ou coreográficas. Os sucessos de certa ordem, embora de pouca monta,
podem ser trazidos a lume, contanto que ponham em relevo a tua pessoa.Explico-me. 

Se caíres de um carro, sem outro dano, além do susto, é útil mandá-lo dizer aos
quatro ventos, não pelo fato em si, que é insignificante, mas pelo efeito de recordar
um nome caro às afeições gerais. Percebeste? — Percebi.
— Essa é publicidade constante, barata, fácil, de todos os dias; mas há outra.
Qualquer que seja a teoria das artes, é fora de dúvida que o sentimento da família, a
amizade pessoal e a estima pública instigam à reprodução das feições de um
homem amado ou benemérito. Nada obsta a que sejas objeto de uma tal distinção,
principalmente se a sagacidade dos amigos não achar em ti repugnância. Em
semelhante caso, não só as regras da mais vulgar polidez mandam aceitar o retrato
ou o busto, como seria desazado impedir que os amigos o expusessem em qualquer
casa pública. Dessa maneira o nome fica ligado à pessoa; os que houverem lido o
teu recente discurso (suponhamos) na sessão inaugural da União dos Cabeleireiros,
reconhecerão na compostura das feições o autor dessa obra grave, em que a
“alavanca do progresso” e o “suor do trabalho” vencem as “fauces hiantes” da
miséria. No caso de que uma comissão te leve a casa o retrato, deves agradecer-lhe
o obséquio com um discurso cheio de gratidão e um copo d’água: é uso antigo,
razoável e honesto. Convidarás então os melhores amigos, os parentes, e, se for
possível, uma ou duas pessoas de reppresentação. Mais. Se esse dia é um dia de
glória ou regozijo, não vejo que possas, decentemente, recusar um lugar à mesa aos
reporters dos jornais. Em todo o caso, se as obrigações desses cidadãos os
retiverem noutra parte, podes ajudá-los de certa maneira, redigindo tu mesmo a
notícia da festa; e, dado que por um tal ou qual escrúpulo, aliás desculpável, não
queiras com a própria mão anexar ao teu nome os qualificativos dignos dele,
incumbe a notícia a algum amigo ou parente.
— Digo-lhe que o que vosmecê me ensina não é nada fácil.
— Nem eu te digo outra coisa. É difícil, come tempo, muito tempo, leva anos,
paciência, trabalho, e felizes os que chegam a entrar na terra prometida! Os que lá
não penetram, engole-os a obscuridade. Mas os que triunfam! E tu triunfarás, crê-
me. Verás cair as muralhas de Jericó ao som das trompas sagradas. Só então
poderás dizer que estás fixado. Começa nesse dia a tua fase de ornamento indispensável, de figura obrigada, de rótulo. Acabou-se a necessidade de farejar
ocasiões, comissões, irmandades; elas virão ter contigo, com o seu ar pesadão e cru
de substantivos desadjetivados, e tu serás o adjetivo dessas orações opacas, o
odorífero das flores, o anilado dos céus, o prestimoso dos cidadãos, o noticioso e
suculento dos relatórios. E ser isso é o principal, porque o adjetivo é a alma do
idioma, a sua porção idealista e metafísica. O substantivo é a realidade nua e crua, é
o naturalismo do vocabulário.
— E parece-lhe que todo esse ofício é apenas um sobressalente para os
deficits da vida?
— Decerto; não fica excluída nenhuma outra atividade.
— Nem política?
— Nem política. Toda a questão é não infringir as regras e obrigações
capitais. Podes pertencer a qualquer partido, liberal ou conservador, republicano ou
ultramontano, com a cláusula única de não ligar nenhuma idéia especial a esses
vocábulos, e reconhecer-lhe somente a utilidade do scibboleth bíblico.
— Se for ao parlamento, posso ocupar a tribuna?
— Podes e deves; é um modo de convocar a atenção pública. Quanto à
matéria dos discursos, tens à escolha: — ou os negócios miúdos, ou a metafísica
política, mas prefere a metafísica. Os negócios miúdos, força é confessá-lo, não
desdizem daquela chateza de bom-tom, própria de um medalhão acabado; mas, se
puderes, adota a metafísica; — é mais fácil e mais atraente. Supõe que desejas
saber por que motivo a 7ª companhia de infantaria foi transferida de Uruguaiana
para Canguçu; serás ouvido tão-somente pelo ministro da guerra, que te explicará
em dez minutos as razões desse ato. Não assim a metafísica. Um discurso de
metafísica política apaixona naturalmente os partidos e o público, chama os apartes
e as respostas. E depois não obriga a pensar e descobrir. Nesse ramo dos
conhecimentos humanos tudo está achado, formulado, rotulado, encaixotado; é só
prover os alforjes da memória. Em todo caso, não transcendas nunca os limites de
uma invejável vulgaridade.
— Farei o que puder. Nenhuma imaginação?
— Nenhuma; antes faze correr o boato de que um tal dom é ínfimo.
— Nenhuma filosofia?
— Entendamo-nos: no papel e na língua alguma, na realidade nada. “Filosofia
da história”, por exemplo, é uma locução que deves empregar com freqüência, mas
proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros.
Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.
— Também ao riso?
— Como ao riso?
— Ficar sério, muito sério…
— Conforme. Tens um gênio folgazão, prazenteiro, não hás de sofreá-lo nem
eliminá-lo; podes brincar e rir alguma vez. Medalhão não quer dizer melancólico. Um
grave pode ter seus momentos de expansão alegre. Somente, — e este ponto é
melindroso…
— Diga…
— Somente não deves empregar a ironia, esse movimento ao canto da boca,
cheio de mistérios, inventado por algum grego da decadência, contraído por
Luciano, transmitido a Swift e Voltaire, feição própria dos cépticos e desabusados.
Não. Usa antes a chalaça, a nossa boa chalaça amiga, gorducha, redonda, franca,
sem biocos, nem véus, que se mete pela cara dos outros, estala como uma palmada, faz pular o sangue nas veias, e arrebentar de riso os suspensórios. Usa a
chalaça. Que é isto?
— Meia-noite.
— Meia-noite? Entras nos teus vinte e dois anos, meu peralta; estás
definitivamente maior. Vamos dormir, que é tarde. Rumina bem o que te disse, meu
filho. Guardadas as proporções, a conversa desta noite vale o Príncipe de
Machiavelli. Vamos dormir.

 

 

 

Resumo:
Este conto é um diálogo que se dá entre pai e filho, após o jantar comemorativo de 21 anos deste. Estando os dois a sós, o pai aconselha ao filho tornar-se um Medalhão, ou seja, alguém que conseguiu conquistar riqueza e fama. Ele passa, então, a tecer uma teoria de como o filho conseguiria isso, aconselhando-o a mudar seus hábitos e costumes, anulando seus gostos e opiniões pessoais. O filho deveria sempre se manter neutro perante tudo, possuir um vocabulário limitado e conhecer pouco, e sempre preferir um humor mais simples e direto ao invés da ironia, que requeria certo raciocínio e construção imaginativa. Após muitos outros conselhos, o pai termina a conversa admitindo que suas palavras têm certa semelhança com a obra “O Príncipe”, de Maquiavel, e diz para o filho ir dormir.

Análise:
Este conto trabalha basicamente as mesmas ideias tratadas em “O Espelho”, com a aniquilação do indivíduo em favor de uma imagem e posição social considerada privilegiada. Também encontra paralelo no conto “O segredo do Bonzo”, onde a propaganda pessoal e a aparência valem muito mais do que a essência. Através da fala absolutamente irônica do pai, entrevê-se a dura crítica de Machado de Assis à sociedade brasileira. De um lado, temos um pai que deseja ver seus ideais frustrados realizados pelo filho; e de outro temos o filho que aceita passivamente todas as imposições do pai, pois é o papel social que cabe ao filho.

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum 

O Islam e a civilização islâmica têm uma visão especial a respeito da assistência aos enfermos e aos portadores de necessidades especiais. Tal visão tem início no alívio oferecido a eles em algumas obrigações religiosas, como lemos no dizer de Allah, altíssimo seja: [Não há falta sobre o cego e não há falta sobre o coxo e não há falta sobre o enfermo nem sobre vós mesmos…] (Annur: 61), (Al Fath: 17). E tem fim com a transmissão da esperança em seus íntimos e com a consideração de seus direitos físicos e psicológicos.

O tratamento do Mensageiro (a paz esteja com ele) aos doentes

Quando o profeta (a paz esteja com ele) ouvia sobre algum doente se apressava em visitá-lo em sua casa, mesmo com suas muitas preocupações e ocupações. Esta sua visita não era custosa ou forçada, porém ele sentia a sua obrigação perante este doente… como não, e ele é quem tornou a visita ao doente um de seus direitos?! Disse o profeta (a paz esteja com ele): “Os direitos do muçulmano sobre o muçulmano são cinco: … e a visita ao doente…”[1].

O profeta (a paz esteja com ele) – que é o educador e o exemplo – aliviava a crise e a doença do enfermo, mostrava para ele – sem simulação – sua solidariedade com ele, seu zelo e seu amor por ele. Assim, alegrava aquele enfermo e sua família. Sobre isso, Abdullah ibn Omar diz: “Saad ibn Úbadah reclamou uma doença, então o profeta (a paz esteja com ele) veio visitá-lo junto com Abdurrahman ibn Áuf, Saad ibn Abi Uaqqass e Abdullah ibn Mass´úd. Quando entrou o encontrou junto de sua família e disse: “Ele morreu?”. Disseram: Não, ó mensageiro de Allah. Então, o profeta (a paz esteja com ele) chorou e, ao vê-lo chorar todos choraram junto com ele. Então, ele disse: “Vós não ouvis? Em verdade, Allah não castiga por causa da lágrima do olho nem por causa da tristeza do coração, mas castiga por esta (se falar o incoveniente) – e apontou para a sua língua – ou tem misericórdia”[2].

O profeta (a paz esteja com ele) também fazia preces pelo doente e lhe dava a boa notícia de que terá recompensa em conseqüência da doença que o atingiu, e assim, aliviava a situação do doente e o fazia se contentar com ela. Ummul Álaá [3] narra que o mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) a visitou quando estava doente e disse: “Tenha a boa nova ó Ummul Álaá, pois Allah elimina com a doença do muçulmano os seus erros assim como o fogo elimina a escória do ouro e da prata”[4].

O mensageiro (a paz esteja com ele) também zelava em aliviar a dor do enfermo e não sobrecarregá-lo. Jabir ibn Abdullah disse: Saímos em viagem, quando então, uma pedra atingiu um homem e rachou sua cabeça. Quando dormia teve um sonho molhado (precisava se banhar), então perguntou aos seus companheiros: Vocês vêem alguma autorização para mim em realizar attaiammum (ablução virtual)? Disseram: Não temos autorização para ti sendo que você é capaz de encontrar água. Ele se banhou e morreu. Quando chegamos na presença do profeta (a paz esteja com ele) ele foi informado do acontecido e disse: O mataram, que Allah os matem. Deviam perguntar, pois a pergunta é a cura da ignorância3. Lhe bastava fazer o taiammum e amarrar sobre o seu ferimento um pano e, em seguida, passar a mão molhada sobre ele e banhar o resto de seu corpo[5].

Mais ainda, o profeta (a paz esteja com ele) atendia a necessidade do enfermo e caminhava com ele até servir suas necessidades. Uma vez, uma mulher que tinha certo distúrbio mental veio até o profeta (a paz esteja com ele) e disse: Ó mensageiro de Allah, eu preciso de ti. Ele disse: Ó Umm Fulan, veja que caminho deseja para que eu sirva a tua necessidade. Então, permaneceu com ela no caminho até que ela supriu sua necessidade[6].

O profeta (a paz esteja com ele) também deu ao enfermo e aos portadores de necessidades especiais o direito ao tratamento, porque a saúde do corpo externa e internamente é um dos objetivos do Islam, por isso, o profeta (a paz esteja com ele) disse aos beduínos quando estes o perguntaram sobre a terapêutica: “Procurem a cura ó servos de Allah, pois Allah não pôs uma doença sem que tenha posto um remédio para ele, exceto a velhice…”[7].

O Profeta (a paz esteja com ele) não recusou o tratamento de uma mulher muçulmana a um homem muçulmano. Ele permitiu que Rufaydah – uma mulher da tribo de Aslam – medicasse Sa’d ibn Mu’az quando ele foi ferido na batalha de Al-Khandaq. Ela (Que Allah esteja satisfeito com ela) atendia os feridos e se colocou a serviço dos muçulmanos necessitados[8].

De forma prática, o Profeta (a paz esteja com ele) tratava Amr Ibn Al-Jamuh (Que Allah esteja satisfeito com ele) de forma especial. Amr era um homem de necessidades especiais. Ele tinha uma perna manca. Ele tinha quatro filhos, que costumavam participar em batalhas com o Profeta (a paz esteja com ele). No dia de Uhud, Amr expressou seu desejo de ir para o campo de batalha, mas seus filhos queriam que ele permanecesse em casa. Ele foi para o Profeta (a paz esteja com ele) e lhe disse: “Meus filhos querem me impedir de sair contigo. Mas, por Deus, eu desejo pisar com esta minha perna manca no Paraíso”. O Profeta (a paz esteja com ele) respondeu: “Deus te ausentou. O Jihad não lhe é obrigatório” e disse aos seus filhos “Qual é o problema se vocês permitirem, pode ser que Deus o abençoe com o martírio?”. Amr foi para a batalha com o Profeta (a paz esteja com ele) no dia de Uhud e ele foi morto na batalha. Então, o Profeta (a paz esteja com ele) disse:. “Por Deus, entre vós, há pessoas que se jurarem por Deus, Ele vai cumprir o seu juramento, entre eles está Amr Ibn Al-Jamuh. O vi pisar no Paraíso com sua perna manca “[9].

Assim era a situação dos doentes e pessoas com necessidades especiais no Islam e na civilização islâmica.

 


[1] Narrado por Al-Bukhari sobre a autoridade de Abu-Hurairah, capítulo de Al-Jana’iz (funerais) (1183), e muçulmanos, o capítulo de Al-Salam (saudação) (2162).

[2] Narrado por Al-Bukhari, capítulo de funerais (1242), e Muslim, o capítulo de funerais (924).

[3] Ummul Álaá: abraçou o Islam e jurou lealdade ao Profeta (paz esteja com ele). É tia de Hakim ibn Hizam. Veja: Ibn al-Athir, Asad Al-Ghabah 7 / 405, e Ibn Hajar Al-Asqalani: Al- Isabah  8 / 265 (12.176).

[4] Narrado por Abu Daud, o capítulo de Al-Jana’iz (3092). Al-Albani disse correta, veja: Sahih Al-Jami’ (7851).

[5] Narrado por Abu Daud, o capítulo de Al-taharah (purificação) (336), Ibn Majah (572), Ahmad (3057), Al-Darmi (752), Al-Darqutni (3), e Al-Bayhaqi em Al-Sunan Al-Kubra (1016). Al-Albani disse: Correto. Veja: Sahih Al-Jami ‘(4362).

[6] Narrado por Muslim sobre a autoridade de Anas ibn Malik, capítulo de Al-Fada’il (2326), Ahmad (14.078) e Ibn Hibban (4527).

[7] Abu Daud, o capítulo de Al-Tib (medicina) (3855), Al-Tirmizi (2038) e disse que um hadith bom e correto, Ibn Majah (3436) e Ahmad (18.477). Shu’ayb Al-Arna’ut disse que a transmissão deste hadith é correta e seus homens são confiáveis. Al-Albani disse: Correto. Veja: Ghayat Al-Maram(292).

[8] Narrado por Al-Bukhari, Ibn Hisham Al-Adab Al-Mufrad 1 / 385 (1129), Al-Sirah Kathir Al-Nabawiyah 2 / 239, e Ibn Al-Sirah Al-Nabawiyah 3 / 233. Al-Albani disse que a transmissão deste hadith é correta e todos os seus homens são de confiança. Veja: Al-Silsilah Al-Sahihah (1158).

[9] Narrado por Ibn Hibban na autoridade de Jabir ibn Abdullah, capítulo de falar do Profeta sobre as qualidades de seus companheiros (7024). Shu’ayb Al-Arna’ut disse que sua transmissão é boa. Narrado também por Ibn Sayid al-Nas: Uyun Al-Athar 1 / 423, e Al-Salihi Al-Shami: Subul Al-Huda wa Al-Rashad fi Sirat Khayr Al-Ibad 4 / 214.

Nietzsche, um filósofo alemão, diz: “Os fracos incapacitados devem ser dizimados! Este é o primeiro princípio dos princípios de nosso amor pela humanidade! E devem ser ajudados nessa eliminação”

A filosofia e lei do Islam jamais se desviaram dos valores e da moral, esta filosofia foi representada no reconhecimento de uma série de direitos que abrangeu todos os seres humanos, sem distinção de raça, cor ou língua e abrangeu também o seu meio, com o qual se relaciona. E foi representada também pela proteção do Islam a estes direitos com a autoridade da lei, com a garantia de sua aplicação e com a imposição de punições a quem cometer infração contra estes direitos.

 O ser humano no Islam

O Islam tem uma visão elevada sobre o ser humano, cheia de nobreza e grandeza a partir do dizer de Allah, altíssimo seja: [E com efeito, honramos os filhos de Adão e levamo-los por terra e mar e demo-lhes por sustento das cousas benignas, e preferimo-los, nitidamente, amuitos dos que criamos] (Al Issrá: 70). Esta visão deu aos direitos humanos no Islam particularidades e características distintas, entre as mais importantes temos a abrangência destes direitos, eles são políticos, econômicos, sociais e intelectuais… também são gerais para todos os indivíduos, muçulmanos e não muçulmanos, sem distinção de cor, raça ou idioma, ela também não está sujeita à anulação ou alteração porque estão vinculados aos ensinamentos do Senhor do Universo.

          O mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) decretou isso no sermão de despedida, este sermão foi como um decreto universal dos direitos humanos ao dizer: “… Vossos sangues e bens são sagrados entre vós como o sacramento deste vosso dia, neste vosso mês, neste vosso país até o dia em que encontrareis ao vosso Senhor…”. Este sermão confirmou uma série de direitos, dentre os mais importantes: o direito à vida, à posse, ao zelar pela honra… entre outros.

          O profeta (a paz esteja com ele) enobreceu a posição da pessoa humana em geral ao lembrar a obrigação de se preservar o maior direito do ser humano, o direito à vida, ao ser perguntado sobre os grandes pecados disse: “a idolatria… o assassinato de uma pessoa..”[3]. O termo “pessoa” é geral e abrange todo ser que é morto ilegalmente.

          Em seguida, o mensageiro (a paz esteja com ele) foi mais além disso ao decretar a obrigação da preservação da vida da própria pessoa ao proibir o suicídio dizendo: “Quem se lançar de uma montanha e matar a si mesmo estará no fogo do Inferno, se lançará nele eternamente. Quem ingerir veneno e matar a sim mesmo estará a ingerí-lo no fogo do Inferno eternamente. Quem se matar com um ferro, seu ferro estará em sua mão a furar a sua barriga no fogo do Inferno eternamente”.

          O Islam também proibiu toda ação que fere o direito à vida, seja para amedrontar, humilhar ou agredir. Hicham ibn Hakim disse: Ouvi o mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) dizer: “Allah castiga os que castigam as pessoas na vida mundana”.

 

A igualdade entre os seres humanos

          Após enobrecer o ser humano de maneira geral, e decretar o sacramento do sangue, da honra, dos bens e o direito à vida, também confirmou o direito à igualdade entre todas as pessoas, entre os indivíduos e os grupos, entre as raças e os povos, entre os governantes e os governados, entre as autoridades e o povo, sem limites nem excesões, sem diferença na legislação entre o árabe e o não árabe, nem entre o branco e o negro, nem entre governador e governado, porém a diferenciação entre as pessoas acontece com o temor a Allah. Disse o mensageiro de Allah (a paz esteja com ele): “Ó humanos, vosso Senhor é Um, e vosso pai (Adão) é um. Todos vós são descendentes de Adão, e Adão é da terra. O mais nobre entre vós para Allah é o mais temente. O árabe não tem virtude sobre o estrangeiro, a não ser pelo temor”[6]. Vejamos o seu relacionamento (a paz esteja com ele) com o princípio da igualdade para perceber a sua grandeza (a paz esteja com ele). Abu Umamah disse: Abu Zhar insultou a Bilal em sua mãe e disse: Filho da negra. Então, Bilal foi ao encontro do mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) e o informou. O profeta (a paz esteja com ele) ficou nervoso e Abu Zhar chegou e não percebeu, então o profeta (a paz esteja com ele) deus as costas a ele. Abu Zhar disse: Só pode te ter feito virar a face para mim alguma informação que te chegou ó mensageiro de Allah! O profeta (a paz esteja com ele) disse: “Tu insultastes a Bilal em tua mãe?! E disse também: “Juro por Quem que revelou o Livro a Muhammad, ninguém tem privilégio sobre mim exceto com a boa ação, todos vós sois iguais ao prato de uma balança”.

          Outro direito está ligado ao direito de igualdade: a justiça. Das maravilhas narradas neste assunto temos o dizer do mensageiro (a paz esteja com ele) a Ussamah ibn Zaid quando este foi intervir por uma mulher da tribo de Makhzum que roubou: “Juro por Quem a alma de Muhammad está em Sua mão! Se Fátimah filha de Muhammad roubar cortarei a sua mão”[9].

          O profeta (a paz esteja com ele), em busca de justiça, também proibia a recusa do direito do indivíduo por auto defesa. Dizia: “O dono da verdade tem o que dizer…”[10]. E disse para quem é empossado no governo ou na sentenciação entre as pessoas: “… Quando os rivais sentarem à tua frente, não sentencie até ouvir do outro assim como ouvistes do primeiro, pois é mais provável que se esclareça para ti a justiça”[11].

          E outro direito unicamente exclusivo da lei islâmica, que não foi citado por nenhuma lei humana nem por nenhum tratado dos tratados dos direitos humanos: o direito a suficiência, cujo significado é que cada indivíduo que vive dentro dos limites do país islâmico tenha condições de alcançar o que lhe basta das necessidades da vida, de maneira que tenha uma vida honrada e se realize para ele um nível decente para o sustento. Este direito difere do limite da pobreza mencionado pelas leis humanas, que significa o limite mínimo para a sobrevivência do ser humano.

          Este direito se realiza com o trabalho, se o indivíduo for incapaz, então com o zakat (o tributo e doação), se o zakat for incapaz de abastar os necessitados, o orçamento do governo deve suprir esta necessidade. O mensageiro (a paz esteja com ele) expressou isso ao dizer: “… Quem deixar bens ou filhos, então para mim e sobre mim”[13]. Em seguida, confirmando este direito, disse: “Não crê em mim quem dorme satisfeito enquanto seu vizinho está faminto ao seu lado e ele conhece sua situação”[14]. E elogiou dizendo: “Os assh´áriin (os indivíduos da tribo de Bani Ash´ár), quando deixam viúvas em uma guerra, ou o alimento de suas famílias é escasso na cidade unem tudo o que tem num só tecido e o dividem por igual entre ele num só recipiente. Então eles são de mim e eu sou deles”.

 

Os direitos dos civis e dos prisioneiros

          Os direitos humanos chegam ao auge de sua grandeza quando estão relacionados com os direitos dos civis, dos prisioneiros durante as guerras, porque a situação nas guerras é que prevalece o espírito de vingança e maus tratos, não o espírito humanitário e de misericórdia. Porém, o Islam teve um sistema humanitário regido pela misericórdia e, nesse assunto, o mensageiro (a paz esteja com ele) diz: “Não matem crianças, nem mulheres nem idosos”[16].

          E assim, isto é algo do que o Islam legislou e estabeleceu como direitos humanos na Terra. Em geral, esses direitos refletem a visão humanitária que é o espírito da civilização dos muçulmanos.

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum

 


[1] Copiado de Al Ghazali: Rakaíz Al Iman bain Al Áql ua Qalb (Pivôs de fé entre a mente e o coração), p. 318.

[2] Narrado por Al-Bukhari da narração de Abu-Bakrah (1654) e Muslim (1679).

[3] Narrado por Al-Bukhari da narração de Anas ibn Malik (2510), Al-Nasa’i (4009) e Ahmad (6884).

[4] Narrado por Al-Bukhari da narração de Abu Hurayrah (5442), e Muslim (109).

[5] Narrado por Muslim, o capítulo da Virtude, boas maneiras e participar dos laços de parentesco (2613), Abu Daud (3045) e Ahmad (15366).

[6] Narrado por Ahmad (23536). Shu’ayb Al-Arna’ut disse que sua transmissão é correta; Al-Tabarani: Al-Mu’jam Al-Kabir (14444). Al-Albani disse: correto. Veja: Al- Silsilah Al-Sahihah (2700).

[7] Ou seja, todas as pessoas são iguais, assim como o prato da balança é próximo de seu conteúdo.

[8] Narrado por Al-Baihaqi: Shu’ab Al-Iman (5135).

[9] Narrado por Al-Bukhari da narração de ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela), no capítulo dos profetas (3288), e Muslim, o capítulo de Al-Hudud (punições prescritas pelo Islam) (1688).

[10] Narrado por Al-Bukhari sobre a autoridade de Abu Hurairah, capítulo de Al-Wakalah (2183), e Muslim, o capítulo de Al-Mussaqah (1601).

[11] Narrado por Abu Daud com a autoridade de Ali ibn Abu Talib (Que Allah esteja satisfeito com ele), o capítulo do Poder Judiciário (3582), Al-Tirmizhi (1331) e Ahmad (882).

[12] Ver: Khadija Al-Nabarawi: Mawsu’at Huquq Al-Insan fi al-Islam (Enciclopédia dos direitos humanos no Islam), p 505-509.

[13] Narrado por Al-Bukhari, capítulo de Al-Tafsir (interpretação) Surat Al-Ahzab (4503), e Muslim na autoridade de Jabir ibn Abdullah, capítulo de Al-Jum’ah (sexta) (867).

[14] Narrado por Al-Hakim, o capítulo de Al- Bir wa Al-Silah (virtude e união de laços de parentesco) (7307). Ele disse que a transmissão deste hadith é autêntica. Al-Zahabi concordou com ele. Narrado também por Al-Tabarani sobre a autoridade de Anas ibn Malik, Al-Mu’jam Al- Kabir (750). Narrado também por Al-Bayhaqi, Shu’ab Al-Iman (3238). Veja: Al-Al-Silsilah Sahihah (149).

[15] Narrado por Al-Bukhari sobre a autoridade de Abu Musa Al-Ash’ari, capítulo de Al-Sharikah (partilha) (2354), e Muslim, o capítulo de Fada’il Al-Sahabah (mérito dos companheiros do Profeta) (2500).

[16] Narrado por Muslim, capítulo de Al-Jihad wa Al-Siyar (jihad e expedições) (1731), e Al-Tabarani sobre a autoridade de Abdullah ibn Abbas: Al- Awsat Al-Mu’jam (4313).

“Fragmentos”

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

O que o rancor separa o perdão une, perdão também é um dom.
Só os fortes sabem perdoar !

Kaab Al Qadir

“Fragmentos”

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

O povo ao confundir liberdade de expressão com libertinagem em ação, tudo sempre será resumido em um contínuo pasto !

Kaab Al Qadir

“Fragmentos”

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

O destino é um professor, o tempo um educador.

Kaab Al Qadir

A copaqpariu!

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Penso na igualdade, entretanto também sei o quanto estamos longe dela, agora uma coisa seja dita, se os menos favorecidos, aquele que atravessa a cidade, se transferindo todos os dias de uma realidade há outra, sempre sobre o olhar de desconfiança da madame que sobe o vidro elétrico do seu importado quando a gente passa, do policial que te enquadra imaginando você estar com uma arma ou drogas na mochila, bolsa, e quando se depara com o marmitão ainda assim se faz de durão e pede pra que você sair andando, “com toda delicadeza”, e o cidadão que trabalha de 8 há 12 horas por dia, os homens e mulheres da mão de obra, que servem os casarões e seus senhores, esses dos quais são tão fundamentais no meio deles, que se sozinhos não conseguem amarrar os próprios sapatos sem ajuda, nossa ajuda ! 

Ah, se o povo despertasse de verdade talvez poderíamos sonhar com essa tal igualdade ! Tenho acompanhado durante esses dias a greve dos garis no RJ rsrs, ano da copa do mundo e por lá o governo tá maluco com tanto lixo nas ruas, deixando a cidade “feia” ahahaha e quando não quisermos aceitar mais juntar os teus lixos, quem o fará ?

A França fez uma cartilha sobre como é perigoso o turismo aqui no Brasil, os riscos, as armadilhas que devem evitar, coisa pesada, mas não encontrei tantas inverdades no que escreveram não, por um outro lado foi lançada lá fora as camisetas personalizadas da copa, obviamente com a verdadeira imagem que eles tem deste país, mulher, samba, sexo gratuito e por aí vai. 
Nunca estivemos nas mãos dos opressores, apenas não trabalhamos coletivamente, ombro a ombro, muitos se vendem por restos, e restos sempre será sua base para sobrevivência.
Fica a reflexão, nos podemos tanto, mais tanto, que o sistema todo treme só de imaginar, por isso nos jogaram para os morros, os lugares exclusos .. mais sabe de uma coisa, sinto que mesmo desorganizadamente por hora, estamos voltando, saindo das tocas, quebrando algumas correntes, e volto à pensar … 
Qual será o momento exato de buscar a REPARAÇÃO, quando atacar  ? 

Kaab Al Qadir

“Fragmentos”

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

“O povo cambaleou quase caindo pela direita, foi escorado pela esquerda, por fim golpeado e largado por ambos, no centro da inércia de seu conformismo”. 

Kaab Al Qadir

“Fragmentos”

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

É o ego que aflora, conformismo que despreza, conivência sobre constantes erros sobre a impunidade que se assemelha, com a banalização da vida e seus princípios, nos perpetuamos à pagar o preço com a morte prematura pelo respeito a vida. 

Kaab Al Qadir

Sociedade, qual é a sua ?

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Reunião de homens e/ou animais que vivem em grupos organizados; corpo social.

Conjunto de membros de uma coletividade subordinados às mesmas leis ou preceitos.

Cada um dos diversos estádios da evolução da espécie humana: sociedade primitiva, feudal, capitalista.

União de várias pessoas que acatam um estatuto ou regulamento comum: sociedade cultural.

Em sociedade. Juntamente, em comum, em companhia, de parceria.
Alta sociedade. Conjunto de pessoas que se destacam pela sua posição social e econômica.

Sociedade anônima, Sociedade de capitais em que o capital social é dividido em ações que podem ser livremente transferidas de uma pessoa para outra.

Sociedade civil. Associação que não tem como objetivo o comércio ou fins lucrativos.

Sociedades secretas. Sociedades organizadas à margem da lei e do conhecimento público, algumas de caráter religioso, outras de caráter filantrópico ou, ainda, de caráter político.

Sociedade de Jesus. Designação dos jesuítas.
(Etm. do latim: societas.atis)

Não existe sociedade justa se todos não tiverem os mesmos direitos assistidos pelo sistema que o governa, sendo assim essa sociedade constantemente nos condiciona sobre um sistema belicoso de princípios unicamente favoráveis há uma classe social, a da burguesia. 
Não venha me falar de sociedade livre, eu estando encarcerado desde os primórdios da construção deste sistema que reprime, oprime, mata, trucida milhares de inocentes sem direito a voz e vez.
Que nos jogou nos cantos menos abastados, que nos lançou a própria sorte, que nos impede de manifestar a insatisfação sobre essa nódoa de uma sociedade racista e preconceituosa, que tem em sua maior característica a exclusão ! 

Calem-se todos vocês ! 

Escravocratas contemporâneos, detentores, sustentadores da obrigatoriedade do voto de um sistema falido mantido pela balbúrdia corrupta e suja, mantenedores do capitalismo segregador, eu ainda espero, mas não parado, que um dia o povo desperte e entenda de vez o real significado do que é, VIVER EM SOCIEDADE COM DEMOCRACIA !

Kaab Al Qadir

Quando o necessário nos basta, ainda temos há compartilhar com os mais necessitados.

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Você só poderá ver se realmente quiser enxergar.

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

O fanático religioso não é um religioso, é um fanático !

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

” Fragmentos de uma Favela “

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Imagem

 

Você vem no meu guetto, me pede licença, finge me dá seu respeito, depois que bebe de nossa água, come de nossa comida, volta pro seu mundo dizendo que é fácil viver do nosso jeito. Então fica o alerta, quando aqui voltar;

Terás que sobreviver, pois de nossa parte foi a cordialidade de anfitrião que pela educação mesmo que pouca mas por nós compreendida, tratar bem nossos “iguais” para que se sintam em casa é obrigação ! 
Quando voltar, terás que esperar a chuva chegar, sair comigo ombro a ombro pra ajudar correr com os moveis nas costas, colocar no lugar mais alto do barraco pra enxurrada não levar embora.

Terás que atravessar os becos, da um salve que é você o morador que tá chegando, pra não ser confundido e tomar um balaço que vem com o vento .. 

Terás que correr pro PS com a mulher prestes a dar a luz e ter a paciência de esperar a vez dela, caso contrário tem os corredores com colchonete no chão e a gente se arranja.

Terás que esperar até o apontar do raiar do dia pra entrar em casa, sabe porque ? A noite foi de acerto ! E se não estiver certo$, o que corre com ‘errado’ vai sair falando que sempre foi certo, bate uma continência, dada as costas; 

“Se abrir a boca tá morto desgraçado”! 

Tô pensando aqui; Teria que fazer muita coisa e como não está acostumado pode se dar mal numa fatalidade da vida, melhor você ir embora, voltar pra sua realidade, mais aí fica ligeiro, de uma vez por toda entenda, favela não foi feita pra turista, aqui a parada é de verdade ! Avisa o teu povo lá ! 

Passados alguns dias a polícia invadiu o morro e como de costume sem perguntar muita coisa, esculachou, pai, mãe, irmão, irmã, avó, avô …
E levou ele que nunca mais pra sua favela voltou, o que terás feito ? 
Era somente um traficante – de informação. 
E o turista que foi e voltou várias vezes, quando a casa caiu, apontou o único preto que conheceu na vida, o traficante de informação. 

Kaab Al Qadir

Coração de carne na selva de pedra, é presa !

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

“Fragmentos”

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Na ausência das pessoas, não discuta com outras pessoas sobre ela, a não ser  algo que venha beneficia-la, sendo assim na ausência, perpetue-se em falar da benevolência e presença de Allah (Deus) sobre todas as coisas.

Quer discutir algo que sempre agregará benefícios para tua vida ? 
Fale da bondade de Deus ! 

Kaab Al Qadir

Em meias-verdades tudo é meio termo.

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

“Fragmentos”

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Mesmo uma grande engrenagem depende de um minusculo parafuso que seja, para funcionar, assim também é na vida, ninguém constrói nada sozinho. Em algum momento nessa vida terrena tivemos que pedir auxílio à alguém para nos amparar em determinada situação.
Fazemos parte de uma grande engrenagem que tem que funcionar cada qual direcionado há consciência de seus direitos e também deveres. 
O rico precisa do pobre, o pobre precisa do rico, entretanto ambos sempre precisam de Allah (Deus), o dono e criador desta grande engrenagem, chamada mundo.

Allah (Deus) não nos vê por status, sua importância na sociedade, ou os menos abastado …
Allah (Deus) olha o tamanho do teu coração, da sua generosidade, do seu amor com seus iguais, não existe uma grande caridade, existe somente ‘caridade’ !

Caridade é o desejo verdadeiro em dar um bom dia pra alguém ! 
Caridade é auxiliar alguém em quaisquer que seja a dificuldade, ajudar carregar umas sacolas, oferecer um copo com água, entre tantas outras coisas, ou simplesmente sorrir.

Que Allah (Deus) Exaltado e Louvado seja, nos torne a cada dia pessoas sensíveis aos detalhes e oportunidades que aparecem em nossas vidas, tudo é caridade, desde que o coração esteja puro, conecto em o simples fato de só ajudar… 

A caridade não são bens financeiros que se tem, ou se dá, a caridade é o olhar … 
É onde seu coração está !

Kaab Al Qadir

Ainda posso estar sonhando aos pedaços, um dia junto tudo e construo meu céu.

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Um homem sem princípios caminha sempre a beira do precipício.

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

O sábio e seu silêncio não é preciso ouvir mais de uma vez.

Kaab Al Qadir

Citação  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

As Américas antes de Colombo

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Imagem

 

Segundo o Dr. Yussef Mroueh, numerosas são as evidências que sugerem que muçulmanos vindos da Espanha e África Ocidental tenham chegado às Américas há, pelo menos, 5 séculos antes de Colombo.

Há registros, por exemplo, de que em meados do século X, durante o reinado do califa omíada
Abdul-Rahman III (926-961), muçulmanos de origem africana, partindo do porto espanhol de Delba (Palos), navegaram o “Mar Tenebroso”. Após uma longa ausência, eles retornaram com uma carga preciosa, conseguida em “uma terra estranha e curiosa”. Sabe-se que muçulmanos acompanharam Colombo, e os exploradores que se seguiram, em viagens ao Novo Mundo.

A última fortaleza muçulmana na Espanha, Granada, caiu em mãos de cristãos em 1492 d.C., um pouco antes do início da Inquisição espanhola. Para escapar da perseguição religiosa, muitos não cristãos fugiram ou se converteram ao catolicismo. Em pelo menos dois documentos podemos inferir a presença de muçulmanos na América espanhola antes de 1550 d.C., não obstante o fato de um decreto baixado em 1539 d.C, por Carlos V, rei de Espanha, ter proibido que netos de muçulmanos, que tivessem sido queimados na fogueira, migrassem para as Indias Ocidentais. Este decreto foi ratificado em 1543 d.C., juntamente com a publicação de uma ordem de expulsão de todos os muçulmanos dos territórios ultramarinos espanhóis. São muitas as referências sobre a chegada de muçulmanos às Américas e elas podem ser resumidas nas notas que se seguem:

Documentos históricos

1.Abul-Hassan Ali Ibn Al-Hussain Al-Masudi (871-957 d.C), um historiador e geógrafo muçulmano, escreveu em seu livro “Muruj Adh-dhahab wa Maadim al-Jawahar” (Os Campos de Ouro e as Minas de Jóias), que durante o reinado do califa muçulmano da Espanha, Abdullah Ibn Muhammad (888-912 d.C), um navegador muçulmano Khashkhash Ibn Saeed Ibn Aswad, de Córdoba, na Espanha, navegou de Delba (Palos) em 889 d.C, cruzou o Atlântico e alcançou um território desconhecido (Ard Majhoola) e retornou com tesouros fabulosos. No mapa de Al-Masudi há uma grande área no “Mar Tenebroso” (oceano Atlântico) que se refere a esse território (as Américas). 
2.Abu Bakr Ibn Umar Al-Gutiyya, um historiador muçulmano, contou que, durante o reinado do califa muçulmano, Hisham II (976-1009 d.C), um outro navegador muçulmano, Ibn Farrukh de Granada, saindo de Cadiz (fevereiro de 999 d.C) aportou em Gando (ilhas Canárias), visitando o Rei Guanariga e continuou em direção oeste, onde avistou duas ilhas, dando-lhes os nomes de Capraria e Pluitana. Ele retornou à Espanha em maio de 999 d.C. 
3.Colombo saiu de Palos (Delba), na Espanha, com destino a Gomera (Ilhas Canárias) – Gomera é uma palavra árabe que significa “pequeno incendiário”. Lá, ele se apaixonou por Beatriz Bobadilha, filha do capitão-geral da ilha (o nome Bobadilha é derivado do arabo-islâmico (Abouabdilla). Ainda assim, o clã Bobadilha não foi condescendente. Um outro Bobadilha (Francisco), mais tarde comissionário real, colocou Colombo na cadeia e o transferiu de Santo Domingo de volta para a Espanha (novembro de 1500 d.C). A família Bobadilha era ligada à dinastia de Sevilha (1031-1091 d.C). Em 12 de outubro de 1492, Colombo aportou em uma pequena ilha das Bahamas, que era chamada de Guanahani pelos nativos e rebatizada de São Salvador por Colombo. Guanahani é derivado do mandinga e é uma corruptela das palavras árabes Guana (Ikhwana), que significa “irmãos” e Hani, nome próprio árabe. Portanto, o nome original da ilha era “Irmãos Hani”. Ferdinando Colombo, filho de Cristóvão, escreveu sobre a presença de negros, visto por seu pai em Honduras: “As pessoas que vivem mais a leste de Pointe Cavinas, até Cabo Gracias a Diós, são quase negras na cor.” Ao mesmo tempo, na mesma região, vivia uma tribo de nativos muçulmanos, conhecidos como Almamy. Nas línguas árabe e mandinga, Almamy era a designação para “Al-Imam” ou “Al-Imamu”, a pessoa que conduz a prece ou, em alguns casos, o chefe da comunidade e/ou um membro da comunidade muçulmana. 
4.Leo Weiner, um historiador e linguista americano da Universidade de Harvard, em seu livro “A Descoberta da América” (1920), escreveu que Colombo sabia muito bem da presença mandinga no Novo Mundo e que muçulmanos da África Ocidental haviam se espalhado pelos territórios doCaribe e das Américas do Norte, Central e do Sul, inclusive do Canadá, onde eles acabaram por se casar com indígenas das tribos iroquês e algonquin. 

Explorações geográficas

1.O renomado geógrafo e cartógrafo muçulmano Al-Sharif Al-Idrisi (1099-1166 d.C) escreveu em seu livro Nuzhat al-Mushtaq fi-Ikhtiraq al-Afaq, que um grupo de marinheiros (da África do Norte), saindo do porto de Lisboa (Portugal), navegou pelo mar Tenebroso (oceano Atlântico) a fim de descobrir como ele era e qual era a extensão de seus limites. Finalmente, eles alcançaram uma ilha onde havia um povo e plantação … no quarto dia, um tradutor falou com eles em árabe. 
2.Livros muçulmanos mencionavam uma descrição bem documentada de uma viagem através do mar Tenebroso, feita pelo Shaikh Zayn-eddine Ali bem Fadhel Al-Mazandarani. Sua viagem começou em Tarfay (sul do Marrocos), durante o reinado do rei Abu-Yacoub Sidi Youssef (1286-1307 d.C), até a Ilha Verde, no mar do Caribe, em 1291 d.C. Os detalhes de sua viagem oceânica são referências islâmicas e muitos eruditos muçulmanos conhecem este fato histórico. 
3.O historiador muçulmano Chihab Addine Abul-Abbas Ahmad bem Fadhl Al-Umari (1300-1384 d.C), em seu livro “Masaalik al-absaar fi Mamaalik al-amsaar”, descreveu, em detalhes, as explorações geográficas além do mar Tenebroso feitas por sultões do Mali. 
4.O sultão Mansa Kankan Musa (1312-1337 d.C) foi um conhecido monarca mandinga do império islâmico do Mali. Quando estava viajando para Macca, em seu famoso hajj, em 1324 d.C, ele disse a estudiosos da corte do sultão mameluco Bahri (an-Nasir-eddin Muhammad III, 1309-1340 d.C), no Cairo, que seu irmão, o sultão Abu Bakr I (1285-1312 d.C), havia empreendido duas expedições pelo oceano Atlântico. Como o sultão não retornasse a Timboctu dessa segunda viagem de 1311 d.C, Mansa Musa acabou por se tornar o sultão do império. 
5.Colombo e os primeiros exploradores espanhóis e portugueses, só foram capazes de cruzar o Atlântico (uma distância de 24.000 km) graças ao conhecimento muçulmano sobre geografia e navegação, principalmente os mapas feitos por comerciantes muçulmanos, inclusive Al-Masudi (871-957 d.C) em seu livro Akhbar Az-Zaman (História do Mundo), que é baseado em material reunido na África e na Ásia. Aliás, Colombo tinha dois capitães de origem muçulmana em sua primeira viagem transtlântica: Martin Alonso Pinzon, que era capitão da nau Pinta, e seu irmão Vicente Yanez Pinzon, que era capitão da nau Nina. Eles eram ricos e experientes em navios e ajudaram a organizar a expedição de Colombo e a consertar a nau capitânea Santa Maria. E fizeram isso às suas próprias custas por interesse tanto político quanto comercial. A família Pinzon era ligada ao sultão marroquino Abuzayan Muhammad III (1362-66 d.C). 

