O Valor do Conhecimento entre o Islam e o Cristianismo

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Se fizermos uma comparação entre a importância da ciência no Islam e sua importância no cristianismo alterado encontraremos que a Igreja na Idade Média era completamente contra a ciência; a Igreja Cristã, desde o seu início em Roma se isolou das culturas grega e romana, a civilização romana estava a morrer quando vieram os ataques dos góticos, sendo que quando a Igreja Católica Oriental atingiu o auge de sua força lançou uma perseguição contra os filósofos e os sábios politeístas e fechou a escola de Atenas, e combateu com mão de ferro a filosofia grega em Alexandria. A Igreja opinava que o único caminho para a purificação da alma é o seu caminho a Deus, e a perdição é a procura da realidade fora da Bíblia Sagrada, o pensamento e a pesquisa em assuntos mundanos[1].

A opinião da orientalista alemã Sigris Hunke

ilm islamA orientalista alemã Sigris Hunke[2] confirma esta realidade ao comparar entre a ciência  na visão do Islam e a ciência na visão do Cristianismo na Europa Ocidental durante a Idade Média. Ela lembrou como o mensageiro (a paz esteja com ele) recomendou todo crente – seja homem ou mulher – a buscar o conhecimento, e fez disso uma obrigação religiosa, e como ele via a profundeza de seus seguidores no estudo das criaturas e suas maravilhas um meio para o conhecimento do poder do Criador, chamando a atenção deles para as ciências de todos os povos. Em seguida, concluiu dizendo: “Completamente contrário a isso, o apóstolo Paulo perguntou confirmando: O Senhor não chamou o conhecimento mundano de tolice?”[3].

          Da mesma forma, ela mencionou a definição de Santo Agostinho[4] sobre o eixo do conhecimento. Ele disse: “Quanto ao Senhor e o Espírito, eu desejo conhecê-los, portanto, a busca da verdade é a busca por Deus, e isto não requer auxílio externo, e a única fonte para este conhecimento é a Bíblia Sagrada”[5].

          E Sigris Hunke também esclareceu como a situação deles chegou ao ponto de considerarem quem defende uma nova idéia científica – a terra ser circular, por exemplo – apóstata desviado, e usou como prova as declarações de Lactâncio[6], o mestre da Igreja, quando ele comentou as alegações de alguns cientistas sobre a terra ser circular. Ele disse perguntando e condenando: “Isso é possível? È possível as pessoas ficarem loucas a esse ponto, e entrar em suas mentes que os países e as árvores ficam pendurados do outro lado da terra, e que os pés das pessoas estão acima de suas cabeças?!”. Quem se convence ou aceita uma interpretação científica sobre as ocorrências da natureza é amaldiçoado, quem explica razões naturais para o surgimento de um planeta ou para o transbordamento de um rio está em desobediência ao Senhor. Ainda, aos que explicam cientificamente a cura de um pé quebrado ou o aborto de uma mulher, isso tudo são castigos de Deus ou do Satanás, ou são milagres que estão além do nosso alcance!”[7].

 

O conflito entre a religião e a ciência

bibleE assim, ocorreu um conflito entre a religião e a ciência na Europa, que paralisou o movimento científico na metade do século XVI cristão, e este conflito não teve fim senão com o início do renascimento científico, com a revolução científica européia e com o golpe contra a Igreja.

          Dentre os exemplos disso: Em 1543 dC Copérnico[8] chegou à conclusão de que o sol é o centro do sistema solar (heliocentrismo) e não a terra, como se acreditava antes (teoria geocêntrica). Esta conclusão científica foi uma catástrofe na Europa, a Igreja a recusou com a medida das “realidades” evangélicas e viu que esta conclusão contraria as suas crenças porque a terra, após ser o centro do Universo transforma-se em um pequeno ponto em todo este Universo. Esta conclusão então não é simplesmente uma descoberta científica, mas é um duro golpe contra a crença cristã que diz que Deus se encarnou nesta terra para dar a salvação aos seus habitantes. Eles não assimilam como esta terra pode se transformar num pequeno objeto meio a outros objetos maiores que ela, mais grave ainda, como pode girar em torno do sol. Por isso, “a teoria do geocentrismo se adequava de maneira racional o dogma que estabelecia que todas as coisas foram criada para o benefício dos seres humanos. Agora, estes seres humanos sentiam que cambaleavam em cima de um pequeno planeta, cuja história abreviou-se em apenas um parágrafo regional das notícias do Universo… Quando as pessoas pararam para pensar sobre os significados dessa nova teoria devem ter se perguntado sobre a verdade da crença que diz que o Criador deste imenso e organizado Universo enviou o seu filho para morrer neste planeta de médio tamanho. Pareceu que toda a bela poesia cristã “sumiu como fumaça” (como citou Goethe[9] mais tarde) sob o toque deste sacerdote polonês. E a astronomia que diz que a terra gira em torno do sol obrigou as pessoas a imaginarem o Criador novamente de foram menos estreita no horizonte e de forma menos carnal, e assim, a religião enfrentou o maior desafio da história[10]! Copérnico, então, foi perseguido e não teve força para confrontar a violenta oposição que teve e viveu distante, e morreu no mesmo ano em que sua obra foi publicada depois do entusiasmo de um de seus fãs e depois de adicionar algumas alterações com as quais ele admitia que a sua teoria é apenas uma série de conjecturas sujeitas a erro[11]. Mas quando Bruno[12] adotou a teoria de Copérnico, oitenta anos depois de sua morte, considerando-a uma realidade, a inquisição se apressou em proibir a leitura do livro de Copérnico[13] e condenou Bruno, que havia desenvolvido as opiniões de Copérnico e lhe adicionado mais detalhes – à ser queimado vivo em público[14]. As idéias de Copérnico formaram o início e a base das idéias de Galileu[15], e por causa delas ele foi julgado próximo dos setenta anos de idade. Neste julgamento, ele foi humilhado até que desistiu claramente de todas as suas idéias. Em seguida, foi condenado à prisão por período indeterminado e o obrigou a ler os sete salmos de expiação diariamente durante sete anos[16].

