Os Abássidas

Publicado: abril 18, 2014 em Diversos

Os Abássidas, que sucederam aos Omíadas, mudaram a capital para Bagdá que em breve se desenvolveu num incomparável centro de instrução e cultura, transformando-se assim no coração político e administrativo de um vasto mundo. 

Governaram por 500 anos, mas, gradualmente, o seu poder foi declinando e eles tornaram-se apenas em governantes simbólicos, transferindo a legitimidade para vários sultões e príncipes que detinham o poder militar. O Califado Abássida foi finalmente abolido quando Hulagu, o governante Mongol, capturou Bagdá em 1258, destruindo a maior parte da cidade, incluindo as incomparáveis bibliotecas.

Enquanto os Abássidas governaram em Bagdá, um número de poderosas dinastias tais como as Fatimidas, Ayyubidas e Mamelucos conservaram-se no poder no Egito, na Síria e Palestina. O acontecimento mais importante nesta época, nas relações entre o Islam e o mundo Ocidental, foi a série de cruzadas declaradas pelo Papa e apoiadas por vários reis Europeus. 

A finalidade, embora política, destinava-se a capturar a Terra Santa, especialmente Jerusalém e devolve-la para o domínio dos Cristãos. Embora tivessem tido algum sucesso a princípio, onde o governo Europeu foi instalado em partes da Síria e Palestina, os Muçulmanos finalmente prevaleceram e, em 1187, Saladino (Salahuddin Ayyub), o grande General Muçulmano, recapturou Jerusalém e derrotou os Cruzados. 

Inicio da Dinastia Abássida 

A dinastia começou quando Abul Abbas assumiu o califado  em 750 d.C. Tanto ele como seu sucessor, Abu Jafar al-Mansur, consolidaram o poder e iniciaram uma série de mudanças administrativas que iriam caracterizar a forma de governo islâmico pelos próximos séculos.  

Palácio dos Abássidas em Bagdá construído no século 13.

 

A administração Abássida seguiu muito de perto os modelos bizantino e sassânida. Era uma administração muito burocratizada e ao mesmo tempo centralizada. A criação do cargo de vizir foi apenas uma das inovações importadas dos sassânidas pelos abássidas para a administração islâmica.

Aperfeiçoaram o sistema postal criado pelos omíadas, transformando-o num serviço de inteligência eficiente. Os encarregados das províncias distantes eram os olhos e ouvidos do governo e relatórios regulares eram feitos ao governo central sobre tudo o que acontecia naqueles lugares. 

O desenvolvimento do comércio está entre as conquistas dos abássidas. Com o governo unificado,  o  comércio podia ser feito no vasto território islâmico de uma forma mais livre e segura. Assim, comerciantes muçulmanos estabeleceram entrepostos comerciais nos mais distantes lugares, na Índia, Filipinas, Malásia, Índias Ocidentais e China.

A partir do século VIII, o comércio se voltou fundamentalmente para a procura e importação de produtos básicos, como grãos, metais e madeira, forçando, em contrapartida, a exportação de uma região para outra. A expansão  comercial levou à criação de um sistema bancário sofisticado de tal sorte que um documento de crédito expedido em Bagdá podia ser honrado em Samarkanda, na Ásia Central, ou em qualquer outra província islâmica.

Também floresceu a  vida   intelectual. Os estudos  religiosos  multiplicaram-se em todas     as cidades. Fixados e compreendidos os textos na sua significação literal, faltava uma teologia. Tal foi, no primeiro século da dinastia abássida, a obra dos grandes teólogos e juristas. Remonta a essa época as quatro grandes escolas do pensamento islâmico: a malikita, a hanafita, a hanbalita e a shafiita. 