Inscrições arábicas (islâmicas)

1. Antropólogos provaram que os mandingos, seguindo as intruções de Mansa Musa, exploraram muitas partes da América do Norte, subindo o rio Mississipi e outros sistemas fluviais. Em Four Corners, Arizona, documentos comprovam que até elefantes eles trouxeram da África para essa área.

2. Em seus diários, Colombo admitiu que no dia 21 de outubro de 1492, uma segunda-feira, quando ele estava navegando próximo a Gibara, na costa nordeste de Cuba, ele viu uma mesquita no alto de uma bela montanha. As ruínas de mesquitas e minaretes com inscrições de versículos alcorânicos foram  escobertos em Cuba, México, Texas e Nevada.

3. Durante sua segunda viagem, os nativos de Hispaniola (Haiti) disseram a Colombo que negros tinham estado na ilha antes de sua chegada. Como prova, eles o presentearam com lanças daqueles muçulmanos africanos. Essas armas eram arrematadas na ponta com um metal amarelo que os nativos chamavam deguanine, uma palavra de origem africana que siginifica “mistura de ouro”. Estranhamente, está relacionada como a palavra árabe ghinaa, que quer dizer “riqueza!. Colombro levou algumas guanines para a Espanha e lá elas foram testadas. Ele, entãoo, soube que o metal era composto de 18 partes de ouro (56,25 %), seis partes de prata (18,75 %) e oito partes de cobre (25 %), a mesma proporção do metal produzido na nos mercados africanos da Guiné.

4. Em 1498 d.C., em sua terceira viagem ao Novo Mundo, Colombo aportou em Trinidad. Mais tarde ele avistou o continente sul-americano, onde alguns de seus tripulantes desceram em terra e encontraram nativos usando lenços coloridos em algodão tecido simetricamente. Colombo percebeu que aqueles lenços lembravam os lenços de cabeça e as tangas da Guiné, com suas cores, estilo e função. Ele se referiu a eles como os Almayzars, que é uma palavra árabe para “capa”, “cobertura”, “avental” e/ou saia, e que era a roupa usada pelos mouros (muçulmanos espanhóis e africanos do norte), que chegaram ao Marrocos, Espanha e Portugal vindos da África Ocidental (Guimé). Durante esta viagem, Colombo se surpreendeu com as mulheres casadas que vestiam calças de algodão (bragas) e imaginou como aquelas nativas
podiam ter aprendido sobre a modéstia. Hernando Cortez, o conquistador espanhol, descreveu a roupa das nativas como longos véus e a dos nativos como uma espécie de “bombachas, pintadas no estilo das tapeçarias mouriscas”. Ferdinando Colombo chamou essas roupas de algodão “bombachas do mesmo desenho e roupa com os xales usados pelas mouras de Granada”. Até a semelhança das redes das crianças com as usadas na Africa do Norte era fantástica.

5. O Dr. Barry Fell, da Universidade de Harvard, apresentou em seu livro “A Saga da América” – 1980, sólidas evidências científicas que amparam a tese da chegada de muçulmanos da África do Norte e Ocidental, muitos séculos antes de Colombo. O Dr. Fell descobriu a existência de escolas muçulmanas em Nevada, Colorado, Novo México e Indiana, datando de 700-800d.C. Entalhado nas pedras do antigo oeste americano, ele encontrou textos, diagramas e cartas, representando os últimos fragmentos vivos do que uma vez foi um sistema de escolas, tanto primária quanto secundária. A língua usada era o árabe norte-africano, escrito no antigo kufi. As matérias de ensino incluiam escrita, leitura, aritmética, religião, história, geografia, astronomia e navegação marítima. Os descendentes dos visitantes muçulmanos da América do Norte eram membros das atuais tribos iroqueses, algonquins, anasazis, hohokam, olmec.

6. Existem 565 nomes de lugares (vilarejos, cidades, montanhas, lagos, rios, etc.), 484 nos Estados Unidos e 81 no Canadá, que são derivados de raízes árabes e islâmicas. Esses lugares foram originalmente batizados pelos nativos do período pre-colombiano. Alguns desses nomes tinham significado sagrado, tais como Meca (Indiana) – 720 habitantes, tribo indígena Makka (Washington), Medina (Idaho) – 2.100 habitantes, Medina (NY) – 8.500 habitantes, Medina e Hazen (Dacota do Norte) – 1.100 habitantes e 5.000 habitantes, respectivamente, Medina (Ohio) – 12.000 habitantes, Medina (Tenessee) – 1.100 habitantes, (Medina (Texas) – 26.000 habitantes, (Medina (Ontário) – 1.200 habitantes, Maomé (Illinois) – 3.200 habitantes, Mona (Utah) – 1.100 habitantes, Arva (Ontário) – 700 habitantes, e muitos outros. Um estudo cuidadoso dos nomes das tribos indígenas revelou que muitos deles derivaram de raízes árabes e islâmicas, como, por exemplo, Apache, Arauaque, Arikana, Cheroque, Hohokam, Makka, Nazca, Zulu, Zuni, etc.

 

Fonte: sbmrj.org.br

Os Abássidas

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Os Abássidas, que sucederam aos Omíadas, mudaram a capital para Bagdá que em breve se desenvolveu num incomparável centro de instrução e cultura, transformando-se assim no coração político e administrativo de um vasto mundo. 

Governaram por 500 anos, mas, gradualmente, o seu poder foi declinando e eles tornaram-se apenas em governantes simbólicos, transferindo a legitimidade para vários sultões e príncipes que detinham o poder militar. O Califado Abássida foi finalmente abolido quando Hulagu, o governante Mongol, capturou Bagdá em 1258, destruindo a maior parte da cidade, incluindo as incomparáveis bibliotecas.

Enquanto os Abássidas governaram em Bagdá, um número de poderosas dinastias tais como as Fatimidas, Ayyubidas e Mamelucos conservaram-se no poder no Egito, na Síria e Palestina. O acontecimento mais importante nesta época, nas relações entre o Islam e o mundo Ocidental, foi a série de cruzadas declaradas pelo Papa e apoiadas por vários reis Europeus. 

A finalidade, embora política, destinava-se a capturar a Terra Santa, especialmente Jerusalém e devolve-la para o domínio dos Cristãos. Embora tivessem tido algum sucesso a princípio, onde o governo Europeu foi instalado em partes da Síria e Palestina, os Muçulmanos finalmente prevaleceram e, em 1187, Saladino (Salahuddin Ayyub), o grande General Muçulmano, recapturou Jerusalém e derrotou os Cruzados. 

Inicio da Dinastia Abássida 

A dinastia começou quando Abul Abbas assumiu o califado  em 750 d.C. Tanto ele como seu sucessor, Abu Jafar al-Mansur, consolidaram o poder e iniciaram uma série de mudanças administrativas que iriam caracterizar a forma de governo islâmico pelos próximos séculos.  

Palácio dos Abássidas em Bagdá construído no século 13.

 

A administração Abássida seguiu muito de perto os modelos bizantino e sassânida. Era uma administração muito burocratizada e ao mesmo tempo centralizada. A criação do cargo de vizir foi apenas uma das inovações importadas dos sassânidas pelos abássidas para a administração islâmica.

Aperfeiçoaram o sistema postal criado pelos omíadas, transformando-o num serviço de inteligência eficiente. Os encarregados das províncias distantes eram os olhos e ouvidos do governo e relatórios regulares eram feitos ao governo central sobre tudo o que acontecia naqueles lugares. 

O desenvolvimento do comércio está entre as conquistas dos abássidas. Com o governo unificado,  o  comércio podia ser feito no vasto território islâmico de uma forma mais livre e segura. Assim, comerciantes muçulmanos estabeleceram entrepostos comerciais nos mais distantes lugares, na Índia, Filipinas, Malásia, Índias Ocidentais e China.

A partir do século VIII, o comércio se voltou fundamentalmente para a procura e importação de produtos básicos, como grãos, metais e madeira, forçando, em contrapartida, a exportação de uma região para outra. A expansão  comercial levou à criação de um sistema bancário sofisticado de tal sorte que um documento de crédito expedido em Bagdá podia ser honrado em Samarkanda, na Ásia Central, ou em qualquer outra província islâmica.

Também floresceu a  vida   intelectual. Os estudos  religiosos  multiplicaram-se em todas     as cidades. Fixados e compreendidos os textos na sua significação literal, faltava uma teologia. Tal foi, no primeiro século da dinastia abássida, a obra dos grandes teólogos e juristas. Remonta a essa época as quatro grandes escolas do pensamento islâmico: a malikita, a hanafita, a hanbalita e a shafiita. 

A enorme ânsia pelo conhecimento deixou seu legado na história, geografia,  literatura e medicina. A partir da matemática grega, foram desenvolvidas a álgebra e a trigonometria. A jurisprudência atingiu sua forma definitiva  com a promulgação de quatro grandes códigos, baseados no Alcorão e nas tradições do Profeta, o que foi decisivo para dar uniformidade à vida dos muçulmanos. Não existe qualquer aspecto da vida humana sobre o qual o direito islâmico não se pronuncie. O árabe foi a língua do direito e da cultura religiosa dessas comunidades islâmicas.

A ascensão ao poder dos abássidas, em 750, coincide com a divisão do território muçulmano, primeiro em duas partes, e depois em um número cada vez maior. Em Córdoba (Espanha), foi estabelecido um califado rival, que nunca se reconciliou, até à sua queda, em 1492, com o Leste, onde Bagdá tinha tomado o lugar de Damasco, como sede do califado.

Domínios do Califado Abássida em 778 d.C

A transferência do califado, de Damasco para Bagdá, significou mais do que uma mudança de dinastia. Representou também o deslocamento  do centro da civilização islâmica do Mediterrâneo Oriental para as fronteiras da Ásia. A proximidade  de Bagdá com a antiga capital sassânida, Ctesifonte, abriu as  portas para as  influências vindas da China ou da Índia, iniciando-se, a partir daí, um rápido declínio do poder político árabe. 

Os abássidas, e o importante contingente de persas em que se apoiavam, transformaram-se em restauradores da tradição islâmica, supostamente traída pelos omíadas. Reforçaram o poder teocrático do califa e deram mais pompa ao cerimonial da corte. O novo califado assumiu o papel de defensor da fé, mais forte e menos questionado, já que não existia uma hierarquia religiosa reconhecida.  

A designação do califa assegurava-se, em princípio, pela escolha de um herdeiro entre seus filhos. A época de esplendor correspondeu ao reinado de Harun al-Rashid, no período compreendido entre os anos 750 e 833.

Bagdá transformou-se em importante centro cultural, o que representou o desenvolvimento pleno da civilização cortesã e urbana do Islam. As ciências e as letras passaram por extraordinário desenvolvimento, e muitas vezes incorporaram aspectos de outras culturas, como a indiana, a greco-latina e a persa.  

Expansão do Império Islâmico durante o califado Abássida.

 

Também prosperou a atividade econômica, baseada na manufatura de sedas, tapetes, telas bordadas e papel reciclado de tecido (técnica proveniente da China), e nas transações comerciais entre Oriente e Ocidente.  

A história dos Abássidas não nos apresenta conquistas militares, se excluirmos as iniciativas de chefes regionais, os quais, apesar de reconhecer o califa de Bagdá como seu soberano, não dependiam dele para nada, quer em assuntos de política estrangeira, quer na administração interna. Falaremos do sub continente da Índia, nesse contexto, em um parágrafo próprio.  

As relações com Bizâncio tomaram-se cada vez mais amargas e sangrentas, e o império grego viu-se obrigado a deixar definitivamente a Ásia Menor e a contentar-se, por mais algum tempo, apenas com as suas possessões européias.  

Os abássidas inauguraram a política do emprego de soldados de origem turca, e isto deu origem ao feudalismo e culminou, posteriormente, no estabelecimento de províncias independentes, onde vamos encontrar “dinastias” de governadores.  

Cerca de um século depois de subirem ao poder, os califas Abássidas começaram a delegar – e até a perder – as suas prerrogativas de soberanos para governadores descentralizadores, até que, gradativamente, a sua soberania se viu limitada ao seu próprio palácio, sendo o resto controlado pelos emires, dos quais o mais poderoso ocupava até a capital.  

Vemos aí um contraste estranho com o Papado: os papas começaram sem nenhum poder político, mas foram adquirindo-o gradativamente, especialmente após a criação do Sacro Império Romano. Por algum tempo eles se tomaram mais fortes até do que os imperadores, perdendo essa autoridade somente no decorrer do tempo.  

Foi no reinado dos abássidas que o governador de Túnis foi chamado a intervir nas guerras civis da Sicília. Ele ocupou a ilha, e um bom pedaço da Itália continental, chegando a avançar até perto dos muros de Roma.  

O Sul da França também foi anexado, assim como também uma boa parte da Suíça. Essa onda expansionista foi levada a efeito pelos Aglábidas, que foram posteriormente substituídos, pelos Fatímidas.

 Estes últimos eram chi’itas, e transferiram a sua capital para o Cairo, onde estabeleceram um califado. Em seguida os reis da Europa conclama a guerra santa contra os muçulmanos, com o apoio da igreja. Seguiram-se então, uma série de cruzadas, que fizeram sangrar, tanto o Oriente quanto o Ocidente, por duzentos anos. No tempo da primeira cruzada, os fatímidas já tinham abandonado a Palestina, e foi a população inocente que se viu vitimada pela fúria dos invasores. Nesta época os curdos e os turcos começaram a tomar o lugar dos árabes, na luta contra o Ocidente. 

Salahuddin (Saladino), herói muçulmano da época da segunda cruzada, não só expulsou os europeus da Síria-Palestina, como também varreu os fatímidas do Egito. Salahuddin e os seus sucessores reconheceram o califado de Bagdá, porém este jamais conseguiu recuperar o seu poder político, que permaneceu dividido entre vários Estados fragmentários. Alguns deles conseguiram estender as fronteiras das terras muçulmanas.  

Em 921, o rei búlgaro (da região de Kazan, às margens do rio Volga, na Rússia), pediu um missionário muçulmano a Bagdá. Ibn Fadlan foi o enviado. De acordo com o relato da sua viagem, que é extremamente interessante, o rei búlgaro converteu-se ao Islam, e criou, por assim dizer, uma ilha islâmica, no meio de regiões não-muçulmanas. A islamização do Cáucaso e das regiões vizinhas continuou, lentamente.  

No século X, apareceram principados independentes e acelerou-se a fragmentação do império abássida. O emirado andaluz, fundado em 756, transformou-se em califado independente em 929. Os reinos do Maghreb tornaram-se praticamente autônomos e, no Oriente, criaram-se diversos estados iranianos no Khorasan. No Egito e na Síria, também se formaram estados independentes. 

Durante o século X, cada uma das grandes famílias do Islam criou um reino: o califado omíada consolidou-se em Córdoba; os descendentes do califa ‘Ali e de Fátima (filha de Muhammad) instalaram-se no Egito. 

Em Bagdá, a dinastia abássida manteve-se até 945, quando caiu sob o poder de Ahmad al-Buye, um xiita das montanhas iranianas. Seu sucessor conseguiu apossar-se de um império que compreendia dois terços do Irã e a Mesopotâmia. A dinastia dos buáiidas desapareceu com a chegada dos turcos seljúcidas em 1055.

Declínio do califado Abássida, e domínio dos Buáiidas sobre os Abássidas.

Em 1251, o khanato de Chagatai e o da Horda de Ouro já eram impérios firmemente estabelecidos no mundo islâmico e  o  grande khan Mongke, não gostava do fato de que seus súditos prestassem obediência a um homem (o  califa), que eles colocavam  numa  posição mais elevada do que a do Grande Khan. 

Mongke  decidiu enviar  seu irmão, Hulagu,  para o Iraque, chefiando um exército  mongol, com o objetivo de saquear Bagdá e destruir o califado. Hulagu dirigiu-se para lá, em 1253, o grande  Khan Mongke tinha instruído Hulagu a atacar o califado abássida somente se ele se recusasse  a se render aos mongóis. Os abássidas, chefiados pelo califa Musta’sim, na verdade recusaram-se, o que tornou a batalha  inevitável.

Os Abássidas mesmo tendo um grande exército, não suportaram a ofensiva do exército mongol, o que resultou na queda de Bagdá e na destruição do califado em 1258. O califa Musta’sim foi capturado e condenado à morte, terminando, assim, com 500 anos de dinastia Abássida. 

Fonte: islam.org.br

INTRODUÇÃO

Com o colapso da administração mongol em território islâmico, nos séculos XIV e XV, três novos impérios começam a se formar, partindo da Ásia: o império otomano, na Ásia Menor, o império safávida, na Pérsia, e o império mogol, na Índia. Esses três impérios foram o resultado de séculos de construção e expansão do estado islâmico, e que, no seu apogeu, chegaram a cobrir quase que todo o mundo islâmico. As únicas regiões que ficaram fora de seus domínios foram a África Ocidental e o Sudeste Asiático. Esses três impérios também foram importantes porque  foram a ponte que possibilitou a transição do período medieval para o moderno, na história islâmica.

 

O império safávida, que foi fundado como uma dinastia política, em 1501, foi o segundo grande império islâmico a ser formado. Originou-se de uma seita religiosa e só assumiu a feição de um estado político e militar após 1501. O império safávida também se distinguia dos impérios otomano e mogol, porque era um governo oficialmente xiíta e as diferenças religionas levaram a muitos antagonismos entre eles e seus vizinhos sunitas. Dos três, o império safávida foi o menor e sofreu seu colapso nas mãos dos invasores afegãos, em 1722. Atualmente, corresponde ao Irã.

O império mogol da Índia, que surgiu em 1526, foi o terceiro grande império islâmico a se formar e lutou por muitos anos até consolidar seu território. Ele se beneficiou de uma sucessão de governantes fortes durante os séculos XVI e XVII, muitos dos quais foram capazes de assegurar a sobrevivência do império graças a uma política voltada para a população hindu . Da mesma forma que os impérios safávida e otomano, o império mogol finalmente deteriorou-se e foi absorvido pela expansão britânica promovida na Índia, em meados do século XIX.

O império otomano, que se formou no início do século XIV, foi o primeiro desses três grandes impérios islâmicos. Alcançou o seu ápice por volta de 1600, após o qual começou a entrar num lento declínio, resultante da desorganização interna e da pressão de seus inimigos externos europeus e asiáticos. No entanto, conseguiu sobreviveu até a I Guerra Mundial e se dispersou em 1918. Atualmente, corresponde à Turquia.

O Império Otomano, com sua capital em Istambul, compreendia todos os países de fala árabe,  com exceção de partes da Arábia, Sudão e Marrocos.   O império também incluía a Anatólia e o sudeste da Europa. O turco era a língua da família governante e as elites militar e administrativa,  em sua maioria,   compunham-se de convertidos ao Islam,  provenientes dos Balcãs e do Cáucaso. A elites religiosa e jurídica eram de diversas origens, treinadas nas escolas de Istanbul e transmitiram um corpo de literatura jurídica em árabe.

O império era um estado burocrático, que comportava diferentes regiões dentro de um único sistema administrativo e fiscal. Foi, também, a última grande expressão de universalidade do mundo islâmico. Preservou a lei religiosa, protegeu e ampliou as fronteiras do mundo muçulmano, preservou as cidades santas da Arábia e organizou a peregrinação a elas. Foi também um estado multi-religioso, reconhecendo e aceitando as comunidades judaica e cristã. Os habitantes muçulmanos das cidades provinciais eram tirados do sistema de governo e dos países árabes, onde havia  uma cultura arabo-otomana desenvolvida, preservando a herança e, até certo ponto, desenvolvendo-a em novos rumos. Além das fronteiras, o Marrocos desenvolveu-se de formas diferentes, sob o governo de   dinastias próprias, que também reivindicavam uma autoridade baseada na proteção à religião.

No século XVIII, o equilíbrio entre os governos central e locais, dentro do Império, alterou-se e, em algumas partes, famílias ou grupos otomanos locais,  tinham uma autonomia relativa, mas permaneciam fiéis aos interesses maiores do estado otomano. Houve uma mudança, também, nas relações entre o império e os estados europeus. O império, que nos primeiros séculos havia se expandido pela Europa, na última parte do século XVIII  ficou sob a ameaça militar do ocidente e do norte.  As relações comerciais também se modificaram, em razão do fortalecimento dos governos europeus e dos mercadores no oceano Índico e no mar Mediterrâneo. Ao final do século, a elite governante tornou-se consciente do declínio de seu poder e independência, e começou a apresentar suas primeiras tentativas para responder aos novos desafios.

O século XIX vai encontrar uma Europa dominando o mundo. A Revolução Industrial, a mudança no modo de produção, o crescimento da produção em escala e as mudanças nos sistemas de comunicação – a chegada dos navios a vapor, as estradas de ferro e o telégrafo – levaram a uma expansão do comércio europeu, que foi acompanhada de um fortalecimento do poder armado na maior parte dos estados europeus. A primeira conquista de um país árabe foi a da Argélia, pela França. Os estados e sociedades muçulmanos já não mais podiam viver um sistema estável e auto-suficiente. Nessa nova correlação de forças, era preciso criar os meios que garantissem a sobrevivência num mundo dominado pelos outros. Surgem, então, novos métodos de organização militar e administrativa, e de códigos legais moldados de acordo com os europeus. Os primeiros a adotar esses novos métodos foram os governos de duas províncias virtualmente autônomas, o Egito e a Tunísia.

Nas capitais dessas províncias reformistas e nos portos, que expandiram seu movimento em razão do comércio com a Europa, uma nova aliança de interesses se formou entre eles e os comerciantes estrangeiros e uma elite nativa de proprietários de terra e mercadores, comprometidos com o comércio com a Europa. No entanto, as consequências logo se fizeram sentir, quando em muito breve tempo, Egito e Tunísia cairiam sob o controle europeu, seguidos do Marrocos e da Líbia. O Império Otomano também perdeu a maior parte de suas províncias européias e tornou-se um estado arabo-turco.

Ainda que a cultura islâmica continuasse preservada, uma nova corrente de pensamento emergiu, tentanto explicar as razões da força da Europa e mostrar que os países muçulmanos podiam adotar as idéias e métodos europeus, sem trair suas próprias crenças. Para isso, foi importante os estudiosos das escolas criadas por esses governos reformistas e missionários estrangeiros, que puderam expressar seus conceitos, através de jornais e periódicos. Suas idéias predominantes eram a reforma da lei islâmica, a criação de uma base nova para o Império Otomano, e, no final do século XIX, a idéia do nacionalismo acabou encontrando espaço naquelas sociedades. Afora alguns raros momentos de rebelião, as novas idéias mal tocaram a vida das pessoas no campo e no deserto.

A I Guerra Mundial terminou com o desaparecimento final do Império. De suas ruínas emergiu um novo estado independente turco, mas as províncias arábicas foram colocadas sob controle britânico e francês. Todo o mundo árabe, com exceção de algumas partes da península arábica, estava sob o controle da Europa. O controle estrangeiro trouxe mudanças administrativas e alguns avanços na educação, mas também estimulou o crescimento do nacionalismo, principalmente nas camadas mais instruídas da sociedade.

A II Guerra Mundial mudaria a estrutura de poder no mundo. A derrota da França, a crise financeira européia, em decorrência da guerra, o surgimento dos Estados Unidos e da Rússia como superpotências, iriam  determinar uma nova correlação de forças.

A seguir, para que se tenha uma melhor compreensão dos acontecimentos desse período, estabelecemos uma cronologia que melhor poderá orientar no estudo do Islam.

CRONOLOGIA

Século XIV (1300 – 1399d.C)

1301: Em Bengala, morre o rei Ruknuddin, que é sucedido pelo irmão Shamsuddin Firuz. 
1302: Em Granada, morre Mohammad II. Assume Mohammad III. 
1304: No império mongol, morre Ghazan, que é sucedido por seu irmão Khudabanda Oljeitu. Na Argélia, morre Osman, que é sucessido por seu filho Abu Zayan Muhammad. 
1305: Alauddin Khilji conquista Rajputana, no império khiljis. 
1306: No império chughills, morre Dava, que é sucessido por seu filho Kunjuk. 
1307: No império marinida, o sultão AbuYaqubYusuf é assassinado Assume Abu Thabit. NasceIbn Batuta
1308: No império chughill, Kunjuk é deposto, e o poder é tomado por Taliku. Na Argélia morre  Abu Zayan Muhammad. Assume seu irmão Abu Hamuw Musa. No império marinida, Abu Thabit é derrotado por  Abu Rabeah Sulaiman. 
1309: Taliku é assassinado. Assume Kubak. Em Granada, Muhammad III é destronado por seu tio Abul Juyush Nasr. 
1310: Kubak é deposto  por seu irmão Isan Buga. No império marinida, Abu Rabeah Sulaiman é  derrotado por Abu Said Osman. No império khiljis, Alauddin conquista Deccan. 
1312: Na Tunísia, Abul Baqa é deposto por  Al Lihiani. 
1313: No império mongol, invasão da Síria, mas são repelidos. No império da Horda de Ouro, morte de Toqtu. Assume seu sobrinho Ozbeg. 
1314: Na Caxemira, Rainchan, um aventureiro derrota Sinha Deva, o rajá da Caxemira.. Rainchan converte-se ao Islam e adota o nome de Sadrud Din. Em Granada, Abul Juyush derrota seu sobrinho Abul Wahid Ismail. 
1315: Guerra entre Bougie e Tunis,  na Tunísia.  Lihani é derrotado e morto. Abu Bakr se torna o governante. 
1316: No império mongol, morte de Khudabanda Ul Jaytu, e é sucedido por  Abu Said. No império khiljis, morte de Alauddin, que  é sucedido por Shahabuddin Umar. O poder é usurpado por Malik Kafur, um convertido indu. 
1318: Malik Kafur é assassinado, Shahabuddin Umar é deposto e é sucedido por Qutbuddin Mubarak. No império chughills, Isan Buga é derrotado por Kubak. 
1320: No império khiljis, Qutbuddin Mubarak é assassinado, o poder é usurpado por Khusro Khan, um convertido indu, que é derrotado por Ghazi Malik. Fim do governo khilhis. Na Tunísia, Abu Bakr é expulso de Túnis por Abu Imran. Ghazi Malik funda a dinastia tughlaq
1321: No império chughills, morte de Kubak, que é sucedido por Hebbishsi, que é derrotado por Dava Timur. 
1322: Dava Timur é derrotado por Tarmashirin, que se converte ao Islam. Em Bengala, morte de Shamsuddin Firuz. O reino se divide em dois, Bengala do Oriente e Bengala do Ocidente.
1324: Em Bengala, Shahabuddin morre e é sucesido por seu irmão Nasiruddin. 
1325: No império tughluqs, morte de Ghazi Malik (Ghiasuddin Tughluq);. Assume seu filhoMuhammad Tughluq. Em Granada, Abul Wahid Ismail  é assassinado. Assume seu filho Muhammad IV, que também é assassinado. Assume seu irmão  Abul Hallaj Yusuf. No império Samudra Pasai, morre Malik al Tahir I, assume Malik al Tahir II. Em Bengala, com a ajuda de  Ghiasuddin Tughluq, Nasiruddin derrota.. Ghiasuddin Bahadur  se torna o governante de Bengala Unida. 
1326: No império turco otomano, morre Osman,  que é sucedido por Orkhan. Este conquista Bursa e a torna capital. 
1327: Os turcos capturam a cidade de Nicéia. 
1329: No império tughuluqs,  Muhammad Tughluq muda a capital de Delhi para Daulatabad, em Deccan. 
1330: No império chughills, morre Tramashirin, que é sucedido por Changshahi. Amir Hussain funda a dinastia de Jalayr, em Bagdá. Na Tunísia, Abu Bakr derro Abu Imran e o estado se unifica  de novo, sob sua liderança. Em  Bengala,  Muhammad b Tughluq , contra seu pai, restabelece Ghiasuddin Bahadur no trono de Sonargeon. 
1331: No império marinida, morre Abu Said Osma. Assume Abul Hasan. Bengala é anexada aos tughluqs.
1332: Nasce Ibn Khaldoun, o grande historiador muçulmano.
1335: No império mongol, morre Abu Said, o poder é tomado por Arpa Koun. No império chughills, Changshahi é assassinado. Assume Burun.
1336: No império mongol, Arpa é derrotado e morto, sendo sucedido por Musa. Nascimento deTimur. No império Jalayar, morte do Emir Hussain, que é sucedido por Hasan Buzurg. No império otomano, os turcos anexam o estado de Karasi. Em Bengala, o governador tughluq em Sonargeon é assassinado por um homem vestido com uma armadura e que toma o poder e declara sua independência, tomando o nome de Fakhruddin Mubarak Shah. 
1337: No império mongol, o governo de Musa é derrotado, Mohammad se torna Sultão. No império Sarbadarn, o governo do Khan II é desintegrado. Abdur Razaq, um aventureiro militar estabelece um principado independente em Corassã, com a capital em Sabzwar. No império muzafarida Khanrule Mubarazud Din Muhammad fundou a dinastia muzafarida. No império otomano, os turcos tomam a cidade de Nicomédia. A Argélia é ocupada pelos marinidas. 
1338: No império mongol, Mohammad é destronado e sucedido por Sati Beg, que se casa com Sulaiman, que se torna co-regente. 
1339: Na Caxemira, morte de Sadrud Din, o trono é tomado por um hindu, Udyana Deva. No império dos chughills, deposição de Burun, ascensão de Isun Timur. Em Bengala, o governador tughluq em Lakhnauti-Qadr Khan, é assassinado e o poder é tomado pelo comandante em chefe do exército, que declara sua independência e assume o título de Alauddin Ali Shah. 
1340: No império muzafarida, os muzafaridas conquistam Kirman. No império dos chughills, deposição de Isun Timur, e assume Muhammad. 
1341: No império Horda de Ouro, morte de Uzbeg, que é sucedido por seu filhoTini Beg. 
1342: No império Horda de Ouro, Tini Beg é destronado por seu irmão Jani Beg.
1343: No império chughills, Mohammad é destronado, o poder é tomado por Kazan. Em Bengala, Ilyas, um oficial de Alauddin, mata seu chefe e toma o trono de Bengala Ocidental. 
1344: No império mongol, deposição de Sulaiman, que é sucedido por Anusherwan. 
1345: No império Samudra Pasai, morte de Malik al Tahir II, e assume Tahir III. Seu governo durou todo o sécuçp XIV. Em Bengala, llyas captura Bengala Oriental, unindo de novo Bengala. Ele estabelece sua capital em Gaur. 
1346: No  império chughill, deposição de Kazan, ascenção de Hayan Kuli. Na Tunísia, morte de Abu Bakr, que é sucedido por seu filho Fadal. Na Caxemira, morte de Udyana Deva, o trono é tomado por Shah Mirza, que assume o nome de Shah Mir, criando a dinastia Shah Mir. 
1347: Os marinidas ocupam a Tunísia. No império bahmanidas, Hasan Gangu declara sua independência e estabelece um estado em Deccan, com capital em Gulbarga. 
1349: Na Caxemira, morte de Shah Mir, que é substituído por seu filho Jamsbed. Na Argélia, os zayanidas, sob a liderança de Abu Said Othman, retoma a Argélia. 
1350: No império sarbadaran, revolta contra Abdur Razaq. O poder é tomado por   Masud. Na Tunísia, deposição de Fadal, assume seu irmão Abu Ishaq. Na Caxemira, Jamshed é destronado por seu meio-irmão, Alauddin Ali Sher. 
1351: No império marinida, morte de Abul Hasan, que é sucedido por Abu Inan. No império tughuqs, morte de Mohammad Tughluq, que é substituído por Firuz Shah Tughluq. 
1352: Na Argélia, os marinidas tomam de novo a Argélia. Abu Said Osman é feito prisioneiro e morto. 
1353: Fim do império  mongol. No império turco otomano, os turcos conseguem a Fortaleza de Tympa do lado europeu de Hollespoint. No império muzafarida, os muzafaridas conquistam Shiraz e estabelecem sua capital. 
1354: No império muzafarida, os muzafaridas anexam Isfahan.  Em Granada Abu Hallaj é assassinado e sucedido por seu filho Muhammad V. 
1356: No império jalayar, morte de Hasan Buzurg, que é sucedido por seu filho Owaia. 
1357: No império Horda de Ouro, morte de Jani Beg, que é sucedido por Kulpa. 
1358: No império bahmanida, morte de Hasan Gangu, que é substituído por seu filho Muhammad Shah. No império muzafarida, morte de Mubarazuddin Muhammad que é substituído por Shah Shuja. No império marinida, assassínio de Abu Inan, ascensão de Abu Bakr Said. Em Bengala, morte de Ilyas, que é sucedido por seu filho Sikandar Shah. 
1359: No império otomano, morte de Orkhan, que é  sucedido por Murad. No império muzafarida, Shah Shuja é deposto por seu irmão Shah Mahmud. Na Tunísia, Abul Abbas, um sobrinho de Abu Ishaq, se rebela e estabelece seu governo. No  império marinida,   Abu Bakr Said é deposto por Abu Salim Ibrahim. Em Granada, Mohammad V perde o trono na revolta palaciana e é substituído por Ismail. 
1360: No império  muzafarida, morte de Shah Mahmud. Shah Shuja retoma o poder. No império chughil, o poder é tomado por Tughluq Timur. Em Granada, Ismail é deposto por seu cunhadoAbu Said. 
1361: No império otomano turco, Murad conquista parte da Trácia. No império da Horda de Ouro,  Kulpa é destronado por seu irmão Nauroz. No império marinida, Abu Salim Ibhahim é deposto por Abu Umar. Abu Umar é deposto por   Abu Zayyan. 
1362: O império Horda de Ouro vira um estado de anarquia. Em 20 anos, são 14 governantes. Em Granada, Abu Said é deposto por Mohammad V, que governa pela segunda vez. Na Caxemira, morte de  Alauddin Ali Sher, que é substituído por seu irmão Shahabuddin. 
1365: No império otomano, turcos derrotam cristãos na batalha de Matiza, Bizânio submete-se aos turcos. 
1366: No império marinida, assassínio de Abu Zayyan, que é substituído por Abu Faris Abdul Aziz. 
1369: Fim do governo dos chughills.  Timur toma o poder na Transoxiana. Na Tunísia, morte de Abu Ishaq, que é sucedido por seu filho Abu Baqa Khalid. 
1370: Na Tunísia, Abu Baqa é deposto por Abul Abbas, que reunifica o estado. No império sarbadaran, morte de Amir Masud, que é sucedido por Muhammad Timur. 
1371: No império otomano turco, invasão da Bulgária e o território dos balcãs são anexados pelos turcos. 
1372: No império marinida, morte de Abu Faris, que é sucedido por Abu Muhammad. 
1374: No império marinida, Abu Muhammad é deposto por Abul Abbas. 
1375: No império sarbadaran, Mohammad Timur é deposto, o poder é tomado por Shamsuddin. No império jalayar, morte de Owais, que é sucedido por seu filho Hussain. 
1376: Na Caxemira, morte de Shahabuddin, que é sucedido por seu irmão Qutbuddin. 
1377: No império bahmanida, morte de Muhammad Shah, que é sucedido por seu filho Mujahid.
1378: No império bahmanida, Mujahid é assassinado e o trono é tomado por seu ti, Daud. 
1379: No império do Carneiro Negro, Bairam Khawaja funda um principado independente dos turcomanos do Carneiro Negro e estabelece sua capital em Van, na Armênia. No império bahmanida, assassínio de Daud e ascenção de Mohammad Khan. 
1380: No império Horda de Ouro, o poder é tomado por Toqtamish, um príncipe da Horda Branca da Sibéria. No império timurida, Timur cruza o Oxus e conquista Corassã e Herat. Timur invade a Pérsia e submete os muzafariddas e os mazandaran. 
1381: No império timurida, anexação de Sistan, tomada de Qandhar. 
1384: No império timurida, conquista de Astrabad, Mazandaran, Rayy e Sultaniyah. No império muzafarida, morte de Shah Shuja, que é sucedido por seu filho Zainul Abdin. No império marinida, Abul Abbas é deposto por Mustansir. Os turcomanos do império do Carneiro Negro, morte de Bairam Khawaja, que é sucedido por Qara Muhammad. 
1386: No império timurida, anexação do Azerbaijão, a Geórgia é invadida. Gilan e Shirvan se submetem. Os turcomanos do Carneiro Negro são derrotados. No império marinida, morte de Mustansir que é sucedido por Mohammad. 
1387: No império dos marinidas, Mohammad é deposto por Abul Abbas, que chega ao poder pela 2ª vez. 
1388: Na Argélia, morte de Abu Hamuw II, sucedido por Abu Tashfin. No império tughluq, morte de Firuz Shah Tughluq, que é sucedido por seu neto Ghiasuddin Tughluq II. 
1389: No império muzafarida, morte do poeta Hafiz Shirazi. No império tughluq, morte de Ghiasuddin Tughluq II, ascensão de Abu Bakr Tughluq Shah. Os turcomanos do império Carneiro Negro, morte de Qara Muhammad, que é sucedido por Qara Yusuf. 
1390: No império tughluq, Abu Bakr é destronado por Nasiruddin Tughluq. Em Bengala, morte de Sikandar Shah, ascensão de seu filho Ghiasud. No império mameluco Burji, o governante dos mamelucos burjis é deposto por Saifuddin Barquq. 
1391: No império timurida, anexação de Fars. No império muzafarida, anexação dos muzafaridas por Timur. Em Granada, morte de Mohammad IV, que é sucedido por seu filho Abu Hallaj Yusuf II. 
1392: No império jalayar, morte de Hussain, ascensão de seu filho Ahmad. Em Grandan, morte de Abu Hallaj, ascensão de Mohammad VI. 
1393: Timur derrota Tiktomish, o governante da Horda de Ouro. Tomada dos domínios de Jalayar por Timur. No império marinida, morte de Abul Abbas e ascensão de Abu Faris II. 
1394: Timur derrota o Duque de Moscou. No império tughluq,  morte de Nasiruddin Tugluq, ascensão de  Alauddin Sikandar Shah. Na Caxemira, morte de Qutbuddin. Os turcomanos do império Carneiro Branco, Qara Osman estabelece o governo turcomano do Carneiro Branco em Diyarbekr. 
1395: No império Horda de Ouro, Timur derrota Toktamish e arraza Sarai. Fim do governo Horda de Ouro. Anexação do Iraque por Timur. No império tughluq, morte de Sikandar Shah e ascensão de Muhammad Shah. 
1396: No império timurida, destruição de Sarai e do governo do Horda de Ouro. No império Sarbadaran, o principado é anexado por Timur. 
1397: No império bahmanida, morte de Mohammad Khan. 
1398: No império timurida, campanha na Índia. No império marinida, morte de Abu Faris II. No império tughluq, invasão de Timur, Mahmud Sha foge da capital. No Marrocos, morte do sultão marinida Abu FarisII, que é sucedido por seu filho Abu Said Osman. 
1399: No império timurida, campanha no Iraque e na Síria. No império mameluco burji, morte de Saifuddin Barquq, que é sucedido por seu filho Nasiruddin, em Faraj. 

Cortesia do ISL Software


Século XV – 1400 – 1499d.C

1400: No império burji mameluco, os mamelucos perdem a Síria, que estava ocupada por Amir Timur. 
1401: No império Horda de Ourto, morte de Timur Qutluq, que é substituído por Shadi Beg. 
1402: No império turco otomano. Derrota de Bayazid na batalha de Ancara, captura de Amir Timur. 
1403: No império turco otomano, Mohammad I, o filho de Bayazid ascende ao trono.
1405: No império timuride, morte de Amir Timur, que é sucedido por seu filho Shah Rukh. 
1407: No império Horda de Ouro, deposição de Shadi Beg, assume Faulad Khan pelo rei Edigu. 
1410: No império Horda de Ouro, deposição de Faulad Khan, assume Timur. 
1412: No império Horda de Ouro, deposição de Timur, assume Jalaluddin. No império mameluco, morte de Nasiruddin Faraj, sucessão de Al Muayyad. 
1413: No império Horda de Ouro, deposição de Jalaluddin, assume Karim Bardo. 
1414: No império Horda de Ouro, deposição de Karim Bardo, assume Kubak Khan. 
1416: No império Horda de Ouro, deposição de Kubak Khan, assume Jahar Balrawi. Deposição de Jahar Balrawi, assume Chaighray. 
1419: No império Horda de Ouro, morte de Edigu e Chaighray é deposto por Ulugh Muhammad. 
1420: No império Horda de Ouro, Ulugh Muhammad é destituído por Daulat Bairawi. Império turco otomano, morte de Qara Yusuf, sucessão de seu filho Qara Iskandar. No Marrocos, Abu Said Othman é assassinado, sucessão de seu filho Abdul Haq. 
1421: No império tuco otomano, morte de Mohammad I, ascensão de seu filho, Murad II. No império mameluco, morte de Al Muayyad, sucessão de Muzaffar Ahmad. Muzaffar Ahmad é destronado por Amir Saifuddin Tata, morte de Saifuddin Tata, sucessão de seu filho Mohammad. Mohammad é destronado por Amir Barsbay.
1424: No império Horda de Ouro, morte de Daulat Bairawi, successãode Berk. Na Argélia, o Halsida da Tunísia ocupa a Argélia. Este estado de coisas continua até o século XV. 
1425: No império usbeque, Abul Khayr, um príncipe da casa  usbeque, declara sua independência na parte ocidental da Sibéria. 
1427: No império Horda de Ouro, Berk é destronado por Ulugh Muhammad,que retoma o poder pela segunda vez. 
1430: No império usbeque, Abul Khayr ocupa Khawarazm. 
1434: No império turcomano, deposição de Qara Iskandar; assume seu irmão Jahan Shah.No império turcomano do Carneiro Branco, morte de Qara Osman, sucessão de seu filho Ali Beg. Na Tunísia, morte de Abul Faris após um reinado de 40 anos, sucessão de seu filho Abu Abdullah Mohammad.
1435: Na Tunísia, deposição de Abu Abdullah Muhammad, o poder é tomado por Abu Umar Osman. 
1438: No império mameluco, morte de Barsbay, ascenção de seu filho menor, Jamaluddin Yusuf; Yusuf é destronado e o poder é tomado pelo Ministro Chefe Saifuddin Gakmuk. Os turcomanos do império Carneiro Branco, Ali Beg é destronado por seu irmão Hamza. 
1439: No império Horda de Ouro, Ulugh Muhammad retira-se de Sarai e funda o principado de Qazan. Said Ahmad chega ao poder em Sarai.. 
1440: Hamza é destronado por Jahangir, um filho de Ali Beg. 
1441: In the Golden Horde empire, a Criméia se separa de Sarai.. 
1446: No império timurida, morte de Shah Rukh, successão de Ulugh Beg. No império turco otomano, segunda batalha de Kosovo, resultando na vitória dos turcos. A Sérvia é anexada à Turquia e a Bósnia se submete. 
1447: No império Horda de Ouro, Astra Khan se separa de Sarai. 
1449: No império usbeque, Abul Khayr toma Farghana. No império timurida, morte de Ulugh Beg, successão de Abdul Latif. 
1450: No império timurida, Abdul Latif é assassinado e assume Abu Said. 
1451: No império otomano, morte de Murad II; assume seu filho Muhammad II. 
1453: No império otomano, tomada de Constantinopla pelos turcos. No império turcomano do Carneiro Branco, morte de Jahangir e assume seu filho Uzun Hasan. No império mameluco, morte de Gakmuk, sucessão de seu filho Fakhruddin Othman. Othman é destronado pelo general mameluco Saifuddin Inal. 
1454: No império otomano, ataque a Wallachia, que se torna estado vassalo da Turquia. 
1456: No império otomano, anexação da Sérvia. 
1461: No império otomano, anexação da Bósnia e Herzegovina. No império mameluco, morte de Saifuddin Inal, successão de seu filho Shahabuddin Ahmad, que é destronado pelo general mameluco Saifuddin Khushqadam. 
1462: No império otomano, anexação da Albânia. 
1465:No império Horda de Ouro, morte de Said Ahmad, successão de seu filho Khan Ahmad. No Marrocos, Abdul Haq é assassinado. Fim do governo marinida. O poder é arrebatadp por Sharif Muhammad al Jati. 
1467: No império turcomano do Carneiro Negro, morte de Jahan Shah, término do governo turcomano Carneiro Negro. O império turcomano do Carneiro Branco, Jahan Shah do Carneiro Branco ataca o Carneiro Branco. Jahan Shah foi derrotado e os territórios do Carneiro Negro anexados ao Carneiro Branco. No império mameluco, morte de Khushqadam, ascenção de seu filho Saifuddin Yel Bey. Deposição de Yel Bey, e o poder é tomado pelo general mameluco Temur Bugha. 
1468: No império usbeque, morte de Abul Khayr, successão de seu filho Haidar Sultan. No império turcomano Carneiro Branco,  Uzun Hasan derrota os timuridas na batalha de Qarabagh, quando o Carneiro Branco se torna dono da Pérsia e de Corassã. No império mameluco, deposição de Femur Bugha, o poder é tomado pelo general mameluco Qait Bay. 
1469: No império timurida, morte de Abu Said e desintegração do estado timuride. Em Khurasan, Hussain Baygara chega ao poder e governa até o final do século XV. 
1472: No Marrocos, Sharif Muhammad al Jati é destronado por Muhammad al Shaikh , estabelecendo a dinastia Watisid. 
1473: No império turco otomano, guerra contra a Pérsia, os persas são derrotados. 
1475: No império turco otomano, anexação da Criméia. Guerra contra Veneza. Os turcos se tornam donos do mar Egeu. 
1478: No império turcomano do Carneiro Branco, morte de Uzun Hasan, successão de seu filho Khalil. 
1479: No império turcomano do Carneiro Branco, Khalil é destronado por seu tio Yaqub. 
1480: No império Horda de Ouro,  Khan Ahmad é assassinado e sucedido por seu filho Said Ahmad II. 
1481: No império Horda de Ouro, Said Ahmad II é destronado por seu irmão Murtada. No império otomano, morte de  Muhammad II, ascenção de Bayazid II. 
1488: No império usbeque, morte de Haidar Sultan, sucessão de seu sobrinho Shaybani Khan. Na Tunísia, morte de  Abu Umar Osman, após um governo de 52 anos, sucessão de  Abu Zikriya Yahya. 
1489: Na Tunísia, Abu Zikriya Yahya é destronado por  Abul Mumin. 
1490: Na Tunísia, Abul Mumin é destronado e o poder é retomado por Abu Yahya. 
1493: No império turcomano do Carneiro Branco, morte de Yaqub, assume seu filho Bayangir. 
1495: O império turcomano do Carneiro Branco,  Bayangir é destronado por seu primo Rustam. 
1496: No império mameluco, Qait Bay abdica, e assume seu filho Nasir Muhammad. 
1497: No império turcomano do Carneiro Branco, Rustam é destronado por Ahmad. Anarquia e fragmentação. 
1498: No império mameluco, deposição de Nasir Muhammad, e o poder é tomado por   Zahir Kanauh. 
1499: No império usbeque, Shayhani Khan conquista a Transoxiana. No império Horda de Ouro, morte de Murtada, successão de Said Ahmad III.. No império turco otomano, os venezianos são derrotados na batalha de Lepanto.