Esta é a ponta do iceberg, os exemplos desse tipo são muitos e não param apenas nos julgamentos de Copérnico e Galileu e outros que citamos, mas expandiram a formação da inquisição contra os sábios, este tribunal realizou o seu trabalho de forma completa de maneira que, em um período de dezoito anos – desde 1481 até 1499 dC – condenou 10220 pessoas a serem queimados vivas e foram queimadas, 6860 pessoas à forca publicamente e também foram executadas desta forma, e condenaram 79023 pessoas a punições variadas[17]. Também proferiu decisões que proibiam a leitura dos livros de Galileu, de Giordano Bruno e Newton[18] (por ter proposto a lei da gravitação universal) e ordenavam a queima de seus livros, o Cardinal Ecmenio queimou  8000 livros manuscritos em Granada porque eram contrários às opiniões da Igreja[19]!

Esta terrível e escura realidade foi vivida pela Europa durante longos séculos e foi denominada idade das trevas, e é denominada Idade Medieval, que perdurou cerca de mil anos. Esta realidade fixou nas mentes dos sábios (a exemplo de Descartes[20] e Voltaire[21]) e das pessoas em geral a idéia de que não há esperança na busca do conhecimento e na invenção científica a não ser com a destruição da autoridade da Igreja, com a eliminação da religião completamente dos corações e com a adoção do ateísmo – em todos os sentidos da palavra, então publicaram explicitamente a oposição às Escrituras Sagradas, como a Torá e o Evangelho, porque elas contém o que contraria as realidades científicas e porque creram que a religião – como viram realmente – persegue a ciência e os cientistas, o que se caracteriza a limitação da inteligência. Em seguida, pregaram a defesa da mente na oposição aos textos principais, argumentando que a mente pode alcançar as realidades científicas e pode distinguir entre o bem e o mal.

Após a Revolução Francesa, a Assembléia Nacional Francesa apoiou esta libertação ao emitir decisões no ano de 1790 dC, que foram um verdadeiro golpe contra a Igreja, nas quais dissolveram os padres e freiras e obrigaram os homens da Igreja a se submeterem à lei civil, e começou a nomear os líderes da Igreja em vez do Papa. E em 1905 dC, o governo francês reconheceu a lei que divide a religião do governo embasando-se na distinção entre eles e publicou a neutralidade do Estado frente à religião, sendo outro golpe que incentivou os opositores da Igreja a fazerem juramento de fidelidade ao povo, ao reino e à nova lei civil. Em seguida, se sucederam as decisões abrangendo os países da Europa, reduzindo assim, o papel da Igreja na tentativa de domínio dos assuntos da ciência e da política e para se resumir completamente à prática de exortações e cânticos dentro de quatro paredes[22]!

A religião Islâmica nunca foi como a Igreja, nunca se opôs ou se colocou como obstáculo no caminho dos muçulmanos rumo à ciência, seja na área teórica, seja na área prática. Do contrário, convidou ao conhecimento e o incentivou, dando à mente total liberdade e absoluta contemplação e reflexão, distanciando-se da influência dos hábitos, desejos e caprichos. Como não faria isso, sendo que Allah enobreceu a mente ao dirigir a expressão a ela e ao fazê-lo a base da responsabilidade!

Desta maneira, houve uma enorme diferença entre o pensamento islâmico baseado na liberdade de pensamento e na relação entre Allah e entre o servo sem intermediário – tal pensamento que eleva a mente e dirige a palavra a ela – e entre o pensamento cristão na Idade Medieval, que apreende a liberdade de pensamento e coloca a autoridade canônica entre os servos e entre o Senhor. Isso esclarece completamente porque a civilização européia no Ocidente precisou de mil anos para começar a se desenvolver gradativamente para, em seguida, construir seu renascimento sobre os ombros dos muçulmanos, sendo que ela tinha boas oportunidades de começar dois ou três séculos antes da civilização árabe islâmica[23].

 

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum

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