A enorme ânsia pelo conhecimento deixou seu legado na história, geografia,  literatura e medicina. A partir da matemática grega, foram desenvolvidas a álgebra e a trigonometria. A jurisprudência atingiu sua forma definitiva  com a promulgação de quatro grandes códigos, baseados no Alcorão e nas tradições do Profeta, o que foi decisivo para dar uniformidade à vida dos muçulmanos. Não existe qualquer aspecto da vida humana sobre o qual o direito islâmico não se pronuncie. O árabe foi a língua do direito e da cultura religiosa dessas comunidades islâmicas.

A ascensão ao poder dos abássidas, em 750, coincide com a divisão do território muçulmano, primeiro em duas partes, e depois em um número cada vez maior. Em Córdoba (Espanha), foi estabelecido um califado rival, que nunca se reconciliou, até à sua queda, em 1492, com o Leste, onde Bagdá tinha tomado o lugar de Damasco, como sede do califado.

Domínios do Califado Abássida em 778 d.C

A transferência do califado, de Damasco para Bagdá, significou mais do que uma mudança de dinastia. Representou também o deslocamento  do centro da civilização islâmica do Mediterrâneo Oriental para as fronteiras da Ásia. A proximidade  de Bagdá com a antiga capital sassânida, Ctesifonte, abriu as  portas para as  influências vindas da China ou da Índia, iniciando-se, a partir daí, um rápido declínio do poder político árabe. 

Os abássidas, e o importante contingente de persas em que se apoiavam, transformaram-se em restauradores da tradição islâmica, supostamente traída pelos omíadas. Reforçaram o poder teocrático do califa e deram mais pompa ao cerimonial da corte. O novo califado assumiu o papel de defensor da fé, mais forte e menos questionado, já que não existia uma hierarquia religiosa reconhecida.  

A designação do califa assegurava-se, em princípio, pela escolha de um herdeiro entre seus filhos. A época de esplendor correspondeu ao reinado de Harun al-Rashid, no período compreendido entre os anos 750 e 833.

Bagdá transformou-se em importante centro cultural, o que representou o desenvolvimento pleno da civilização cortesã e urbana do Islam. As ciências e as letras passaram por extraordinário desenvolvimento, e muitas vezes incorporaram aspectos de outras culturas, como a indiana, a greco-latina e a persa.  

Expansão do Império Islâmico durante o califado Abássida.

 

Também prosperou a atividade econômica, baseada na manufatura de sedas, tapetes, telas bordadas e papel reciclado de tecido (técnica proveniente da China), e nas transações comerciais entre Oriente e Ocidente.  

A história dos Abássidas não nos apresenta conquistas militares, se excluirmos as iniciativas de chefes regionais, os quais, apesar de reconhecer o califa de Bagdá como seu soberano, não dependiam dele para nada, quer em assuntos de política estrangeira, quer na administração interna. Falaremos do sub continente da Índia, nesse contexto, em um parágrafo próprio.  

As relações com Bizâncio tomaram-se cada vez mais amargas e sangrentas, e o império grego viu-se obrigado a deixar definitivamente a Ásia Menor e a contentar-se, por mais algum tempo, apenas com as suas possessões européias.  

Os abássidas inauguraram a política do emprego de soldados de origem turca, e isto deu origem ao feudalismo e culminou, posteriormente, no estabelecimento de províncias independentes, onde vamos encontrar “dinastias” de governadores.  

Cerca de um século depois de subirem ao poder, os califas Abássidas começaram a delegar – e até a perder – as suas prerrogativas de soberanos para governadores descentralizadores, até que, gradativamente, a sua soberania se viu limitada ao seu próprio palácio, sendo o resto controlado pelos emires, dos quais o mais poderoso ocupava até a capital.  

Vemos aí um contraste estranho com o Papado: os papas começaram sem nenhum poder político, mas foram adquirindo-o gradativamente, especialmente após a criação do Sacro Império Romano. Por algum tempo eles se tomaram mais fortes até do que os imperadores, perdendo essa autoridade somente no decorrer do tempo.  

Foi no reinado dos abássidas que o governador de Túnis foi chamado a intervir nas guerras civis da Sicília. Ele ocupou a ilha, e um bom pedaço da Itália continental, chegando a avançar até perto dos muros de Roma.  