 

Cortesia do ISL Software


Século XVI   (1500 – 159999 d.C) 

1500: No império mameluco do Burji,  Zahir Kanauh é derrotado por Ashraf Gan Balat. 
1501: Ismail estabelece a dinastia safávida na Pérsia e o xiísmo torna-se a religião de estado. 
1507: Os portugueses constróem fortalezas no golfo pérsico. 
1508: Fim da dinastia turcomana Carneiro Branco e os territórios são anexados pelos safávidas. 
1509: O safávida Ismail Shah conquista a região do Iraque,  iniciando prolongadas batalhas com os otomanos.
1511: Os muçulmanos perdem Málaga para os portugueses. 
1517: O sultão otomano Selim I, “o Severo”, derrota os mamelucos e conquista o Egito. 
1520: Tem início o califado de Suleiman, o Magnífico
1526: Luís da Hungria morre na Batalha de Mohacs
1526: Batalha de Panipat, na Índia, e conquista  mogol; Babur transforma Delhi e Agra em capital. 
1528: Os otomanos ocupam Buda, na Hungria. 
1529: Fracassa o cerco otomano de Viena
1535: Suleyman, o Magnífico,  conquista Bagdá dos safávidas. 
1550: O arquiteto Sinan constrói a mesquita de Suleimanyie, em Istanbul.. 
1550: Ascensão do domínio muçulmano em Sumatra. 
1550: O Islam chega às ilhas de Java, Molucas e Bornéo. 
1556: Morre Suleiman, o Magnífico. Segue-se uma disputa de poder entre Selim e Bayazid e assume Selim.
1568: Revolta Alpujarra dos mouros na Espanha  (muçulmanos convertem-se à força ao catolicismo). 
1571: Os otomanos são derrotados na batalha naval de Lepanto, abalando seu domínio na região do Mediterrâneo. 
1576: Na dinastia safávida, morre Tahmasp I e segue-se um período de conturbações no Irã.
1578: Batalha dos Três Reis, em Alcacer Quibir, no Marrocos. O rei Sebastião de Portugal morre. 
1588: Tem início o reino safávida do Sultão Xá Abbas I
1591: Mustaili ismailis se dividem em suleimanis e daudis.

Cortesia do ISL Software


Século XVII – (1600.1699 d.C)

1600:O Sind é anexado pelos mogol. Fim do reinado de Arghun em Sind. 
1601: Khandesh é anexada pelos mogol. 
1603: Batalha de Urmiyah. Os turcos são derrotados. A Pérsia ocupa Tabriz, Mesopotâmia, Mosul e Diyarbekr. Morte de Mohammad III, sultão da  Turquia, que é sucedido por Ahmad I. No Marrocos, o Shaikh morre. 
1604: Na Indonésia, morte do xá Alauddin Rayat, sultão de Acheh, e é susbtituído pelo xá Ali Rayat  III. 
1605: Morte do soberano mogol Akbar, que é sucedido por Jahangir.
1607: Anexação de Ahmadnagar pelos mogol. 
1609: Anexação de Bidar pelos mogol. 
1611: Kuch Behar é subjugado pelos mogol. 
1612: Kamrup é anexada pelos mogol. 
1617: Morte de Ahmad I, sultão da Turquia, é substituído por Mustafá, que é deposto e substituído por Osman II. 
1618: Tipperah é anexada pelos mogol.
1623: Os safávidas, sob a liderança do xá Abbas, reconquistam Bagdá. Na Turquia, Mustafá retoma o poder. 
1625: Na Turquia, deposição de Mustafá  e ascensão de Murad IV
1627: Morte do soberano mogol Jahangir, que é substituído por Xá Jahan
1628: O reinado do sultão safávida xá Abbas I chega ao fim. 
1629: Na Pérsia morre xá Abbas I e é substituído por seu neto Safi. 
1631: Morre em Agra Mumtaz Mahal, esposa de Xá Jahan  e senhora do Taj Majal.   
1637: Morte de Iskandar Muda, na Indonésia, que é substituído por Iskandar II. 
1638: Murad IV expulsa os safávidas de Bagdá. 
1640: Morte do sultão Murad IV, que é substituído por seu irmão, Ibrahim
1641: Os turcos tomam Azov. Na Indonésia, morte de Iskandar II e ascensão da Rainha Tajul Alam. 
1642: Na Pérsia, morte do xá Safi, que é substituído pelo xá Abbas II. 
1648: Na Turquia, Ibrahim é deposto e substituído por Muhammad IV. 
1656: Muhammad Koprulu torna-se o GrãoVizir da Turquia. 
1658: Deposição do soberano mogol Xá Jahan por seu filho Aurangzeb
1661: Muhammad Koprulu morre e é substituído por seu filho Ahmad Koprulu. 
1667: Morte do xá Abbas II, que é substituído pelo xá Suleiman. 
1675: Morte de Sikh Guru Tegh Bahadur. Na Indonésia, morre a rainha Tajul Alam, ascensão da rainha Nur ul Alam. 
1676: Morte do Grão Vizir da Turquia, Ahmad Koprulu, que é sucedido por  Kara Mustafá. 
1678: Na Indonésia, morte da rainha Nur ul Alam, e ascensão da rainha Inayat Zakia. 
1680: Morte do líder marhatta Shivaji. 
1682: Assam é anexada pelos mogol. Aurangzeb muda a capital para Aurangabad, no Decan. 
1683: Os turcos levantam o cerco sobre Viena e se retiram.  Kara Mustafá, o Grão-Vizir, é executado.
1686: Anexação de  Bijapur pelos mogol. 
1687: Golkunda é anexada pelos mogol. Segunda batalha de Mohads. Derrota dos turcos na Austria. Deposição de Mohammad IV, que é substituído por  Sulaiman II. 
1688: Na Indonésia, morte da rainha Inayat Zakia, que é substituída pela rainha Kamalah. 
1690: Morte do sultão otomano Sulaiman II, que é substituído por Ahmad II. 
1692: Morte do sultão turco Ahmad II, que é substituído por Mustafá II. 
1694: Na Pérsia, morte do xá Safi, que é substituído pelo xá Hussain. 
1699: Na Indonésia, morte da Rainha Kamalah. 

Cortesia do ISL Software


Século XVIII – (1700 – 1799 d.C)

1700: Murshid Quli Khan declara a independência de Bengala e estabelece sua capital em Murshidabad. 
1703: Ahmad III torna-se sultão otomano. Nascimento do xá Wali Ullah. Nascimento do reformador religioso, Mohammad ibn Abdul Wahab de grande influência na Arábia Saudita.
1707: Morte do imperador mogol,Arangzeb, que é sucedido por seu filho Bahadur Shah. 
1711: Guerra entre a Turquia e a Rússia, com a derrota dos russos na batalha de Pruth. 
1712: Morte do imperador mogol, Bahadur Shah, que é sucedido por Jahandar Shah. 
1713: Jahandar Shah é destronado por seu sobrinho, Farrukh Siyar. 
1718: Na guerra contra a Áustria, a Turquia é derrotada, e, pelo tratado de Passarowich, perde a Hungria. 
1719: Deposição do imperador mogol, Farrukh Siyar, sendo substituído por Muhammad Shah. No Sind, os Kalhoras chegam ao poder, sob a liderança de Nur Muhammad Kalhora. 
1722: Saadat Khan cria o estado independente de Oudh. Batalha de Gulnabad entre persas e afegãos. Os persas são derrotados e os afegãos, com xá Mahmud, tornam-se senhores de grande parte da Pérsia.. Xá Hussain é tornado cativo, ascensão do xá Tahmasp II. 
1730: Zanzibar é libertada do domínio português e ocupada pelo Oreart.
1744: Aliança política, familiar e religiosa entre Mohammad Abd al Wahhab e o clã Al Saud que daria origem a Arábia Saudita
1747: Ahmad Shah Durrani funda o governo afegão no Afeganistão. 
1752: Morte do xá Abdul Latif Bhitai, escritor de Sassi Pannu, Sohni Mahinwal e Umer Marvo. 
1752: Ahmad Shah Durrani ocupa o Punjab, a Caxemira e o Sind. 
1761: Morte do xá Waliullah Dehlavi. 
1761: Batalha de Panipat. Ahmad Shah Durrani chega à Índia, a convite do xá Waliullah Dehlavi e esmaga o poder ascendente dos marathas, na Batalha de Panipat. 
1764: Conversão ao Islam de Areadi Gaya, governante do estado de Futa Futa Bandu, no Sudão ocidental. 
1773: Morte de Ahmad Shah Durrani. 
1783: Fim do governo Khalora, no Sind. 
1797: Morte de Muhammad Khan Qachar, rei da Pérsia. 
1797: A Rússia ocupa o Daguestão. 
1799: Ranjit Singh se declara Marajá do Punjab, derrotando os afegãos. 
1799: Khoqand é declarado um estado islâmico independente. 

Cortesia do ISL Software


Século XIX – (1800 – 1899 d.C)

1802: A Inglaterra inaugura um consulado em Bagdá.
1803: Xá Abdul Aziz ibn Saud é assassinado por um xiíta fanático. Xá Shuja é proclamado rei do Afeganistão. 
1805: Ibn Saud ocupa Medina, derrotando a guarnição turca. 
1804: Osman Dan Fodio cria o estado islâmico de Sokoto, no Sudão central.

 

 

1805: O movimento Faraizi é iniciado em Bengala. Muhammad Ali é indicado pachá do Egito, pelos turcos. 
1806: O khanato de Khiva fica em evidência, sob o governo de Muhammad Rahim Khan. 
1807: A seita darqawi revolta-se contra a dominação turca. A Tunísia repudia o suzeranato da Argélia. 
1811: Nasce Ali Muhammad Bab, fundador do movimento Bab.  
1811: Os ingleses ocupam a Indonésia. 
1812: Medina se rende aos egípcios. 
1813: Meca e Taif são ocupadas pelas forças egípcias e os sauditas são expulsos de Hija. 
1814: Irã assina um tratado de aliança com os ingleses, conhecido como o Tratado Definitivo. 
1814: Morte de Ibn Saud II. 
1814: O rei Osman, da Tunísia, é assassinado por seu primo Mahmud. 
1816: Os ingleses retiram-se da Indonésia, restituindo-a aos holandeses. 
1822: Morte de Maulay Ismail, no Marrocos. 
1827: Malásia tornou-se um protetorado dos ingleses, de acordo com o tratado anglo-holandês de 1824. 
1828: A Rússia declara guerra à Turquia. 
1829: Tratado de Adrianópolis. 
1830: Forças francesas desembarcam próximo a Algiers e ocupam a Argélia, pondo fim a 313 anos de governo turco. 
1831: Syed Ahmad Barelvi e xá Ismail, líderes do movimento Jihad, na Índia, são derrotados na luta contra os sikhs.  
1832: Os turcos derrotam o exército egípcio, na batalha de Konia. 
1832: Sayyid Said, rei de Omã, muda sua capital para Zanzibar. 
1834: Abdul Qadir é reconhecido, pelos franceses, como governante da área sob seu controle.
1839: Os egípcios derrotam os turcos na batalha de Nisibin. 
1840: Aliança quádrupla européia para forçar o Egito a renunciar à Síria. 
1841: Os adamauitas criam o estado de Adamawa, próximo à Nigéria. 
1842: Amir Abdul Qadir, é expulso da Argélia pelos franceses. 
1842: Xá Shuja é assassinado, terminando o governo durrani no Afeganistão
1847: Amir Abdul Qadir rende-se à França, sob a condição de um salvo conduto para qualquer país muçulmano, mas a França não cumpre e o envia, como prisioneiro, para a França.
1849: Morte do pachá Muhammad Ali. 
1850: Ali Muhammad Bab é preso e executado pelos iranianos.Qurratul Ain Tabira, famosa poetisa e fiel defensora do babismo, também é morta com um tiro. 
1852: Amir Abdul Qadir é libertado por Napoleão III  e se estabelece na Turquia. 
1855: Khiva é anexada à Rússia. 
1857: Os ingleses ocupam Delhi, terminando com 332 anos de governo mogol na Índia. O último imperador mogol, Bahadur Shah Zafar exila-se em Burma. Este também foi o fim de 1000 anos de governo muçulmano na Índia. 
1859: Imam Shamil rende-se às forças russas e o estado islâmico do Daguestão, torna-se província russa. 
1860: Maulay Muhammad é derrotado pela Espanha. 
1861: Morte do sultão Abdul-Majid, da Turquia. 
1862: O movimento faraizi fracassa depois da morte de Dadu Miyan.. 
1865: O estado de Khoqand State é liquidado pela Rússia. 
1869: Jamaluddin Afghani é banido do Afeganistão e vai para o Egito. Em Bagdá, Midhat Pashaé indicado governador e inicia um programa de reformas conhecido por tanzimat
1871: Tunísia reconhece o suzeranato turco. 
1876: Os ingleses compram a parte de Khediv Ismail, no canal de Suez, e envolvem-se nas questões egípcias. 
1878: Turquia cede Chipre para os ingleses. 
1878: Adrianópolis rende-se à Rússia. 
1879: Jamaluddin Afghani é desterrado do Egito. 
1879: Tratado de Berlim. A Turquia perde 4/5 de seu território na Europa. 
1881: A França invade a Tunísia e o Bei reconhece a supremacia francesa, como resultado do tratado de Bardo. 
1881: Muhammad Ahmad declara-se Mahdi, no norte do Sudão. 
1882: O Egito fica sob ocupação militar inglesa. 
1883: Morte de Amir Abdul Qadir em Damasco. 
1885: Muhammad Ahmad declara o governo livre do Sudão. 
1885: Morte de Mahdi Sudani, cinco meses depois da ocupação de Cartoun. 
1890: Fim do estado de Banbara. 
1895: O Afeganistão consegue o corredor de Wakhan, através de um entendimento com a Rússia e a Índia Britânica, fazendo com que a fronteira afegã toque a China. 
1895: Mirza Ghulam Ahmad, de Qadian, no Punjab, afirma ser profeta.
1897: O Estado de Bagirimi é ocupado pela França. 
1899: Queda do estado Mahdi, ocupado por ingleses e egípcios.

Cortesia do ISL Software

Artigos correlatos

AS VIAGENS DE IBN BATUTA

Ibn Batuta (1307d.C – 1377d.C) foi o equivalente árabe de Marco Polo. Fez a  volta ao mundo e contou muito do que viu. Em seu livro “Travels in Asia and Africa“, não só traça um retrato fiel de si mesmo, com as suas virtudes e fraquezas, como evoca toda uma época. É impossível não sentir uma atração pelo personagem que se revela, generoso em excesso, intrépido, amigo do prazer, mas controlado por uma profunda veia de piedade e devoção, um homem com todas as características de um pecador, mas com alguma coisa de santo.

Sobre os turcos

Em Ladziqiya, embarcamos em uma grande galé pertencente ao genovês, cujo mestre era chamado Martalmin, e partimos para o país dos turcos (*),conhecido como Bilad-ar-Rum (Anatólia), porque era a terra deles em tempos antigos (1). Mas tarde foi conquistada pelos muçulmanos, mas ainda havia um grande número de cristãos por lá, governados pelos muçulmanos turcomanos. Ficamos dez dias no mar e o cristão nos tratou gentilmente e não nos cobrou pela passagem. No décimo dia, alcançamos Alaya, onde as províncias começam. Este país é um dos melhores do mundo; nele Deus reuniu as características que estão dispersas em outras terras. Seu povo é o mais belo, o mais limpo com as roupas, o mais requintado com a comida e o mais amável em toda a criação. Sempre que parávamos nesse território, seja numa hospedaria, ou numa casa de família, nossos vizinhos homens e mulheres (elas não usam o véu), vinham perguntar por nós. Quando partimos, vieram despedir-se de nós como se fòssemos seus parentes ou amigos próximos e era possível ver as mulheres chorando. Eles assam o pão apenas uma vez por semana e os homens costumavam nos presentear com pães frescos no dia em que eram assados, além de deliciosas carnes, dizendo “as mulheres mandaram isto e pedem por suas orações”. Todos os habitantes são sunitas ortodoxos; não existem sectários ou heréticos entre eles, mas  mastigam hashish (cânhamo indiano) e não vêem mal nisso.

Alaya é uma grande cidade litorânea (2) É habitada pelos turcomanos e é visitada pelos mercadores do Cairo, Alexandria e Síria. A região é dotada de madeira que é exportada de lá para Alexandrietta e Damietta, de onde é levada para outras cidades do Egito. Existe uma cidadela fantástica e magnífica, construída pelo sultão Ala ad-Din, na parte alta da cidade. O qadi da cidade me levou para encontrar com o rei de Alaya, que é Yusuf Bek, filho de Qaraman, sendo que bek, em sua língua, quer dizer rei. Ele vive a uma distância de 10 milhas da cidade. Nós o encontramos sentado no alto de uma colina na praia, com os emires e vizires abaixo dele e as tropas á sua volta.Ele tinha seu cabelo pintado de preto. Eu o saudei e respondi às suas perguntas sobre minha visita à sua cidade e depois que me retirei ele me enviou um presente em dinheiro.

De Alaya segui para Antaliya (Adalia), uma cidade muito bonita (3). Ela abrange uma região imensa, e apesar do tamanho é uma das cidades mais atraentes de serem vistas em qualquer lugar, além de ser muitíssimo populosa e bem projetada. Os habitantes vivem em quarteirões separados, de acordo com as classes. Os mercadores cristãos moram num quarteirão da cidade conhecido como Mina (o porto), que é circundado por muros, os seus portões se fecham à noite e durante o serviço das sextas-feiras. (4) Os gregos, que foram seus primeiros habitantes, vivem em outro quarteirão, os judeus em outro, e o rei e sua corte e os mamelucos em outro, sendo que cada um desses quarteirões é igualmente   murado. O resto dos muçulmanos vivem na cidade principal. Rodeando toda a cidade e todos os quarteirões citados, existe um outro grande muro. A cidade possui pomares e produz frutas finas, inclusive um espécie admirável de damasco, a que eles dão o nome deqamar ad-din, que tem uma semente doce em seu interior. Esta fruta é seca e exportada para o Egito, onde é vista como um grande luxo.

Ficamos aqui na mesquita da cidade, cuja principal era Shaykh Shihab ad-Din al-Hamawi. Em todas as terras habitadas pelos turcomanos na Anatólia, em cada comarca, cidade ou vila, encontramos membros da organização conhecida como Akhiya, ou Fraternidade Jovem. Em nenhum outro lugar do mundo você encontrará homens tão ávidos em recepcionar os estrangeiros, tão rápidos para servir a comida e  satisfazer os desejos dos outros e tão prontos a suprimir a injustiça e a matar os agentes de polícia (tiranos) e os descrentes que se juntam a eles.Um Irmão Jovem, ouakhi na língua deles, é aquele que é escolhido por todos os membros de sua classe social, ou um solteiro, ou entre aqueles que vivem em retiro ascético, para ser o líder. Esta organização também é conhecida como Futuwa, ou a Ordem da Juventude. O líder constrói uma hospedagem e a decora com tapetes, lanternas e outros utensílios necessários.Os integrantes de sua comunidade trabalham durante o dia para ganhar seu sustento e trazem para ele o que ganharam ao final da tarde. Com isso, eles compram frutas, alimentos e outras coisas necessárias à hospedagem. Se um viajante chegar à cidade naquele dia, eles o abrigam na hospedagem; aquelas provisões servempara o seu entretenimento, como convidado deles.   Se não houver viajantes eles se reúnem para partilhar a comida e depois de ter comido, cantam e dançam. Pela manhã, retornam a seus afazeres e trazem seus ganhos para o seu líder ao final da tarde. Os membros são chamados de fityan (jovens) e seu líder, como dissemos, é o akhi. (5)

NOTAS: 1- 5 

1. Bilad ar-Rum, literalmente “a terra dos gregos”, embora usado de um modo geral  pelos territórios bizantinos, foi usado mais especificamente para a província fronteiriça da Anatólia. Depois de algumas conquistas temporárias nos primeiros séculos, foi finalmente conquistada pelos turcos seljúcidas entre 1071 e 1081. Ao final do século XIII, toda a península, com exceção das partes que estavam com os cristãos (Bizâncio,Trebizond e Armênia), ou com o governante do Iraque, tinham jurado fidelidade ao sultão seljúcida de Konia, mas um pouco antes de 1300 começou a se desintegrar em pequenos reinos locais, cujos territórios foram aos poucos sendo absorvidos pelo império otomano.

2. O porto de Alaya foi construído por um dos maiores sultões seljúcidas do Rum, Ala ad-Din Kay-Qubad I (1219-1237), e depois dele foi rebatizado. Para os mercadores ocidentais era conhecido como Candelor (de seu nome bizantino kalon oros). O Egito, sendo notoriamente carente de madeira, sempre precisou de importar grandes quantidades para a construção de sua armada, etc.

3. Adaliya, conhecida pelos mercadores ocidentais como Satalia, foi o mais importante entreposto comercial da costa sul da Anatólia, sendo o comércio mais ativo entre os egípcios e cipriotas. O limão ainda é chamado no Egito de addaliya.

4. O fechamento dos portões da cidade e a exclusão de cristãos à noite e durante as horas do serviço das sextas-feiras foi observado até bem recentemente em vários lugares do Mediterrâneo, como Sfaz, provavelmente como uma medida de precaução contra ataques de surpresa.

5. A história das organizações chamadas de futuwa ainda é obscura. Aparecem pela primeira vez no século XII de diferentes formas, e podem estar relacionada com as ordes sufis ou derviches. A palavra futuwa,  “coragem”, sempre foi usada pelos derviches com um sentido moral, definido como “abster-se da injúria, dar generosamente, e não fazer queixas” e a roupa remendada, marca de um sufi, era chamada por eles de libas al-futuwa, “a roupa da coragem”. Era usado num sentido mais agressivo entre as associações dos “Guerreiros da Fé”, principalmente porque se degeneraram em bandos de ladrões e é uma referência à cerimônia de admissão num desses bandos em Bagdá, em meados do século XII, onde a calça é citada como al-futuwa simbólico (Ibn al-Athir). Alguns anos mais tarde, Ibn Jubayr encontrou em Damasco uma organização chamada Nubuya, que estava engajada no combate das seitas xiítas na Síria. Os membros da agremiação guerreira, cuja regra era que nenhum membro devia pedir ajuda em razão de qualquer desgraça que pudesse cair sobre ele, elegiam pessoas adequadas e, da mesma forma, agraciava-os com a roupa quando admitidos.

Em 1182, o califa an-Nasir, tendo sido investido com o libas, ou calças, por um shaykh sufi, teve a idéia de organizar a Futuwa como uma ordem de Cavalaria (provavelmente de acordo com o modelo franco),  assumiu o comando da ordem e distribuiu libas para  príncipes e outros personagens de seu tempo, como sua insígnia. A cerimônia de aceitação incluía colocar a calça de forma solene e beber “da taça da coragem” (ka’s al-futuwa), que continha água e sal, ao invés de vinho. A ordem tirou de seus ascendentes sufis, uma genealogia fictícia que ia até o califa Ali, e continuou a existir por algum tempo depois do reinado de Nasir, mas sem o vigor de antes. A Fraternidade que Ibn Batuta encontrou em Konia, e que era diferente das outras agremiações da Anatólia por causa da sua insígnia especial da calça e por sua alegação de descender diretamente de Ali, foi provavelmente um remanescente da ordem fundada pelo califa romântico. As organizações da Anatólia que restaram, parecem ter sido associações comerciais locais com uma forte influência do sufismo, estranhamente combinada com uma tendência política para com o auto-governo local, contra a tirania dos sultões turcos. (Ver  Thorning, Turkische Bibliothek, Band XVI (Berlin, 1913), e Wacif Boutros Ghali, La Tradition Chevaleresque des Arabes (Paris, 1919), pp.1-33).

=============

* – Turcomano é o termo usado por Ibn Batuta para os atuais turcos. Quando ele cruza as estepes do mar Negro, ele dá o nome de “turcos” aos povos daquela região.

============

Este texto é parte do Internet Medieval Source Book. O Sourcebook é uma coleção de domínio público e é permitida a transcrição de textos relacionados à história medieval e bizantina.

Paul Halsall Feb 1996 

O LIVRO DO MAGREBE, SÉCULO XIII

Ibn Said foi um escritor muçulmano espanhol do século XIII. Ele descreve a cultura mourisca dos espanhõis em toda a sua riqueza e também explica as divisões culturais que possibilitaram a conquista cristã da região.

Andalus (península ibérica), que foi conquistada no ano 92 da Hégira, continuou por muitos anos na dependência do califado oriental, até que foi arrebatada por um dos sobreviventes da família omíada, que dominou o país e formou ali um reino independente, que legou à posteridade. Durante três séculos e meio, Andalus, governada por príncipes desta dinastia, alcançou o mais elevado  grau de poder e prosperidade, até a eclosão de uma guerra civil entre seus habitantes, os muçulmanos, que, enfraquecidos por discórdias internas, tornaram-se presas de cristãos ardilosos, e o território do Islam foi reduzido consideravelmente, tanto que no momento os adoradores do crucificado já detêm grande parte do Andalus em suas mãos e seu país foi dividido em vários reinos poderosos, cujos governantes se ajudam mutuamente sempre que os muçulmanos atacam seus territórios. Isto me traz à lembrança as palavras de um geógrafo oriental que visitou Andalus, no século IV da Hégira (século X d.C), e durante a época próspera do califado de Córdoba. Refiro-me a Ibnu Haukal Annassibi, que, descrevendo Andalus, refere-se a seus habitantes em termos muito desfavoráveis. Como suas palavras exigem resposta, transcreverei aqui toda a passagem. Diz ele:

Andalus é uma ilha extensa, medindo um pouco menos de um mês de marcha, de comprimento, e vinte e tantos dias de largura. É rica em rios e mananciais, é repleta de árvores e plantas de todo feitio e é suprida com tudo que acrescente conforto à vida; os escravos são gentis e podem ser encontrados por um preço accessível por conta de sua grande quantidade; devido também à fertilidade da terra, que rende toda a espécie de grãos, vegetais e frutas, assim como à quantidade e qualidade de suas pastagens, nas quais inúmeros rebanhos pastam, a comida é excessivamente abundante e barata, e, por isso, os habitantes são dados à indolência e preguiça, permitindo que as camadas mais baixas da sociedade se sobreponham a eles e conduzam seus negócios. Devido a isto, é realmente impressionante como a ilha (isto é, a península) de Andalus ainda esteja nas mãos dos muçulmanos, sendo, como são, um povo de hábitos viciados e de inclinações baixas, mente estreita e completamente destituídos de firmeza, coragem e dos equipamentos militares necessários para enfrentar, cara à cara, as fantásticas nações de cristãos que os circundam de todos os lados e por quem são constantemente assaltados.”

Essas são as palavras de Ibnu Haukal, mas, se a verdade deve ser dita, não sei a quem elas se referem. Aos meus compatriotas, certamente que não, ou se forem, é uma calúnia terrível, porque, se há um povo na terra que seja famoso por sua coragem, qualidades nobres e bons hábitos, este povo é o muçulmano de Andalus; e na verdade, sua rápida resposta para lutar contra o inimigo comum, sua constância na defesa de seus princípios religiosos e sua firmeza nas dificuldades e privações de guerra, tornaram-se proverbiais. Portanto, quanto a isso, Ibnu Haukal está decididamente equivocado, porque, como diz o provérbio, “por vezes, a língua do gago é mais eloquente do que a língua da eloquência.” Quanto à outra acusação, isto é, a de serem destituídos de sentimentos, sabedoria e talendo, seja no campo ou na administração, queria Deus que o julgamento do autor estivesse correto, porque então a ambição dos líderes não se teria levantado e os muçulmanos não se teriam voltado contra os peitos uns dos outros e desaparecidos no sangue uns dos outros, das armas que Deus o Poderoso colocou em suas mãos para a destruição e aniquilamento do cristão infiel. Mas, perguntamos: Em que discordam aqueles sultões e califas carentes de prudência e talento, que governaram este país por mais de 500 anos e que administraram seus negócios em meio a guerras externa e civil? Será que aqueles guerreiros destemidos eram  destituídos de coragem e conhecimento militar, os mesmos que resistiram nas fronteiras do império muçulmano ao choque terrível das inúmeras nações infiéis que habitam dentro e fora de Andalus, cujos territórios extensos cobrem uma superfície correspondente a 3 meses de marcha e dos quais todos correram para as armas na hora de defender a religião do crucificado? E se é verdade que no momento em que escrevo os muçulmanos foram visitados pela cólera do céus e que o Todo Poderoso enviou a derrota e a vergonha aos seus exércitos, devemos pensar sobre isso no tempo quando os cristãos, orgulhosos de seu sucesso, levaram suas armas até a Síria e Mesopotâmia, invadiram os territórios vizinhos ao país, que é o lugar de encontro dos muçulmanos e a cúpola do Islam, cometeram toda a espécie de rapina e depredação, conquistaram a cidade de Aleppo e suas cercanias e praticaram outros atos que estão suficientemente declarados nas crônicas da época? Não, em hipótese alguma é para se pensar nisso, principalmente quando se presta a devida atenção à forma pela qual os muçulmanos andalusos chegaram ao atual estado de fraqueza e degradação. O processo é o seguinte: os cristãos descerão de suas montanhas, cruzarão a planície e farão uma incursão no território muçulmano; lá eles tomarão um castelo e o ocuparão: devastarão o país vizinho, tornarão seus habitantes cativos e então voltarão para seu país com tudo o que puderem pegar, deixando, não obstante, fortes guarnições nos castelos e torres capturados por eles. Nesse meio tempo, o rei muçulmano, em cujos domínios a invasão foi feita, em lugar de se ocupar de seus próprios interesses e cuidar da doença, cauterizando-a, estará declarando guerra a seus vizinhos, e isto ao invés de defender a causa comum, a causa da religião e da verdade, – ao invés de cuidar de seu irmão, se aliará para privá-lo de qualquer domínio que ainda esteja em suas mãos. Portanto, por um mal insignificante em princípio, surgirá uma calamidade irreparável, e os cristãos avançarão mais e mais até que subjuguem todo o país exposto por suas invasões, onde, uma vez estabelecidos e fortificados, dirigirão seus ataques para uma outra parte do território muçulmano e cumprirão a mesma guerra de estragos e destruição. Nada disto, no entanto, existia na época em que Ibnu Haukal visitou Andalus; porque, embora Ibnu Hayyan e outros escritores nos digam que os cristãos começaram a alcançar poder desde a época de Abdul Rahman (912-961) e a incomodar os muçulmanos nas fronteiras, no entanto é evidente que até a eclosão das guerras civis, que irromperam com uma rara violência em todo Andalus, as invasões dos bárbaros nas extensas e desprotegidas fronteiras do império muçulmano não tinham muita consequência.

Mas, voltando ao nosso assunto. Durante os primeiros anos após a conquista, o governo do Andalus foi conferido a comandantes militares indicados pelos vice-reis da África, os quais eram, eles mesmos, indicados pelos califas de Damasco. Estes governantes congregaram em suas mãos o comando dos exércitos e o poder civil, mas, sendo removidos tão logo eram nomeados, ou depostos por insurreições militares, reinava muita confusão e desordem no estado, e o estabelecimento e consolidação do poder muçulmano no Andalus foram frustrados. Não foi senão após a chegada de um omíada a Andalus que se pode dizer que o edifício do Islam passou a repousar em fundações sólidas. Quando Abdul Rahman Ibn Mu’awiyeh conquistou o país, quando cada rebelde se submeteu a ele, quando todos os seus opositores juraram obediência a ele, e sua autoridade foi universalmente reconhecida, então sua importância cresceu, sua ambição se espalhou mais amplamente e ele e seus sucessores mostraram o  maior esplendor de sua corte, e de suas pessoas e de seu séquito, assim como o grande contingente de oficiais e funcionários do estado. No início, eles se contentaram com o título de Benti-l-khaliyif (filhos dos califas), mas no curso do tempo, quando os limites de seu império tinham se ampliado consideravelmente em razão de suas conquistas, eles passaram a se denominar Omara-l-mumenin (príncipes do crentes). De um modo geral, sabe-se que a força e a solidez de seu império consistiam principalmente na política perseguida por esses príncipes, a magnificência e o esplendor com que cercavam sua corte,  na admiração reverencial  que inspiravam a seus súditos, o rigor inexorável com o qual eles puniam toda agressão aos seus direitos, a imparcialidade de seus julgamentos, sua presteza na observância da lei civil, o respeito e atenção para com os instruídos, cujas opiniões eles respeitavam e seguiam, chamando-os e admitindo-os em seus conselhos, e muitas outras qualidades brilhantes, como provam os frequentes relatos que aparecem nos trabalhos de Ibnu Hayyan e de outros escritores; como, por exemplo, o de que sempre que um juiz convocava um califa, seu filho, ou qualquer outro de seus mais queridos favoritos, a aparecer em sua presença como testemunha num caso jurídico, quem quer que fosse o convocado, deveria ir em pessoa – mesmo o califa, independente do respeito pela lei – e se um súdito, por temer incorrer no desagrado do mestre.

Mas, quando este princípio salutar e justiça imparcial desapareceram, começou a decadência do império, seguindo-se sua completa ruína. Já observei que os príncipes daquela disnatia eram, no início, do estilo Omard-bnci-l-khalafa (emires, filhos dos califas), mas no final eles assumiram o título de Omara-l-mumenin (príncipes dos crentes). Isto continuou até a época infeliz da guerra civil, quando os membros sobreviventes da família real odiavam-se uns aos outros e quando aqueles que não tinham nobreza nem as qualidades exigidas para honrar o califado pretendiam e queriam tomá-lo; quando os governadores das províncias e os generais dos exércitos se declararam independentes e se rebelaram, tomando o título de Moluku-t-tawdyif (reis dos pequenos estados), e quando a confusão e a desordem atingiram o seu auge. Esses reinos insignificantes, sobre os quais lê-se a khutbah (sermão da sexta-feira) para os califas da casa de Marwan – em cujas mãos nenhum poder permaneceu – enquanto outros proclamavam os sultões abássidas e reconheciam seu Imam, todos começaram a exercer os poderes e a usar os símbolos da realeza, assumindo até títulos e nomes de antigos califas e imitando em tudo o comportamento e esplendor dos reinos mais poderosos – uma coisa que eles eram capazes de realizar em razão dos grandes recursos dos países que eles governavam – porque, embora Andalus fosse dividida em vários reinos insignificantes, no entanto, tal era a fertilidade da terra e a quantidade de impostos arrecadados dela que o chefe de um estado pequeno podia às vezes mostrar uma corte maior em esplendor do que a do governante. Contudo, o maior entre eles não hesitou em assumir, conforme já observei, os nomes e títulos dos mais famosos califas do oriente, como por exemplo, Ibnu Rashik Al-kairwini diz que Abbd Ibn Mohammed ibn ‘Abbad tomou o sobrenome de Al-mu’atadhed, e imitou em todas as coisas o modo de vida e comportamento do califa abássida Al-mu’atadhed-billah.

Enquanto a dinastia omíada ocupou o trono de Córdoba, os sucessores de Abdul Rahman inspiraram em seus súditos o amor a eles, misturado com admiração reverencial; isto eles conseguiram cercando sua corte de esplendor, mostrando grande brilho sempre que apareciam em público, e empregando outros meios a que eu já me referi,não sendo necessário repetir que eles continuaram até a época da guerra civil, quando, tendo perdido a afeição do povo, seus súditos começaram a olhar com desconfiança para a despesa pródiga e a pompa extravagante com que se cercavam. Então chegou Benf Hamud, descendentes de Idris, de ‘Ali Ibn Abi Talib, que, tendo tomado o califado das mãos de Benf Marwan, governou por algum tempo a maior parte de Andalus. Esses príncipes mostraram também grande ostentação e assumiram os mesmos títulos dos califas abássidas, seguiram seus passos em tudo que se referisse aos assuntos da corte e das pessoas; por exemplo, sempre que um munshid queria exteriorizar alguns versos em louvor ao soberano ou a qualquer assunto particular, o poeta ou peticionário era levado à presença do califa, que ficava sentado atrás de uma cortina e falava sem se mostrar.Assim, quando Ibnu Mokond Al-lishboni (de Lisboa), o poeta, apareceu na presença de Hdjib de Idris Ibn Yahia Al-hamyudi, que havia se proclamado califa de Málaga, para recitar o seu kassidah que é muito conhecido pelas rimas em min, quando chegou na parte que diz

O semblante de Idris, filho de Yahya, filho de Alf, filho de Hamild, príncipe dos crentes, é como o nascer do sol; ofusca os olhos daqueles que olham para ele.Deixe-nos ver, deixe-nos agarrar os raios daquela luz, porque esta é a luz do mestre dos mundos.

o próprio sultão abriu a cortina que o velava e disse ao poeta: “Olhe, então” e mostrou-se bastante afável com Ibn Mokena e o recompensou magnanimamente.

Mas, quando, em decorrência da guerra civil, o país se viu dividido em vários principados insignificantes, os novos monarcas seguiram uma linha política bem diferente; porque, querendo ser mais populares, eles tratavam seus súditos com uma familiariedade maior e tinham uma relação mais frequente com todas as classes sociais; muitas vezes visitavam as tropas e as províncias; chamavam a sua presença médicos e poetas e queriam ser tomados desde o começo de seus reinados, como os patronos da ciência e literatura: mas, até isso contribuiu para a diminuição da autoridade real, que se tornava, a cada dia, menos ameaçadora; além disso, o uso dos exércitos muçulmanos durante as longas guerras civis para lutarem entre si, não era bem visto pelos habitantes das diferentes províncias; os laços que os uniam tornaram-se fracos e vários estados independentes foram criados, cujos governos passavam de pai para filho, da mesma forma que o império de Córdoba tinha sido transmitido aos filhos e herdeiros dos califas. Assim, separados uns dos outros, os muçulmanos começaram a se considerar membros de diferentes nações e a cada dia ficava mais difícil uni-los em torno de uma causa comum; e devido às suas divisões e à inimizade mútua, assim como aos interesses sórdidos e à ambição extravagante de alguns reis, os cristãos conseguiram atacá-los e subjugá-los, um após o outro. No entanto, com a chegada de Beni ‘Abdu-l mumen, todos aqueles estados se juntaram em um e todo Andalus reconheceu sua dominação e continuou por muitos anos a ser governado por seus sucessores, até que a guerra civil eclodiu de novo, Ibn Hud Almutawakel, se rebelou e encontrando o povo de Andalus contrariado com os almoádas e ansiosos por abalar seu jugo, ficou fácil para ele tornar-se senhor do país. No entanto, Ibn Hud seguiu a política de seus antecessores (os reis dos pequenos estados); ele até ultrapassou-os em loucura e ignorância as normas de um bom governo, porque ele costumava caminhar pelas ruas e mercados, conversando e rindo com as camadas mais baixas da população, fazendo perguntas e praticando atos inadequados para a sua elevada condição e que ninguém tinha antes visto um sultão praticar, a ponto de se dizer, não sem razão, que ele não parecia um rei. Loucos, e o vulgo ignorante parecia, é verdade, olhar com espanto e prazer para esta intimidade, mas, como o poeta disse são coisas que fazem os loucos rir,  mas cujas consequências os sensatos aprenderam a temer. Esses sintomas foram crescendo até chegar às cidades populosas e as províncias mais extensas tornarem-se presas dos cristãos e todos os reinos foram tomados das mãos dos muçulmanos.

Uma outra circunstância muito grave acrescentou mais um ingrediente à calamidade geral, isto é, a facilidade com que o poder trocava de mãos. Quem quer que tenha lido atentamente sobre o que dissemos a respeito do modo de alcançar e usar o poder real em Andalus, precisa se convencer que nada era tão fácil, principalmente nos últimos tempos, até chegar a isto. O processo é o seguinte: sempre que se sabe que um cavaleiro ultrapassa seus compatriotas em coragem, generosidade ou qualquer outra qualidade que faça essa pessoa querida pelo vulgo, o povo apega-se a ele, toma seu partido, e acaba por proclamá-lo rei, sem levar em consideração sua ascendência ou se seu sangue é real ou não. O novo rei então transmite o estado como uma herança para seu filho ou parente mais próximo, e assim uma nova dinastia se forma.  Como prova disso, posso citar um caso que aconteceu entre nós: um certo capitão ficou famoso pelos feitos e vitórias conseguidas sobre o inimigo, assim como por seu caráter generoso e liberal em relação aos cidadãos e ao exército; subitamente, seus amigos e partidários resolveram levá-lo ao trono; e não pararam de trabalhar, de chamar o povo para as suas fileiras e de lutar contra seus opositores, até que o objetivo deles estivesse cumprido e que seu amigo estivesse firmemente estabelecido no trono. Agora o povo do oriente está mais cauteloso no que se refere à sucessão e às mudanças na dinastia reinante; evitarão por todos os meios possíveis e farão o melhor para deixar o poder em mãos da família reinante, ao invés de permitirem que dissenções e discórdias minem as fundações do estado e introduzam a dissolução e corrupção no corpo social.

Entre nós, a mudança de dinastia é uma constante e o atual governante de Andalus, Ibnu-l-ahmar, é um outro exemplo do que eu adiantei. Ele foi um bom soldado, e teve muito sucesso em algumas incursões contra os cristãos, cujos territórios ele invadia frequentemente, saindo, à frente de seus seguidores, de um castelo chamaddo Hisn-Aijanah, onde ele geralmente ficava. Sendo um homem astuto e versado em todos os estratagemas de guerra, raras vezes ele partia numa expedição sem retornar vitorioso e carregado de despojos, razão por que ele acumulou grande riqueza e o número de partidários e seguidores cresceu consideravelmente. Por fim, sendo tomado pela ambição de conseguir o poder real, ele, a princípio, mandou que suas tropas o proclamassem rei; em seguida, saindo de sua fortaleza, ele tomou posse de Córdoba, marchou para Sevilha, ocupou-a e matou seu rei Al-baji. Depois, ele dominou Jaen, a mais forte   e importante cidade de toda Andalus, devido a seus muros e à posição que ela ocupa, conquistou igualmente Málaga, Granada e seus distritos, e assumiu o título de Amiru-l-moslemin (príncipe dos muçulmanos); e, no momento em que escrevo, ele é obedecido em toda Andalus e todos procuram sua proteção e aconselhamento.

