Os Direitos dos Doentes e Portadores de Necessidades Especiais na Civilização Islâmica

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum 

O Islam e a civilização islâmica têm uma visão especial a respeito da assistência aos enfermos e aos portadores de necessidades especiais. Tal visão tem início no alívio oferecido a eles em algumas obrigações religiosas, como lemos no dizer de Allah, altíssimo seja: [Não há falta sobre o cego e não há falta sobre o coxo e não há falta sobre o enfermo nem sobre vós mesmos…] (Annur: 61), (Al Fath: 17). E tem fim com a transmissão da esperança em seus íntimos e com a consideração de seus direitos físicos e psicológicos.

O tratamento do Mensageiro (a paz esteja com ele) aos doentes

Quando o profeta (a paz esteja com ele) ouvia sobre algum doente se apressava em visitá-lo em sua casa, mesmo com suas muitas preocupações e ocupações. Esta sua visita não era custosa ou forçada, porém ele sentia a sua obrigação perante este doente… como não, e ele é quem tornou a visita ao doente um de seus direitos?! Disse o profeta (a paz esteja com ele): “Os direitos do muçulmano sobre o muçulmano são cinco: … e a visita ao doente…”[1].

O profeta (a paz esteja com ele) – que é o educador e o exemplo – aliviava a crise e a doença do enfermo, mostrava para ele – sem simulação – sua solidariedade com ele, seu zelo e seu amor por ele. Assim, alegrava aquele enfermo e sua família. Sobre isso, Abdullah ibn Omar diz: “Saad ibn Úbadah reclamou uma doença, então o profeta (a paz esteja com ele) veio visitá-lo junto com Abdurrahman ibn Áuf, Saad ibn Abi Uaqqass e Abdullah ibn Mass´úd. Quando entrou o encontrou junto de sua família e disse: “Ele morreu?”. Disseram: Não, ó mensageiro de Allah. Então, o profeta (a paz esteja com ele) chorou e, ao vê-lo chorar todos choraram junto com ele. Então, ele disse: “Vós não ouvis? Em verdade, Allah não castiga por causa da lágrima do olho nem por causa da tristeza do coração, mas castiga por esta (se falar o incoveniente) – e apontou para a sua língua – ou tem misericórdia”[2].

O profeta (a paz esteja com ele) também fazia preces pelo doente e lhe dava a boa notícia de que terá recompensa em conseqüência da doença que o atingiu, e assim, aliviava a situação do doente e o fazia se contentar com ela. Ummul Álaá [3] narra que o mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) a visitou quando estava doente e disse: “Tenha a boa nova ó Ummul Álaá, pois Allah elimina com a doença do muçulmano os seus erros assim como o fogo elimina a escória do ouro e da prata”[4].

O mensageiro (a paz esteja com ele) também zelava em aliviar a dor do enfermo e não sobrecarregá-lo. Jabir ibn Abdullah disse: Saímos em viagem, quando então, uma pedra atingiu um homem e rachou sua cabeça. Quando dormia teve um sonho molhado (precisava se banhar), então perguntou aos seus companheiros: Vocês vêem alguma autorização para mim em realizar attaiammum (ablução virtual)? Disseram: Não temos autorização para ti sendo que você é capaz de encontrar água. Ele se banhou e morreu. Quando chegamos na presença do profeta (a paz esteja com ele) ele foi informado do acontecido e disse: O mataram, que Allah os matem. Deviam perguntar, pois a pergunta é a cura da ignorância3. Lhe bastava fazer o taiammum e amarrar sobre o seu ferimento um pano e, em seguida, passar a mão molhada sobre ele e banhar o resto de seu corpo[5].

Mais ainda, o profeta (a paz esteja com ele) atendia a necessidade do enfermo e caminhava com ele até servir suas necessidades. Uma vez, uma mulher que tinha certo distúrbio mental veio até o profeta (a paz esteja com ele) e disse: Ó mensageiro de Allah, eu preciso de ti. Ele disse: Ó Umm Fulan, veja que caminho deseja para que eu sirva a tua necessidade. Então, permaneceu com ela no caminho até que ela supriu sua necessidade[6].

O profeta (a paz esteja com ele) também deu ao enfermo e aos portadores de necessidades especiais o direito ao tratamento, porque a saúde do corpo externa e internamente é um dos objetivos do Islam, por isso, o profeta (a paz esteja com ele) disse aos beduínos quando estes o perguntaram sobre a terapêutica: “Procurem a cura ó servos de Allah, pois Allah não pôs uma doença sem que tenha posto um remédio para ele, exceto a velhice…”[7].