O Sul da França também foi anexado, assim como também uma boa parte da Suíça. Essa onda expansionista foi levada a efeito pelos Aglábidas, que foram posteriormente substituídos, pelos Fatímidas.

 Estes últimos eram chi’itas, e transferiram a sua capital para o Cairo, onde estabeleceram um califado. Em seguida os reis da Europa conclama a guerra santa contra os muçulmanos, com o apoio da igreja. Seguiram-se então, uma série de cruzadas, que fizeram sangrar, tanto o Oriente quanto o Ocidente, por duzentos anos. No tempo da primeira cruzada, os fatímidas já tinham abandonado a Palestina, e foi a população inocente que se viu vitimada pela fúria dos invasores. Nesta época os curdos e os turcos começaram a tomar o lugar dos árabes, na luta contra o Ocidente. 

Salahuddin (Saladino), herói muçulmano da época da segunda cruzada, não só expulsou os europeus da Síria-Palestina, como também varreu os fatímidas do Egito. Salahuddin e os seus sucessores reconheceram o califado de Bagdá, porém este jamais conseguiu recuperar o seu poder político, que permaneceu dividido entre vários Estados fragmentários. Alguns deles conseguiram estender as fronteiras das terras muçulmanas.  

Em 921, o rei búlgaro (da região de Kazan, às margens do rio Volga, na Rússia), pediu um missionário muçulmano a Bagdá. Ibn Fadlan foi o enviado. De acordo com o relato da sua viagem, que é extremamente interessante, o rei búlgaro converteu-se ao Islam, e criou, por assim dizer, uma ilha islâmica, no meio de regiões não-muçulmanas. A islamização do Cáucaso e das regiões vizinhas continuou, lentamente.  

No século X, apareceram principados independentes e acelerou-se a fragmentação do império abássida. O emirado andaluz, fundado em 756, transformou-se em califado independente em 929. Os reinos do Maghreb tornaram-se praticamente autônomos e, no Oriente, criaram-se diversos estados iranianos no Khorasan. No Egito e na Síria, também se formaram estados independentes. 

Durante o século X, cada uma das grandes famílias do Islam criou um reino: o califado omíada consolidou-se em Córdoba; os descendentes do califa ‘Ali e de Fátima (filha de Muhammad) instalaram-se no Egito. 

Em Bagdá, a dinastia abássida manteve-se até 945, quando caiu sob o poder de Ahmad al-Buye, um xiita das montanhas iranianas. Seu sucessor conseguiu apossar-se de um império que compreendia dois terços do Irã e a Mesopotâmia. A dinastia dos buáiidas desapareceu com a chegada dos turcos seljúcidas em 1055.

Declínio do califado Abássida, e domínio dos Buáiidas sobre os Abássidas.

Em 1251, o khanato de Chagatai e o da Horda de Ouro já eram impérios firmemente estabelecidos no mundo islâmico e  o  grande khan Mongke, não gostava do fato de que seus súditos prestassem obediência a um homem (o  califa), que eles colocavam  numa  posição mais elevada do que a do Grande Khan. 

Mongke  decidiu enviar  seu irmão, Hulagu,  para o Iraque, chefiando um exército  mongol, com o objetivo de saquear Bagdá e destruir o califado. Hulagu dirigiu-se para lá, em 1253, o grande  Khan Mongke tinha instruído Hulagu a atacar o califado abássida somente se ele se recusasse  a se render aos mongóis. Os abássidas, chefiados pelo califa Musta’sim, na verdade recusaram-se, o que tornou a batalha  inevitável.

Os Abássidas mesmo tendo um grande exército, não suportaram a ofensiva do exército mongol, o que resultou na queda de Bagdá e na destruição do califado em 1258. O califa Musta’sim foi capturado e condenado à morte, terminando, assim, com 500 anos de dinastia Abássida. 

Fonte: islam.org.br

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