De Ibn Said, Book of the Maghrib, in Ahmed ibn Mohammed al-Makkari, The History of the Mohammedan Dynasties in Spain, traduzido por Pascual de Gayangos s, (London: Oriental Translation Fund, 1840), 1, 95-102

Este texto é parte de  Internet Medieval Source Book, que é uma coleção de domínio público e cuja reprodução dos textos relacionados com a história medieval e bizantina  é permitida.

(c)Paul Halsall Jan 1996

ÁFRICA OCIDENTAL

Na África ocidental, o sal e a comida dominavam o comércio no deserto de Sahara  (sahr, em árabe significa deserto), e incluía também ouro, marfim, penas de avestruz, casco de tartaruga e peles. Quando os árabes chegaram à África, o comércio aumentou por causa do camelo. Os camelos eram vitais porque eles podiam viajar mais de 100 km  por dia, isto é, duas vezes mais do que os bois de carga ou os cavalos, e  também podiam resistir ao calor do dia e ao frio da noite. Os bérberes estavam envolvidos no comércio de longa distância. Os comerciantes árabes compravam o ouro da antiga Gana – a terra do ouro, e financiavam as caravanas bérberes. Desta forma, o Islam se espalhou muito rapidamente e as transações comerciais ficaram bem mais fáceis. A expansão do comércio muçulmano pelo deserto depois de 750 d.C, deu um novo e maior incremento à região.

Em 1067, o cronista andaluzo al-Bakri, escrevendo na então famosa cidade andaluza de Córdoba, no sul da Espanha, mas passando as primeiras informações sobre os viajantes e comerciantes trans-saarianos, descreveu Gana como um estado grande e poderoso. Ao escrever sobre a corte do rei normando, Roger II da Sicília, al-Idrisi relatou como os governantes de Gana passavam o tempo, recepcionando com os mais pródigos banquetes que alguém jamais tinha visto antes.

No entanto, foi o Mali, na África ocidental, que chamou a atenção para o mundo muçulmano, por causa de seu governante, Mansa Musa, irmão de Abu Bukhari (famoso por ter enviado milhares de navios cargueiros para as Américas em 1330), com sua famosa peregrinação a Meca, em 1324-1325, chegando ao Cairo com uma enorme caravana que incluía 100 camelos carregados de ouro. Musa demonstrou sua generosidade distribuindo grandes quantidade de ouro no Egito, abalando, assim, a moeda local. Este fato criou o mito europeu da África ocidental como um lugar de imensas  riquezas, onde até os escravos vestiam ouro. Ao completar o Atlas Mundial em 1375, o cartógrafo Cresques, de Maiorca, mostrava o rei do Mali sentado num trono, segurando um globo (uma imensa pepita de ouro) e o cetro, no centro da África ocidental, enquanto os comerciantes de toda a África do Norte marcham vigorosamente para seus mercados. O ouro transformou-se no produto básico de exportação para a Europa, sendo que pelo menos 2/3 do suprimento mundial de ouro vinha da África ocidental.  Monarcas dos mais distantes países, como a Inglaterra, cunhavam suas moedas com o precioso metal africano.

Mansa Musa incentivou o desenvolvimento do ensino e da expansão do Islam. Nos primeiros anos de seu reinado, Musa enviou sábios  sudaneses para a universidade marroquina de Fez. No final de seu reinado, esses sábios   fundaram seus próprios centros de ensino e de estudo alcorânico, principalmente em Timbuktu, que mais tarde transformou-se em um importante centro para os comerciantes e estudiosos muçulmanos, tanto sudaneses como bérberes.

Menos de 20 anos depois da morte de Musa, o viajante bérbere, Ibn Batuta, depois de trinta anos de observação acurada, ainda viajava incansavelmente  para cima e para baixo pelo mundo muçulmano,  esteve no Mali. Escreveu: “Os negros possuem algumas qualidades admiráveis. Raras vezes são injustos e têm mais horror à injustiça do qualquer outro povo … Há uma segurança total neste país. Nem o viajante nem o seu habitante temem ladrões ou homens violentos.” (E.W.Bovill, ‘The Golden Trade of the Moors)

Timbuktu alcançou o seu auge em fama e fortuna no século XVI. Falando para uma platéia italiana, no início do século XVI, Leo Africanus descreveu Timbuktu como a cidade do ensino e das letras, onde o rei, além de dispor de um exército de 3000 cavaleiros e uma infantaria enorme, financiava de seu próprio tesouro “muitos magistrados, doutores e religiosos”. “Aqui em Timbuktu”, assinalou ele, “existe um grande mercado de livros dos países bérberes e ganham muito mais com a venda dos livros do que com qualquer outra mercadoria.”. A reputação de suas escolas de teologia e direito espalhou-se até a Ásia muçulmana. Esta época do Mali, seria mais tarde lembrada como a idade de ouro da prosperidade e da paz.

No final dos Anos Negros, com a Europa ocidental em crise, começaram a surgir pequenos reinos no Sudão ocidental e central. Inúmeros reis africanos, entre eles Mansa Musa e Sonni Ali, gozavam de fama no Islam e na cristandade, por causa de sua riqueza, brilhantismo e conquistas artísticas para seus vassalos. Suas capitais eram grandes cidades muradas, com muitas mesquitas e, pelo menos duas, Timbuktu e Jenne, tinham universidades que atraíam estudiosos e poetas de muito longe. Seu poder vinha de uma combinação de força militar e alianças diplomáticas com os líderes locais; seus juízes praticavam a justiça; seus burocratas administravam os impostos e controlavam o comércio, a viga mestre daqueles estados.

A meta dos portugueses era transformar seu pequeno estado europeu em um vasto império afro-indiano. A presença dos portugueses na África ocidental e central objetivava nada menos do que construir um império na África, desde o ocidente até o oriente – do oceano Atlântico até o oceano Índico – uma grande rota que cruzasse o continente e que serviria diretamente como um caminho imperial que se conectasse com o império indiano. O império afro-indiano era o grande projeto de Portugal. A corte de Lisboa tinha planejado bem. Para um estado tão pequeno como Portugal, uma ambição maior do que o continente europeu. E, então, ousando o suficiente para operacionalizar o plano, isto obrigou a um grau de organização e coragem que possibilitou a muitos pequenos grupos de homens seguirem adiante, conquistando e dominando. 

Portugal esperava que, ganhando acesso direto às regiões produtoras de ouro da África ocidental, o metal iria se transformar em sua maior fonte de riqueza nacional. Uma vez conquistado o acesso à África ocidental, a riqueza financiaria as explorações até a ponta da África, e dali até a Índia. Finalmente, ao alcançar a Índia, via sul, os portugueses desviariam as rotas comerciais da Ásia ocidental,  controladas pelos muçulmanos. Sob as ordens do Vaticano, os portugueses navegaram ao longo da costa da África ocidental, ocupando inúmeros portos. Os primeiros portugueses não eram comerciantes ou aventureiros particulares, e sim oficiais com a missão real de conquistar o território e promover a divulgação do cristianismo.

Em 1434, Gil Eanes ousou navegar além do mar onde o oceano Atlântico supostamente terminava e os navios lançavam-se ao vazio, e em 1488, os portugueses chegaram à desembocadura do grande rio Congo na África ocidental. Primeiro chegaram à costa africana ocidental em 1470. Ali construíram um forte chamado Elmina (a mina) para proteger seu entreposto comercial dos navios europeus rivais. Pelo tratado de Alcacovas, a Espanha reconheceu o direito de Portugal explorar a costa africana e o Papa concedeu indulgências àqueles que tivessem tomado parte na construção de Elmina. São Jorge da Mina, seu nome completo, personifica a natureza religiosa e comercial dos europeus do século XV.

Em 1497,Vasco da Gama partiu de Lisboa, em Portugal. Os portugueses que viajavam com ele eram homens do Renascimento católico e seus sucessores estavam sob a influência da Contra-Reforma. A cultura e a religião para eles eram tão misturadas, que não era possível dizer onde o católico terminava e o Renascimento português começava. Ao contrário das primeiras expedições portuguesas, Vasco da Gama continuou a navegar, descendo a costa ocidental da África, contornou a ponta sul da África, continuando ao longo da costa oriental africana. Com a ajuda de um navegador árabe, emprestado do Malindi, atual Quênia, Vasco da Gama entrou no oceano Índico.

Basicamente os portugueses esperavam que, ao entrar no oceano Índico, a partir do sul, eles pudessem afastar os muçulmanos, que dominavam o norte da África e o Meditérrâneo. Os portugueses queriam tirar dos muçulmanos o controle do comércio de especiarias, sedas e outros produtos da Índia e da China, trazê-los para a Europa ocidental em navios e vendê-los com um lucro considerável. Afinal de contas, os portugueses também sabiam que os mercadores egípcios tinham ficado ricos com o comércio entre o Mediterrâneo e o oceano Índico, onde os egípcios cunhavam suas próprias moedas de ouro e o dinar fatimida tinha se tornado a unidade básica de troca internacional nas cidades do   Swahili, na costa oriental africana.

Onze meses após iniciar a viagem, Vasco da Gama chegou à cidade de Calicute, no dia 20 de maio de 1498. De início, ele encontrou hostilidade por parte dos mouros, árabes e africanos, mas ao que tudo indica, ele conquistou a simpatia do rajá hindu do Malabar. Vasco da Gama disse aos primeiros indus que encontrou na costa do Malabar que ele tinha vindo buscar “cristãos e especiarias”. Os cristãos que ele tinha em mente eram um povo legendário, que devia ser resgatado do cerco muçulmano e que tinha ajudado a ele em sua cruzada. Provavelmente eles eram os vassalos do misterioso Prester John e eram na verdade os abissínios, a quem Vasco da Gama nunca encontrou. Os cristãos que ele encontrou eram os “sírios” do Travancore, provavelmente residentes ali desde o século IV a.C., e desconhecidos na Europa. 

Vasco da Gama retornou com uma mensagem do rajá hindu, que dizia: “Vasco da Gama, um nobre de sua corte, visitou meu reino e me deu grande prazer. Em meu reino existe muito cravo, canela, gengibre, pimenta e pedras preciosas. O que quero de seu país é ouro, prata, coral e escarlate.”

Uma segunda expedição, que consistia de 20 navios e 200 soldados, sob o comando de Cabral, foi mandada para lá em 1500. Suas instruções eram no sentido de começar com a pregação e se fracassasse, continuasse com a firme determinação da espada. Ao alcançar Calicute (depois de estar na costa do Brasil, primeiro) Cabral criou fábricas, tendo em vista a hostilidade  dos nativos. Em 1502, o rei de Portugal obteve do papa Alexandre VI uma bula papal indicando-o ” senhor da navegação, conquista e comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia”. Naquele ano, Vasco da Gama viajou de novo para o oriente, com uma frota composta de 20 navios. Começava, então,  a Cruzada, a cristianização, a conquista e o “comércio” da África oriental e da Índia.

Fonte: geocities.com/ibnkhaldoun_2000

AL KINDI – Cientista Muçulmano

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Al Kindi nasceu na cidade de Wassit no ano 188 Hégira conhecido como o filósofo dos árabes na idade média, Cardano considerou Al Kindi como uma das doze mentes mais brilhantes da idade média.

Al Kindi.gif (33266 bytes)

Ele pertence ao grupo dos grandes cientistas muçulmanos que fizeram contribuições valiosas em muitos campos da ciência, Al Kindi era um filósofo, astrônomo, médico, matemático, físico, engenheiro e geógrafo; era também um perito na música.

Yaqub Ibn Ishaq Al Kindi viveu na cidade de Kufa, Basra e Bagda, seu pai trabalhou para Califa Harun Al Rashid, estudou com os sábios e os livros dos antecessores, ficou famoso e os Califas começaram a procurá-lo, os invejosos nutriam por ele inimizade e fizeram com que as pessoas o criticassem, incompatibilizando-o com os Governantes.

Al Kindi passou sua longa carreira em Bagda e foi um contemporâneo dos Califas Abássidas; Al Mutawakkil, de Al Mamun e de Al Mu’tasim, morreu durante o reino de Al M’utamid.

Al Kindi se sobressaiu em ciência natural e foi o pioneiro em muitos assuntos importantes, os conhecimentos que ele legou foram:

  • A influência das longas distâncias na miragem;
  • Que a luz não necessita de tempo em sua viagem;
  • Que os planetas giram ao redor do Sol do Ocidente para o Oriente (verdade que ninguém conhecia até então);
  • Sobre a dilatação do corpo em temperaturas quentes e o encolhimento no frio;
  • Sobre as causas que ocasionam a chuva
  • Que o sol é maior do que a terra e que está é maior do que a lua.

Al Kindi tinha uma mente científica liberal, ele rejeitou a teoria que afirmava haver possibilidade de se transformar metais baratos em metais nobres como o ouro e a prata, ele escreveu um livro chamado ”Cuidado Com o Golpe dos Alquimistas”, rejeitando tal teoria.

Ele explicou o método de extração do almíscar em que proporção é usado nas reações químicas, ele cita um grande número de reações químicas, como filtrar, destilação, mineralogia, fabricação de espadas, coloração e proteção contra ferrugem.
Ele escreveu muitos livros em vários campos do saber, dentre suas obras temos:

  • Astronomia: Teorias Astronômicas;
  • Matemática: Tese da Dedução de Números Primários;
  • Álgebra: Livro da Divisão do Triângulo e do Retângulo;
  • Medicina: Livro Sobre Alimentos e Remédios e Tratamento de baço;
  • Química: Tese Sobre a Composição do Atar e Pedras Preciosas.

Além destes trabalhos, ele foi sempre prudente, suas palavras sempre demonstraram seu equilíbrio, Al Kindi dizia:

”Sábio é aquele que sabe que acima de seu conhecimento há um conhecimento maior (Deus) e é humilde por isso, e ignorante é quem pensa que chegou ao ápice, e por isso as pessoas o desprezam.”

Entre um de seus conselhos citamos:

”Afastai-vos do mal porque o mal pertence aos maldosos.”

”Deves livrar de tua conversa àquele que não se satisfaz com ela.”

Al-Kindi foi o primeiro médico que determinou sistematicamente a dosagem para a maioria das drogas., ajudou extremamente no desenvolvimento de padrões de dosagem (prescrição) para pacientes.

No campo da química, Al Kindi discutiu que os metais baixos não podem ser convertidos em metais preciosos e que as reações químicas não podem produzir a transformação de elementos básicos.

Fez contribuições importantes ao sistema árabe de números, além disso, contribuiu com à geometria esférica ao ajudar a Al Khwarizmi em seus estudos astronômicos.

O trabalho original de Al Kindi forneceu a fundação para a aritmética moderna, fez também grandes contribuições ao sistema ótico geométrico, um campo especial da física, e escreveu um livro.

Al Kindi pesquisando os aspectos científicos da música, indicou que as várias notas que combinam para produzir a harmonia têm um passo específico, e o grau de harmonia depende da freqüência das notas, forneceu um método para a determinação do passo, Al Kindi indicou que quando um som é produzido gera as ondas no ar.

Al Kindi escreveu mais de cento e quarenta livros, entre estes dezesseis livros de astronomia, vinte e dois de medicina e filosofia, doze de física, trinta e dois de geometria, onze de aritmética, nove de lógica, quatro de número e sistema, sete de música e cinco de psicologia. Além disso escreveu monografias de instrumentos astronômicos, marés, e rocha e pedras preciosas.

Gerard de Cremona traduziu muitos de seus livros no latim estes livros incluem Ikhtiyarat al-Ayyam, Al Mosiqa, Risalah Tanjim Dar, Ilahyat-i-Aristu, Mad-i-Jazr e Adwiyah Murakkaba.

A influência de Al Kindi no desenvolvimento da física, matemática, medicina, filosofia, música e engenharia durou por diversos séculos.

Al Kindi faleceu no ano 258 da Hégira, ele ficou conhecido no passado e no presente, pois alguns europeus o consideram um dos doze maiores sábios e possuidor da mais brilhante inteligência do mundo, realmente foi um grande sábio das ciências.

Fonte: islam.org.br

Al Damishqui – Cientista Muçulmano

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Ibn Al-Nafis era um médico de grande reputação e um perito renomado na escola de jurisprudência de Shafi’i. É famoso pela a descoberta do sistema circulatório do sangue, e foi o primeiro a descrever os pulmões, os bronquios , e as artérias coronárias.

Al Nafis.gif (23456 bytes)

Ala Al-Din Abu al-Hasan Ali Ibn Abi Al-Hazm Al-Qarshi Ibn Al-Nafis Al Damishqui, nasceu em 1213, na cidade de Damasco. Foi educado na faculdade médica (e no hospital) fundado por Nur Al-Din Zangi.

Ibn Al-Nafis estudou a medicina com um famoso médico, Muhazzab Al-Din Abd Al-Rahim. Estudou também a jurisprudência, a literatura e a teologia.

Sua perícia e reputação na medicina e na jurisprudência foram recompensadas, ele foi nomeado como o diretor de um dos hospitais mais famosos da época o de Nasri no Cairo.

Ali, treinou muitos especialistas médicos, incluindo o famoso cirurgião Ibn Aal-Quff Al-Masihi. Subseqüentemente, trabalhou na escola de Mansuriya no Cairo, como a parte da sua a vontade depois da morte, Ibn Al-Nafis doou sua casa, biblioteca e clínica ao hospital de Mansuriya, morreu em 1288.

Ibn Al-Nafis fez grandes contribuições na medicina, escreveu comentários e crítica detalhadas sobre o conhecimento médico disponível até seu tempo, e adicionou-lhe muitas contribuições originais.

Sua maior contribuição para a medicina foi a descoberta do sistema circulatório do sangue, que redescoberto três séculos mais tarde. Ibn Al-Nafis foi o primeiro a descrever corretamente os pulmões e dava uma descrição dos brônquios e a interação entre as embarcações do corpo humano para o ar e o sangue. Também, elaborou a função das artérias coronárias como a alimentação do músculo cardíaco.

Ibn Al-Nafis escreveu a Al-Shamil fi al-Tibb era uma enciclopédia que compreende 300 volumes, mas não pode ser terminada como ele havia planejado devido a sua morte. Este manuscrito é preservado como coleções especiais em Damasco. Seu livro de oftalmologia foi uma de suas primeiras uma contribuições a medicina e existe até hoje. Entre seus livros Mujaz al-Qanun tornou-se o mais , escreveu um outro livro muito famoso Kitab al-Mukhtar fi al-Aghdhiya que tratava dos efeitos da dieta na saúde. Escreveu também diversos comentários sobre o livro de Hipócrates e sobre o Qanun de Ibn Sina, que existem até hoje.

O trabalho de Ibn Al-Nafis exerceu uma grande influência no desenvolvimento da ciência médica, no mundo e na Europa islamizada. Inicialmente, somente um de seus livros foi traduzido para o latim. Consequentemente, muitos de seus trabalhos remanesceram na Europa por diversos séculos.

Fonte: islam.org.br

Al Jazzar – Cientista Muçulmano

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Ahmad Ibn Ibrahim Al Jazzar, nasceu no seio de uma família de eminentes médicos, em Quirawan, na Túnisia, no ano de 285 da Hégira, tanto se pai, Ibrahim como seu tio Abu Bakr, eram médicos renomados, com os quais ele estudou medicina.

Al Jazzar.gif (26035 bytes)

Abu Yaqub Suleiman Al Israili era outro eminente médico e autor, de quem ele auferiu grandes benefício na sua carreira acadêmica, ele permaneceu totalmente devotado tanto ao estudo da medicina como de outras disciplinas, como filosofia, ciências naturais, história, geografia e literatura.

O Al Jazzar instalou uma clínica privada próxima a sua casa, ele possuía nela um rico dispensário equipado com variedade de xaropes, drogarias, eletuários, ungüentos, etc…

Depois de examinar o paciente, Al Jazzar podia diagnosticar a doença e prescrever o remédio para ele, que era providenciado pelo seu bem treinado atendente, de nome Racik, ele também inspecionava o dispensário diariamente, e o conservava apropriadamente.

Al Jazzar era também conhecido pelo seu elevado caráter e conduta reta, apesar de ter à sua disposição todos os meios para levar uma vida luxuosa, tinha um simples e austero estilo de vida.

Ele evitava a companhia de governantes e altos funcionários do Estado, Abu Talib Ahmad Ibn Ubaidullah Al Mahdi, tio do Califa fatimida; Al Muizz (952-975), era o único amigo a quem ele visitava toda Sexta-feira.

Todavia, ele era sociável a seu próprio modo, compartilhava das alegrias e das tristezas de seu povo, comparecendo a cerimonias matrimoniais e aos funerais, apesar de nunca comer nada nessas ocasiões, era também muito amável para com os pobres.

Ele não apenas os cuidava gratuitamente, mas também os ajudava financeiramente, tudo isso lhe proporcionou uma grande reputação na sociedade, como bibliófilo, Al Jazzar possuía uma biblioteca, na qual ele costumava estudar e registrar suas pesquisas e observações clínicas, como resultado disso, em breve ele se tornou um médico completo um sábio, e passou a desfrutar, no mundo árabe, da mesma fama e do prestígio que desfrutava Ibn Al Farabi, falecido em 950, e Ibn Sina 1037.

Quando Al Jazzar faleceu em Quirawan, em 1009, com a idade de 80 anos, deixou para sua biblioteca uma vasta propriedade avaliada em 24.000 dinares.

Suas Obras

Ahmad Ibn Ibrahim Al Jazzar, foi um autor prolífico, aproximadamente 22 livros são atribuídos a ele por Ibn Abi Usaybiya, sendo que outro biógrafo de nome Hassan Hassani Abdul Wahab, menciona 40 livros escritos por ele sobre medicina e outras disciplinas, os seu mais famosos trabalhos são os seguintes:

Zad Al Musafir Wa Kutul Hadhir

(A Provisão do Viajante e o Alimento do Morador de Cidade)

Esse livro composto de dois volumes, conta-se entre os clássicos da medicina islâmica, manuscritos desse livro estão preservados nas bibliotecas de Paris, Argélia, Alemanha, Oxford, Índia e Holanda.

Foi traduzido para o latim nos meados do século cinco da Hégira, foi também traduzido para o grego, o hebreu e o italiano.

 Siyassat Al Sibian Wa Tadbiruhum

(Tendências das Crianças e o seu Controle)

Esta foi uma das mais originais contribuições do autor para a psicologia infantil, visava o tratamento e o controle das crianças desde o primeiro momento da concepção, no útero da mãe, até o estágio da sua adolescência, ele também contém inúmeros conselhos médicos para as mães e as parteiras.

Kitab Al Itimad

(O Livro de Confiança)

Este é um livro muito útil de medicina simples, seus manuscritos estão preservados na biblioteca do Al Jazzar e no museu Britânico, foram também traduzidos para o hebreu e o latim.

Outros livros importantes de Ahmad Ibn Ibrahim Al Jazzar são:

  • Al Bughiya Fil Awiyat Al Murakaba
  • Kitabul Adwiyat Li Kulil Mudda
  • Kitab Nasaihil Ab’rar
  • Kutul Muquim
  • Al Maida Wa Amraduha Wa Mudawatuha
  • Usul’ul Tib
  • Mujarrabat Fil Tib
  • Kitab Al Nusuh
  • Al Bulgha Fi Hifz As-sih-ha
  • Kitab Al Mukhtabarat
  • Kitab Al Fark Baina Al Ilal Al Latti Tachtabih Asbabuha Wa Takhtalif Araduha
  • Kitab Abdal Adwiya
  • Tibbul Fuqará Wal Masaquin
  • Kitabul Zukam Asbábuhu Wa Ilajuhu
  • Kitabul Judham Asbahu Wa Ilajuhu
  • Al Hamamat Manfiuha W Madarruha
  • Kitab Fi Asbab Muwallidah Lil Waba Fi Misr Wa Tariq Hillah Fi Daf’i Zalik
  • Kitab Tibb Al Machayikh
  • Kitabul Tahdir Min Ikhrajil Dam Min Ghairi Hája
  • Rissala Fi Asbab Al Wafat
  • Rissala Fil Nafs Wa Fi Zikr Ikhtilaf Al Awail Fiha.

Seus Principais Escritos Sobre História e Geografia

Em acréscimo ao que foi citado acima, Al Jazzar foi o autor de vários livros sobre história e geografia, seus mais importantes trabalhos nesses assuntos foram:

  • Al Tarif Bi Sahih Il Tárikh (Introdução a História Correta) em dez volumes;
  • Akhabar Al Daula (História do Estado);
  • Maghazi Ifriquiya (Guerras Africanas);
  • Ajaib Al Buldan (Maravilhas da Terra).

Finalmente é necessário citarmos no contexto que Ahmad Ibn Ibrahim Al Jazzar também produziu um bom número de médicos, entre os quais citamos o Andaluz, Abu Hafs Ômar Bin Bariq, entre os mais eminentes que, após completar os seus estudos médicos, voltou para Espanha e tornou-se o médico pessoal do Califa Omíada Abdul Rahman Al Nasir (912-961), ele também publicou os livros do seu professor, alguns dos quais foram traduzidos para o latim e para outros idiomas. 

Fonte: islam.org.br

OMAR KHAYYAM – Cientista Muçulmano

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

 

Ghiyath Al Din Abul Fateh Omar Ibn Ibrahim Al Khayyam nasceu em Nishapur, a capital provincial de Khurasan em torno de 1044, foi um matemático, astrônomo, filósofo, médico e poeta persa, é conhecido como Omar Khayyam.

Omar Al Khaiyam.gif (25378 bytes)

Omar Khayyam, embora seja considerado um persa, muitos também que ele pode ter pertencido a tribo de Khayyami de origem árabe que se estabeleceu na Pérsia.

Pouco se sabe sobre sua juventude, com exceção do fato que foi educado em Nishapur e viveu em Samarkanda a maior parte de sua vida.

Era um contemporâneo de Nidham al-Mulk Tusi, contrário às suas oportunidades disponíveis, trabalhou contra a sua vontade na corte do rei, e passou a conduzir uma vida calma e devotada na busca do conhecimento.

Viajou aos grandes centros de aprendizagem, de Samarkanda, Bukhara, Balkh e de Isphahan a fim estudar e trocar os seus conhecimentos com outros sábios destas regiões.

Quando foi para Samarkanda esteve sobre os cuidados de Abu Tahir, Omar Khayyam morreu em Nishapur em 1123.

A álgebra foi o primeiro campo no qual fez grandes contribuições, fez uma tentativa de classificar a maioria das equações algébricas, incluindo as equações d terceiro grau, e de fato, ofereceu soluções para o um número 0. Isto inclui soluções geométricas das equações cúbicas e soluções geométricas parciais da maioria de outras equações.

Seu Maqalat fi al-Jabr wa al-Muqabila é o livro mestre na álgebra e teve uma grande importância no desenvolvimento da álgebra.

Sua classificação notável das equações é baseada na complexidade das equações, como o mais elevado grau de uma equação, mais os termos, ou combinações dos termos, estavam contidos nele.

Assim, Omar Khayyam reconhece 13 formulários diferentes de equação cúbica, seu método de resolver as equações é em grande parte geométrica e depende de uma seleção engenhosa adequada dos cônicos.

Desenvolveu também a expansão binomial quando o exponente é um inteiro positivo, do fato, foi considerado o primeiro a encontrar o teorema binomial e determinar coeficientes binomial. Na geometria, estudou generalidades de Euclides, contribuindo assim com a teoria das linhas paralelas.

O Sultão Seljucida, Malikshah Jalal al-Din, convidou-o para trabalhar em seu novo observatório em Ray por volta de 1074, e designou-lhe a tarefa de determinar um calendário solar correto.

Omar Khayyam introduziu um calendário que era notavelmente exato, e foi nomeado como Al-Tarikh-al-Jalali. Teve um erro de um dia em 3770 anos e foi desta maneira mais correto que o calendário gregoriano (erro de 1 dia em 3330 anos).

Suas contribuições a outros campos da ciência incluem um estudo das generalidades de Euclides, do desenvolvimento dos métodos para a determinação exata da gravidade específica, etc..

Na metafísica, escreveu três livros Risala Dar Wujud e o Nauruz-namah recentemente descoberto. Era também um astrônomo de renome e um médico.

Apesar de ser um cientista, Omar Khayyam era também um ótimo poeta, e foi com a poesia que tornou-se conhecido mundialmente em 1839, quando Edward Fitzgerald publicou uma tradução inglesa de seu Rubaiyat.

Este se tornou em um dos clássicos mais populares da literatura mundial, deve-se considerar que é praticamente impossível traduzir exatamente todo o trabalho literário em uma outra língua, que à conversa da poesia, especial quando envolve mensagens místicas e filosóficas da complexidade profunda.

Apesar desta, a popularidade da tradução de Rubaiyat indicaria a riqueza de seu pensamento.

Omar Khayyam escreveu um grande número de livros e monografias nestes campos citados acima. Fora estes, 10 livros e trinta monografias foram identificadas. Destes, 4 concernem a matemática, 3 a física, 3 a metafísica, 1 a álgebra e 1 a geometria.

Sua influência no desenvolvimento da matemática e da geometria em geral e analítica, , foi imensa. Seu trabalho remanesceu antes de outros por séculos até os tempos de Descartes, que aplicou a mesma aproximação na resolução da geometria cubica.

Sua fama como um matemático foi eclipsada parcialmente por sua popularidade como um poeta; não obstante sua contribuição como um filósofo e um cientista foi de grande e ajudou a romper as fronteiras do conhecimento humano.

Fonte: islam.org.br

Cientista Muçulmano

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Abu Abdallah Muhammad Ibn Jabir Ibn Sinan Al Battani Al Harrani nasceu em 858 , na cidade de Harran, e de acordo com a história, viveu também em Battan, uma vila de Harran.

Al Batani.gif (27894 bytes)

Al Battani foi educado primeiramente pelo seu pai Jabir Ibn San’an Al Battani, que era também um cientista muito famoso. Mudou-se então para Raqqa, situado no Eufrates, onde concluiu os seus estudos superiores, e mais tarde se tornou um grande sábio.

No começo do 9º século, migrou para Samarra, onde trabalhou até o fim de sua vida em 929, foi também um dos grandes sábios do Islam.

Al Battani era um astrônomo, um matemático e um astrólogo famoso, foi escolhido como um dos maiores astrônomos do Islam.

É responsável por um grande número de descobertas importantes na astronomia, que era o resultado de uma longa carreira de 42 anos da pesquisa que começam em Raqqa quando era ainda um jovem estudante.

Uma de suas descobertas mais notáveis, é a determinação exata do ano solar como sendo de 365 dias, 5 horas, 46 minutos e 24 segundos, que é muito perto das últimas estimativas.

Ele descobriu que a longitude do apogeu do sol tinha aumentado em 16°, 47 desde de Ptolemeu.

Isto implicou na descoberta importante do movimento dos apsides solares e de uma variação lenta na equação do tempo, não acreditou na trepidação dos equinócios, embora Copernicus a defende-se.

Provou, em contraste afiado a Ptolemeu, a variação do diâmetro angular aparente do sol e da possibilidade de eclipses anulares.

Retificou diversas órbitas da lua e dos planetas e proporcionou uma nova teoria, que era muito engenhosa para determinar as condições da visibilidade da lua nova.

Suas observações excelentes dos eclipses lunares e solares foram usadas por Dunthorne em 1749 para determinar a aceleração secular do movimento da lua.

Forneceu também soluções corretas através da projeção ortográfica para alguns problemas de trigonometria esférica.

Na matemática, foi o primeiro para substituir o uso das cordas gregas por senos, com uma compreensão e um entendimento claro de sua superioridade.

Também desenvolveu o conceito do cálculo e equipou sua tabela nos graus.

Escreveu um grande número de livros na astronomia e no trigonometria, o seu livro mais famoso era seu tratado astronômico com tabelas, que foi traduzido para o latim no 10º século e floresceu como ” De stellerum de De scienta” e ”stellerum et motibus de De numeris”.

Uma velha tradução deste livro ainda está disponível do Vaticano.

Seu tratado na astronomia, influenciou extremamente a Europa até o renascimento, com as traduções disponíveis em diversas línguas.

Suas descobertas originais na astronomia e na trigonometria foram de grande ajuda no desenvolvimento destas ciências.

Fonte: islam.org.br

A Arquitetura Islâmica

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Imagem

 

Um dos aspectos de grandeza e perfeição da civilização islâmica é que ela não ignorou o fator estético como um valor importante na vida do homem. Ela o tratou partindo do conceito de que a sentir a beleza e se inclinar a ela é uma disposição inata enraizada nas profundezas da alma humana saudável. Tal alma que ama a beleza e se encanta com tudo que é belo e se afasta de tudo que é feio.

Sem dúvida, esta criatividade estética é uma dimensão fundamental na civilização humana.Qualquer civilização sem o elemento de beleza e e sem maneiras de expressar a beleza é uma civilização que não responder aos sentimentos humanos naturais e não satisfaz os desejos psicológicos, que se atraem por tudo que é belo.

Apresentaremos parte dos aspectos da beleza na civilização islâmica – os aspectos que formaram o quadro geral no qual se formou esta civilização, tingindo-a com perfeição e glória, bem como com a natureza humana.

 

As Artes Islâmicas

As artes em geral são consideradas um aspecto fundamental da cultura dominante na sociedade. E a arte islâmica, em específico, é considerada uma das mais puras e precisas formas de expressão da civilização islâmica, e também, um espelho brilhante da civilização humana, porque a arte islâmica é uma das maiores artes produzidas pelas civilizações do mundo nos tempos antigos e modernos. No entanto, ela não recebeu a pesquisa e o estudo que realmente merece. E muitos dos escritos sobre a arte islâmica não foram efetivamente baseados nos critérios intelectuais e culturais sobre os quais a arte islâmica se constituiu, mas sim, baseados em outros critérios ocidentais.

Várias formas e tipos destas artes se estilizaram com o estilo islâmico e distinguiu a civilização islâmica das outras civilizações.

 

A Arte da Arquitetura Islâmica

A arquitetura islâmica tem uma identidade e estilo especiais e destacados, observados pelos olhos imediatamente, seja por causa de sua reprodução geral, dos elementos arquitetônicos destacados ou das ornamentações utilizadas. O engenheiro muçulmano se destacou nos trabalhos arquitetônicos ao definir os desenhos e detalhes minuciosos, bem como os modelos sólidos necessários para a execução, lado a lado com as medições iniciais. Sem dúvida, isto exigiu dele o aprofundamento nas ciências da matemática, engenharia e mecânica, tais ciências em que os muçulmanos se destacaram como já ilustrado em artigos anteriores.

Técnicas de arquitetura islâmica

E a seguir a apresentação de algumas técnicas da arquitetura islâmica, para conhecermos sobre a sua importância e as contribuições dos muçulmanos em sua inovação e desenvolvimento[1].

(1) As Cúpulas (Al Qibab): Os muçulmanos foram excelentes construtores de abóbadas enormes e tiveram sucesso na realização de seus cálculos complexos, que são baseados nos métodos de análise de conchas. Tais estruturas complexas e sofisticadas, como Qubat Al Sakhra (Domo da Rocha), em Jerusalém, e as cúpulas das mesquitas de Astana, Cairo e Andaluzia – se baseam completamente em cálculos matemáticos complexos. Estes domos transformam as mesquitas em peças de beleza. Basta observar a Mesquita do Sultão Ahmed, em Istambul, como exemplo desta beleza, para perceber a grandeza da civilização islâmica.

 As cúpulas, além de outras produções, marcam a evolução da civilização islâmica no domínio da arquitetura. A técnica das cúpulas se desenvolveu muito e, em todo o seu curso de desenvolvimento tomou várias formas geométricas. Por exemplo: a cúpula de Al-Masjid Al-Jami em Qairawan; mesquita Al-Zaitunah, na Tunísia; e Al-Masjid Al-Jami, em Córdoba. As influências dessa evolução foram, posteriormente, visíveis na arquitetura européia nos séculos 11 e 12 dC[2].

(2) As Colunas (Al A’midah): As colunas são parte importante da arte islâmica, com os seus capitéis, arcos e laços de madeira, a ponto de surgir um ramo da arquitetura denominado de ciência dos arcos estruturais. Os arcos em forma de ferradura se tornoram um sinal distintivo da arquitetura islâmica. Mesmo havendo arcos antes disso, porém os muçulmanos mudaram sua forma.

(3) As Abóbodas (Al Muqarnasat): Elas são uma das principais características da arquitetura islâmica e são as partes que descem do teto. Existem dois tipos de abóbadas: internas, que são normalmente construídas nos oratórios (mihrab, nichos de oração) e nos tetos. E externas, construídas em minaretes, nas portas e varandas dos palácios.

(4) As Janelas (Al Mashrabiyat): Elas são um dos elementos mais marcantes da arquitetura islâmica. É uma janela de sacada fechada com treliças de madeira talhada localizada no segundo andar de um edifício ou andar superior. Muitas vezes são revestidas com vitrais e podem ser perfuradas ou ornamentadas. Elas são chamados mashrabiyat qamariah (lunares) se forem redondas, e mashrabiyat shamsiah (solares) se não forem de forma  arredondada, ou é denominada shish. Elas são feitas de madeira cortada para ser instalada como cortinas para as janelas do edifício. Um de seus benefícios é amenizar a nitidez da luz que vem de fora, a mulher também pode observar quem está do lado de fora sem ser vista. Isso se tornou uma característica básica em casas islâmicas[3].

(5) A acústica arquitetônica (Al Sautiyat Al Mi’mariyah): Acredita-se que os muçulmanos originaram a acústica e firmaram os seus princípios.  Os muçulmanos empregaram as aplicações da acústica no desenvolvimento da técnica de engenharia acústica e no uso do que hoje é chamado de “acústica arquitetônica”. Eles perceberam que o som reflete em superfícies côncavas e se reúne em um único foco como a luz, que reflete em superfícies de espelhos côncavos. Os técnicos muçulmanos usaram a técnica da focalização do som em fins de construção civil e, particularmente nas grandes mesquitas congregacionais. O objetivo era transmitir e fazer a voz do orador mais forte durante os sermãos às sextas-feiras e nos dias de festa (id). Exemplos da acústica arquitetônica islâmica podem ser vistos na: velha Mesquita de Isfahan, Mesquita de al-Adiliya em Halab (Aleppo), algumas mesquitas antigas em Bagdá. O teto e as paredes da mesquita costumavam ser projetados com superfícies côncavas distribuídas perfeitamente nos cantos da mesquita a fim de assegurar que o som irá atingir todos os cantos dentro da mesquita.

 Essas façanhas islâmicas existentes até os dias de hoje são a melhor prova da liderança dos sábios da civilização islâmica na técnica de engenharia e arquitetura acústica, antes mesmo do conhecido cientista Wallace C. Sabine[4] começar a estudar as razões das características ruins do som de uma sala de aula na Universidade de Harvard, e antes de seu estudo do comportamento das características acústicas das salas e dos estúdios de música.[5]

Para descobrir a importância do desenvolvimento do campo da acústica arquitetônica nas mãos dos muçulmanos, basta mencionar que a focalização do som, cujos benefícios de sua aplicação foram posteriormente destacados, é usada na civilização moderna como um elemento básico de engenharia acústica arquitetônica. Teatros e salões de festa estão são equipados com paredes côncavas no fundo, a fim de repetir o som e torná-lo mais alto e mais claro.


(6) Os Arcos (Al Úqud): As referências históricas e estudos no assunto da arquitetura islâmica afirmam que o arco pneumático foi o primeiro padrão de técnicas de engenharia arquitetônica a surgir entre os muçulmanos. Este arco foi usado na Mesquita Omíada (al-Masjid al-Umawi) em Damasco, em 87 dH / 706 dC. Mais tarde, arcos pneumáticos foram utilizados em uma escala maior e tornaram-se um elemento distintivo da arquitetura islâmica, em especial nos países do oriente árabe e na Andaluzia. Em seguida, os construtores europeus assimilaram esta técnica e a utilizaram por toda a Europa na construção de suas igrejas e mosteiros.

Os muçulmanos também desenvolveram a técnica de “arcos de aberturas triangulares”, que se desenvolveu a partir de uma idéia de engenharia pura baseada na divisão aritmética. Isto foi descoberto por pesquisadores em função de um desenho em uma parede nos escombros da cidade de Al-Zahra’, na Andaluzia. E o uso deste tipo de arcos se difundiu nas igrejas da Espanha, França e Itália.

 Temos também a técnica dos arcos aparados, que são arcos com suas bordas internas cortadas em forma de cadeia de semicírculos ou semelhante a um arco de semi-lobos. Embora este arco talvez tenha sido desenvolvido a partir da forma da borda de uma concha, ele tomou uma forma geométrica pura da arquitetura islâmica e se tornou de suas inovações, aparecendo inicialmente nos monumentos islâmicos no início do segundo século islâmico (século VIII cristão). As características completas dos arcos aparados ficaram claros na estrutura da cúpula da grande Mesquita de Al Qairawan (al-Masjid al-Jami) no ano 221 dH / 836 dC. E a forma geométrica deste arco foi mantida durante o curso de sua evolução, apesar da variação de seus padrões. Nos séculos posteriores, os arcos aparados se entrelaçaram e aumentaram o número de lobos, ficaram menores e foram introduzidas pequenas flores e rosas, tornando sua forma artística e atraente, e foram utilizadas no enfeite dos minaretes e oratórios.

Além desses tipos de arcos, vários outros modelos de arcos surgiram na arquitetura islâmica: arcos ogivais, arcos sólidos e arcos divergentes. Seu uso se difundiu nos países do oriente e do ocidente igualmente, e existem exemplos desses tipos de arcos na arquitetura européia. Por exemplo: O arco divergente transferiu-se para a arquitetura inglesa e foi largamente aplicado no século VI, sob o nome de arco Tudor (Tudor Arch). No entanto, a arquitetura islâmica foi precursora em seu uso cinco séculos antes nas mesquitas de al-Jiyushi, al-Aqmar e al-Azhar, no Cairo[6].

(7) As represas e barragens (Al Sudud wa Al Qanatir): As características de beleza da arquitetura islâmica se estenderam para abranger também as barragens, represas e canais, com técnicas exclusivas de concepção e execução. Essas obras dão uma dimensão adicional de beleza à água que passa através dos canais e rios. E isto significa que a arquitetura islâmica e as suas formas geométricas e estéticas eram reflexos naturais das épocas de crescimento e avanço da civilização islâmica.

(8) As Paredes (Al Aswar): O arquiteto muçulmano baseava-se nos aspectos práticos da ciência da mecânica. Isso ficou evidente na estrutura das enormes mesquitas e altos minaretes, bem como nas enormes barragens e represas, como a barragem de Al-Nahrawan, a barragem de Al-Rastan, a barragem do Eufrates, e Majra al-Uyun no Cairo durante a era de Salahuddin, que transportava água da boca da baía do Golfo, no Nilo, até o castelo construído em cima da montanha de al-Muqattam. Havia uma roda d’água girada por animais para levantar a água numa altura de 10 metros, para bombá-la no canal acima da barragem e fazê-la fluir com o método de vasos comunicantes até chegar no castelo.

(9) As Fortalezas (Al Qila’): As fortalezas árabes foram um dos principais acréscimos arquitetônicos que o Ocidente assimilou da arquitetura muçulmana, de acordo com Sigrid Hunke. O Ocidente conhecia apenas o padrão circular de design de fortaleza, e desde quando os muçulmanos conquistaram a Andaluzia e, posteriormente, a Sicília, e ocorreu o contato com os muçulmanos durante as Cruzadas, desde então, os padrões de construção se alteraram para o estilo árabe, caracterizado em sua maior parte pelo seu design quadrado e equipado com guaritas e torres para fins de defesa nos cantos de suas fortalezas, e às vezes no centro.[7]

 O esplendor da arquitetura sempre reflete o esplendor da civilização que a originou. Esta é uma regra histórica, como citou Ibn Khaldun: “O Estado e o reino são tão importantes para a construção como a imagem para a matéria, que é a forma de preservar a sua existência. Eles são inseparáveis e esta é uma regra da sabedoria. Um Estado sem construção é inimaginável, e a construção sem Estado é impossível. E o desequilíbrio de qualquer um deles, significa o desequilíbrio do outro, assim como a inexistência de um deles afeta a inexistência do outro”.[8]

 

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum


[1] Ahmad Fuad Basha: Al Turath Al-Ilmi Al-Islami, p 39-47.