O Profeta (a paz esteja com ele) não recusou o tratamento de uma mulher muçulmana a um homem muçulmano. Ele permitiu que Rufaydah – uma mulher da tribo de Aslam – medicasse Sa’d ibn Mu’az quando ele foi ferido na batalha de Al-Khandaq. Ela (Que Allah esteja satisfeito com ela) atendia os feridos e se colocou a serviço dos muçulmanos necessitados[8].

De forma prática, o Profeta (a paz esteja com ele) tratava Amr Ibn Al-Jamuh (Que Allah esteja satisfeito com ele) de forma especial. Amr era um homem de necessidades especiais. Ele tinha uma perna manca. Ele tinha quatro filhos, que costumavam participar em batalhas com o Profeta (a paz esteja com ele). No dia de Uhud, Amr expressou seu desejo de ir para o campo de batalha, mas seus filhos queriam que ele permanecesse em casa. Ele foi para o Profeta (a paz esteja com ele) e lhe disse: “Meus filhos querem me impedir de sair contigo. Mas, por Deus, eu desejo pisar com esta minha perna manca no Paraíso”. O Profeta (a paz esteja com ele) respondeu: “Deus te ausentou. O Jihad não lhe é obrigatório” e disse aos seus filhos “Qual é o problema se vocês permitirem, pode ser que Deus o abençoe com o martírio?”. Amr foi para a batalha com o Profeta (a paz esteja com ele) no dia de Uhud e ele foi morto na batalha. Então, o Profeta (a paz esteja com ele) disse:. “Por Deus, entre vós, há pessoas que se jurarem por Deus, Ele vai cumprir o seu juramento, entre eles está Amr Ibn Al-Jamuh. O vi pisar no Paraíso com sua perna manca “[9].

Assim era a situação dos doentes e pessoas com necessidades especiais no Islam e na civilização islâmica.

 


[1] Narrado por Al-Bukhari sobre a autoridade de Abu-Hurairah, capítulo de Al-Jana’iz (funerais) (1183), e muçulmanos, o capítulo de Al-Salam (saudação) (2162).

[2] Narrado por Al-Bukhari, capítulo de funerais (1242), e Muslim, o capítulo de funerais (924).

[3] Ummul Álaá: abraçou o Islam e jurou lealdade ao Profeta (paz esteja com ele). É tia de Hakim ibn Hizam. Veja: Ibn al-Athir, Asad Al-Ghabah 7 / 405, e Ibn Hajar Al-Asqalani: Al- Isabah  8 / 265 (12.176).

[4] Narrado por Abu Daud, o capítulo de Al-Jana’iz (3092). Al-Albani disse correta, veja: Sahih Al-Jami’ (7851).

[5] Narrado por Abu Daud, o capítulo de Al-taharah (purificação) (336), Ibn Majah (572), Ahmad (3057), Al-Darmi (752), Al-Darqutni (3), e Al-Bayhaqi em Al-Sunan Al-Kubra (1016). Al-Albani disse: Correto. Veja: Sahih Al-Jami ‘(4362).

[6] Narrado por Muslim sobre a autoridade de Anas ibn Malik, capítulo de Al-Fada’il (2326), Ahmad (14.078) e Ibn Hibban (4527).

[7] Abu Daud, o capítulo de Al-Tib (medicina) (3855), Al-Tirmizi (2038) e disse que um hadith bom e correto, Ibn Majah (3436) e Ahmad (18.477). Shu’ayb Al-Arna’ut disse que a transmissão deste hadith é correta e seus homens são confiáveis. Al-Albani disse: Correto. Veja: Ghayat Al-Maram(292).

[8] Narrado por Al-Bukhari, Ibn Hisham Al-Adab Al-Mufrad 1 / 385 (1129), Al-Sirah Kathir Al-Nabawiyah 2 / 239, e Ibn Al-Sirah Al-Nabawiyah 3 / 233. Al-Albani disse que a transmissão deste hadith é correta e todos os seus homens são de confiança. Veja: Al-Silsilah Al-Sahihah (1158).

[9] Narrado por Ibn Hibban na autoridade de Jabir ibn Abdullah, capítulo de falar do Profeta sobre as qualidades de seus companheiros (7024). Shu’ayb Al-Arna’ut disse que sua transmissão é boa. Narrado também por Ibn Sayid al-Nas: Uyun Al-Athar 1 / 423, e Al-Salihi Al-Shami: Subul Al-Huda wa Al-Rashad fi Sirat Khayr Al-Ibad 4 / 214.

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