[2] Ahmad Fuad Basha: Al Turath Al-Ilmi Al-Islami, p 41.

[3] Abdul Monem Majid: Tarikh Al Hadarah Al Islamiah  Fi Al Usur Al wusta (A História da Civilização Islâmica na Idade Medieval),  p 268, 269.

[4] Wallace Clement Sabine: 1868-1919, físico americano a quem é atribuído ter fundado a ciência de acústica arquitetônica.

[5] Forbes S. G. e Dixtroux A. G.,A história da ciência e da tecnologia, p 68.

[6] Ahmad Fuad Basha: Al Turath Al-Ilmi Al-Islami, p 41.

[7] Sigrid Hunke: O sol dos árabes resplandesce sobre o Ocidente, p 440 em diante.

[8] Ibn Khaldun: Al Muqaddimah, 1 / 376, veja também: Adel Awadh: A cidade árabe islâmica e a cidade européia, Revista de Ciência e Tecnologia, Instituto de Desenvolvimento Árabe, Edição 27, 1992, p 32.

Quem é Allah ?

Alguns dos maiores equívocos que muitos não-muçulmanos cometem sobre o Islã têm a ver com a palavra “Allah.”  Por várias razões, muitas pessoas passaram a acreditar que os muçulmanos adoram um Deus diferente dos cristãos e judeus.  Isso é totalmente falso, uma vez que “Allah” é simplesmente a palavra árabe para “Deus” – e só existe Um Deus.  Para que não haja dúvidas, os muçulmanos adoram o Deus de Noé, Abraão, Moisés, Davi e Jesus – que a paz esteja sobre todos eles.  Entretanto, é certamente verdade que os judeus, cristãos e muçulmanos têm conceitos diferentes de Deus Todo-Poderoso.  Por exemplo, os muçulmanos – como os judeus – rejeitam as crenças cristãs da Trindade e da Encarnação Divina.  Isso, entretanto, não significa que cada uma dessas três religiões adore um Deus diferente – porque, como já dissemos, existe apenas Um Verdadeiro Deus.  O Judaísmo, o Cristianismo e o Islã reivindicam ser “Fés Abrâmicas”, e todas elas são classificadas como “monoteístas.”  Entretanto, o Islã ensina que outras religiões têm, de um jeito ou de outro, distorcido e anulado uma crença pura e correta em Deus Todo-Poderoso ao negligenciar Seus ensinamentos verdadeiros e misturá-los com idéias feitas pelo homem.

Primeiro, é importante notar que “Allah” é a mesma palavra que os cristãos e judeus que falam árabe usam para Deus.  Se você pegar uma Bíblia árabe, você verá a palavra “Allah” sendo usada onde “Deus” é usado em português.  Isso é porque “Allah” é a palavra em língua árabe equivalente a palavra em português “Deus” com “D” maiúsculo.  Adicionalmente, a palavra “Allah” não pode ter plural, um fato que anda de mãos dadas com o conceito islâmico de Deus.

É interessante notar que a palavra aramaica “El”, que é a palavra para Deus na língua que Jesus falava, é certamente mais semelhante em som à palavra “Allah” do que a palavra em português “Deus.”  Isso também é verdadeiro para as várias palavras hebraicas para Deus, que são “El” e “Elah”, e a forma plural ou glorificada “Elohim.” A razão para essas similaridades é que o aramaico, o hebraico e o árabe são todas línguas semitas com origens comuns.  Também deve ser notado que ao traduzir a Bíblia para outros idiomas, o palavra hebraica “El” é traduzida de várias formas como “Deus”, “deus” e “anjo”!  Essa linguagem imprecisa permite que tradutores diferentes, baseados em suas noções pré-concebidas, traduzam a palavra para adequá-la às suas próprias opiniões.  A palavra árabe “Allah” não apresenta essa dificuldade ou ambigüidade, uma vez que é usada somente para Deus Todo-Poderoso.  Adicionalmente, em português, a única diferença entre “deus”, significando um deus falso, e “Deus”, significando o Único Verdadeiro Deus, é o “D” maiúsculo.  Devido aos fatos mencionados acima, uma tradução mais precisa da palavra “Allah” em português seria “O Único Deus” ou “O Único Verdadeiro Deus.”

O que é mais importante, deve também ser notado que a palavra árabe “Allah” contém uma mensagem religiosa profunda devido à raiz de seu significado e origem.   É porque ela deriva do verbo árabe ta’allaha (ou alaha), que significa “ser adorado.”  Portanto, em árabe, a palavra “Allah” significa “O Único merecedor de toda adoração.”  Isso, em poucas palavras, é a mensagem de Monoteísmo Puro do Islã.

É suficiente dizer que apenas porque alguém clama ser um judeu, cristão ou muçulmano “monoteísta” não o impede de incorrer em crenças corruptas ou práticas idólatras.  Muitas pessoas, incluindo alguns muçulmanos, reivindicam crença em “Um Deus” mesmo incorrendo em atos de idolatria.  Certamente, muitos protestantes acusam os católicos romanos de práticas idólatras em relação aos santos e à Virgem Maria.  Da mesma forma, a Igreja Ortodoxa Grega é considerada “idólatra” por muitos outros cristãos porque em muitas das suas adorações eles usam ícones.  Entretanto, se você perguntar a um católico romano ou a um grego ortodoxo se Deus é “Um”, eles invariavelmente responderão: “Sim!.” Essa afirmação, entretanto, não os impede de serem idólatras “adoradores de criaturas”.  O mesmo serve para os hindus, que apenas consideram seus deuses como “manifestações” ou “encarnações” do Único Deus Supremo.

Antes de concluir…existem algumas pessoas, que obviamente não estão do lado da verdade, que querem que as pessoas acreditem que “Allah” é algum “deus” árabe, e que o Islã é completamente “outro” – significando que não tem raízes comuns com outras religiões abrâmicas (ou seja, Cristianismo e Judaísmo).  Dizer que os muçulmanos adoram um “Deus” diferente porque eles dizem “Allah” é tão ilógico quanto dizer que os franceses adoram outro Deus porque eles usam a palavra “Dieu”, que os que falam espanhol adoram um Deus diferente porque dizem “Dios” ou que os hebreus adoravam um Deus diferente porque às vezes O chamavam “Javé.”  Certamente, esse tipo de raciocínio é muito ridículo!  Também deve ser mencionado que reivindicar que qualquer idioma usa a única palavra correta para Deus é equivalente a negar a universalidade da mensagem de Deus para a humanidade, que foi para todas as nações, tribos e povos através de vários profetas que falavam línguas diferentes.

Nós gostaríamos de perguntar aos nossos leitores sobre os motivos dessas pessoas.  A razão é que a Verdade Suprema do Islã se baseia em solo firme e sua crença inabalável na Unicidade de Deus está acima de repreensão.  Por essa razão os cristãos não podem criticar suas doutrinas diretamente, e ao invés disso fabricam coisas sobre o Islã que não são verdadeiras para que as pessoas percam o desejo de aprender mais.  Se o Islã fosse apresentado da maneira correta para o mundo, certamente poderia fazer muitas pessoas reconsiderarem e reavaliarem suas próprias crenças.  É muito provável que quando descobrirem que existe uma religião universal no mundo que ensina às pessoas a adorarem e amarem Deus, enquanto praticam o Monoteísmo Puro, sintam que devam ao menos reexaminar as bases de suas próprias crenças e doutrinas.

Link  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Africa Islam – um belo e rico site em informações.

 

 

O Islam na África é um fenómeno que remonta ao século VII, quando pela primeira vez um exército muçulmano, saindo do Oriente, chega ao Egito. Este é o primeiro de vários episódios que marcará a consolidação do Islam, e que mudarão os rumos das estruturas política religiosa e cultural de parte do continente africano. Até o século XVI o Islam cobre todo norte da África, parte da África Oriental e alcança também a região oeste da África.

Entretanto, para o foco do Blog falaremos sobre a islamização na região conhecida atualmente como África Ocidental e parte do Saara. É necessário ter em mente a mudança drástica que as regiões que foram incorporadas ao mundo islâmico sofreram no decorrer do tempo.

Iremos elucidar, por meio de um recorte histórico preciso (séc XVII – XVI), as mudanças ocorridas nesse período no oeste africano, mais precisamente no Mali, deixando de lado a chegada dos primeiros muçulmanos ao Egito.

Quanto às fontes, devido à carência vigente de material em língua portuguesa que trate do islã na África, recorremos a textos clássicos na língua original que tratem do tema, assim foram consultadas obras como de Ibn Batuta, e também o clássico Tarikh AS-Sudan de Al-Saa´di, Uasf Ifriqia (Descrição da África) de Leão, o Africano também figura entre os livros consultados, além deles, uma variedade de artigos sobre o tema foram usados como referência.

Geografia do Reino do Mali

 

Quanto à geografia, tem-se dividido a região do Mali em cinco territórios, sendo considerado um dos maiores reinos do Sudão Ocidental(FAITORI,1998), esses territórios são:

  1. Mali que intermédia os territórios que compõe o reino como um todo, e se localiza entre o território Soussou e Coco, e sua capital é Beni  ou Beiti;
  1. Soussou que se localiza a oeste do território do Mali, seu nome (Soussou) foi tomado devido ao nome de seus habitantes;
  1. Gana que esta a oeste de Soussou e se estende ate o Oceano  Atlântico e sua capital é Gana, seu habitantes se islamizaram com o início da conquista islâmica;
  1. Coucou que esta localizada a leste do território do Mali e sua capital é Coucou;
  1. Takrur que se situa a leste de Coucou e sua capital é Takrur

 

O Reino do Mali visto pelos seus contemporâneos

O Reino do Mali formou juntamente com o Reino de Gana e Senegal características peculiares na região do Sudão Ocidental “Oeste da África” por um período longo.  Devido à falta de informações não se sabe exatamente a origem primeira da formação desse reino, uma vez que ainda hoje todas as informações dependem dos viajantes e historiadores da época.

Assim, tem ajudado a tarefa de investigar o passado do Mali os trabalhos de Ibn Khaldun em sua incrível história, a além dele, Qalqashandi e Ibn Batuta que mostraram a história do Mali ate fins do século 14. Talvez seja Abu Ubaidallah Al Bakri o primeiro dos autores árabes a mencionar o Mali no século XI(FAITORI,1998,p.259) ,se refere a esse reino como Malal, citando um rei chamado Al Muslimani que se converteu ao islã, apesar disso seus súditos continuaram seguindo o credo local (M´BOKOLO ,2003, p.135).

Por volta de um século mais tarde, Idris confirma essas informações, provavelmente recolhidas por meio dos relatos de Al-Bakri, mas acrescenta informações adicionais ao relato deste último, afirmando que existem duas cidades no reino: Malal e Uru (FAITORI,1998,p.260) . AS-Sa´adi afirma em seu Tarikh Sudan( História do Sudão) que elas já existiam na época que remonta ao domínio de Gana, e isso antes da chegada do islã, e durante esse tempo, Gana foi governada por vinte e dois reis enquanto o Mali crescia e aumentava seus limites gradativamente na região de Kanjaba no Rio Níger(AS-Sa´di,p.180). Outra fonte não menos importante é o relato de Leão, o Africano em seu livro A Descrição da África o qual menciona o Reino do Mali situado ao longo de um dos afluentes do Rio Níger, e que se estende por trezentas milhas.(UAZZAN,1983,p.164)

 

Islã em Mali

 

            Inicialmente, o islã chega a Mali por meio de comerciantes islâmicos, juristas, e missionários. Esses grupos concentraram seus esforços em manter contato com a classe governante de Gana[1], uma vez que mantendo contato com essa classe todo o resto da sociedade poderia ser influenciado. Segundo Al-Bakri, o primeiro rei muçulmano do Mali se converteu ao Islã por influência de um missionário islâmico que freqüentava a sua corte, e no final das contas o rei adota o islã como sua mais nova religião. Os súditos do rei continuaram a seguir os cultos locais a despeito da nova religião do rei, conhecido desde então como Al-Muslimani

            O fenômeno da expansão islâmica no Mali difere de região para região. O islã já tinha chegado ao norte do Mali quando da conquista islâmica ao norte da África no século VII. Enquanto no sul vemos que apenas no tempo dos Almorávidas, século XII, o islam conseguiu se estabelecer. A diferença entre regiões baseia-se na maneira de propagar a fé. O método de propagação da fé mais ao norte recorria a textos árabes originais, resultando uma maior fixação e criando uma versão mais literal da religião. Por sua vez, o sul dependia dos ensinamentos de sufis. (FAITORI,1998,p.267).

            Entretanto devemos ter em mente que a expansão do islam no Mali se consolidou em três fases. A primeira fase, onde se consolidou por meio de missionários e juristas islâmicos. A segunda fase inicia-se com a formação política precoce do Reino do Mali no século XII pelas mãos dos Almorávidas, e a terceira fase ocorreu a partir de grupos Mandi que substituíram os Almoravidas, e trataram de propagar a fé islâmica entre os demais  que ainda seguiam com seus cultos, essa fase foi marcada por conquistas militares associadas à religião.(FAITORI,1998,p.268)

No tempo de Ibn Batuta o islã já era uma religião poderosa que tinha criado uma forte base na sociedade do Mali. As narrativas desse viajante muçulmano mencionam mesquitas lotadas pelas sextas feiras, dessa maneira, observa-se o vinculo da população à religião. Outra observação importante foi o interesse das autoridades do Mali em educar seus súditos à maneira islâmica. Muitos sábios e juízes islâmicos foram levados de diferentes lugares como Egito, Andaluzia, Marrocos ao Mali.  Há registros de narrativas que apontavam que a cidade de Jene tinha aproximadamente 4200 sábios islâmicos.(IBN BATUTA,1902,p.242)

Não apenas sábios e missionários foram usados para propagar o islam, com o tempo, tribos que já tinham sido islamizadas travaram guerras contra as demais que ainda não haviam aderido ao islã , como Sai´id AL-Magreb disse “ os habitantes de algumas regiões eram infiéis no tempo de Al-Bakri, mas abraçaram o islam em seu tempo”.(MAGREBI,p.90)

Politicamente, o islam passou a dominar a estrutura política do Reino do Mali, tanto os ulama(sábios islâmicos) como  os reis conseguiram que gradativamente o islã tomasse de conta da vida social daquele reino. A clássica viagem de peregrinação de Mansa Mussa à Mecca mostra o quanto a religião era importante, alem do mais, alguns reis atribuíam sua origem a personagens islâmicos antigos e famosos, de maneira que tal atribuição seria uma maneira de legitimar o poder do soberano.

O islam conseguiu criar fortes bases no Mali ao longo de aproximadamente meio século,  de simples mercadores muçulmanos que cruzavam o Saara para fins comerciais no Mali. O papel dos missionários na expansão islâmica foi aumentando, mais tarde após a consolidação da autoridade política islâmica surgem exércitos islâmicos que levaram a cabo a tarefa de aumentar as fronteiras do Dar Al-Islam.  Além do mais, surgem no Mali uma incrível  cultura, que criou escolas, mesquitas e universidades, fazendo com o que o Reino do Mali desfrutasse de certa estabilidade, a lendária viagem de Mansa Mussa mostra o tamanho da grandeza desse novo Mali surgido pelo contato com os primeiros missionários mercadores islâmicos.

O Mali islâmico mostra as diversas modificações que esse território sofreu ao longo de cinco séculos de presença islâmica,mostrando que a religião de alguma maneira influenciara em todos os aspectos da vida local, seja a vida pública, quanto a privada. Ao longo desses séculos, o Mali passou vários momentos, que envolviam desde florescimento comercial até o declínio. Entretanto não devemos esquecer o papel que essa região teve para a cultura islâmica a despeito de sua distância em relação aos centros de estudos islâmicos clássico como Bagdá, Damasco e Cairo.

 

عطية محزوم فيتوري ,  دراسات في تاريخ شرق افريقيا و جنوب الصحراء (مرحلة انتشار الإسلام)

FAITORI,Atia, Mahzum. Estudos em História do leste da África e Sul do Saara(Fase Propagação do Islam).Tradução livre de Caminhandonaluzdoislam.blogspot.com,1998. Universidade Qariunis

p.259-

 

إبن بطوطة, تحفة النظار في غرائب الأمصار و عجائب الأسفار

BATUTA,Ibn. Obra prima para apreciadores de curiosidade das terras e maravilhas das viagens. Vol. 2.  Tradução livre de Caminhandonaluzdoislam.blogspot.com عبد الرحمان السعدي , تاريخ السودان 1964 باريس  ص182

 

AS-SA`DI, Abed Rahman. História do Sudão. Tradução livre de Caminhandonaluzdoislam.blogspot.com. Paris, 1964 p.182

 

الحسن الوزان , وصف افريقيا ترجمة محمد الحجي و محمد الأخضر دارالمغربي الإسلامي بيروت 1983 ص 164

UAZZAN, Al-Hassan, Descrição da África.    Tradução de Muhammad AL-Hajji e Muhammad Al-Akhdar (Francês –árabe) tradução livre de Caminhandonaluzdoislam.blogspot.com (árabe-português). Dar Magrebi Islami, Beirute,1983 p.164

 

[1] Gana: devemos considerar aqui Gana como mais uma região do Mali, isto é, fazendo parte do Império do Mali

Entretanto Gana se enquadrava na categoria de região semi-independente, o soberano de Mali seria um figura simbólica.

Link  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

A medicina

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Toledo durante muito tempo foi o centro de referência para os astrônomos europeus, Córdoba entretanto, simbolizou na Idade Média, o esplendor da medicina Islâmica. 

Obras escritas na Espanha muçulmana antes do século XII passaram para a posteridade e exerceram influência duradoura. Se desde o reinado do emir Abd Ar Rahman II (822-852), a aritmética, a astronomia e a astrologia estiveram em evidência, e a medicina.

No Oriente, Hunain Ibn Ishaq, discípulo de outro mestre famoso, Ibn Masawaih (o Mesué dos ocidentais de língua latina, a partir do século XII), traduzia uma centena de tratados de Galeno, entregando ao mundo árabe o saber daquele que foi, talvez, o maior teórico da Antigüidade.

A originalidade da medicina da Espanha muçulmana, estava em atribuir grande importância à prática, principalmente aos meios terapêuticos.

Apesar de sua inclinação para a teoria, o próprio Averróis definirá a medicina, no século XII, não como uma “ciência”, mas como uma “arte”, indo contra o que os autores do Oriente árabe tinham imposto. Essa tomada de posição dependia em parte da influência de Aristóteles mas também se inscrevia na tradição da medicina em Al Andalus.

Diversos fatores são geralmente evocados pelos historiadores para explicar essa tendência perceptível em outras ciências: a adoção pelos soberanos Omíadas do direito malikita, que dava pouco espaço para a especulação; um gosto particular pela natureza que se manifesta desde o reinado de Abd Ar Rahman I pela criação de um jardim botânico.

A medicina de Al Andalus parece, efetivamente, ter-se desenvolvido a partir da botânica. Em 948-949, uma comissão diplomática enviada pelo imperador Constantino, Porfirogeneta trazia um manuscrito grego de Dioscurides para o califa Abd ar-Rahman III.

Uma equipe,começou a trabalhar para aperfeiçoar, com auxílio desse manuscrito, a antiga versão árabe vinda do Oriente, adaptando o vocabulário e tentando identificar as plantas.

Esse empreendimento, que se estendeu por vários anos, deu certamente um impulso decisivo ao gosto que tinham os médicos de Al Andalus pela farmacopéia. Mas o fim do século X em Córdoba é dominado pela personalidade de Abul Qasim Halaf Ibn Al Abbas Al Zaharawi que os latinos conheceram mais tarde pelo nome de Abul Qasis ou Albucasis.

Nascido na capital Mandinat Az Zahra, esse médico morreu pouco depois de 1009, deixando uma enciclopédia cujos capítulos sobre farmacopéia e, principalmente, cirurgia, manifestam uma competência prática e uma aptidão a transmitir tanto conhecimentos dos livros quanto o savoir-faire.

A parte dedicada à cirurgia faz o renome de Al Zahrawi; ela abria um novo caminho que o Ocidente não deixou de explorar, graças à representação figurada de instrumentos, à importância dada à cauterização, à descrição precisa do desenrolar das intervenções cirúrgicas.

Após a queda do califado em 1031, fez-se uma transferência de saber para Toledo. Astrônomos, filósofos, médicos instalaram-se na cidade. Entre eles, o vizir Ibn Wafid Al Lahmi, que o Qádi Saíd nos apresenta em termos precisos e elogiosos.

Ele adquiriu um grande domínio da ciência dos medicamentos simples e um conhecimento da matéria que ninguém possuía na sua época. Compôs sobre esses medicamentos um livro sem igual, muito notável, no qual condensou o conteúdo das obras de Dioscurides e de Galeno que tratavam do mesmo assunto.

Organizou segundo um plano excelente o seu trabalho, que tem cerca de quinhentas páginas. Ele próprio  disse que, durante vinte anos, até que esse escrito fosse levado ao ponto de perfeição para o qual ele tendia e que ele desejava, reunira e ordenara os materiais desse tratado, corrigira os nomes e as descrições dos remédios citados, retificara os detalhes relativos às virtudes e ao grau de eficácia desses medicamentos.

Ibn Wafid, na medicina, tinha uma prática cheia de bom senso e um método hábil, que consistiam nisto: não julgava apropriado prescrever remédios enquanto o tratamento pelos alimentos ou algo equivalente fosse possível.

Se fosse necessário usar remédios, não achava útil empregar medicamentos compostos, enquanto os simples continuassem eficazes. Originário de uma antiga e honrada família de Córdoba, tornando-se vizir, Ibn Wafid constitui uma prova evidente do crédito concedido à prática médica na Espanha muçulmana.

Compreendendo também um tratado de agronomia, sua obra se inscreve perfeitamente na tradição de uma medicina que leva muito em conta os conhecimentos de botânica. O Qadi Said nos faz perceber uma outra vertente do meio erudito toledano, no qual a medicina pertence mais ao campo da especulação e da erudição.

Com efeito, cita vários personagens versados ao mesmo tempo em astronomia, matemática e medicina. Entre esses sábios, na maioria formados em Córdoba, está Ibn Al Bagunis que, morto em 1056 aos setenta e cinco anos, começara por aprender aritmética, geometria e lógica.

Ao contrário de Ibn Wafid, Ibn Al Bagunis não praticava a medicina; segundo Saíd, parece que se agruparam à sua volta e em torno do seu ensino jovens sábios que, também formados em filosofia, se dedicavam à leitura dos tratados de Galeno.

À época da reconquista cristã, Toledo possuía não apenas práticos experientes, mas também eruditos dedicados a reunir manuscritos de medicina e a interpretá-los, integrando-os ao conjunto do saber intelectual.

Quando Gerardo de Cremona chega a Toledo em meados do século XII, o Ocidente latino já dispõe de várias obras de medicina árabes, graças às traduções e laboradas em Monte Cassino no fim do século XI por Constantino, o Africano. Nascido em Cartago, esse tradutor divulgou antes de tudo, os sábios que atuaram na África do Norte, especialmente em Kairuan, no século X (Ishaq Ibn Imran, Ishaq Al Israili, Ibn Al Jazzar).

Também adaptara, em latim, as sínteses compostas no Oriente muçulmano nos séculos IX e X por Hunain Ibn Ishaq e Al Magusi, que transmitiam fielmente o saber de Galeno tal como era ensinado em Alexandria antes da conquista árabe.

Vindo da Itália, onde essas primeiras traduções começavam a ser difundidas, Gerardo de Cremona estava consciente das orientações que elas tinham suscitado e das lacunas que deixaram. Suas preferências refletem tanto o nível atingido pela medicina na Itália do século XII quanto as possibilidades oferecidas pela cultura toledana cerca de setenta anos depois da reconquista.

Gerardo de Cremona encontra em Toledo as versões árabes de vários tratados de Galeno, obras que os médicos cristãos estavam particularmente ávidos. 

No que se refere às obras escritas originalmente em árabe, Gerardo de Cremona traduziu o que a Espanha muçulmana  produzira de mais original nos séculos X e XI: a Cirurgia, de Al Zahrawi, e o Tratado das Medicinas Simples, de Ibn Wafid.

Ao que parece, ele não teve notícia do que se fazia, durante sua vida, na Andaluzia, os manuais de prática redigidos pelos Ibn Zuhr, médicos em Córdoba por várias gerações, permaneceram desconhecidos para ele. Da mesma maneira, não conheceu a reputação de Ibn Rusd (Averróis).

No campo da medicina não oriunda da Espanha, a comparação com o quadro feito por Saíd um século antes é esclarecedora. Entre os autores citados pelo Qadi de Toledo, Gerardo de Cremona deixa de lado os kairuaneses Ishaq Ibn Imran e Ibn Al Gazzar, cujas obras principais já tinham sido traduzidas por Constantino, o Africano; completa o trabalho deste último sobre Ishaq Al Israili.

Atribui especial importância ao médico oriental dos séculos IX e X Al Razi (Rhazis), que Saíd qualificava como “o maior médico dos árabes” e que o Ocidente latino ainda não conhecia; a enciclopédia dedicada ao soberano samânida Al Mansur Ibn Ishaq é traduzida, assim como vários outros tratados.

A principal inovação diz respeito ao Cânon de Avicena, vasta suma da teoria e da prática, composta de cinco livros. O célebre médico e filósofo, falecido em Hamadhan, em 1037, era desconhecido de Saíd e de Constantino, o Africano. Ao mesmo tempo em que Gerardo de Cremona traduzia o Cânon, Domingo Gonzálvez e seu colaborador se dedicavam ao Tratado da Alma.

É difícil precisar em que momento a obra de Avicena chegou a Toledo.Quanto ao Cânon, sabemos que Abul Ala Zuhr, falecido em Córdoba, em 1131, adquiriu um exemplar dele e refutou em parte o que leu: talvez o aspecto sistemático e um tanto dogmático dessa obra não se harmonizasse com a orientação prática da medicina andaluza.

Além da introdução capital do Cânon de Avicena, a atividade de Gerardo de Cremona atesta a chegada a Toledo do comentário feito por Ali Ibn Ridwan à Arte de Galeno. A obra desse médico do Cairo, falecido no mesmo ano (1068) da redação do Livro das Categorias das Nações, é a mais recente, vinda do Oriente, que Gerardo de Cremona traduziu, no fim de sua vida.

Diferentes pela origem das obras originais e pelos assuntos tratados, as traduções de Gerardo de Cremona foram copiadas, conhecidas e utilizadas até o fim da Idade Média, e, em sua maioria, impressas pelos editores do Renascimento.

Entretanto, nem todas tiveram o mesmo destino e a mesma influência. Enquanto o tratado de Al Zahrawi deu um impulso decisivo à cirurgia ocidental, três obras ocuparam um lugar central no ensino universitário da medicina: as enciclopédias que formavam o Almansor de Rhazis e o Cânon de Avicena ofereciam um saber organizado em todos os domínios (anatomia, fisiologia, patologia, terapêutica); o comentário de Ibn Ridwan à Arte de Galeno, que propunha interpretar as vias do conhecimento preconizadas pelo mestre grego à luz dos modos aristotélicos da demonstração, alimenta as discussões escolásticas sobre o método científico próprio da medicina.

O Cânon de Avicena se tornou, ao fim de uma lenta evolução que levou cerca de um século, a obra básica do ensino universitário medieval, e ainda era largamente usado no século XVI, apesar da ascensão do anti-arabismo.

O Cânon de Avicena oferecia soluções a pontos de discordância entre esses dois mestres do pensamento da Idade Média que foram Aristóteles e Galeno. Dava, principalmente, um conselho geral: deve-se seguir o filósofo em matéria de filosofia, o médico em matéria de medicina.

A dupla qualidade de Avicena (filósofo e médico) lhe conferia autoridade bastante para que seu conselho fosse seguido pelos leitores ocidentais. Introduzidas nas novas universidades do século XIII, em um momento em que o mundo latino saía definitivamente do seu torpor, as obras árabes traduzidas em Toledo auxiliaram a formação de um pensamento médico ocidental.

Fonte: islam.org.br

Imagem

 

1º- Acreditar em um Deus único, Supremo e Eterno, Infinito e Poderoso, Clemente e Misericordioso, Criador e Sustentador. Para ser efetiva, esta crença exige completa confiança e esperança em Deus, submissão voluntária à vontade d’Ele e confiança na Sua ajuda. Isso confere dignidade ao homem e salva-o do medo e do desespero, do pecado e da confusão.

 
2º- O muçulmano crê,em todos os Mensageiros de Deus sem nenhuma discriminação entre eles. Tais Mensageiros eram notáveis propagadores do bem e verdadeiros campeões da justiça. Eles foram escolhidos por Deus para ensinar e transmitir à humanidade a Sua Divina Mensagem.

Eles foram mandados em várias épocas históricas, em certa altura, Deus mandou ao mesmo tempo dois mensageiros ou mais, o Sagrado Alcorão menciona cerca de vinte nomes de tais Mensageiros, e o muçulmano crê neles todos e aceita-os como Mensageiros autorizados de Deus.

 

Estes eram conhecidos, com exceção de Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), como mensageiros ”nacionais” ou locais. Os Mensageiros encarregados de guiar a humanidade pelo bom caminho de Deus, sem nenhuma excepção, eram mortais, seres humanos, dotados para receber revelações divinas e escolhidos por Deus para levarem a cabo certas tarefas.

 

Entre eles, Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele) aparece como o último Mensageiro e glória suprema de todos os Profetas. Esta não é uma atitude arbitrária, nem meramente uma crença de conveniência, tal como todas as outras crenças islâmicas, é uma verdade autêntica e lógica.

 

3º- O muçulmano crê, em todas as escrituras e revelações de Deus. Estas foram as luzes recebidas pelos mensageiros para guiarem os seus povos pelo bom caminho de Deus. O Alcorão faz referências especiais aos livros de Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Mas muito antes de o Alcorão ter sido revelado a Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), alguns daqueles livros e revelações foram perdidos ou viciados, outros esquecidos, negligenciados ou escondidos.


Em princípio, o muçulmano crê nos livros e nas revelações anteriores ao Alcorão, mas onde se encontram as versões completas e originais destes livros? Talvez ainda estejam no fundo do Mar Morto, e outros pergaminhos esperem ser descobertos.

Ou talvez novas informações sobre eles sejam fornecias pelos arqueólogos cristãos e judeus quando revelarem ao público as descobertas completas e originais resultantes das escavações permanentes efetuadas na Terra Santa, o muçulmano, por sua vez, tem ao seu alcance o Alcorão completo e autêntico.

O Alcorão existe na sua forma inicial, tal como foi revelado por Deus que se encarregou de o proteger contra quaisquer interpelações e corrupção, assim foi dado aos muçulmanos, como critério ou norma, para que através dela possam julgar os outros Livros. Deste modo, tudo o que afinar com o Alcorão é aceite como verdade divina, e tudo o que for diferente do mesmo é rejeitado ou suspenso.

4º- O muçulmano crê nos anjos de Deus, estes são seres esplêndidos e puramente espirituais, cuja natureza não precisa de alimentos, bebidas ou sono, eles não têm nenhum desejo físico, nem necessidades materiais.

Eles passam os dias e as noites ao serviço de Deus, eles são numerosos, e cada um tem a seu cargo certo dever, se nós não podemos ver, os anjos a olho nu, isso não nega necessariamente a existência e realidade deles.

Há, no mundo, muitas coisas invisíveis à vista ou inacessíveis aos sentidos e, no entanto, acreditamos na existência delas, há lugares que nunca vimos e coisas, como o gás ou o éter, que não podemos ver a olho nu, nem cheirar ou tocar, provar ou ouvir; e no entanto reconhecemos a existência delas.

5º- O muçulmano crê no Dia do Juízo Final. Este mundo acabará qualquer dia, e os mortos comparecerão a um juízo final (Quiyáma) eqüitativo, tudo o que fazemos neste mundo, cada intenção nossa, cada movimento, cada pensamento, cada palavra que pronunciamos, tudo é contado e registrado com cuidado.

Tudo será considerado no Dia do Juízo Final, quem se tiver evidenciado no bom caminho será recompensado generosamente e calorosamente recebido por Deus, enquanto que quem não tiver assim cumprido não recebera os mesmos louvores.

 

A verdadeira natureza do Céu e do Inferno e a descrição exata dos mesmos são conhecidas só por Deus, existem descrições do Céu e do Inferno no Alcorão e nas Tradições de Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele), mas não devem ser tomadas à letra, Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele) disse que:

 

”No Céu há coisas que nunca foram vistas por nenhum olho, nem ouvidas por nenhum ouvido, nem concebidas por nenhum espírito”

 

Porém, o muçulmano acredita que haverá com toda a certeza recompensa para as boas ações e castigo para as más, este é o Dia da Justiça e o ajustamento definitivo de todos os comportamentos.

 

A fé no Dia do Juízo Final é a resposta definitiva que soluciona muitos do problemas tão complicados do nosso mundo, há homens que cometem pecados, negligenciam Deus e se dedicam a atividades imorais, e no entanto têm ”aparentemente” êxito nos negócios e levam uma vida próspera.

 

Por outro lado, há pessoas virtuosas e crentes que parecem ser menos recompensadas pelos seus sinceros esforços e sofrem mais do que os outros neste mundo, isso é estranho e incompatível com a justiça de Deus.

 

Se os culpados podem escapar à lei mundana sem prejuízos e ainda por cima são mais prósperos, então o que fica para os virtuosos? Quem vai promover a causa da moralidade e da bondade? Deve existir alguma maneira de recompensar o bem e pôr fim ao mal, se isso se não faz aqui neste mundo, e sabemos que não se faz regular ou imediatamente, tem que se fazer algum dia, e este é o dia do Juízo Final.

 

Isso não é para desculpar a injustiça ou tolerar o mal neste mundo, nem é para consolar os necessitados e estimular os seus exploradores, é sim para prevenir os que se desviam do bom caminho e lembrar-lhes que a justiça de Deus será feita cabalmente tarde ou cedo.

 

6º- O muçulmano crê na predestinação de Deus e no seu Poder de conceber e cumprir os Seus planos. Deus não é indiferente perante o mundo, nem neutro para com ele, os Seus conhecimentos e a Sua força agem em qualquer momento para manter a ordem no Seu vasto domínio e o controlo sobre as Suas criaturas.

 

Deus é Sábio e ama a Sua criação, e tudo o que faz tem um motivo bem forte e uma finalidade cheia de sentido, se ficarmos convencidos disso, aceitaremos de boa fé tudo quanto Ele faz, embora não estejamos capazes de O compreender perfeitamente, ou até de pensar que o que fez é mau.

 

Devemos ter muita confiança n’Ele e aceitar tudo quanto faz, porque o nosso conhecimento é limitado e o nosso pensamento se baseia em considerações individuais ou pessoais, enquanto o conhecimento d’Ele é infinito, e os Seus planos têm uma base universal.

 

Isso não é, de modo algum, para tornar o homem fatalista, ou fraco, mas sim para separar nitidamente o domínio de Deus na responsabilidade dos homens, visto que pela nossa própria natureza somos limitados, o nosso poder e a nossa liberdade têm também limites.

 

Nós não podemos fazer tudo, e Deus, na Sua grandeza, declara-nos responsáveis por tudo quanto fazemos, o que não podemos fazer, ou o que Deus só faz, sal do domínio da nossa responsabilidade. Deus é justo e deu-nos poder limitado que corresponde à nossa natureza limitada e à nossa responsabilidade determinada.

 

Por outro lado, o conhecimento e poder eternos que Deus tem na execução dos Seus planos, não nos impedem de fazer os nossos próprios planos dentro da esfera limitada do nosso poder, antes pelo contrário, Deus exorta-nos a pensar, planear e ter opções saudáveis, mas se as coisas não acontecerem, assim como

 

nós queremos ou tencionamos, não devemos perder a Fé, nem esgotar-nos em lamentações que venha a nos arruinar. Temos que tentar outra e outra vez, e se os resultados não forem satisfatórios, então sabemos que temos feito o melhor que sabemos e não podemos ser considerados responsáveis pelos resultados, porque o que se encontra além da nossa capacidade e responsabilidade é do domínio de Deus.

 

Os muçulmanos chamam este artigo de Fé ”crença no Qadá” e ”Qadar”, que em outras palavras quer dizer pura e simplesmente que ”o conhecimento eterno de Deus antecipa os acontecimentos, e que os acontecimentos verificam-se conforme o Conhecimento exato de Deus”.

 

7º- O muçulmano crê que a criação de Deus tem sentido, e que a vida tem uma finalidade sublime além das necessidades físicas e atividades materiais do homem, a finalidade da vida é a adoração de Deus. Isso não quer dizer simplesmente que passemos a vida em isolamento permanente e em meditação absoluta.

 

Adorar a Deus significa conhecê-Lo; amá-Lo; obedecer aos Seus mandamentos; aplicar a Sua Lei em todos os aspectos da vida; servir a Sua causa praticando o bem e afastando o mal; ser justo para com Ele, para consigo próprio e para com os nossos semelhantes.

 

Adorar Deus é ”viver” a vida, não fugir dela, em conclusão, adorar Deus é penetrar nos Seus atributos supremos. Portanto, se a vida tem uma finalidade, e se o homem é criado para servir tal finalidade, ele não pode esquivar-se a esta responsabilidade, ele não pode negar a Sua existência, nem ignorar o papel vital que tem que desempenhar.

 

Quando Deus lhe dá alguma responsabilidade, concede-lhe também toda a ajuda necessária, dá-lhe inteligência e força para escolher o caminho pelo qual tem que enveredar, deste modo,

 

Deus manda o homem fazer o melhor que puder para servir completamente a finalidade da sua existência, caso assim não faça, se estragar a sua vida ou negligenciar os seus deveres, será responsável perante Deus pelas suas más ações.

 

8º- O muçulmano crê que o homem. tem um estatuto especial e uma alta posição na hierarquia de todas as criaturas conhecidas. Ele ocupa uma posição privilegiada porque só ele tem faculdades racionais e aspirações espirituais, assim como força de ação, mas à medida que a sua posição sobe, a responsabilidade também cresce.

 

Ele ocupa a posição de vice-rei de Deus na terra, a pessoa nomeada por Deus para ser o Seu agente ativo deve necessariamente ter força e autoridade, e pelo menos potencialmente, ser honrado e integro.

 

E tal é o estatuto do homem no Islam; não uma raça condenada desde o nascimento até à morte, mas sim um ser digno, potencialmente capaz de ações boas e nobres, o fato de Deus ter escolhido mensageiros da raça humana mostra que o homem é digno de confiança e capaz, e que pode adquirir imensos tesouros de bondade.

 

9º- O muçulmano crê que o próprio ato do nascimento verifica-se de acordo com a vontade de Deus, para realização dos Seus planos e em submissão aos Seus mandamentos, também quer dizer que cada pessoa dispõe das potencialidades espirituais e das inclinações intelectuais que o podem tornar um bom muçulmano, se tiver devido acesso ao Islam e se lhe for deixado desenvolver a sua natureza inata.

 

Muitas pessoas podem aceitar imediatamente o Islam se lhes for corretamente apresentado, porque é a fórmula divina para quem quiser satisfazer as suas necessidades morais e espirituais assim como as suas aspirações naturais, e para quem quiser levar uma vida construtiva e saudável, quer pessoal ou social, quer nacional ou internacional.

 

E isso porque o Islam é a religião universal de Deus, o Criador da natureza humana, que sabe o que é melhor para esta natureza humana.

 

10º- O muçulmano crê que cada pessoa nasce livre do pecado e de qualquer pretensão à virtude herdada. É como um caderno branco, ao chegar à idade adulta, o homem torna-se responsável pelas suas ações e intenções, se o seu desenvolvimento for normal e saudável.

 

O homem não é só livre do pecado antes, de o cometer, mas também tem a liberdade de agir conforme os seus planos e com a sua própria responsabilidade. Esta dupla liberdade: liberdade do pecado e liberdade de agir concretamente, elimina da consciência do muçulmano o incômodo peso do pecado herdado, assim como alivia a sua alma e o seu espírito das inúmeras tensões da doutrina do pecado original.

 

Este conceito islâmico da liberdade baseia-se no princípio da justiça de Deus e da responsabilidade direta do indivíduo perante Deus. Cada pessoa deve suportar o peso da própria responsabilidade pelas suas ações, porque ninguém pode expiar pecados alheios.

 

Deste modo, o muçulmano acredita que, se Adão cometeu o primeiro pecado, a sua própria responsabilidade exigia-lhe que expiasse aquele pecado. Supor que Deus não foi capaz de perdoar a Adão e teve que escolher outra pessoa para expiar aquele pecado, ou supor que Adão não pediu perdão ou pediu mas não lhe foi dado, seria muito improvável e contrário à clemência e justiça de Deus, assim como ao Seu atributo e poder de perdoar. A aceitação de tal hipótese seria um ousado desafio ao sentido comum e uma violação flagrante do próprio conceito de Deus.

 

Nesta base racional e com apoio na autoridade do Alcorão, o muçulmano crê que Adão compreendeu o que tinha feito e pediu perdão a Deus, assim como qualquer outro pecador teria feito caso tivesse bom senso. Igualmente, e na mesma base, o muçulmano crê que Deus, o Indulgente e Misericordioso, concedeu o Seu perdão a Adão.

 

Por isso, o muçulmano não pode aceitar de modo algum a doutrina segundo a qual Adão e toda a raça humana foram condenados e só conseguiram o perdão quando Jesus veio para expiar os pecados dos mesmos. Consequentemente, o muçulmano não pode aceitar a história dramática da morte de Jesus na cruz só para acabar com todos os pecados humanos de uma vez para sempre.

 

Aqui devemos prevenir o leitor do perigo de tirar conclusões errôneas. O muçulmano não crê na crucificação de Jesus pelos seus inimigos, porque a base da doutrina da crucificação é contrária à clemência e à misericórdia divinas, assim como à lógica e à dignidade humanas.

 

Tal discordância; nessa tese não diminui de modo algum o respeito que os muçulmanos têm por Jesus, nem degrada a alta posição que Jesus tem no Islam, assim como não afeta a crença dos muçulmanos em Jesus como um distinguido Profeta de Deus.

 

Antes pelo contrário, rejeitando essa tese de crucificação, o muçulmano aceita Jesus ainda com mais estima e respeito e considera a sua mensagem original como uma parte essencial do Islam. Portanto, digamos aqui outra vez que para ser muçulmano, uma pessoa deve aceitar e respeitar todos os Profetas de Deus, sem nenhuma discriminação.

 

11º- O muçulmano crê que o homem tem que assegurar a sua salvação sob a direção de Deus. Isso quer dizer que, para obter a salvação, o homem tem que combinar a Fé e a ação, a crença e a prática. A Fé sem ação é tão insuficiente como a ação sem Fé.

 

Por outras palavras, ninguém pode obter a salvação se a sua Fé em Deus não for dinâmica na sua vida e se a sua crença não for posta em prática. Isso harmoniza-se perfeitamente com os outros artigos da Fé Islâmica, e mostra que Deus não aceita palavras em vez de serviços, e que nenhum verdadeiro fiel pode ficar indiferente quanto aos mandamentos práticos da Fé. Por outro lado, também mostra que ninguém pode agir em nome dum outro, nem interceder por um outro junto de Deus.

 

12º- O muçulmano crê que Deus não responsabiliza nenhuma pessoa antes de lhe ter mostrado o bom caminho. Por isso, Deus enviou Mensageiros e revelações, e fez compreender que não castigaria ninguém antes de o guiar e dar o sinal de alarme.

 

Portanto, uma pessoa que não tenha conhecido nenhuma revelação divina ou mensageiro, ou uma pessoa que não possua todas as faculdades mentais, não é responsabilizada por Deus por não ter obedecido às instruções divinas.

 

Tal pessoa só será responsabilizada por não ter feito o que o seu bom senso lhe mandou fazer. Mas quem violar voluntária e conscientemente as Leis de Deus ou quem se desviar do Seu bom caminho será punido pelas suas más ações.

 

Este ponto é muito importante para todos os muçulmanos. Há muitos homens no mundo que nunca ouviram falar do Islam nem tiveram a possibilidade de tomar conhecimento dele. Esses homens podem ser honestos e tornar-se bons muçulmanos, se acharem o caminho que os leve ao Islam.

 

Se eles não sabem, nem têm possibilidade de saber, eles não serão responsáveis por não serem muçulmanos. Em troca, os muçulmanos capazes de apresentar o Islam a tais homens, serão os responsáveis por os não terem convidado a seguir o Islam e por lhes não terem mostrado o que é o Islam.

 

Isso exige que cada muçulmano, seja qual for o lugar onde se encontre, não deve limitar-se a pregar o Islam em palavras, mas também e isso é mais importante que o viva plenamente.

 

13º- O muçulmano acredita que na natureza humana, que Deus criou, há mais bem do que mal, e a probabilidade de transformação positiva é maior do que a probabilidade do fracasso sem esperança. Esta crença vem do fato de Deus ter encarregado o homem de certas tarefas e ter mandado Mensageiros com revelações para o guiarem.

 

Se o homem fosse pela sua natureza um caso sem esperança de melhorar, como poderia Deus, na Sua sabedoria absoluta, encarregá-lo de responsabilidades e exortá-lo a fazer ou evitar certas coisas? Como poderia Deus fazer tudo isso, se fosse em vão?

 

O fato de Deus cuidar do homem e se preocupar com ele prova que o homem não é desamparado, nem irrecuperável, mas que Deus sabe apreciar o bem e vela pelo homem para que ele não caminhe no sentido contrário.

 

Com toda a certeza, a firme Fé em Deus e a devida confiança no homem podem fazer milagres, mesmo nos nossos dias. Para que isso se compreenda corretamente, é preciso estudar os passos respectivos do Alcorão e refletir sobre o sentido deles.

 

14º- O muçulmano crê que a Fé não está completa se for seguida cegamente ou aceita sem vacilar, a não ser que o crente esteja satisfeito razoavelmente. Se a Fé tem que inspirar a ação, e se a Fé e a ação têm que levar à salvação, então a Fé tem que basear-se em convicções firmes, sem nenhum engano ou constrangimento.

 

Noutras palavras, a pessoa que se considerar muçulmana por causa das tradições da sua família, ou aceitar o Islam sob constrangimento ou imitação cega não é um muçulmano completo perante Deus.

 

O muçulmano tem que basear a sua Fé em convicções bem justificadas, acima de qualquer dúvida razoável e de qualquer incerteza. Se não estiver seguro da sua Fé, Deus exorta-o a ler o livro aberto da Natureza, a utilizar o poder do raciocínio e refletir sobre os ensinamento do Alcorão. Ele terá que procurar a verdade incontestável até a encontrar, e com certeza que a encontrará, se for bastante capaz e sério.

 

Por isso, o Islam exige convicções sãs e se opõe à imitação cega. O Islam manda, a cada pessoa que tiver a devida capacidade para se considerar autêntica e honesta na sua maneira de pensar, utilizar as suas capacidades ao máximo.

 

Mas se a pessoa não tiver esta capacidade ou não estiver segura de si própria, terá que prosseguir com o seu pensamento só até onde os limites permitem. Tal pessoa terá que basear-se só nas fontes autênticas da religião, que por elas próprias são suficientes, sem lhes aplicar nenhuma atitude critica da qual não é capaz.

 

A verdade é que ninguém pode considerar-se um muçulmana perfeito se a sua Fé não se basear em convicções fortes e se a sua mente não se libertar de quaisquer dúvidas. Visto que o lslam é completo só quando se baseia em convicções firmes e na liberdade de opção, não podendo ser imposto a ninguém, porque Deus não aceitará uma fé forçada, nem considerará um verdadeiro Islam se este não se enriquecer de convicções sólidas e livres.

 

E visto o Islam assegurar a liberdade de crença, muitos grupos não muçulmanos viveram e ainda vivem nos países muçulmanos beneficiando de plena liberdade de crença e consciência. Os muçulmanos adotam esta atitude porque o Islam proíbe o constrangimento na religião. Ela é a luz que deve irradiar de dentro, porque a liberdade de opção é o alicerce da responsabilidade.

 

Isso não dispensa os pais da responsabilidade pelos filhos, nem desculpa a indiferença deles pelos seus dependentes. De fato, eles devem fazer os possíveis para ajudar as pessoas que deles dependem, a criarem uma fé forte e inspiradora.

 

Para a Fé assentar em alicerces sólidos, existem várias vias paralelas. Existe urna abordagem espiritual que se baseia principalmente no Alcorão e nas Tradições de Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele). Existe também a abordagem racional que leva finalmente à Fé no Ser Supremo. Isso não quer dizer que a abordagem espiritual careça de racionalidade sólida, nem que a abordagem racional careça de espiritualidade inspiradora.


Em realidade, ambas as abordagens completam-se reciprocamente e podem vir a influenciar-se vivamente. Se uma pessoa tiver suficientes qualidades racionais sólidas, poderá recorrer à abordagem racional ou à abordagem espiritual, ou a ambas, e pode estar segura de que a conclusão será certa.

Mas quem for incapaz de investigar profundamente ou estiver inseguro do seu poder de raciocínio, terá que se limitar à abordagem espiritual e contentar-se com os conhecimentos que poderá tirar das fontes autênticas da religião. A verdade é que no fim se chegará à Fé em Deus, seja qual for a técnica utilizada, a espiritual ou racional, ou ambas.

Todas estas vias são igualmente importantes e aceites pelo Islam, e se forem bem orientadas. levam ao mesmo fim que é a Fé no Ser Supremo.

 

15º- O muçulmano crê que o Alcorão é a palavra de Deus revelada a Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele) através do Anjo Gabriel. O Alcorão foi revelado por Deus, peça por peça, por várias ocasiões em que foi preciso darem-se respostas a várias perguntas, resolverem-se certos problemas e acalmarem-se certas disputas, e também para ser o melhor gula dos homens para a verdade de Deus e a felicidade eterna.


Cada letra no Alcorão é a palavra de Deus, e cada um dos seus sons é o verdadeiro eco da voz de Deus. O Alcorão é a primeira e a mais autêntica fonte do Islam, foi revelado em árabe. Encontra-se ainda e ficará na sua versão original e completa em árabe, porque Deus preocupou-se em conservar o Alcorão, fazê-lo sempre o melhor guia para o homem, para o salvaguardar da corrupção

Para provar o fato de Deus se ter preocupado com a sua conservação, o Alcorão é a única Escritura da história da humanidade que sé tem preservado na versão original e completa sem a menor mudança de estilo ou mesmo de pontuação.

A história do registo do Alcorão, da compilação dos seus capítulos e da conservação do seu texto está presente, sem dúvida alguma, não apenas na mente dos muçulmanos, mas também na dos estudiosos honestas e sérios. Esta é uma verdade histórica que nunca foi contestada por nenhum teólogo de qualquer religião, pois respeita os seus conhecimentos e a sua integridade.

 

16º- O verdadeiro muçulmano crê numa nítida distinção entre o Alcorão e as Tradições de Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele). O Alcorão é a palavra de Deus, enquanto as Tradições de Muhammad são as interpretações práticas do Alcorão. O papel de Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele) foi transmitir o Alcorão, tal como o recebeu, interpretá-lo e praticá-lo cabalmente.

 

As suas interpretações e práticas produziram o que se conhece como as Tradições do Profeta Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele). Elas são consideradas como a segunda fonte do Islam e têm que se harmonizar perfeitamente com a Primeira Fonte que é o Alcorão.

Caso haja alguma contradição ou falta de coerência entre alguma das Tradições e o Alcorão, o muçulmano adere só ao Alcorão e considera o resto discutível porque nenhuma Tradição autêntica de Muhammadsaws2.gif (304 bytes) (que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele) pode afastar-se do Alcorão ou contradizê-lo.

Se fizermos uma comparação entre a importância da ciência no Islam e sua importância no cristianismo alterado encontraremos que a Igreja na Idade Média era completamente contra a ciência; a Igreja Cristã, desde o seu início em Roma se isolou das culturas grega e romana, a civilização romana estava a morrer quando vieram os ataques dos góticos, sendo que quando a Igreja Católica Oriental atingiu o auge de sua força lançou uma perseguição contra os filósofos e os sábios politeístas e fechou a escola de Atenas, e combateu com mão de ferro a filosofia grega em Alexandria. A Igreja opinava que o único caminho para a purificação da alma é o seu caminho a Deus, e a perdição é a procura da realidade fora da Bíblia Sagrada, o pensamento e a pesquisa em assuntos mundanos[1].

A opinião da orientalista alemã Sigris Hunke

ilm islamA orientalista alemã Sigris Hunke[2] confirma esta realidade ao comparar entre a ciência  na visão do Islam e a ciência na visão do Cristianismo na Europa Ocidental durante a Idade Média. Ela lembrou como o mensageiro (a paz esteja com ele) recomendou todo crente – seja homem ou mulher – a buscar o conhecimento, e fez disso uma obrigação religiosa, e como ele via a profundeza de seus seguidores no estudo das criaturas e suas maravilhas um meio para o conhecimento do poder do Criador, chamando a atenção deles para as ciências de todos os povos. Em seguida, concluiu dizendo: “Completamente contrário a isso, o apóstolo Paulo perguntou confirmando: O Senhor não chamou o conhecimento mundano de tolice?”[3].

          Da mesma forma, ela mencionou a definição de Santo Agostinho[4] sobre o eixo do conhecimento. Ele disse: “Quanto ao Senhor e o Espírito, eu desejo conhecê-los, portanto, a busca da verdade é a busca por Deus, e isto não requer auxílio externo, e a única fonte para este conhecimento é a Bíblia Sagrada”[5].

          E Sigris Hunke também esclareceu como a situação deles chegou ao ponto de considerarem quem defende uma nova idéia científica – a terra ser circular, por exemplo – apóstata desviado, e usou como prova as declarações de Lactâncio[6], o mestre da Igreja, quando ele comentou as alegações de alguns cientistas sobre a terra ser circular. Ele disse perguntando e condenando: “Isso é possível? È possível as pessoas ficarem loucas a esse ponto, e entrar em suas mentes que os países e as árvores ficam pendurados do outro lado da terra, e que os pés das pessoas estão acima de suas cabeças?!”. Quem se convence ou aceita uma interpretação científica sobre as ocorrências da natureza é amaldiçoado, quem explica razões naturais para o surgimento de um planeta ou para o transbordamento de um rio está em desobediência ao Senhor. Ainda, aos que explicam cientificamente a cura de um pé quebrado ou o aborto de uma mulher, isso tudo são castigos de Deus ou do Satanás, ou são milagres que estão além do nosso alcance!”[7].

 

O conflito entre a religião e a ciência

bibleE assim, ocorreu um conflito entre a religião e a ciência na Europa, que paralisou o movimento científico na metade do século XVI cristão, e este conflito não teve fim senão com o início do renascimento científico, com a revolução científica européia e com o golpe contra a Igreja.

          Dentre os exemplos disso: Em 1543 dC Copérnico[8] chegou à conclusão de que o sol é o centro do sistema solar (heliocentrismo) e não a terra, como se acreditava antes (teoria geocêntrica). Esta conclusão científica foi uma catástrofe na Europa, a Igreja a recusou com a medida das “realidades” evangélicas e viu que esta conclusão contraria as suas crenças porque a terra, após ser o centro do Universo transforma-se em um pequeno ponto em todo este Universo. Esta conclusão então não é simplesmente uma descoberta científica, mas é um duro golpe contra a crença cristã que diz que Deus se encarnou nesta terra para dar a salvação aos seus habitantes. Eles não assimilam como esta terra pode se transformar num pequeno objeto meio a outros objetos maiores que ela, mais grave ainda, como pode girar em torno do sol. Por isso, “a teoria do geocentrismo se adequava de maneira racional o dogma que estabelecia que todas as coisas foram criada para o benefício dos seres humanos. Agora, estes seres humanos sentiam que cambaleavam em cima de um pequeno planeta, cuja história abreviou-se em apenas um parágrafo regional das notícias do Universo… Quando as pessoas pararam para pensar sobre os significados dessa nova teoria devem ter se perguntado sobre a verdade da crença que diz que o Criador deste imenso e organizado Universo enviou o seu filho para morrer neste planeta de médio tamanho. Pareceu que toda a bela poesia cristã “sumiu como fumaça” (como citou Goethe[9] mais tarde) sob o toque deste sacerdote polonês. E a astronomia que diz que a terra gira em torno do sol obrigou as pessoas a imaginarem o Criador novamente de foram menos estreita no horizonte e de forma menos carnal, e assim, a religião enfrentou o maior desafio da história[10]! Copérnico, então, foi perseguido e não teve força para confrontar a violenta oposição que teve e viveu distante, e morreu no mesmo ano em que sua obra foi publicada depois do entusiasmo de um de seus fãs e depois de adicionar algumas alterações com as quais ele admitia que a sua teoria é apenas uma série de conjecturas sujeitas a erro[11]. Mas quando Bruno[12] adotou a teoria de Copérnico, oitenta anos depois de sua morte, considerando-a uma realidade, a inquisição se apressou em proibir a leitura do livro de Copérnico[13] e condenou Bruno, que havia desenvolvido as opiniões de Copérnico e lhe adicionado mais detalhes – à ser queimado vivo em público[14]. As idéias de Copérnico formaram o início e a base das idéias de Galileu[15], e por causa delas ele foi julgado próximo dos setenta anos de idade. Neste julgamento, ele foi humilhado até que desistiu claramente de todas as suas idéias. Em seguida, foi condenado à prisão por período indeterminado e o obrigou a ler os sete salmos de expiação diariamente durante sete anos[16].

Esta é a ponta do iceberg, os exemplos desse tipo são muitos e não param apenas nos julgamentos de Copérnico e Galileu e outros que citamos, mas expandiram a formação da inquisição contra os sábios, este tribunal realizou o seu trabalho de forma completa de maneira que, em um período de dezoito anos – desde 1481 até 1499 dC – condenou 10220 pessoas a serem queimados vivas e foram queimadas, 6860 pessoas à forca publicamente e também foram executadas desta forma, e condenaram 79023 pessoas a punições variadas[17]. Também proferiu decisões que proibiam a leitura dos livros de Galileu, de Giordano Bruno e Newton[18] (por ter proposto a lei da gravitação universal) e ordenavam a queima de seus livros, o Cardinal Ecmenio queimou  8000 livros manuscritos em Granada porque eram contrários às opiniões da Igreja[19]!

Esta terrível e escura realidade foi vivida pela Europa durante longos séculos e foi denominada idade das trevas, e é denominada Idade Medieval, que perdurou cerca de mil anos. Esta realidade fixou nas mentes dos sábios (a exemplo de Descartes[20] e Voltaire[21]) e das pessoas em geral a idéia de que não há esperança na busca do conhecimento e na invenção científica a não ser com a destruição da autoridade da Igreja, com a eliminação da religião completamente dos corações e com a adoção do ateísmo – em todos os sentidos da palavra, então publicaram explicitamente a oposição às Escrituras Sagradas, como a Torá e o Evangelho, porque elas contém o que contraria as realidades científicas e porque creram que a religião – como viram realmente – persegue a ciência e os cientistas, o que se caracteriza a limitação da inteligência. Em seguida, pregaram a defesa da mente na oposição aos textos principais, argumentando que a mente pode alcançar as realidades científicas e pode distinguir entre o bem e o mal.

Após a Revolução Francesa, a Assembléia Nacional Francesa apoiou esta libertação ao emitir decisões no ano de 1790 dC, que foram um verdadeiro golpe contra a Igreja, nas quais dissolveram os padres e freiras e obrigaram os homens da Igreja a se submeterem à lei civil, e começou a nomear os líderes da Igreja em vez do Papa. E em 1905 dC, o governo francês reconheceu a lei que divide a religião do governo embasando-se na distinção entre eles e publicou a neutralidade do Estado frente à religião, sendo outro golpe que incentivou os opositores da Igreja a fazerem juramento de fidelidade ao povo, ao reino e à nova lei civil. Em seguida, se sucederam as decisões abrangendo os países da Europa, reduzindo assim, o papel da Igreja na tentativa de domínio dos assuntos da ciência e da política e para se resumir completamente à prática de exortações e cânticos dentro de quatro paredes[22]!

A religião Islâmica nunca foi como a Igreja, nunca se opôs ou se colocou como obstáculo no caminho dos muçulmanos rumo à ciência, seja na área teórica, seja na área prática. Do contrário, convidou ao conhecimento e o incentivou, dando à mente total liberdade e absoluta contemplação e reflexão, distanciando-se da influência dos hábitos, desejos e caprichos. Como não faria isso, sendo que Allah enobreceu a mente ao dirigir a expressão a ela e ao fazê-lo a base da responsabilidade!

Desta maneira, houve uma enorme diferença entre o pensamento islâmico baseado na liberdade de pensamento e na relação entre Allah e entre o servo sem intermediário – tal pensamento que eleva a mente e dirige a palavra a ela – e entre o pensamento cristão na Idade Medieval, que apreende a liberdade de pensamento e coloca a autoridade canônica entre os servos e entre o Senhor. Isso esclarece completamente porque a civilização européia no Ocidente precisou de mil anos para começar a se desenvolver gradativamente para, em seguida, construir seu renascimento sobre os ombros dos muçulmanos, sendo que ela tinha boas oportunidades de começar dois ou três séculos antes da civilização árabe islâmica[23].

 

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum

Durante o século VI, os muçulmanos herdaram a tradição e o conhecimento científico da antiguidade. Preservaram, elaboraram, fizeram uma releitura  e, finalmente, passaram-na para a Europa. Foi nessa época que a dinastia omíada  manifestou seu interesse pela ciência.

Foi o século que para os muçulmanos correspondeu às luzes da filosofia, da descoberta científica e  do desenvolvimento, enquanto que a Europa mergulhava no que se convencionou chamar a Idade das Trevas. Os árabes desse tempo assimilaram o conhecimento persa e a herança clássica dos gregos, adaptando-os  às suas próprias necessidades e formas de pensamento.

Pela primeira vez na história da humanidade, a teologia, a filosofia e a ciência puderam ser  harmonizadas em um todo unificado, graças à capacidade islâmica de conciliar o monoteísmo com as provas da ciência, ou mais adequadamente,  a fé com a razão.  Talvez, um dos motivos  que pode explicar esse desenvolvimento da ciência seja o mandamento de Deus para que as leis da natureza sejam exploradas.  A  idéia é admirar  a criação por sua complexidade, admirar o Criador por sua habilidade. Talvez  por causa dessa crença é que as contribuições do Islam à ciência alcançaram os diversos ramos do pensamento, inclusive a matemática, a astronomia, a medicina e a filosofia.

As culturas  persa e  hindu tornaram-se parte da herança islâmica no campo da Matemática. No século VII, durante a existência do Profeta, um matemático muçulmano hindu desenvolveu o símbolo “zero”, que viria a revolucionar o estudo da matemática e tornar possível as grandes conquistas nesse campo, não só muçulmanas, mas de toda a humanidade.

Palavras como “algebra” e “algorítimo” foram, na verdade, tiradas do vernáculo árabico e traduzidas para o latim. Foi um matemático muçulmano que formulou, explicitamente,  a função trigonométrica. A palavra “seno” é uma tradução da palavra arábica “jayb”. Al-Khwarizmi escreveu o mais antigo livro sobre matemática, conhecido somente na versão traduzida.  Ele apresentou mais de 800 exemplos de cálculo de integração e equação, que viriam a ser adotados pelos neo-babilônios. Os muçulmanos introduziram os algarismos arábicos na Europa e ensinaram aos ocidentais as convenções mais adequadas ao conceito aritmético. O “zero” e os algarismos arábicos são a base da ciência dos cálculos, conforme é conhecida hoje.

Na primeira metade do século IX,  os números exponenciais, incluindo o zero, foram usados por al-Khwarizmi, para substituir as letras. Na segunda metade desse mesmo século, os muçulmanos da Espanha desenvolveram numerais ligeiramente diferentes na forma, huruf al-ghubar, originariamente usado em conjunção com um tipo de ábaco de areia. Leonardo Fibonacci, de Pisa, que havia sido discípulo de um mestre muçulmano, publicou um trabalho que permanece um marco na introdução dos numerais arábicos.

No início do século IX, cálculos matemáticos estimulavam o desejo de repostas para o movimento celeste. Esta curiosidade introduziu um novo campo no conhecimento humano, o da Astronomia. Uma das aplicações mais importantes da Astronomia é o cálculo para o horário das cinco orações diárias, que todo muçulmano faz. Ele é definido de acordo com a posição do sol, movendo-se de leste para oeste. As primeiras tabelas conhecidas, feitas para tal propósito, são datadas do século  X, e são instrumentos importantes usados pelos muçulmanos.

O magnífico relógio do sol, que Ibn al-Shatir contruiu no ano de 1371 para enfeitar o minarete principal da mesquita omíada de Damasco, confirma a exatidão dos cálculos.    O relógio mostra as horas do dia relativas ao nascer do sol, ao meio-dia e ao por-do-sol. Há, também, curvas especiais para as horas relativas ao amanhecer e ao anoitecer. O relógio do sol mede o tempo para cada hora das cinco preces diárias.

Ibn al-Sarraj inventou uma série de astrolábios, quadrantes, grades trigonométricas e outros instrumentos que foram extremamente inovadores na época e que mais tarde foram utilizados pelos europeus quando iniciaram as grandes navegações para a descoberta de novos mundos.

Al Khwarizmi, o gênio matemático, aplicou suas descobertas ao novo campo, de onde   ele compôs as mais antigas tabelas planetárias.  Seu trabalho serve de referência e foi traduzido para o latim no século XII, por Gerard de Cremona. O primeiro observatório astronômico foi construído em Jundaysabur, sudoeste da Pérsia, sob a direção de Sind ibn-‘Ali e Yahia ibn-abi-Mansur. Sendo o astrônomo do califa, ele elaborou uma carta dos movimentos celestes. Os astrônomos de Al-Mamun, o califa abássida, fizeram muitas observações originais. Uma das mais notáveis é a medida do meridiano, próximo a Mosul. O objetivo era determinar o tamanho da terra e a sua circunferência, na suposição de que ela fosse redonda.

Na Espanha,  os estudos  sobre Astronomia foram incentivados após a segunda metade do século X.  O sistema aristotélico foi reproduzido, com a representação dos movimentos celestes. Abu al-Qasim Maslamah al-Majriti, de Madrid, o mais antigo astrônomo muçulmano espanhol, editou e corrigiu as tabelas planetárias de Al-Khwarizmi. Entre os títulos de Al-Majriti, estava o de ser al-hisab, isto é,  o matemático, porque ele era considerado o mestre  do conhecimento matemático. Cerca de quatorze anos mais tarde, as tabelas planetárias de al-Battani foram traduzidas para o latim, por Plato de Tivoli. Copérnico, mais tarde, iria  citar Al-Battani em seu livro “De Revolutionibus Orbium Coelestium”. Al-Zarqali, o mais notável observador astronômico de sua época, imaginou um tipo de astrolábio que comprova o movimento do apogeu solar em relação às estrelas. Al-Bitruji desenvolveu uma nova teoria do movimento estelar.

Os astrônomos árabes deixaram no céu os traços imortais de suas descobertas. São os nomes de estrelas, incorporadas às línguas européias, uma  infinidade de termos técnicos,  como azimuth (as-sumut), nadir (nazir), zenith (as-samt), todos derivados do árabe, o que só vem comprovar o rico legado do Islam  para a Europa cristã.

Ibn Sina, mais conhecido como Avicena,  recebeu o  título de “Príncipe da Medicina”.  Seu trabalho mais consagrado é Al-Qanun Fil-Tibb, o ” Cânone da Medicina”.   Ele é um  dos maiores nomes da  história da Medicina.  Aos dez  anos  conhecia de cor o Alcorão, e aos doze, discutia sobre Direito e Lógica. Ele achava que a medicina era um assunto fácil. “Quando eu estou em dificuldade”,   ele disse, “consulto minhas anotações e rezo ao Criador”. Em seu livro, ele mostrou muitos aspectos da medicina. Classificou as causas e os sintomas das doenças. Dizia que as doenças são causadas por um desequilíbrio das quatro qualidades elementares do corpo: calor, frio, húmido e seco.  Elas são provocadas por uma composição, ou conformação, defeituosa das partes do corpo,  que provocam o trauma. A causa das doenças está ligada ao ambiente e à psicologia. Entre elas, está o tradicional esquema das doenças “não naturais”,  oriundas do ar, do excesso ou falta da alimentação e da bebida. Seu livro também discute os cuidados com a conservação da saúde em partes separadas, pediátricas, adultas e geriátricas.

A peste negra assolou a Europa em meados do século XIV, deixando os cristãos desamparados. Enquanto isso, Ibn-al-Khatib, um clínico de Granada, escreveu um tratado, no qual ele elabora uma  defesa sobre a teoria do contágio:

“Para aqueles que dizem ‘como posso admitir a possibilidade de infecção, quando a lei religiosa a nega’, respondemos que a existência do contágio é constatada pela experiência, pela investigação e pela evidência de relatórios confiáveis. Estes constituem argumento sólido. O contágio se torna claro ao investigador, quando observa como ele, que está em contato com pessoas doentes, pega a doença, ao passo que aquele que não tem o contato fica a salvo, e como se dá a transmissão através  de roupas e recipientes.”

A circulação do sangue e a idéia da quarentena veio da indicação empírica sobre o contágio e foi descoberto por Ibn al-Nafis. Em 943, Ibn Juljul, de Córdoba,  tornou-se um físico famoso com a idade de 24 anos, compilou um livro, que era um tratado especial sobre drogas, encontrado na Andaluzia, na península ibérica. Ibn Masawayh escreveu o mais antigo tratado sobre Oftamologia. O livro, entitulado al-Ashr Maqalat fi al-‘Ayn é o mais antigo texto sobre a matéria. No uso curativo das drogas, alguns avanços fantásticos foram feitos pelos muçulmanos. Eles criaram as primeiras boticas e a mais antiga escola de Farmácia.

O Príncipe da Medicina, Avicena, também foi um filósofo. A Filosofia naquele tempo era definida como o conhecimento da causa verdadeira das coisas. Ele foi o primeiro árabe a criar um sistema filosófico que é completo. De seus estudos iniciais da Lógica ele se voltou para o estudo da Física e da Metafísica, por sua própria iniciativa. Tornou-se mentor de muitos físicos, e aos dezoitos anos dominava a Lógica, a Física e a Matémática, e não havia nada mais que ele pudesse aprender a não ser concentrar-se na Metafísica. Seu mais importante tratado filosófico é o Kitab al-Shifa, ou o Livro da Cura, conhecido em latim pelo título de Sufficienta. É uma enciclopédia sobre o saber greco-islâmico do século XI, que vai da Lógica à Matemática.

Um  grande patrono da  filosofia e da ciência da História do Islam é o califa al-Mamun. Filho do califa Harun al-Rashid, ele estimulou as discussões na corte sobre Lógica, Direito e Gramática. Construiu em Bagdá a sua famosa Bayt al-Hikmah, a Casa do Conhecimento, uma combinação de biblioteca e academia, e que em muitos aspectos é   uma instituição educacional importante. Esta biblioteca contém livros sobre todos os assuntos, especialmente Ciências Islâmicas, Ciências Naturais, Lógica, Filosofia e muitos outros.

A maior figura na história da filosofia islâmica, e que representa uma reação ao neo-platonismo, foi Imam al-Ghazali, um jurista, teólogo, filósofo e místico. Ele dizia que o “fiqh” é o pão diário da alma crente, ao passo que a doutrina é  valiosa da  mesma forma que a medicina é para a doença. Também disse que foi tomado pelo desejo da verdade. Resolveu buscar um “certo conhecimento”,   além  do qual o objeto conhecido não se abre para  duvidar completamente. Fundamentalmente, Al-Ghazali afirmava seu agnosticismo sobre a natureza absoluta e final de Deus. Esta necessidade de uma certeza religiosa impulsionou Al-Ghazali para o misticismo e o remeteu à descoberta do conceito alcorânico de Deus, o que mostrou que a natureza de Deus é constituída pelos nomes e abributos divinos.

O primeiro filósofo autêntico a escrever em árabe foi Al-Kindi. Ele está relacionado de muitas formas aos mutazilas e aos filósofos naturais neo-pitagóricos . Foi um homem de extraordinária erudição, que relatou suas observações como geógrafo, historiador e físico. Kindi foi mais do que um filósofo. Era químico, oculista e teórico musical. A sua influência como autor e professor deu-se, principalmente, nos campos da matemática, geografia e medicina.

A história intelectual dos árabes, com o desenvolvimento da Filosofia e da Ciência no Oriente Próximo,  começa com a ascensão do Islam.   A primeira geração de muçulmanos eruditos dedicou-se completamente ao estabelecimento de um cânon baseado no Alcorão e isto por causa da santidade irresistível do Alcorão e das tradições do Profeta Mohammad. Para os estudiosos muçulmanos, cuja obra é mostrada, o Alcorão é a fonte de todo o conhecimento – a revelação de Deus.

Muitas sugestões foram apresentadas no Alcorão como uma prova da Onisciência de Deus. Tais sugestões estimularam a curiosidade do homem e provavelemente satisfizeram suas buscas do conhecimento. Com as raízes do conhecimento já estabelecidas, seus ramos e folhas cresceram em direção ao avanço tecnológico. Essas raízes não podem ser esquecidas jamais, porque sem uma fundação sólida nenhum pilar pode ser construído e sobreviver. A seguir, alguns nomes de muçulmanos eminentes, que deixaram seus nomes marcados para sempre a história da humanidade, pela enorme contribuição que deram.

História

1. Al-Biruni

 Biruni.jpg (1850 bytes)
Abu Raihan Muhammad al-Biruni, um sábio persa, foi contemporâneo do grande físico Ibn Sina (Avicena), com quem se correspondia. Com um talento especial para as línguas, inclusive o turco, o Persa, o sânscrito, o hebreu e o árabe, Al-Biruni despertou a atenção do governante ghazanavida  Mahmud, cujo território incluía o norte da Índia. Mahmud muitas vezes levava Al-Biruni  em suas campanhas pela Índia, e ele aproveitava para  estudar a língua, a história e a ciência dos lugares por onde passava. Um de seus livros mais famosos, Kitab al-Hind (Livro da Índia), foi o resultado dessas viagens. Foi um estudo tão completo sobre a Índia que trabalhos posteriores sobre a história hindu tiveram como base esse livro de Al-Biruni.

Além de sua obra sobre cultura e história, Al-Biruni foi também um cientista notável. No campo da astronomia, ele foi pioneiro na noção de que a velocidade da luz era muito maior do que a velocidade do som, observou os eclipses solar e lunar e aceitou, muito antes do que qualquer outro, a teoria de que a terra girava em torno de um eixo. Na geografia, calculou a latitude e longitude corretas de muitos lugares e questionou a visão ptolomaica européia, de que a África se estendia infinitamente para o sul; Al-Biruni insistia que ela era circundada pela água. Em seu trabalho sobre a Índia, Al-Biruni apresentou a idéia controversa – mais tarde provada correta- de que o vale do Hindu tinha sido uma bacia de mar. Também desenvolveu uma teoria para o cálculo da qibla – a direção de Meca de qualquer lugar em que se esteja – tão importante para os muçulmanos, a fim de praticarem suas orações voltados para aquela cidade. Na física, ele determinou, de forma muito precisa, as densidades de 18 pedras preciosas e metais. Foi o primeiro a estabelecer a trigonometria como um ramo distinto da matemática. Por causa de sua obra em diversos campos do pensamento, Al-Biruni é considerado um dos maiores cientistas de todos os tempos.

 

2. Ibn Khaldoun

 IbnKhaldun.jpg (2600 bytes)
‘Abd al-Rahman Ibn Khaldoun, é considerado o fundador da moderna sociologia e filosofia da história. Nasceu em Túnis, onde seus pais mais tarde morreram em decorrência da peste negra. Ibn Khaldoun passou a maior parte de sua vida no norte da África e Espanha. Teve uma vida política, trabalhando para inúmeras cortes reais norte-africanas, onde foi capaz de observar a dinâmica política e social da vida cortesã. Essas observações mais tarde influenciaram sua obra sobre a história das civilizações.

Seu livro mais famoso foi o Muqaddimah (“Introdução” ou Prolegômenos), que foi o primeiro volume do que pretendia ser uma obra sobre a história mundial. No Muqaddimah, Ibn Khaldoun expôs sua filosofia de história, e suas opiniões sobre como o material histórico devia ser analisado e apresentado. Concluiu que as civilizações surgem e desaparecem, como num ciclo, como resultado de fatores psicológicos, econômicos, ambientais, sociais e polícios. Sua atenção voltada para aspectos mais do que simplesmente políticos foi revolucionária, porque ele buscou examinar também os fatores religiosos, sociais e econômicos para explicar a história mundial. Ele submeteu seu estudo da história à análise objetiva e científica, e lamentava o cunho eminentemente tendencioso da história escrita antes dele.

Além do Muqaddimah, Ibn Khaldoun escreveu sobre os árabes, judeus, gregos, romanos, persas, egípcios e bérberes, e sobre os governantes europeus e muçulmanos. Escreveu sua autobiografia, tornando-se um líder nessa nova forma literária. Sua atenção para os fatores sociais na ascensão e queda das civilizações, ajudou a criar a ciência do desenvolvimento social, conhecida, hoje, como  sociologia. Sua influência nos campos    da sociologia e da história foi enorme, principalmente porque sua ênfase na razão e racionalismo para o julgamento histórico deu um tom não religioso  ao seu trabalho.

3.Ibn Hisham; 4. Ibn Ishaq; 5.  Ibn Miskawayh; 6. Al-Tabari; 7. Abu Hamid al-Ghazali; 8. Al-Suyuti;  9. Ibn Qutaybah,

Medicina

1. Ibn Sina (Avicena)

 IbnSina.gif (12595 bytes)
 

Abu Ali al-Husayn Ibn Abdullah Ibn Sina, conhecido no ocidente como Avicena, nasceu em Bucara, em 980. Este físico persa tornou-se o mais famoso e influente de todos os cientistas e filósofos muçulmanos. Ele conquistou o favor real por tratar dos reis de Bucara e Hamadan, que tinham contraído doenças que os clínicos da época não diagnosticaram nem curaram. Embora treinado para ser um físico, Ibn Sina trouxe importantes contribuições para a filosofia, matemárica, química e astronomia. Sua enciclopédia filosófica, Kitab al-Shifa (“O Livro da Cura”), aproximou as filosofias aristotélica e platônica da teologia islâmica, dividindo o campo do conhecimento em conhecimento teórico (física, matemática e metafísica) e conhecimento prático (ética, economia e política).

Seu legado mais permanente, no entanto, foi no campo da medicina. Seu livro mais famoso, Al-Qanum fi al-Tibb (“O Cânon da Medicina”), ainda é um dos mais importantes livros de medicina jamais escrito, e por 600 anos, serviu como referência médica em toda a Europa. Entre as contribuições do Cânon para a moderna medicina, estavam: o reconhecimento de que a tuberculose era contagiosa; as doenças podiam se difundir através da água e do solo; a saúde emocional influencia  a saúde física. Ibn Sina também foi o primeiro clínico a descrever a meningite, as partes do olho e as válvulas cardíacas, e descobriu que os nervos eram responsáveis pela dor muscular. Também deu sua contribuição para os avanços na anatomia, ginecologia e pediatria. O Cânon foi traduzido para o latim no século XII e rapidamente tornou-se a referência médica predominante nas escolas de medicina européias até o século XVII. Ainda é utilizado hoje nas escolas de medicina islâmicas do Paquistão e da Índia. Nenhum outro livro sobre medicina foi tão aclamado por tanto tempo. Quando o original árabe foi publicado em Roma, em 1593, tornou-se um dos primeiros livros árabes a ser produzido de acordo com a nova invenção do prelo.  A Faculdade de Medicina da Universidade de Paris traz em sua entrada principal um retrato de Ibn Sina.

2. Abu al-Fath al-Chuzini Ibn Zuhr; 3. ‘Abd al-Malik Abu Marwun Ibn Zuhr;  4.  Abu al-Qasim; 5.   Ibn Tufayl al-Razi; 6. Ibn al-Haytham.

Matemática

1. Al-Khwarizmi

 Khwarizmi2.jpg (3473 bytes)

Abu Ja’far Muhammad Ibn Musa al-Khwarizmi nasceu em Khwarizm, atual Usbequistão. Ele viveu em Bagdá, sob o patrocínio de Al-Mamun, o califa abássida, entre 813 e833, durante o período conhecido como a “Idade de Ouro” da ciência islâmica.  Um matemático celebrado em seu tempo, assim como séculos mais tarde, Al-Khwarizmi é melhor conhecido por ter introduzido o conceito de álgebra na matemática. O título de seu livro mais famoso, Kitab al-Jabr wa al-Muqabilah (“O Livro da Integração e da Equação”), na verdade, apresenta a origem da palavra álgebra. No curso de sua obra, Al-Khwarizmi introduziu ouso dos numerais indo-arábicos que se tornaram conhecidos como algorítmos, um derivado latino de seu nome. Ele também começou usando o zero, que abriria o caminho para o desenvolvimento do sistema decimal.

A obra de Al-Khwarizmi teve uma tremenda influência sobre a matemárica, não só no mundo islâmico mas também em outras culturas. Muitos de seus livros foram traduzidos para o latim no século XII e Kitab Al-Jabr wa al-Muqabilah foi a principal referência matemática nas universidades européias até o séculoXVI. Além disso, Al-Khwarizmi produziu trabalhos sobre astronomia e geografia, muitos dos quais foram traduzidos para línguas européias e para o chinês. Em 830, uma equipe de geógrafos, trabalhando sob sua chefia, produziu o primeiro mapa do mundo conhecido.   Os méritos científicos de Al-Khwarizmi continuam a produzir impactos nos dias de hoje.

2. Omar Kayyam

 Khayyam.jpg (2495 bytes)
Nascido Ghiyath al-Din Abul Fatah Umar Ibn Ibrahim al-Khayyam, em 1044, em Nishapur, uma cidade persa, Omar Kahyan foi também um famoso matemático, astrônomo, filósofo e poeta. Passou a maior parte de sua vida nos centros intelectuais persas, como Samarcanda e Bucara, e gozou da simpatia dos sultões seljúcidas que governavam a região.

As contribuições científicas mais conhecidas de Kayan foram na álgebra e na astronomia. Sua classificação das equações algébricas foi fundamental para o progresso da álgebra como uma ciência, da mesma forma que sua obra sobre a teoria das linhas paralelas foi importante para a geometria. Na astronomia, o maior legado de Kayan é um calendário solar fantasticamente preciso, que ele desenvolveu quando o sultão seljúcida Malik Shah Jalal al-Din, solicitou um novo programa para a coleta de impostos. O calendário de Kayan era muito mais preciso do que o calendário gregoriano, usado atualmente na maior parte do mundo: o dele apresenta um erro de um dia em 3770 anos, enquanto que o gregoriano tem um erro de um dia em 3330 anos. Kayan mediu a extensão de um ano em 365,24219858156 dias.  Embora o calendário tenha sido abolido depois da morte de Malik Shah, em 1092, no entanto, ele ainda é utilizado em algumas partes do Irã e do Afeganistão.

Omar Kayan também foi poeta, e é assim que ele é melhor conhecido no ocidente, em detrimento de sua obra científica. Sua fama como poeta existe desde 1839, com a tradução para o inglês de seu livro Rubayat. Tornou-se um clássico da literatura mundial e é responsável pela influência que teve no conceito europeu sobre a poesia e literatura persas. Tendo em vista que em sua época ele foi mais conhecido por sua obra científica, duvidava-se que Kayan fosse realmente o autor de Rubayat. Mas, uma análise criteriosa efetuada por muitos estudiosos comprovou que ele é mesmo o autor da obra.

3. Kushyar Ibn Labban, 4. Ibn Turk, 5. Abda al-Hamid,  6. Ibn Qurra, 7. Thabit, 8. Al- Kashi, 9. Nasir al-Din al-Tusi, 10. Abu al-Wafa’, 11. Ibn Yunus, 12. Al-Battani, 13. Ibn al-Haytham (Alhazen).

Astronomia

1. Ibn al-Muqtafi, 2. Abu al-Fadl Ja’far, 3. Nasir al-Din al-Tusi, 4. Muhammad ibn Musa al-Khwarizmi, 5.Abu al-Wafa’, 6.  Ibn al-Shatir; 7. Ibn Yunus, 8. Omar Khayyam, 9. Al-Battani, 10. Abu al-Abbas al- Farghani,

Geografia

Abu al-Abbas al- Farghani,

Filosofia

1. Al-Farabi

 Farabi3.jpg (11611 bytes)
Abu’l-Nasr Al-Farabi, um muçulmano de origem persa, que estudou em Bagdá, foi considerado   em seu tempo como o maior filósofo desde Aristóteles. Na verdade, ele era  conhecido como o “Segundo Mestre”, sendo Aristóteles o primeiro. Ele era fluente em diversas línguas e através de suas traduções de antigas obras gregas, ele foi um dos primeiros filósofos muçulmanos a introduzir a filosofia grega no mundo islâmico. Escreveu sobre diversos assuntos, inclusive lógica, sociologia, ciência política, medicina e música, mas seu legado mais importante foi sua obra sobre filosofia.

Ao escrever seus comentários sobre a obra dos antigos gregos, Al-Farabi procurou reconciliar os pensamentos  aristotélico e o platônico com a teologia islâmica. Ao mesmo tempo, no entanto, ele tornou-se o primeiro filósofo muçulmano a separar filosofia da teologia, influenciando estudiosos de muitas religiões que o seguiam. Ele concluiu que a razão humana, o instrumento da filósofo, era superior à revelação, o instrumento da religião, resultando numa vantagem da filosofia sobre a religião. Ele afirmava que a filosofia era baseada na percepção intelectual, enquanto que a religião baseava-se na imaginação. Assim, ele atribuia características solenes ao filósofo e defendia a presençade um filósofo na chefia do estado. Ele achava que as revoltas políticas no mundo islâmico deviam-se ao fato de o estado não ser administrado por filósofos, cujos poderes superiores da razão e do intelecto determinavam a liderança ideal.

A obra de Al-Farabi influenciou enormemente os filósofos islâmicos que se seguiram a ele, principalmente Ibn Sina e Ibn Rushd. Também serviu de palco para debates acalorados entre os representantes da filosofia e da teologia, na medida em que pensadores muçulmanos buscavam harmonizar as disparidades entre esses dois campos.

2. Al-Ghazali

 Ghazali.jpg (2188 bytes)
Abu Hamid al-Ghazali nasceu em1058, na província persa do Corassã. Foi estudou teologia islâmica em renomadas instituições de Nishapur e Bagdá, e tornou-se professor em religião e filosofia na Universidade de Nizamiyah, em Bagdá, uma das mais importantes instituições islâmicas daquela época. Em 1095, no entanto, depois de um período de confusão interior a respeito de sua fé, Al-Ghazali deixou a universidade, abandonou seus bens materiais e tornou-se um ascético errante. Devotou-se ao sufismo, o ramo místico do Islam que se ocupa do conhecimento direto de Deus, e viajou a Meca, Síria e Jerusalém, antes de voltar para Nishapur, para escrever.

Sua obra a respeito da relação entre a filosofia e a religião contribuiu para uma discussão no mundo islâmico sobre como harmonizar esses dois campos. Ao adotar os princípios aristotélicos do humanismo dos antigos gregos,   filósofos muçulmanos, como Al-Farabi e Ibn Sina, entraram em conflito com os telólogos que afirmavam que a filosofia aristotélica contradizia a doutrina islâmica. Al-Ghazali defendia firmemente a religião contra o ataque dos filósofos e assim fazendo ajudou a construir uma ponte entre essas duas correntes de pensamento. Ele também buscou prevalecer no que ele acreditava ser excessivo no sufismo e trazê-lo para uma linha mais compatível com o Islam ortodoxo. Continuou a salientar a importância do sufismo como um caminho para a verdade absoluta, mas procurou redefinir sua imagem extremista como uma desobediência aos ensinamentos básicos do Islam.

Al-Ghazali escreveu muitos livros a respeito desses assuntos, que ficaram famosos, um dos quais inspirou o filósofo Ibn Rushd a responder com um livro de sua autoria, depois da morte de Al-Ghazali. Em Tuhafat al-Falasifa   (“A Incoerência dos Filósofos”), Al-Ghazali expôs alguns argumentos a respeito do por quê algumas vezes a filosofia soava herética ao Islam. Ele, particularmente, discordava dos argumentos apresentados pelos filósofos de influência grega, que questionavam a imortalidade da alma, a ressurreição do corpo, a recompensa e a punição depois da morte, o conhecimento de Deus de todas as coisas e a eternidade do mundo. Al-Ghazali aceitava o fato de que os filósofos questionassem alguns princípios da fé islâmica, mas repudiava-os por não provarem suas posições. Ao mesmo tempo, Al-Ghazali foi muito cuidadoso em não refutar tudo que os filósofos dissessem. Ele não rejeitou as descobertas dos cientistas-filósofos das ciências naturais, e admitia que muitos avanços científicos haviam sido feitos.  Também repudiou os muçulmanos que, em nome da religião, rejeitavam toda ciência que estivesse ligada aos filósofos, afirmando que essaabordagem somente levaria os filósofos a concluírem que o Islam baseava-se na ignorância.  Al-Ghazali defendia a aceitação das conquistas científicas válidas, e desafiava os filósofos a provarem suas objeções em relação à teologia islâmica. Ibn Rushd, um filósofo aristotélico e racionalista, respondeu ao livro de Al-Ghazali com um de sua autoria, Tuhafut al-Tuhafut (“A Incoerência da Incoerência”), no qual ele reproduziu e comentou seus argumentos, página por página.

Al-Ghazali é considerado um dos maiores teólogos do Islam. Seus argumentos influenciaram sábios religiosos judeus e cristãos e até Santo Tomás de Aquino usou muito dos temas de Al-Ghazali para fortalecer o cristianismo no Ocidente.

3. Ibn Rushd (Averróes)

 IbnRushd.jpg (1707 bytes)
Abu’l Waleed Muhammad Ibn Ahmad Ibn Muhammad Ibn Rushd nasceu em Córdoba, em 1126, então parte da Espanha Muçulmana. Foi um dos maiores pensadores e cientistas do século XII. Conhecido no ocidente por seu nome latino, Averróes, Ibn Rushd influenciou a cultura do mundo islâmico e da Europa por séculos, e é melhor conhecido no Ocidente por seus comentários sobre a filosofia aristotélica.

Como muitos sábios famosos antes dele, Ibn Rushd gozava da simpatia da corte real e passou sua vida entre a classe dirigente de Marraquesh, Marrocos e das cidades espanholas de Sevilha e Córdoba. Embora suas opiniões sobre religião e filosofia ocasionalmente aborrecessem seus padrinhos, Ibn Rushd foi capaz de continuar seus estudos nesse campo, graças a sua amizade com os governantes muçulmanos. Ele foi fortemente influenciado pela filosofia grega e escreveu muitos comentários a respeito das obras de Aristóteles. Ele usava o racionalismo grego para questionar diversos princípios da teologia islâmica, ganhando a crítica de muitos religiosos muçulmanos eruditos, como Al-Ghazali, por exemplo. Apesar de sua defesa veemente da filosofia, Ibn Rushd era um muçulmano devotado que também tentou integrar a visão política de Platão ao moderno estado islâmico, harmonizando o pensamento grego e as tradições islâmicas.

Enquanto o mundo islâmico se dividia no apoio à obra filosófica de Ibn Rushd, ele ficou muito popular na Europa. Seus comentários sobre a obra de Aristóteles e Platão foram traduzidos para o latim, inglês, alemão e hebreu, e depois foram incluídos nas edições sobre as obras dos filósofos gregos. A idéia de que ele foi mais popular no Ocidente do que no mundo islâmico, foi também baseada no fato de que poucos de seus escritos sobreviveram em língua original, o árabe.

Além de filósofo, Ibn Rushd foi médico e astrônomo. Seu famoso livro sobre medicina, Kitab al Kulyat fi al-Tibb, discutiu vários diagnósticos e curas para as doenças, assim como a sua prevenção. Ele foi o físico pessoal de muitos dos califas almorávidas em Espanha e no Magrebe. Na astronomia, escreveu tratados sobre o movimento das esferas. 

4. Abu Yusuf Ya’qub Kindi, 5. Ibn Bajjah, 6. Abu ‘Ali al-Husayn Ibn Sina (Avicena), 7.  Ibn Tufayl, 8. Nasir al-Din al-Tusi, 9. Ibn Miskawayh.

Teologia

1. Al-Tabari, 2. al-Zamakhshari, 3. al-Suyuti, 4. Ibn Qutaybah,

Alquimia

1. Abu Musa Jabir ibn Hayyan, 2. al-Razi,

FONTES:

http://www.orst.edu/groups/msa/index.html

http://www.ucalgary.ca/HIST/tutor/islam/learning/

Mussalah Rahmah - Casa da Misericórdia - Periferia de Embu das Artes - SP

Imagem  —  Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Imagem

 

Um equívoco lamentável entre a comunidade muçulmana americana de hoje é que o Islã só esteve presente na América há menos de 100 anos. Muitos muçulmanos americanos são filhos de imigrantes que vieram para os Estados Unidos a partir do Oriente Médio e Sul da Ásia, em meados do século XIX, e, portanto, supõem, erradamente, que os primeiros muçulmanos nos Estados Unidos foram os imigrantes.

A realidade, porém, é que o Islã tem estado nos Estados Unidos por muito mais tempo do que isso. Além de possíveis exploradores muçulmanas pré-colombianos de al-Andalus e na África Ocidental, o islamismo chegou à costa da América em ondas através do tráfico no atlântico de escravos a partir do século XIX. Enquanto centenas de milhares de escravos chegaram à América durante esse tempo, as histórias de apenas alguns foram preservados e são conhecidas hoje. Uma das mais duradouras e únicas é a do Bilali Muhammad.

O trafico de escravos 

Como as nações européias começaram a colonizar o Novo Mundo em 1500, uma demanda por mão de obra barata surgiu . As plantações , minas e fazendas precisavam de trabalhadores ao longo do Norte e América do Sul , e a população nativa do Novo Mundo se mostrou inadequada, devido à sua falta de imunidade a doenças européias . Como resultado , as potências européias , como a Grã-Bretanha, França , Portugal, Espanha olharam mais ao sul, em direção à África , para uma fonte de trabalho escravo que poderiam explorar .

Assim, os comerciantes de escravos europeus começaram a chegar em portos da África para comprar escravos. Geralmente , os europeus não iam capturar os escravos. Em vez disso , eles geralmente pagam aos governantes locais para ir à guerra com outras tribos africanas, capturar os derrotados , e vendê-los como escravos para que fossem enviados a América. Os governantes africanos seriam pagos normalmente com armas , que iriam perpetuar ainda mais o ciclo de violência e escravidão . Todo o sistema trabalhou o desenvolvimento social , político e econômico da África , e os resultados deste genocídio ainda são sentidos na África hoje.

As estimativas variam, mas mais de 12 milhões de africanos foram provavelmente levados à força de suas terras para servir como escravos na América, com até 20% deles morriam na viagem transatlântica conhecida como a Passagem do Meio. Como grande parte do comércio de escravos estava voltada para a África Ocidental, um grande número desses escravos eram, sem dúvida, muçulmanos. Os reinos de savana do Mali e Songhai tinha sido centros da civilização islâmica na África Ocidental e existia uma enorme população muçulmana na região.

Bilali Muhammad

Um dos muitos escravos muçulmanos tomados para a América foi o Bilali Muhammad. Ele era da tribo Fulbe e nasceu por volta de 1770, na cidade de Timbó, no que é hoje a Guiné. Ele veio de uma família bem educada, e recebeu um alto nível de educação na África antes de ser capturado como escravo em algum período de tempo no final dos anos 1700 . Ele era fluente na língua Fula, juntamente com o árabe, e tinha conhecimento de estudos islâmicos de alto nível , incluindo Hadith , Sharia e Tafsir . Como ele foi capturado é desconhecido, mas ele foi originalmente levado para uma plantação em uma ilha no Caribe, e por volta 1802, ele chegou a Ilha de Sapelo, na costa da Geórgia, no sul nos Estados Unidos .

Na Ilha de Sapelo, Bilali tive a sorte de ter Thomas Spalding como um dono de escravos. Embora as condições para escravos no Sul eram horrorosos, e eram forçados a trabalhar durante todo o dia e eram comumente negados necessidades básicas como roupas e abrigo estável, Spalding deu certas liberdades aos seus escravos que estavam ausentes em outros lugares. Ele não obrigava os escravos a trabalhar mais de seis horas por dia, não tinham feitores brancos, e até mesmo permitiu a seus escravos muçulmanos praticarem sua religião abertamente, uma liberdade rara no Sul profundamente cristão. Bilali teve permissão para a construção de uma pequena mesquita na plantação, o que pode muito bem ter sido a primeira mesquita da América do Norte.

Por causa do nível relativamente elevado de educação do Bilali , ele subiu para o topo da comunidade escrava, e foi promovido por seu dono para cuidar de grande parte da administração da fazenda e suas poucas centenas de escravos. Talvez o relato mais notável de liderança e confiabilidade de Bilali Muhammad ocorreu durante a guerra de 1812 entre os Estados Unidos e o Reino Unido. Spalding teriam deixado a fazenda com sua família, temendo um ataque britânico, colocou Bilali encarregado da defesa da plantação .Ele até deu a Bilali 80 mosquetes para defender a ilha, que foram distribuídos entre a população muçulmana da fazenda. Bilali manteve fiel à sua palavra e protegeu o plantio, enquanto seu proprietário tinha ido embora e devolveu-o de volta para Spalding após a guerra. O fato de que um proprietário de escravos, de confiança a seu escravo tanto a ponto de dar-lhe o controle da fazenda, juntamente com armas diz muito sobre o caráter e idoneidade de Bilali Muhammad.

O documento de Bilali 

Como muçulmano bem-educado da África Ocidental, Bilali sem dúvida trouxe sua educação islâmica com ele para a América. Isto é evidenciado por um manuscrito de treze páginas que ele escreveu, e foi encontrado em posse de um escritor do sul, Francis Robert Goulding, antes de morrer em 1857. O manuscrito foi escrito em árabe, e foi, portanto, ilegível para a maioria dos americanos por décadas. Ele fez o seu caminho, eventualmente, para a Biblioteca Pública do Estado da Geórgia em 1931, que tentou decifrar o manuscrito, que foi popularmente creditado em ter sido o diário de Bilal.

Depois de anos de esforço que envolveu numerosos estudiosos tão distantes como da Universidade al -Azhar , no Egito , os estudiosos finalmente conseguiram decifrar o manuscrito. Descobriu-se que não era um diário, mas era na verdade uma cópia de trechos de um tratado sobre a lei islâmica da escola de jurisprudência malequita escrito por um estudioso muçulmano de jurisprudência, chamado Ibn Abu Zayd al- Qairawani na Tunísia nos anos 900. O livro de Ibn Abu Zayd foi uma parte do currículo estudantil do Oeste Africano provavelmente na pátria de Bilali nos anos 1700, quando ele era um estudante. Quando ele veio para a América como escravo , ele foi, naturalmente, incapaz de trazer qualquer pertences pessoais com ele, e, portanto, sua cópia do livro foi escrita inteiramente a partir de décadas de memória do que ele aprendeu na África Ocidental. Isso exemplifica o nível de conhecimento presente na África Ocidental, ao mesmo tempo que foi devastado pelo comércio de escravos no Atlântico .

O documento de Bilali é provavelmente o primeiro livro de jurisprudência islâmica ( fiqh ) já escrito nos Estados Unidos . E enquanto o Islã morreu lentamente entre a comunidade Afro-americana nos Estados Unidos no século XIX, é importante reconhecer e valorizar as histórias dos primeiros muçulmanos americanos. Eles não eram um grupo pequeno, inconsequente. Eles numeradas centenas de milhares de pessoas e , apesar das dificuldades quase insuperáveis, eles lutaram para preservar a sua herança islâmica sob a opressão da escravatura. A história de Bilali Muhammad é um perfeito exemplo dos esforços desta comunidade muçulmana americana, que poderia inspirar os muçulmanos americanos do presente, sejam eles de origem africana ou não.

Créditos e fontes a: 
http://lostislamichistory.com/the-first-muslim-american-scholar-bilali-muhammad/

O Alcorão – O Milagre Eterno

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

Imagem

 

O Alcorão é o eterno milagre. É o último livro de Deus enviado para orientação da humanidade, por intermédio do último Profeta, Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele).

Revelação do Alcorão

O Alcorão foi revelado aos poucos, durante um período de 23 anos. O Profeta recebeu a primeira revelação em 610 d.C., na caverna de Hira, na Montanha da Luz (Jabal en-Nur), a duas milhas e meia de distância da Casa de Deus, na cidade de Meca, na Arábia.

A primeira revelação foram os cinco primeiros versículos da Surata (capítulo) Al Alaq:

“Lê, em nome do teu Senhor que criou, criou o homem de um coágulo. Lê, que o teu Senhor é Generosíssimo, que ensinou através do cálamo, ensinou ao homem o que este não sabia.” (96:1-5)

A última, foi o terceiro versículo da Surata Al-Maida, que foi revelado ao Profeta em 632 d.C.:

“Hoje aperfeiçoei a religião para vós e completei minha bênção sobre vós e aponto o Islam por religião.” (5:3)

Divisões do Alcorão

O Alcorão está dividido em trinta partes iguais, que são chamadas de juz, em árabe. São 114 suratas, de tamanhos variados, a mais longa é a Al-Bácara, a Vaca, que consiste de 286 versículos, e a mais curta é Al-Cauçar, a Abundância, de apenas 3 versículos. Todo o Alcorão contém 6.666 versículos, com 336.233 letras. Os capítulos revelados antes da migração do Profeta para Medina são chamados de Meca, e os revelados após a migração, de Medina.

Tópicos dos Capítulos

Os capítulos de Meca, de um modo geral, consistem de sentenças breves, cheias de entusiasmo, poéticas, sublimes e resplandecentes. Eles salientam a Unicidade e Majestade de Deus, o Mais Exaltado, o Mais Elevado, denuncia a adoração indolente, promete o paraíso para os justos e adverte os pecadores para a punição do Inferno, confirma o Profeta Muhammad e lembra a humanidade dos profetas passados e dos eventos de seus tempos. Por outro lado, os capítulos de Medina são mais extensos e os versículos são mais monótonos. Falam sobre os aspectos ritualísticos do Islam, como o Zakat, o Jejum e a Peregrinação, estabelecem códigos éticos e morais, leis penais, políticas sociais, econômicas e de estado, dão orientação para as relações externas, normas e regulamentos para as batalhas e os cativos de guerra.

Também contêm descrições de algumas das primeiras batalhas do Islam, a condenação dos hipócritas, enfatiza a mensagem básica unificada de todos os profetas passados, confirma que o processo de profecia e revelação se completou e que nenhum profeta virá após Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), nem que qualquer livro novo será revelado, e que a religião de Deus se completa com o Alcorão. Assim, Deus exorta os seguidores da verdade a fazerem do Alcorão seu único guia.

A importância do Alcorão

O Alcorão é considerado o milagre eterno do Islam. É o guia melhor e mais completo daquele que vive e busca o prazer de Deus. Os ensinamentos do Alcorão são universais, dirigidos a todas as pessoas do mundo, independente de credo e cor.

Ele ilumina a alma do ser humano, purifica sua moral, condena o erro, ordena a prática do bem e conclama para o estabelecimento da justiça e fraternidade através da obediência a Deus, como a autoridade suprema.

O Alcorão fornece os regulamentos que criam as relações adequadas entre o homem e Deus e entre o homem e o outro. Leva o ser humano a compreender seu papel neste mundo, encoraja-o a pensar e refletir, e o orienta no uso dos recursos naturais.

Em resumo, o Alcorão fornece toda a orientação de que a humanidade necessita. Sem a orientação do Alcorão, a humanidade ainda estaria engatinhando na escuridão da ignorância.

A Compilação do Alcorão

O Alcorão foi revelado aos poucos, de acordo com as necessidades do tempo. O anjo Gabriel o trouxe para o Profeta Muhammad , que o memorizou. Depois, ele foi preservado de duas formas. A primeira, pela memorização. Havia um número de primeiros muçulmanos que memorizava cada revelação assim que era revelada e, desta forma, todo o Alcorão estava memorizado quando veio a última revelação. A tradição de memorizar todo o Alcorão ainda continua, e uma pessoa que conhece o Alcorão de memória é chamada de Hafiz Qur’an. A segunda, através da escrita. Sempre que acontecia uma revelação, ela era escrita imediatamente em tábuas, ramos de palmeiras, em folhas, ou em pele de animais. Isto foi feito originariamente por Zaid bin Thabit, que era o escriba principal além dos 42 outros. O Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), ordenou os capítulos de acordo a orientação recebida do anjo Gabriel e pediu aos companheiros que mantivessem aquela ordem. Abu Bakr, o primeiro califa do Islam, compilou o Alcorão, e Osman, o terceiro califa, mandou fazer várias cópias, enviando cada uma delas para os estados.

O Alcorão é o único milagre vivo. Não há qualquer outro milagre de qualquer outro profeta. De acordo com uma pesquisa, o número de pessoas que memorizaram todo o Alcorão é mais de 10 milhões. Milhões de edições e cópias foram impressas e escritas à mão em quase todas as partes do mundo.

Também foram traduzidas para quase todas as línguas. Durante o período de 1.400 anos, desde que o Alcorão foi revelado, nenhuma única letra foi mudada. Este é o maior dos milagres do Alcorão.

Fonte:http://www.religiaodedeus.net/atributos_de_deus.htm

Estamos sozinhos ?

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

Imagem

 

Ao longo da história a humanidade tem sido atraída pelo sobrenatural. Espíritos, fantasmas e muitas outras criaturas estranhas têm enchido nossas mentes e capturado nossas imaginações. Espectros estranhos e atraentes têm às vezes levado pessoas a cometer o maior dos pecados – Shirk.
Então, esses espíritos são reais? São mais que apenas invenções de nossa imaginação ou sombras moldadas a partir de fumaça e ilusão? Bem, de acordo com os muçulmanos eles são bem reais. Espíritos, fantasmas, banshees, poltergeists e fantasmas podem todos ser explicados quando se entende o conceito islâmico de espíritos – o mundo dos jinns (gênios).

Jinn é uma palavra que não é totalmente estranha para os falantes de outros idiomas. Note a semelhança entre jinn e gênio. A TV e o cinema têm feito seu papel descrevendo os gênios como criaturas brincalhonas capazes de satisfazer os desejos da humanidade. O gênio na série de televisão “Jeanie é um Gênio)” era uma mulher jovem que sempre conseguia criar travessuras engraçadas e no filme animado da Disney “Aladin” o gênio era retratado como adorável. Apesar disso os jinns não são parte de uma história de fadas inofensiva; são muito reais e podem apresentar uma ameaça muito verdadeira à humanidade.

Entretanto, Deus, o Sábio, não nos deixou indefesos. Explicou a natureza dos gênios muito claramente. Sabemos seus métodos e motivos porque Deus nos revelou essas coisas no Alcorão e nas tradições do profeta Muhammad, que Deus o exalte. Ele nos deu as “armas” para nos protegermos e os meios para resistir à persuasão deles. Primeiro, entretanto, devemos deixar claro o que exatamente são os jinns.

A palavra árabe Jinn vem do verbo “janna” e significa ocultar ou esconder. Os jinns são chamados assim porque se ocultam da visão das pessoas. As palavras janin (feto) e mijann (escudo) vêm da mesma raiz. Os jinns, como o nome sugere, são normalmente invisíveis aos humanos. Os jinns são parte da criação de Deus. Foram criados do fogo antes da criação de Adão e da humanidade.

“Criamos o homem de argila, de barro modelável. Antes dele, havíamos criado os gênios de fogo puríssimo.” (Alcorão 15: 26-27)

De acordo com as tradições do profeta Muhammad os anjos foram criados de luz, os gênios do fogo e a humanidade “do que foi descrito a vocês” (significando argila)[3]. Deus criou os anjos, gênios e a humanidade com o único propósito de O adorarem.

“E Eu não criei os jinns e os humanos senão para adorar-Me…” (Alcorão 51:56)

Os gênios existem no nosso mundo, mas vivem em seu próprio mundo. Têm natureza e características próprias e distintas e geralmente ficam ocultos da humanidade. Os gênios e humanos têm alguns traços comuns, a mais importante das quais é o livre arbítrio e, com isso, a habilidade de escolher entre o bem e o mal, certo e errado. Os gênios comem e bebem, casam, têm filhos e morrem.

“Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos. Com corações com os quais não compreendem, olhos com os quais não veem, e ouvidos com os quais não ouvem. São como as bestas, quiçá pior, porque são displicentes.” (Alcorão 7:179)

O sábio islâmico Ibn Abd al Barr disse que os gênios têm vários nomes e são de vários tipos. Em geral são chamados gênios; um gênio que vive entre as pessoas (um fantasma) é chamado Aamir e se é o tipo de jinn que se prende a uma criança é chamado Arwaah. Um gênio maléfico é chamado de Satanás (demônio), quando são mais que maléficos, demoníacos, são chamados de Maarid e os jinns mais maléficos e fortes são chamados de Ifreet (plural afaareet).[4] Nas tradições do profeta Muhammad os gênios estão divididos em três classes: os que têm asas e voam, os que se parecem com cobras e cães e os que viajam incessantemente.[5]

Entre os gênios existem os que creem em Deus e na mensagem de todos os profetas de Deus e aqueles que não creem. Também existem os que abandonarão seus jeitos maléficos e se tornarão verdadeiros crentes, fiéis e pacientes.

“Dize (Ó Muhammad): Foi-me revelado que um grupo de gênios escutou (a recitação do Alcorão). Disseram: Em verdade, ouvimos um Alcorão admirável. Que guia à verdade, pelo que nele cremos, e jamais atribuiremos parceiro alguém ao nosso Senhor.” (Alcorão 72: 1-2)

Os gênios são responsáveis perante Deus e sujeitos aos Seus comandos e proibições. Terão que prestar contas e entrarão no paraíso ou inferno. Os gênios estarão presentes com a humanidade no Dia do Juízo e Deus Se dirigirá a ambos.

“Ó assembleia de gênios e humanos! Acaso não se vos apresentaram mensageiros, dentre vós, que vos ditaram Meus versículos e vos admoestaram com o comparecimento neste vosso dia? Dirão: Testemunhamos contra nós mesmos! A vida terrena os iludiu, e confessarão que tinham sido incrédulos.” (Alcorão 6:130)

Até agora aprendemos que seres sobrenaturais existem. Não estamos sozinhos. São criaturas que vivem conosco e, ainda assim, separados de nós. Sua existência oferece uma explicação para muitas ocorrências estranhas e perturbadoras. Sabemos que os gênios são bons e maus, embora os causadores de problemas e malfeitores superem em muito o número de crentes.

O conceito de Satanás ser um anjo caído faz parte das doutrinas do Cristianismo, mas de acordo com o Islã Satanás é um gênio, não um anjo. Deus fala muito de Satanás no Alcorão. Na parte dois discutiremos mais sobre o próprio Satanás e o que fez com que fosse expulso da misericórdia de Deus.

Satanás (Shaytan) é um dos gênios? Satanás, Shaytan, o demônio, Íblis, a personificação do mal, é conhecido por muitos nomes. Os cristãos geralmente o chamam de Satanás; para os muçulmanos ele é conhecido como Shaytan. Ele nos é apresentado na história de Adão e Eva e embora as tradições cristãs e islâmicas tenham muito em comum existem diferenças gritantes.

A história de Adão e Eva é bem conhecida e um relato detalhado da versão islâmica pode ser encontrada nesse website.[2] O Alcorão e as tradições do profeta Muhammad, que Deus o exalte, de forma alguma indicam que Satanás apareceu para Adão e Eva em forma de cobra ou serpente. Nem indicam que Eva era a mais fraca dos dois e que tentou Adão para desobedecer a Deus. A realidade era que Adão e Eva não tinham experiência em relação aos sussurros e estratagemas de Satanás e suas relações com ele permanecem como uma lição vital para toda a humanidade.

Satanás ficou com ciúme de Adão e se recusou a obedecer o comando de Deus para se prostrar perante ele. Deus nos fala sobre isso no Alcorão:

“Todos os anjos se prostraram unanimemente, Menos Lúcifer, que se negou a ser um dos prostrados. Deus disse: “Ó Lúcifer! O que foi que te impediu de seres um dos prostrados? Lúcifer respondeu: É inadmissível que me prostre ante um ser que criaste de argila, de barro modelável. Deus disse: Vai-te daqui (do Paraíso), porque és maldito! E a maldição pesará sobre ti até o Dia do Juízo.” (Alcorão 15:30-35)

Satanás era arrogante na época e é arrogante agora. Seu voto daquele momento em diante foi desencaminhar e iludir Adão, Eva e seus descendentes. Quando foi expulso do Paraíso, Satanás fez uma promessa a Deus que se fosse mantido vivo até o Dia do Juízo, faria o máximo para desencaminhar a humanidade. Satanás é astucioso e inteligente e compreende muito bem a fraqueza dos seres humanos; reconhece seus amores e desejos e emprega todos os tipos de truques e ilusões para os afastar do caminho da retidão. Começou a fazer o pecado atraente para a humanidade e a tentou com coisas maléficas e ações imorais.

“O próprio Lúcifer confirmou que havia pensado certo a respeito deles – eles o seguiram, exceto uma parte dos crentes.” (Alcorão 34:21)

Em árabe a palavra shaytan pode se referir a qualquer criatura arrogante ou insolente e se aplica a essa criatura em particular por causa de sua insolência e rebelião em relação a Deus. Satanás (Shaytan) é um gênio, uma criatura que pode pensar, raciocinar e tem livre arbítrio. Está desesperado porque entende o significado pleno de ter a misericórdia de Deus negada. Satanás prometeu não habitar as profundezas do inferno sozinho; seu desejo era levar tantos humanos quanto pudesse com ele.

“Lúcifer respondeu: Atenta para este, que preferiste a mim! Juro que se me tolerares até o Dia da Ressurreição, salvo uns poucos, apossar-me-ei da sua descendência!” (Alcorão 17:62)

Deus nos avisa em relação à inimizade de Satanás no Alcorão. Ele é capaz de enganar, desencaminhar e ludibriar as pessoas com facilidade. É capaz de fazer o pecado parecer um portal para o paraíso e a menos que cada pessoa seja cuidadosa, pode ser facilmente ludibriada. Deus, Todo-Poderoso, diz:

“Ó Filhos de Adão, que Satanás não vos seduza.” (Alcorão 7:27)

“Posto que Satanás é vosso inimigo, tratai-o, pois como inimigo.” (Alcorão 35:6)

“Porém, quem tomar Satanás por protetor, em vez de Deus, Ter-se-á perdido manifestamente.” (Alcorão 4:119)

Como discutido, o objetivo final de Satanás é afastar as pessoas do paraíso, mas também tem objetivos de curto prazo. Tenta levar as pessoas para a idolatria e o politeísmo. As instiga a cometer pecados e atos de desobediência. É correto dizer que todo ato de desobediência que é odiado por Deus é amado por Satanás, que ama a imoralidade e o pecado. Ele sussurra nos ouvidos dos crentes, perturba a oração e a lembrança de Deus e enche nossas mentes com assuntos sem importância. Ibn ul Qayyim disse: “Um dos seus estratagemas é que ele sempre enfeitiça as mentes das pessoas até que sejam enganadas, torna atraente para a mente aquilo que a prejudicará.”

Se gastar de sua fortuna em caridade ficará pobre, diz ele. Migrar pela causa de Deus levará à solidão, sussurra. Satanás semeia inimizade entre as pessoas, instila dúvida nas mentes das pessoas e provoca divergências entre marido e esposa. Tem uma grande experiência no ramo do engano. Tem trapaças e tentações, suas palavras são suaves e instigantes e tem exércitos de ajudantes tanto entre os humanos quanto entre os gênios. Embora, como discutimos no último artigo, existam crentes entre os gênios, a vasta maioria é trapaceira ou malfeitora. Trabalham de forma voluntária e feliz com Satanás para assustar, trapacear e, por fim, destruir os verdadeiros crentes em Deus.

No próximo artigo discutiremos onde os gênios congregam, como reconhecem seus sinais e como nos protegermos e às nossas famílias de suas trapaças.

Não estamos sozinhos! Essa afirmação soa um pouco como um anúncio de um filme de ficção científica. Podia bem apenas isso, mas não é. Realmente não estamos sozinhos aqui na terra. Somos criaturas de Deus, mas não somos as únicas criaturas de Deus. Nos dois artigos anteriores aprendemos bastante sobre os gênios. Estabelecemos que foram criados por Deus antes da criação da humanidade, de fogo sem fumaça. Também estabelecemos que os gênios são do sexo masculino e feminino, bons e maus, crentes e descrentes.

Os gênios existem no nosso mundo embora estejam separados dele. Satanás faz parte dos gênios e seus seguidores estão tanto entre os gênios quanto entre os humanos. Agora que compreendemos que não estamos sozinhos, torna-se necessário reconhecer os sinais que indicam a presença do gênio e como nos protegermos de suas trapaças e maldades.

“Criamos o homem de argila, de barro modelável. Antes dele, havíamos criado os gênios de fogo puríssimo.” (Alcorão 15:26-27)

“E não criei os jinns (gênios) e os humanos senão para adorar-Me…” (Alcorão 51:56)

Como os gênios compartilham esse mundo conosco, devemos conhecer seus locais de moradia. Os gênios tendem a se reunir, às vezes em grandes números, em ruínas e locais desertos. Tendem a se reunir em locais de sujeira, lixões e cemitérios. Às vezes congregam em locais nos quais é fácil para eles causarem confusão e caos, como mercados.

Nas tradições do profeta Muhammad, que Deus o exalte, encontramos que alguns dos companheiros aconselhavam as pessoas a não serem as primeiras a entrar e nem as últimas a sair de mercados, porque eram os campos de batalha para os demônios e criadores de confusão.[1]

Se um demônio escolhe uma morada humana como sua habitação, nos são dadas “armas” através das quais podemos expeli-lo das casas. Elas incluem dizer Bismillah (Começo com o nome de Deus), lembrar de Deus frequentemente e recitar quaisquer palavras do Alcorão, mas especialmente os capítulos dois e três. Os gênios também fogem toda vez que ouvem o chamado para a oração.

O profeta Muhammad explicou que os gênios congregam em grandes números e se espalham quando cai a noite. Ordenou que mantivéssemos nossos filhos em casa ao anoitecer por essa razão.[2] Contou que os gênios têm animais e que o alimento para seus animais é o excremento de nossos animais.

Às vezes os animais que pertencem aos humanos são associados com os gênios. Por exemplo, muitos dos gênios são capazes de assumir a forma de cobras e o profeta Muhammad se referiu aos cães negros como demônios. Também disse: “Não orem nos currais dos camelos porque os demônios habitam ali.”[3] Associou camelos com os gênios devido à sua natureza agressiva.

Existem muitas formas de nos protegermos e às nossas famílias das trapaças causadas pelos gênios. A mais importante é nos voltarmos para Deus e buscar Sua proteção; fazemos isso aderindo às palavras do Alcorão e aos ensinamentos do profeta Muhammad. Buscar refúgio em Deus nos protege dos gênios e demônios. Devemos buscar Sua proteção quando entramos no banheiro[4], quando ficamos zangados[5], antes do ato sexual[6] e ao descansar durante uma viagem ou ao passar por um vale.[7] Também é importante buscar refúgio com Deus ao ler o Alcorão.

“Quando leres o Alcorão, ampara-te em Deus contra Satanás, o maldito. Verdadeiramente! Porque ele não tem nenhuma autoridade sobre os crentes, que confiam em seu Senhor.” (Alcorão 16:98-99)

Compreender a natureza dos gênios possibilita entender alguns dos fenômenos estranhos que ocorrem em nosso mundo hoje. As pessoas se voltam para videntes e médiuns para ver o futuro ou o desconhecido. Homens e mulheres na televisão e internet alegam falar com pessoas mortas e retransmitir segredos e informações misteriosas. O Islã nos ensina que isso não é possível. Adivinhos e astrólogos alegam que podem prever o futuro e ler personalidades através do alinhamento das estrelas e outros corpos celestiais. O Islã nos ensina que isso também não é possível.

Entretanto, no passado antigo os gênios eram capazes de ascender aos céus. Naquela época eram capazes de interceptar e descobrir sobre eventos antes de acontecerem. Durante a época do profeta Muhammad a proteção celestial aumentou e continua assim. Os gênios não são mais capazes de interceptar nossas conversas no campo celestial.

“Quisemos inteirar-nos acerca do céu e o achamos pleno de severos guardiães e flamejantes meteoros. E usávamos nos sentar lá, em locais (ocultos), para ouvir; e quem se dispusesse a ouvir agora, defrontar-se-ia com um flamejante meteoro, de guarda. E nós não compreendemos se o mal era destinado àqueles que estão na terra ou se o Senhor tencionava encaminhá-los para a boa conduta.” (Alcorão 72:8-10)

O profeta Muhammad explicou o significado desses versículos. “Quando Deus ordena algum assunto no céu, os anjos batem suas asas em obediência à Sua ordem, que soa como uma corrente arrastando sobre uma pedra. Então (anjos) dizem: “O que o seu Senhor disse? Alguns respondem: “A verdade, porque é o Grandioso, o Altíssimo.” (Alcorão 34.24) Então aqueles que conseguem ouvir através do roubo (ou seja, demônios ou gênios) sobem uns sobre os outros. Uma chama pode ultrapassar e queimar o interceptador antes que transmita as notícias ao que está abaixo dele ou pode não ultrapassá-lo até que ele a tenha transmitido para o que está abaixo dele que, por sua vez, a transmite para o que está abaixo dele e assim por diante, até que transmitem a notícia para a terra.[8]

Os gênios são capazes de pegar um grão de verdade e misturá-la com mentiras para confundir as pessoas. Fenômenos estranhos, embora desconcertantes e às vezes assustadores, não são nada além de confusões criadas pelo demônio para afastar as pessoas de Deus. Algumas vezes o gênio e os demônios humanos se juntam para enganar os crentes para que cometam o pecado de shirk – associar parceiros a Deus.

Às vezes nesse mundo estranho e maravilhoso somos confrontados com testes e tribulações que parecem nos derrubar. Lidar com as trapaças e intenções maléficas do gênio parece ser um teste ainda maior. Entretanto, é confortante saber que Deus é a fonte de toda a força e poder e que nada acontece sem Sua permissão.

O profeta Muhammad nos contou que as melhores palavras com as quais buscamos a proteção de Deus do mal dos homens e dos gênios são os três últimos capítulos do Alcorão. Podemos ter que enfrentar a maldade do gênio, mas Deus é nosso porto seguro e voltarmo-nos para Ele é nosso resgate. Não há proteção exceto a proteção de Deus. Somente a Ele adoramos e somente a Ele nos voltamos em busca de ajuda.

Footnotes:
[1] Saheeh Muslim

[2] Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim.

[3] Abu Dawood.

[4] Ibid

[5] Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim.

[6] Ibid

[7] Ibn Majah.

[8] Saheeh Al-Bukhari

leia o artigo original em: http://www.islamreligion.com/pt/articles/4201/

O que o Islam diz sobre o Terrorismo?

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

Imagem

 

Uma das distintas características destes tempos em que vivemos é a presença de bastante violência na sociedade à nossa volta. Quer seja uma bomba a explodir num mercado, ou sequestro de um avião em que pessoas inocentes se encontram para finais políticos, vivemos numa era onde manipulação de grupos étnicos e perda de vidas inocentes tornou-se comum.

Tal é a natureza pervasiva da violência que não conhece limites. Esse “terrorismo” é considerado como uma das principais barreiras à paz e segurança nas nossas sociedades. A palavra terrorismo veio a ser utilizada bastante só a partir de algumas décadas atrás.Um dos principais problemas com esta utilização é que não se limitou aos pequenos grupos e/ou indivíduos que o fazem. O Terrorismo, na verdade, é uma preocupação global e manifesta-se em várias formas. Os que cometem este acto não se encontram dentro de nenhum estereótipo. Aqueles que acreditam que a vida humana é barata e têm o poder de acabar com ela vêm de diferentes níveis nas nossas sociedades. Pode ser o empregado frustrado que mata os seus colegas em sangue frio ou o cidadão oprimido numa terra que sofreu ocupação que acentua o seu ódio, explodindo um autocarro escolar cheio de crianças inocentes. Eles são os terroristas que provocam o nosso ódio e revolta. Irónicos são os políticos que usam velhos estratagemas instigando ódio entre grupos étnicos para segurar as usas posições. O chefe de estado que ordena “carpet bombing” de cidades inteiras e os exaltados consules que asfixiam milhões de civis até à morte empunhando a proibida arma de sanções, são raramente punidos pelos seus crimes contra a humanidade.

É esta estreita definição de terrorismo que veio causar muçulmanos a serem associados com actos de destruição e terror. Como resultado eles tornaram-se vítimas de ódio, violência e terror eles próprios. Algumas vezes o Islam é feito responsável pelos actos de não-muçulmanos! Será possível que o Islam, a religião que acabou com a Idade das Trevas na Europa, seja responsável pela era do terror? Pode uma fé que tem mais que um bilião de seguidores pelo mundo e mais de 7 milhões na América, chamar para matar e torturar pessoas inocentes? Pode o Islam, cujo próprio nome vem de “paz” e “submissão a Deus”, encorajar os seus aderentes a trabalhar para a morte e destruição? Será possível?

A santidade da vida humana:

Qur’an:

“…. E não tires a vida, que Allah fez sagrada, excepto por justiça e lei. Eis o que Ele vos recomenda, para razoardes.” [6:151]

O Islam considera que todas as formas de vida são sagradas. No entanto, a santidade da vida humana é elevada. O primeiro direito básico de um humano é o direito de viver.

Qur’an:

“… quem mata uma pessoa, sem que esta haja morto outra ou semeado corrupção na terra, será como se matasse todos os homens. E quem lhe salvou a vida será como se salva-se a vida de todos os homens.” [5:32]

Este é o valor de uma única vida humana. O Qur’an iguala o assassínio de uma pessoa de forma injusta, com o assassínio da humanidade inteira. E assim o Qur’an proibe homicídio em termos claros. A morte de criminosos por ordem do estado para administrar justiça é requerido para continuar a permanência da lei, a paz e segurança da sociedade. Só um justo e competente tribunal pode decidir se um indivíduo tem direito a viver depois de fechar os olhos ao direito a viver de outros humanos.

A ética da guerra:

Até em estado de guerra, o Islam requer que o muçulmano lide com o inimigo de forma nobre no campo de batalha. O Islam desenhou uma linha clara de distinção entre combatentes e não combatentes do país inimigo.
Sobre os não combatentes: mulheres, crianças, idosos e doentes…,

O Profeta Muhammad (sws) costumava proibir os soldados de matar mulheres e crianças [1] e aconselhava-os: “…Não mutilem, não traiam, não sejam excessivos, não matem um recém-nascido.”[2]
E o Profeta (sws) também proibiu castigo em que o fogo é utilizado.[3]

[1] Sahih Bukhari
[2] Sahih Muslim
[3] Abu-Dawud

Assim, aos não combatentes é garantida segurança de vida se o estado deles estiver em guerra contra um estado islâmico.

Jihad:

Quando o Islam em geral é mal entendido no Mundo Ocidental, talvez nenhum outro termo islâmico invoca tantas reacções fortes como a palavra “jihad”.

O termo “jihad” tem sido abusado, sendo associado com imagens bizarras de violência, forçando pessoas a submeterem-se pela espada. Este mito foi perpetuado nos séculos de desconfiança durante e depois das cruzadas.
Infelizmente, isto subrevive até hoje.
A palavra jihad vem da raíz da língua árabe “jahada”, que significa “esforço”. Logo, jihad é literalmente um acto de esforço. O Profeta Muhammad (sws) disse que a maior jihad é esforçar-se contra as sugestões de desejo da própria alma. Assim, jihad, primeiro, refere-se ao esforço interior de ser uma pessoa de virtude e submissão a Deus em todos os aspectos da sua vida.
Segundo, jihad refere-se ao esforço contra a injustiça. O Islam, tal como muitas outras religiões, permite defesa própria, ou retribuição contra tirania, exploração e opressão.

O Qur’an diz:

“E por que razão não combateis no caminho de Allah e pela salvação dos indefesos, dentre os homens e as mulheres e as crianças, os quais dizem: ‘Senhor nosso! Faze-nos sair desta cidade, cujos habitantes são injustos; e faze-nos, de Tua parte, um protector e faze-nos, de Tua parte, um socorredor’? [4:75]

Assim, o Islam requer que os crentes se esforcem o mais que puderem, em purificar-se, também como estabelecer paz e justiça na sociedade. Um muçulmano nunca poderá descansar quando ele vê injustiça e opressão à sua volta.

Como Martin Luther King disse:

“Nós vamos ter que nos arrepender nesta geração não meramente pelas palavras de ódio e acções das pessoas más, mas pelo silêncio das pessoas boas.”
O Qur’an nunca aceito ou encorajou o assassínio de pessoas inocentes. Aterrorizar os civis nunca poderá ser parte da palavra jihad e nunca poderá ser reconciliado com os ensinamentos do Islam.

História de Tolerância:

Até sábios ocidentais repudiaram o mito dos muçulmanos forçarem outros a converterem-se. O grande historiador De Lacy O’Leary escreveu:

“A história faz claro, no entanto, que a lenda de muçulmanos fanáticos, irem pelo mundo e forçarem o Islam pela espada a raças conquistadas é um dos mais fantásticos e absurdos mitos que os historiadores alguma vez repetiram.” [Islam at Crossroads. London, 1923, page 8]

Os muçulmanos governaram Portugal e Espanha por cerca de 800 anos. Durante este tempo, e até eles serem forçados para fora do território, os não muçulmanos lá estavam vivos e a prosperar. Adicionalmente, as minorias cristãs e judias subreviveram nas terras muçulmanas do Médio Oriente por séculos. Países como o Egipto, Marrocos, Palestina, Líbano, Síria e Jordânia, todos têm populações significativas de cristãos e judeus.
Isto não é surpresa para um muçulmano, porque a fé dele proibe-o de forçar outros a ver o ponto de vista dele.

O Qur’an diz:

“Não há compulsão na religião! A retidão distingue-se claramente da depravação. Então, quem renega o mal e crê em Allah, atar-se-á à firme alça irrompível. E Allah ouve e sabe tudo.” [2:256]

Islam – o Grande Unificador:

Mais que um dogma militante, o Islam é um modo de vida que transcende raça e etnicidade. O Qur’an repetidamente lembra-nos da nossa origem comum:

“Ó humanidade! Nós vos criámos de um único par, homem e mulher, e vos fizémos como nações e tribos, para que vos conheçais uns aos outros. Por certo, o mais honrado de vós, perante Allah, é o mais piedoso. Por certo, Allah é Omnisciente, Conhecedor.” [49:13]

É a universalidade dos seus ensinamentos que faz o Islam a religião que cresce mais rapidamente no mundo. Num mundo cheio de conflitos, esquemas profundos entre seres humanos, um mundo que é ameaçado por terrorismo perpetuado por indivíduos e estados, o Islam é uma luz que oferece esperança para o futuro.

http://islamemportugues.blogspot.com.br/2010/03/o-que-e-que-o-islam-diz-sobre-o.html

Imagem

 

O Islam tem como significado básico: a submissão a Deus e obediência às suas leis. Condicionar a vida à orientação de Deus. Assim sendo, na visão dos muçulmanos, o Islam não é uma religião fundada, nem é uma religião nova, mas é a mesma verdade que Deus revelou por intermédio de Seus profetas para toda a humanidade.

É a essência da orientação divina representada pelas centenas de profetas que Deus enviou a vários povos para guiá-los a Ele. Os muçulmanos crêem na corrente dos profetas a partir de Adão, Abraão, Ismael, Isaac, Jacó, José, Jô, Moisés, Aarão, Davi, Salomão, Elias, Jonas, João Batista, Jesus, Muhammad e outros enviados com a mensagem de Deus ora representada pela Tora, pelo evangelho e por fim pelo Alcorão.

Tendo Adão como primeiro muçulmano, e outros milhares de muçulmanos no decorrer da história do homem vemos que o Islam atravessou várias épocas e etapas da vida humana na terra, tendo sua base que é a adoração a Deus Único e o respeito às suas normas perfeitamente compatíveis à época e lugar, pois sendo Deus o estabelecedor deste sistema, bem sabe o que é melhor para tal sociedade em tal época.

Portanto, a base imutável e estável do Islam é a adoração a Deus, que esteve presente em todas as mensagens e foi contemporânea a Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e a todos os outros profetas em qualquer época em qualquer lugar. Outra parte da religião de Deus são as leis, estas sim, flexíveis de acordo com a época e tempo. A lei não é a mesma da época de Moisés ou Jesus, da época de Abraão ou Noé, mas é uma lei contemporânea, que serve para a época em que vivemos, pois o criador desta época é o próprio relator da lei para tal época e conhece quais são as necessidades de quem vive hoje.

A mensagem de Deus revelada a Moisés foi a Tora, a mensagem revelada a Jesus o evangelho, a mensagem revelada a Muhammad o Alcorão. Cada qual para uma época e povo, e na visão dos muçulmanos, a mensagem revelada ab roga a anterior e a anula. Sendo assim, a revelação do evangelho anulou a lei de Moisés, deu cumprimento a muitas das leis e as fez permanecerem e anulou outras, facilitando muitas das cargas da lei de Moisés sobre o povo de Israel . O Alcorão relata: *(Jesus disse) Eu vim para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos estava vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Allah, pois, e obedecei-me* (3:50)

E assim também, o Alcorão substitui o evangelho, dando cumprimento a muitas de suas leis e mudando algumas outras devido à época. E assim, o Alcorão que o muçulmano segue é um livro para todos os tempos e para toda a humanidade prevalecendo sobre as mudanças de cada época e podendo ser adaptado a qualquer época e lugar, sendo assim, um livro contemporâneo, pois é o Livro de uma religião contemporânea.

Na época em que foi revelada esta orientação também existiam vários costumes, doutrinas e ideologias. Após a revelação do Alcorão, vemos que:

1. O que era benéfico e correto, o Islam o fez permanecer e o incentivou, como a honestidade que tinham, a preservação da honra que prevalecia entre os árabes da época, a vestimenta da mulher que já cobria o seu corpo naturalmente até chegar a ponto de se reconhecer à mulher livre pelo véu que usava. (*) Hoje a mulher livre é a nua que vendeu sua honra, e a vestida que preservou seus valores a chamam de submissa e escrava!!!(*)

2. O que é maléfico e prejudicial ao indivíduo e à sociedade, foi abolido sendo todos ordenados a abandonar tal costume qualquer que seja este costume e quer quem seja o acostumado, como o tribalismo, , idolatria extremamente difundida entre os nômades árabes, assassinato de crianças, bebida alcoólica, etc., tudo contestado por Deus no Alcorão e esclarecida a sua proibição, como no caso da bebida inebriante.

3. O que é correto, porém era aplicado de forma errada e pecaminosa, trazendo prejuízo ao indivíduo e sociedade, o Islam fez permanecer estes costumes, porém corrigiu seus erros, como o casamento, divórcio, sistema de herança,os quais tiveram suas normas reveladas no Alcorão eliminando os erros cometidos antes de sua revelação.

E mesmo nos dias atuais, cerca de 1400 anos depois da revelação do Alcorão, a religião islâmica atende as necessidades de nossa época e tem a flexibilidade necessária para todas as épocas até o fim do mundo. Têm as suas regras:

1. Básicas e imutáveis, como a crença estabelecida por Deus e a educação espiritual e boa conduta.

2. Flexíveis, que podem mudar de acordo com a época e lugar dentro dos limites estabelecidos nas regras básicas.

Temos no assunto da ciência moderna o mais nobre exemplo da contemporaneidade do Islam…

O Islam liberta a mente e incentiva o homem a olhar para o universo ao seu redor. Eleva o valor do conhecimento e dos sábios, e recepciona bem tudo o que é saudável e benéfico. A sabedoria é o elo perdido do crente e, onde a encontrar é o primeiro a dar importância a ele e tem mais direito sobre ela.

Pode ser que a pesquisa religiosa abranja o que não entra no círculo da pesquisa científica (material) e vice-versa, porém nunca vão divergir naquilo que é comprovado no religioso ou no científico. Portanto:

1. Uma descoberta científica real e verdadeira nunca contrariará uma base (regra) religiosa confirmada.

2. E o duvidoso do científico deve ser interpretado de maneira a confirmar o verdadeiro, real e confirmado do religioso e vice-versa.

3. E se ambos forem duvidosos, a pesquisa religiosa tem prioridade até que seja confirmado o científico ou descartado.

Isto tudo porque Os muçulmanos lêem no Alcorão que esta é a ultima mensagem e Muhammad o último mensageiro, por isso, a religião islâmica é contemporânea e abrange toda a vida do ser humano para que viva feliz sob a orientação de Deus…

*Nós revelamos a Mensagem e somos o seu Preservador* (15:09)

*Em verdade, Muhammad não é o pai de nenhum de vossos homens, mas sim o Mensageiro de Allah e o derradeiro dos profetas; sabei que Allah é Onisciente* (33:40)

http://www.religiaodedeus.net/islam

Imagem

 

Louvado seja Allah, O glorificamos, é d’Ele que solicitamos (ajuda) e é d’Ele que pedimos Perdão. Pedimos a Proteção de Allah de nosso próprio mal, e dos danos de nossas ações. Aqueles que Allah Guia, não podem ser desencaminhados, e aqueles que Allah Desencaminha, não podem ser guiados. Testemunho que não há nenhum verdadeiro deus senão Allah, Sozinho e sem parceiros e testemunho que Muhammad é Seu Profeta e Mensageiro; dentre muitas coisas que foi Ordenado por Allah que é o Jihad.

Allah disse no Alcorão:

“Dize (Ó Muhammad para a Humanidade) : Se verdadeiramente amais a Allah, segui-me ( no sentido de obedecê-lo – seguindo a “Sunnah”); Allah vos amará e perdoará as vossas faltas, porque Allah é Indulgente, Misericordiosíssimo.” (V. 3:31)

E o amor por Allah é efetuado obedecendo-No e ao Seu Mensageiro. Allah Ama aqueles que O amam mostrando à Ele obediência, como relatado por Abu Huraira (RA) que disse que o Mensageiro de Allah disse:

“Allah – O Altíssimo – Disse:

‘Aquele que mostrar inimizade a qualquer de um amigo Meu, declararei guerra à ele. Meu escravo (o muçulmano) não se aproxima tanto de Mim quanto quando performa suas obrigações (como muçulmano). E Meu escravo continua a se aproximar de Mim com as ações opcionais (não obrigatórias do muçulmano), para que ele ganhe Meu Amor. Então, quando Eu o amo, Torno-me sua audição com a qual ele ouve, sua visão com a qual ele vê, sua mão com a qual ele golpeia e seus pés com os quais ele anda. Se ele pedisse qualquer coisa à Mim, certamente Realizaria seu pedido, e se ele Me pedisse um teto para morar, certamente o Concederia.'” (al-Bukhari)

Obedecer é confiar em Allah e Allah Ajuda a quem n’Ele confia, como diz no Alcorão:

“Se Allah vos secundar, ninguém poderá vencer-vos; por outra, se Ele vos esquecer, quem, em vez d’Ele, vos ajudará? Que os fiéis se encomendem a Allah!” (V.3:160)

A palavra “Jihad” é uma palavra árabe que muitos não-muçulmanos a traduzem como “Guerra Santa,” mas essa tradução é errada; a verdade é que “Jihad” não pode ser traduzida com uma palavra só (no caso da Língua Portuguesa) pois ela tem um significado complexo. Além disso, não pode ser traduzida como “Guerra Santa” porque de nada ela tem a ver com esse “significado.”Ela tem dois significados: o Jihad interno e o Jihad de defesa. O primeiro tipo, o Jihad interno, é o que todo muçulmano enfrenta em seu dia-a-dia (que seguem al-Islam). É o jeito correto de atuar em sua crença e ter boas maneiras, a lembrar sempre de Allah a todo momento e a controlar suas vontades e desejos, em outras palavras, a ter disciplina para que diminua ao máximo seus pecados (tentando sempre observar a obediência à Allah e ao Seu Mensageiro em todas seus deveres (de todo dia). Por exemplo, acordar antes do nascer do sol , somente para cumprir a oração da Alvorada (salatul-Fajar) e ler o Alcorão, ou de jejuar no mês do Ramadan. E o Profeta e Mensageiro de Allah disse:

“O Mujahid (aquele que faz Jihad) é aquele que luta contra sua própria alma para refletir sua obediência à Allah. E o Muhaajir (aquele que imigra por Allah) é aquele que abandona aquilo que Allah Proibiu.” (Sahih Ahmed) – autenticado pelo Sheikh Muhammad ud-Din al-Albani, em (seu livro) “Saheehut – Targhib.”

Esse Jihad é o mais amado por Allah porque elimina hipocrisia, pois segundo essas palavras sabias, “como que alguém pode praticar o Jihad contra os outros sem praticá-lo contra si próprio antes?” Esse tipo de Jihad requer disciplina e auto-controle e esses foram dois exemplos do Jihad interno.

Já o outro tipo de Jihad, é efetuado apenas para auto-defesa ou defesa da Nação Islâmica (Ummah). É apenas efetuado quando a segurança do muçulmano, a casa (família) ou sua nação está sendo ameaçada, ou seja, a vida. Esse tipo de Jihad só pode ser efetuado sob três condições:

1- Que ela seja feita sob um governo Islâmico justo.

2- Que não se mate velhos, mulheres, crianças e inocentes.

3- Que seja efetuada especialmente para a defesa de caso extremo.

As leis e as normas do Alcorão e assim como do Hadiss (sunnah) devem ser observadas ao praticar o Jihad, como por exemplo, não matar um soldado que esteja sem o porte de armas, e abrigar aqueles que procurarem lugar de refúgio (soldado do exército inimigo), como Allah Diz no Alcorão:

“Se alguns dos idólatras procurar a tua proteção, ampara-o, para que escute a palavra de Allah (o Alcorão) e, então, escolta-o até que chegue ao seu lar, porque (os idólatras) são insipientes.” (V.9:6)

E ambos tipos de Jihad, interno e o de defesa, requerem como base a paciência do muçulmano, pois no Alcorão Allah Diz:

“… Porém, aqueles que creram que deveriam encontrar Deus disseram: Quantas vezes um pequeno grupo venceu outro mais numeroso, pela vontade de Deus, porquanto Deus está com as-Sabirin! (os perseverantes)” (V.2:249)

E o “Mujahid” (aquele que faz o Jihad) é aquele que, não só luta (com as mãos) mas também aquele que é paciente e fica longe daquilo que é ilícito, mesmo em épocas de conflitos, aquele que usa suas palavras contra as do inimigo (como em debates), aquele que ajuda com sua riqueza (nos gastos de batalhas e/ou livros para a defesa dos muçulmanos e/ou do Islam) e aquele que ajuda com sua propriedade (como no caso de abrigar os soldados. Allah só Ordenou o Jihad no caso extremo, como na época do Profeta e Mensageiro de Allah que os Quraxitas começaram a aprisionar os muçulmanos, assim como torturá-los com espancamentos terríveis, foi relatado que muitos deles de tanto que apanharam, não conseguiam nem levantar direito, além de terem passado fome e sede (ao serem aprisionados). Que muitos morreram e o próprio Profeta foi intensamente perseguido, fisicamente agredido com pedras, estrangulamento, pancadas etc… e abusado com palavras, piadas e impurezas que eram atiradas nele durante seu salat (oração). Ele também foi quase morto, muitas vezes. Isso foi não só historicamente comprovado, mas também é encontrado no Alcorão e no Hadiss: Jihad (o de defesa) só pôde ser efetuado sob certas condições e quando extremamente necessário (o último dos recursos – e só no caso de defesa). E isso é porque Allah É Justo com Suas criaturas.

Em conclusão, o primeiro tipo de Jihad (o interno) é o mais comum hoje em dia, é o Jihad das boas maneiras, da melhora das ações no louvor à Allah, da constante procura do conhecimento (Islâmico e aquilo que ela beneficia) de debater contra as palavras dos inimigos, de manter a Palavra de Allah e de Seu Mensageiro intactas (sem inovações), como foi Narrado para Nasr Ibn Yahyaa (R.A) disse, que o Profeta e Mensageiro de Allah disse:

“Defender o Sunnah é mais virtuoso que Jihad no Caminho de Allah”e de informar uns aos outros sobre aquilo que está errado (ajudando uns aos outros) e de falar contra aquilo que tem de ser corrigido ou no melhor dos casos, corrigir, se possível, por si só.

E o segundo tipo, é o direito Dado à todo ser humano, de defender a própria vida e de defender a Nação Islâmica (Ummah) quando o inimigo ataca sem remorso e sem razão – especialmente quando o inimigo ataca uma ou muitas pessoas só porque elas afirmam; án “LA ILAHA ILAL-LAH!”

Qualquer erro deste documento é produto de minha própria pessoa e aquilo que está correto é nada mais nada menos que fruto de Allah, O Perfeito.

Fonte: http://www.religiaodedeus.net/

Meu Corpo é da Minha Própria Conta !

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

Imagem

 

Imagem ilustrativa

Freqüentemente me questiono se as pessoas me vêem como uma muçulmana fundamentalista terrorista radical, carregando um rifle de assalto AK-47 dentro de meu casaco. Ou pode ser que me vejam como uma garota de pôster das mulheres oprimidas de todo o mundo. Eu não estou bem certa.

Eu atraio toda a gama de olhares estranhos, fixos, e olhadelas disfarçadas. Você vê, eu uso um “hijab”, um lenço que cobre minha cabeça, pescoço e garganta. Eu o uso porque sou uma muçulmana que acredita que seu corpo é assunto seu.

Jovens muçulmanas estão restaurando o “hijab”, reinterpretando-o à luz de seu propósito original – devolver às mulheres o controle de seus próprios corpos. O Alcorão nos ensina que homens e mulheres são iguais, que os indivíduos não devem ser julgados de acordo com seu sexo, beleza, riqueza ou privilégio. A única coisa que faz uma pessoa melhor que a outra é seu caráter. Apesar disso, as pessoas tem dificuldades em relação a mim. Afinal, eu sou jovem, nascida e educada no Canadá, nível universitário – por que eu faria isto a mim mesma, eles perguntam.

Estranhos falam comigo em inglês em tom alto e lentamente e freqüentemente parecem estar dizendo charadas. Eles educadamente me perguntam se eu gosto de viver no Canadá e se o frio me incomoda. Se eu estou de bom humor, isto pode ser muito divertido. Mas, por que iria eu, uma mulher com todas as vantagens de uma educação norte-americana, de repente, aos 21, querer me cobrir de modo que com o “hijab” e as outras roupas que escolho usar, somente meu rosto e minhas mãos apareçam? Por que isto me dá liberdade. 

Mulheres são ensinadas desde a infância que seu valor é proporcional à sua atratividade. Nos sentimos compelidas a perseguir noções abstratas de beleza, entendendo pela metade que tal objetivo é fútil. Quando as mulheres rejeitam esta forma de opressão, elas enfrentam o ridículo e o desprezo. Sejam as mulheres que se recusam a usar maquiagem ou raspar suas pernas, ou expor seus corpos, a sociedade, homens e mulheres, tem problema em lidar com elas.

No mundo ocidental, o “hijab” passou a simbolizar ou um silêncio forçado ou militância radical inconsciente. Na realidade, não é nem um nem outro. É simplesmente a afirmação da mulher de que o julgamento de seu físico não tem papel a desempenhar na interação social. Usar o “hijab” tem me libertado de uma constante atenção ao meu físico. Porque minha aparência não é objeto de escrutínio público, minha beleza, ou talvez a falta dela, foi removida do campo do que legitimamente pode ser discutido.

Ninguém sabe se meu cabelo está como se eu tivesse acabado de sair de um salão de belezas, se eu ganhei ou não algumas polegadas, ou até mesmo se tenho invisíveis estrias. E porque ninguém sabe, ninguém se importa. O sentimento de que alguém tem que atingir os impossíveis padrões de beleza estabelecidos pelos homens é cansativo e freqüentemente humilhante. Eu devia saber, passei minha adolescência inteira tentando alcançá-los. Estava no limite bulímico e gastei muito dinheiro que não tinha em poções e loções na esperança de me tornar a próxima Cindy Crawford.

A definição de beleza está em constante mudança; ser atlética é bom – desculpe, atlética é ruim. Quadris estreitos? Ótimo. Quadris estreitos? Péssimo. Mulheres não conseguirão igualdade com o direito de expor seus seios em público, como algumas pessoas gostariam que você acreditasse. Isto apenas faria de nós parte de nossa própria objetificação. A verdadeira igualdade será obtida quando as mulheres não precisarem se expor para atrair atenção e não precisarem defender suas decisões de manter seus corpos para si mesmas.

Texto de Naheed Mustafa. Naheed Mustafa é canadense e se graduou com menção honrosa em Ciências Políticas e História na Universidade de Toronto. Atualmente cursa Jornalismo na Universidade Politécnica de Ryerson.

Quem São Os Muçulmanos ?

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

Imagem

 

Bilhões de pessoas de uma vasta classe de raças, nacionalidades e culturas através do globo, desde as Filipinas até a Nigéria estão unidas pela fé islâmica. Aproximadamente 18% vivem no mundo árabe; a maior comunidade islâmica do mundo é a Indonésia; partes substanciais da Ásia e da maior parte da África são muçulmanas, enquanto a minoria significativas são encontradas na União Soviética, China, América e na Europa. Muçulmano é todo aquele que se submete a Deus, de livre e espontânea vontade, um Muçulmano vive em paz e harmonia com toda a criação, por conseguinte, um Muçulmano é a pessoa que em qualquer parte do mundo faça com que toda a sua obediência, dedicação, e lealdade sejam para Deus.

Em Que os Muçulmanos Crêem?

Os muçulmanos crêem em um Único e Incomparável Deus; nos anjos criados por Ele; nos profetas pelos quais Suas revelações foram trazidas à humanidade; no dia do Juízo e na prestação individual de contas pelas ações praticadas; na autoridade total de Deus sobre o destino do homem e na vida após a morte. Os muçulmanos crêem na corrente dos profetas a partir de Adão, incluindo Noé, Abraão, Ismael, Isaac, Jacó, José, Jó, Moisés, Araão, Davi, Salomão, Elias, Jonas, João Batista e Jesus (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre eles). Mas a mensagem final de Deus para o homem, uma confirmação da mensagem eterna e um resumo de tudo que acontecera anteriormente, foi revelada ao profeta Muhammad (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre ele) por intermédio do anjo Gabriel.

Como Alguém Se Torna Muçulmano?

Simplesmente por proferindo; ”Testemunho de que não há outra divindade além de Deus e Testemunho que Muhammad é o Mensageiro de Deus”. Com esta declaração o crente anuncia a sua fé em Deus e em todos os mensageiros de Deus, e nas Escrituras que eles trouxeram.

O Que Significa Islam ?

A palavra árabe “Islam” significa “submissão”. É derivada de uma palavra que significa “paz”, num contexto religioso, significa total submissão à vontade de Deus. ”Maometano”, portanto, é uma denominação errada, porque sugere que os muçulmanos adoram a Muhammad em vez de Deus. Allah é a palavra árabe que significa Deus, usada pelos árabes tanto muçulmanos como cristão.

Porque o Islam Parece Estranho?

O Islam pode parecer exótico ou mesmo extremista no mundo moderno. Talvez isso acontece porque a religião não domina a vida do dia a dia no ocidente de hoje.

Enquanto os muçulmanos têm a religião sempre presente em suas mentes, e não fazem distinção entre o secular e o sagrado. Acreditam que a Lei Divina, Chari’ah, deve ser tomada seriamente, por isso, assuntos relacionados com a religião continuam tão importantes.

O Islam e o Cristianismo Têm Origens Diferentes ?

Não! Juntamente com o Judaísmo, eles remontam ao Profeta e Patriarca Abraão. Os profetas dessas três religiões são descendentes diretos de seus dois filhos; Muhammad, descende do primogênito, Ismael.Moisés e Jesus descendem de Isaac (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre eles). Abraão estabeleceu as bases do que chamamos hoje a cidade de Makka, e construiu a Kaaba, em direção da qual todos os muçulmanos se voltam quando oram.

Quem é Muhammad?

O profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) nasceu em Makka no ano 570, em um período em que o Cristianismo não tinha-se estabelecido completamente na Europa. Uma vez que seu pai faleceu antes de seu nascimento, e sua mãe logo depois, ele foi cuidado pelo seu tio, pertencente à respeitada tribo dos coraixitas. À medida que ia crescendo, tornou-se conhecido pela sua retidão, generosidade e sinceridade, a tal ponto que era procurado pela sua capacidade de arbitrar nas disputas. Os historiadores descrevem-no como calmo e meditativo. O profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) possuía uma natureza profundamente religiosa, e abominava a decadência de sua sociedade. Ele adquiriu o hábito de meditar na caverna de Hirá, perto do topo da Montanha da Luz (Jabal al-Nur) em Makka.

Como ele Recebeu a Revelação?

Aos quarenta anos de idade, enquanto estava empenhado em um retiro meditativo, o profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) recebeu sua primeira revelação de Deus por intermédio do anjo Gabriel. Essa revelação, que prosseguiu por vinte e três anos, é conhecida como Alcorão.Tão logo ele começou a recitar as palavras que ele ouviu de Gabriel, e a pregar a verdade que Deus havia lhe revelado, ele e seu pequeno grupo de seguidores sofreram perseguições amargas, que se tornaram tão violenta no ano de 622 que Deus lhes ordenou que emigrassem.Este evento, a Hégira (migração), na qual eles se mudaram de Makka para a cidade de Madina, cerca de 260 milhas ao norte, marca o início do calendário muçulmano. Depois de muitos anos, o profeta e seus seguidores retornaram a Makka, onde perdoaram seus inimigos e estabeleceram o Islam definitivamente.

O Que é a Kaaba ?

A Kaaba é o local de adoração que Deus ordenou Abraão e Ismael(que a Paz esteja sobre eles), construírem há aproximadamente 4000 anos atrás. A construção foi feita de pedra, a qual, muitos acreditam, foi o local original de um santuário estabelecido por Adão(que a Paz esteja sobre ele). Deus ordenou a Abraão(que a Paz esteja sobre ele), a convocar toda a humanidade para visitar o local, e quando os peregrinos lá vão, dizem: “Eis-nos aqui, ó Senhor!”, em reposta à tal convocação.

Como a Expansão do lslam Afetou o Mundo?

Dentre as razões da rápida e pacífica difusão do Islam está a simplicidade de sua doutrina, o lslam convoca para a crença no Deus Único, merecedor de adoração. Ele também instrui o homem a usar seus poderes de inteligência e observação. Dentro de poucos anos grandes civilizações e universidades floresceram, uma vez que, de acordo com o Profeta (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele): “Procurar o conhecimento é uma obrigação para todo muçulmano e muçulmana.”

A síntese das idéias orientais e ocidentais e os pensamentos novos e antigos geraram grandes avanços na medicina, matemática, física, astronomia, geografia, arquitetura, arte, literatura e história; e também o conceito do zero (que foi vital para o desenvolvimento da matemática), foi transmitido à Europa medieval pelo lslam. Os instrumentos sofisticados, que tornaram possíveis as viagens de descobrimento dos europeus de descobrimento, foram desenvolvidos, incluindo o astrolábio, o quadrante e os bons mapas de navegação.
O Que é o Alcorão?

O Alcorão é um registro das palavras exatas reveladas por Deus por intermédio do Anjo Gabriel ao Profeta Muhammad. Foi memorizado por ele e então ditado aos seus companheiros, e registrado pelos seus escribas, que o conferiram durante sua vida. Nenhuma palavra das suas 114 suratas foi mudada no decorrer dos séculos. Assim, o Alcorão é, em cada detalhe, o único e miraculoso texto que foi revelado ao Profeta há quatorze séculos atrás. Diz Deus no Alcorão:

”Eis o Livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Deus, que crêem no incognoscível, observam a oração e gastam daquilo com o que os agraciamos.”

De Que Assuntos Trata o Alcorão?

O Alcorão, a derradeira palavra de Deus revelada, é a principal fonte da fé e da prática de todo muçulmano. Ele trata de todos os assuntos relacionados conosco, como seres humanos: Sabedoria, doutrina, rituais e lei, mas o seu tema básico é o relacionamento entre Deus e Suas criaturas. Ao mesmo tempo, ele proporciona orientação para uma sociedade justa, a conduta humana decente e para um eqüitativo sistema econômico.O Alcorão abrange todos os assuntos relacionados com o ser humano como um todo, vejamos resumidamente esses assuntos:

Primeiro – O Alcorão nos da conhecimento de Deus; os seus nomes e atributos, dos anjos, dos Livros por Ele revelados, dos mensageiros por Ele enviados, do dia do juízo final e da predestinação. E mostra a nossa obrigação diante dessa crença.

Segundo – Nos mostra as regras do bom comportamento, e as virtudes com as quais os homens devem se moldar.

Terceiro – As regras das práticas que organizam a relação dos homens com Deus( orações, paga do Zakat, jejum, peregrinação, promessas e etc… ) e as que regulamentam as relações dos homens entre si, seja individualmente, em grupos ou enquanto nações.

Quarto – As histórias dos povos passados, para que se tire proveito delas, aprendendo com os acertos e com os erros daqueles que nos antecederam.

Há Outras Fontes Sagradas?

Sim; a Sunnah, a prática e o exemplo do Profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) é a segunda autoridade para os muçulmanos. Um hadiss é a narração fidedigna transmitida do que o Profeta Muhammad disse, fez ou aprovou. Exemplos dos Ditos do Profeta Muhammad.

O Profeta disse:

“Deus não tem misericórdia daquele que não tem misericórdia dos outros.”

“Ninguém de vós crê realmente, antes de desejar a seu irmão o que deseja a si próprio.” ”Aquele que se alimenta, enquanto o seu vizinho está passando fome, não é crente.”

“O comerciante honesto está associado aos profetas, aos santos e aos mártires.”
Quais São os Cinco Pilares do lslam?

São a estrutura da vida do muçulmano: A fé, a oração, o interesse pelo necessitado (zakat), a auto-purificação(jejum de Ramadan) e a peregrinação à Makka(Haj) para quem tiver posses para tal.

1º – A Fé

Não há outra divindade além de Deus e Muhammad é Seu Mensageiro. Esta declaração de fé é chamada de chahada, uma fórmula simples que todo crente pronuncia. Em árabe, a primeira parte é: La ilaha illal-lah, (não há outra divindade além de Deus). A segunda parte da chahada é:Muhammad Rassul Allah, (Muhammad é o Mensageiro de Deus). Uma mensagem de orientação, que veio por intermédio de um homem como nós mesmos.

2º – A Oração

Salat é o nome das orações obrigatórias que são praticadas cinco vezes ao dia, e constituem um elo direto entre o adorador e Deus. As orações são dirigidas por uma pessoa com instrução, que conhece o Alcorão, escolhido pela comunidade. Essas cinco orações diárias contêm, versículos do Alcorão e são recitados em árabe, a linguagem da Revelação, mas as súplicas pessoais podem ser feitas no idioma de cada um. As orações são praticadas na alvorada, ao meio-dia, no meio da tarde, ao crepúsculo e à noite, e assim determinam o ritmo do dia todo. Apesar de ser preferível praticar a oração em conjunto, numa mesquita, o muçulmano pode orar em qualquer lugar, tal como no campo, escritório, na fábrica e universidade, desde que estes locais estejam limpos.

3º – Az-Zakat

Um dos mais importantes princípios do Islam é que todas as coisas pertencem a Deus, e que a riqueza, portanto, está confiada aos seres humanos. A palavra zakat significa tanto “purificação” como “crescimento”. Nossas posses são purificadas com a separação de uma parte delas para os necessitados e, a exemplo da poda das plantas, o corte equilibra e estimula novos crescimentos. Cada muçulmano calcula individualmente o seu próprio zakat. Na maioria dos casos isso envolve o pagamento de dois e meio por cento do capital da pessoa. A pessoa piedosa deve também dar tanto quanto possa como caridade(sadaka), e fazê-lo preferivelmente em segredo. Apesar dessa palavra poder ser traduzida como “caridade voluntária”, tem um significado mais amplo.

4º – O Jejum

Todo ano, durante o mês de Ramadan, todos os muçulmanos jejuam, desde a alvorada até ao pôr-do-sol, abstendo-se da comida, bebida e das relações sexuais. Aquele que estiver doente, for idoso, ou em viagem, e à mulher grávida ou amamentando é-lhes permitido quebrarem o jejum e jejuarem o mesmo número de dias em outra época do ano. Se houver incapacidade física para fazê-lo, devem alimentar uma pessoa necessitada para cada dia não jejuado. As crianças começam a jejuar (e praticar as orações) a partir da puberdade, apesar de muitos começarem mais cedo, o jejum é um método de purificação pessoal. Ao privar-se dos confortos mundanos, mesmo por um período curto, o jejuador adquire verdadeira fé e ao mesmo tempo desenvolve a sua vida espiritual.

5º – A Peregrinação

A peregrinação anual a Makkah (hajj) é uma obrigação somente para aqueles que são física e financeiramente capazes de empreendê-la. Apesar de Makkah estar sempre cheia de visitantes, o hajj anual começa no décimo segundo mês do calendário islâmico; assim o hajj e Ramadan caem algumas vezes no verão, outras no inverno. Os peregrinos vestem roupas simples que eliminam as distinções de classes e cultura; assim todos ficam iguais perante Deus. Os rituais do hajj foram instituídos por Abraão, incluindo o circungiro da Kaaba por sete vezes, e o percorrer sete vezes a distância entre os montes Safa e Marwa, como fez Hagar durante a sua procura por água. Então, os peregrinos se põem em pé no vasto vale de Arafat e se juntam em oração para pedir o perdão a Deus. 

Tolera o lslam Outras Crenças?

O Alcorão diz:

“Deus nada vos impede quanto àqueles que não vos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram, nem que lideis com eles com gentileza e eqüidade, porque Deus aprecia os eqüitativos.” (60ª Surata, versículo 8).

É função da lei islâmica proteger o status privilegiado das minorias, e é por isso que os templos dos não muçulmanos floresceram em todo o mundo islâmico. A história nos fornece muitos exemplos de tolerância islâmica às outras Crenças. Quando o Califa Umar entrou em Jerusalém, no ano 634, ele garantiu a liberdade de culto a todas as comunidades religiosas da cidade. A lei islâmica também permite às minorias instalarem seus próprios tribunais, que cumprem as leis familiares redigidas pelas próprias minorias. De acordo com o Islam, o homem não nasceu com o pecado original. Ele é o legatário de Deus na terra. Toda criança nasce com a ”fitra”, uma disposição inata em prol da virtude, do conhecimento e da beleza.

O Que Os Muçulmanos Pensam A Respeito de Jesus ?

Os muçulmanos respeitam e reverenciam Jesus e aguardam a sua segunda vinda. Eles o consideram como um dos maiores mensageiros de Deus. O muçulmano nunca se refere a ele simplesmente como “Jesus”, mas sempre acrescenta a frase “a paz esteja com ele”. O Alcorão confirma seu nascimento de uma virgem (uma Surata do Alcorão é denominada “Maria”) e Maria é considerada a mais pura mulher de toda a criação. O Alcorão descreve a anunciação como segue:

“Recorda-te de quando os anjos disseram: ó Maria, é certo que Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade!… ó Maria, por certo que Deus te anuncia novas felizes com Seu Verbo, cujo nome será Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e se contará entre os diretos de Deus. Falará aos homens ainda infante, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos.” (3ª Surata, versículos 42-47)

Jesus (a paz esteja com ele) nasceu miraculosamente por intermédio do mesmo Poder que criou Adão sem o concurso de um pai.

“O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, a quem Ele criou da terra; então lhe disse: Seja! e foi.”

Durante sua missão profética, Jesus operou muitos milagres.O Alcorão informa que ele disse:

“Apresento-vos um sinal de vossa Senhor: Plasmarei de barro a figura de um pássaro, com o beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos com a anuência de Deus e vos revelarei o que consumis e o que entesourais em vossas casas.”

Nem Muhammad, nem Jesus (a paz esteja com eles) vieram para mudar a doutrina básica da crença em Um Deus, trazida pelos profetas anteriores, mas para a confirmarem e para renová-la. No Alcorão é narrado que Jesus (a paz esteja com ele) veio para:

“Confirmar-vos a Tora que vos chegou antes de mim, e Para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal de vosso Senhor.Temei a Deus, pois, e obedecei-me.”

Como os Muçulmanos Tratam Os Idosos ?

No mundo islâmico não há asilo para idosos. A incumbência de se cuidar dos pais nesse período difícil da vida destes é considerado uma honra e benção, e uma oportunidade de elevação espiritual. Deus não só ordena que oremos por nossos pais, mas também que passemos a agir com compaixão ilimitada, lembrando-nos que, quando éramos crianças indefesas, eles nos preferiram a eles próprios. As mães são especialmente honradas.

O Alcorão diz: “O decreto do teu Senhor é que não adoreis senão a Ele; que sejais indulgentes com vossas pais, mesmo que a velhice alcance a um deles ou a ambos, em vossa companhia; não os reproveis nem os repilais; outros sim, dizei-lhes palavras honrosas. E estende sobre eles a asa da humildade, e dize: ó Senhor meu, tem misericórdia de ambos! como eles tiveram misericórdia de mim, criando-me desde pequenino!”

Como os Muçulmanos Vêem a Morte?

A exemplo dos judeus e dos cristãos os muçulmanos crêem que a presente vida é apenas uma prova e preparação para o próximo reino da existência. Os artigos básicos da fé incluem: O Dia do Juízo Final, a Ressurreição, o Paraíso e o Inferno. Quando um muçulmano morre, ele ou ela é lavado/a usualmente por um membro da família, enrolado num tecido limpo branco, e enterrado com uma simples prece, preferivelmente no mesmo dia, Os muçulmanos consideram isso um dos atos finais que podem fazer por seus parentes, e uma oportunidade para se lembrarem da sua breve existência aqui na terra. O Profeta Muhammad ensinou que três coisas podem continuar auxiliando uma pessoa mesmo depois da morte: a caridade que ela fez, o conhecimento que ela transmitiu e as orações que são feitas por um filho virtuoso pela alma dos pais. Diz Deus no Alcorão: ”Toda alma provará o gosto da morte…”

Que o Islam Diz a Respeito da Guerra?

A exemplo do cristianismo, o lslam permite a luta em defesa própria, em defesa da religião, ou para a defesa daqueles que foram expulsos à força, de seus lares. Ele impõe estritas regras de combate que incluem proibições quanto a causar danos aos civis, o destruir plantações, árvores e gado. A injustiça triunfará no mundo se boas pessoas não forem preparadas para arriscar suas vidas pela causa justa. O Alcorão diz:

“Combatei pela causa de Deus àqueles que vos combatem; porém, não os provoqueis, porque Deus não estima os agressores.”

“Se eles se inclinarem à paz, inclina-te também a ela e encomenda-te a Deus.”

A guerra, portanto, é o último recurso, o termo Jihad significa, literalmente, “esforço” e os muçulmanos crêem que há dois tipos de jihad. O outro jihad é a luta interior que cada um trava contra desejos egoísticos, para conseguir a paz interior.

Os Direitos da Mulher no Islam

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

Imagem

 

Há 1400 anos o Islam garantiu para mulher muçulmana: 

– O direito ao voto;
– O direito a herança;
– O direito a posse e controle dos seus bens;
– O direito de escolher seu marido;
– O direito ao divórcio;
– O direito ao estudo;
– O direito de trabalhar e gastar seu dinheiro como quiser;
– O direito de ser sustentada pelo chefe da família;
– O direito ao tratamento digno;

C O N H E Ç A A N T E S D E J U L G A R ! ! !

O Islam libertou a mulher e dignificou-a, devolveu a mulher todos os direitos que lhe haviam sido usurpados pelos homens. O Alcorão eleva a condição da mulher e a valoriza, devolvendo a mulher o lugar que lhe é de direito no seio da sociedade:

1. No decorrer da história, a mulher sempre foi considerada a culpada pelas desgraças que assolavam o mundo. Já no Islam, a mulher não é responsável pelo pecado original de Adão, porém ambos erraram e ambos se arrependeram e foram perdoados e a descendência de Adão e Eva nada têm a expiar senão pelos próprios erros, e também afirmamos que, se um dos dois tem uma parcela maior de culpa, esse é Adão.

2. Ainda chegaram a ponto de especular se a mulher tinha ou não uma alma. A taxaram de demônio e lhe foi negado o direito de pensar, de herdar, de ser responsável pelos próprios bens e de sentir prazer sexual. Deus confirmou que a mulher é um ser humano completo, dotada de corpo e alma, e a igualou ao homem na prática religiosa e na recompensa da outra vida… *A quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel, conceder-lhe-emos uma vida agradável e o premiaremos com uma recompensa superior ao que houver feito* (16: 97)

3. A mulher muçulmana não só tem o direito, mas também o dever de estudar e procurar o conhecimento, porque essa é a melhor forma de se aproximar de Deus. Ela passa a ter os seus horizontes abertos, e a sua fé passa a ser uma fé consciente, enraizada na mente e no coração. A mulher é a base da sociedade, pois ela é a mãe e a “é a melhor das escolas”; é com ela que aprendemos tudo o que se refere aos princípios morais e boas maneiras. Logo, se a mãe é sábia e virtuosa, seus filhos assim crescerão, e a sociedade será consolidada na verdade e na virtude.

4. A mulher no Islam têm direito a herança e de dispor dos seus bens como quiser. Diz Allah, o Altíssimo: *Não ambicioneis aquilo com que Deus agraciou uns, mais do que aquilo com que (agraciou) outros, porque aos homens lhes corresponderá aquilo que ganharem assim, também as mulheres terão aquilo que ganharem. Rogai a Deus que vos conceda a Sua graça, porque Deus é Onisciente.* (4: 32). Este direito dado a mulher no estatuto muçulmano a 1400 anos atrás, só foi conquistado pela mulher no Brasil em 1962, quando teve os direitos de assinar contratos e receber herança se a autorização do marido. Na Inglaterra, só em 1882 lhe foi assegurado o direito de dispor do seu dinheiro.

5. Quanto ao casamento, a mulher tem o direito de escolher com quem irá casar e também manter o seu nome de solteira após o casamento, pois o nome é parte da identidade e da personalidade da pessoa e, uma das formas de aprisionar a mulher e colocá-la sob o domínio do homem, foi fazê-la adotar o nome do marido após o casamento, como um objeto que é passado de uma pessoa para a outra. A primeira mulher a ir contra essa agressão foi Lucy Stones, em 1885.

6. O Islam garantiu ą mulher o direito ao prazer sexual, direito que a ocidental só conquistou após a revolução sexual, pois antes a mulher que demonstrava sentir prazer era considerada prostituta. No Islam é diferente, é estabelecido o casamento como único entre homem e mulher e, dentro das regras do casamento o profeta Muhammad disse: “Não tenhais relações com vossas esposas como os animais. Que haja entre vós uma ligação! Perguntaram-lhe: Que ligação é essa? Então disse: O beijo e a conversa”.

7. A mulher muçulmana foi privilegiada por Deus em relação aos pais, pois a posição da mãe é três vezes superior a do pai. O profeta disse: ” O paraíso jaz aos pés das mães “. Portanto, a obediência aos pais é uma obrigação do muçulmano, principalmente ą mãe, pois ela é a base da família e ela sofreu as dores do nosso parto, de nos educar e sofrer para o nosso bem. Assim também, o Islam respeita a mulher como filha e ordena que pai e mãe zelem pela educação das meninas e prometeu o paraíso para o muçulmano que educar uma filha e a ensinar os bons modos islâmicos após terem difundido na Arábia pré-islâmica que ter uma filha era motivo de vergonha e desonra. Diz o Alcorão Sagrado: *E atribuem filhas a Deus! Glorificado seja! E anseiam, para si, somente o que desejam. Quando a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha, o seu semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe foi anunciada: deixa-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Quem péssimo é o que julgam!* (16:57-59)

8. O uso do véu não é uma invenção do Islam, como muitos podem imaginar. Faz parte da religião cristã que a mulher traje o véu, de acordo com a própria bíblia. Já no Islam a muçulmana cobre todo o corpo com exceção das mãos, vestindo uma roupa não apertada e não transparente. Deus, ao estabelecer o uso do véu, conscientizou a mulher de que este véu é um sinal de libertação para ela, tem o seu corpo e sua honra protegidos, e não será molestada pelos olhares pecaminosos dos homens: *Ó profeta, dize a tuas esposas, a tuas filhas e as mulheres dos crentes que (quando saírem) se cubram com suas mantas; isso é mais conveniente para que sejam reconhecidas e não sejam molestadas; Allah é Indulgente, Misericordioso* (33:59)

9. A mulher muçulmana também pode votar. Enquanto ela teve este direito há 1400 anos, nos Estados Unidos, a mulher só conseguiu esse direito em 1916, e no Brasil, em 1932.

10. A mulher pode exercer qualquer função que não vá contra os princípios do Islam, que não agrida a sua natureza feminina e que não a ocupe totalmente, fazendo com que descuide da família, pois isso causa sérios prejuízos ą sociedade, pois acarreta na não educação materna, no abandono dos filhos que serão entregues as “mães artificiais”. No Islam, a mulher tem o direito de ser sustentada pelo pai, irmão ou marido, visto ser uma injustiça querer que ela trabalhe dentro e fora de casa.

A mulher tem grande importância dentro do Islam, pois Deus é justo e distribui os direitos e deveres de acordo com sua plena justiça. 

Atualmente, as reivindicações e movimentos pela garantia dos direitos da mulher são assuntos prioritários nas sociedades que injustiça à mulher. Os direitos da mulher e a libertação da mulher são assunto prioritário, prioridade que se deve ao fato de a mulher estar aprisionada e injustiçada. Não é dado ą mulher o valor que ela tem mesmo sendo o alicerce da família, da sociedade e do mundo e sendo a metade da sociedade humana. Antigamente, a posição social da mulher era praticamente nula; em alguns códigos, a mulher contava-se propriedade do homem; em outras civilizações não tinha o direito ą herança ou a propriedade; na Índia, ela não tinha direitos independentes do pai, marido ou filho, e se o marido morresse era condenada a morrer no dia da morte do marido dela; alguns consideram a mulher uma maldição; até pouco tempo atrás pesquisavam se a mulher é obra de Deus ou do diabo, se a mulher tem alma ou não tem!

Esqueceram de todos estes crimes que eram e são cometidos contra a mulher e só se lembraram de acusar os muçulmanos de oprimirem a mulher e não darem a ela os direitos que ela merece. E por incrível que pareça, o Islam cresce mais entre as mulheres, e as novas muçulmanas alegam ter encontrado no Islam o respeito que procuravam e os seus direitos garantidos sem segundas intenções.

Os direitos conquistados pela mulher têm custado para a mulher ocidental o que não custou para a mulher muçulmana. A mulher no ocidente está a cair numa verdadeira armadilha. Dizem a ela: “Nós vamos te libertar, você vai ser livre e ter os seus direitos”. Porém, estes direitos não garantem o principal direito: o respeito ą mulher como ser humano, como mãe, como esposa , como irmã, como filha, como educadora.

Em nome da liberdade, a mulher é usada e manipulada na sociedade. Seu corpo é vendido; é usado como uma estátua para enfeitar os programas de auditório; a mulher é comparada a objetos em comerciais, por acaso não lembram dos comerciais de cerveja na TV, em um deles perguntam: O que o brasileiro mais gosta, mulher, cerveja, praia ou futebol? Em outra propaganda aparece um senhor ao lado de duas moças com o seguinte slogan: “troquei” uma de 51 por duas de 21. Comparar a mulher a futebol e cerveja e trocá-la faz parte dos seus direitos?! Se a mulher tem um corpo formoso e belo é valorizada e considerada, se não é mais uma! A moda que difundem na sociedade tende a expor cada vez mais o corpo da mulher, e a convenceram de que isto é liberdade, está sendo usada e assediada e acredita que isto lhe trará respeito e dignidade, não percebe que assim ela está sendo submissa ao homem e está a atender aos seus desejos e impulsos ilimitados.

Ao garantir os direitos da mulher devemos nos preocupar em não prejudicá-la em nome deste direito, a sobrecarregando e impondo a ela junto com estes direitos deveres que não fazem parte de sua natureza.

Ouça sempre os dois lados para que não fique surdo de ambos os ouvidos…

Leiam este artigo, com fontes aplicadas através do Alcorão Sagrado.

http://www.amulhernoislam.com/2011/01/ha-1400-anos.html