Guy Fawkes

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

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Apesar do fracasso geral dos anarquistas em reunir forças suficiente para fazer qualquer progresso significativo contra seus inimigos ideológicos (democracia, capitalismo, comunismo e a Internet), eles possuem alguns ícones em comum. Um dos símbolos mais proeminentes é o inglês revolucionário do século XVII, Guy Fawkes, cujo feito mais notório foi a sua tentativa de explodir o Parlamento a fim de desestabilizar o governo britânico.

A referencia mais provável é a famosa graphic novel V de Vingança, onde um homem usa uma máscara com o rosto de Fawkes para derrubar uma teocracia distópica do mal.

Nos últimos anos, a peça tem sido usada por jovens de todo o mundo para representar, de alguma forma, todo tipo de reivindicação popular. Aqui no Brasil você pode encontrar a máscara sendo vestida até em uma Parada Gay.

E o que há de errado nisso?

Bem… Ao mesmo tempo que os anarquistas acertaram no fato de que Fawkes foi a única pessoa a entrar no Parlamento com intenções honestas, eles esqueceram quais seriam essas intenções.

Fawkes não estava tentando destruir uma ditadura fascista, ele estava tentando instaurar uma. Ele era um soldado fiel a Espanha e a Igreja Católica. Seu objetivo era acabar com a revolução protestante (ligeiramente mais igualitária) na Inglaterra, e restaurar a ferrenha dominação católica. Se ele tivesse realmente conseguido o que queria, hoje a Grã-Bretanha, provavelmente, estaria bem mais próxima do estado policial fascista que Alan Moore nos advertiu.

O homem antes da máscara

Guy Fawkes nasceu em 1570, em York, Inglaterra. Seu pai morreu quando ele tinha apenas oito anos de idade. Anos depois, sua mãe casou-se de novo com um católico fervoroso, que não aceitava a religião anglicana na Inglaterra. Por influência do padrasto, Fawkes converteu-se ao catolicismo e deixou a Inglaterra para lutar pela Espanha Católica durante a Guerra dos Oitenta Anos, nos países baixos. Nesse período de guerra, sob o nome de Guido Fawkes, se tornou especialista em explosivos.

Ainda nessa época, participou de uma tentativa frustrada de restaurar o catolicismo no Reino Unido. Foi quando conheceu Thomas Wintour, um dos personagens que também participaria da chamada “Conspiração da Pólvora”.

A Conspiração da Pólvora

Em 1604, já de volta à Inglaterra, Wintour apresentou Fawkes à Robert Catesby, líder de um grupo de católicos ingleses e autor da idéia de explodir o parlamento. Fawkes era apenas o encarregado da pólvora, uma peça do plano terrorista de Catesby, que não tinha nenhuma motivação nobre, simplesmente religiosa.

A idéia de Catesby era assassinar o Rei protestante James I, e substituí-lo por sua filha Elizabeth, terceira na linha de sucessão monárquica. Para isso, eles levaram aos subterrâneos do parlamento 36 barris, contendo mais de 800 quilos de pólvora, que seriam detonados no dia 05 de novembro de 1605, explodindo os prédios do parlamento, da casa dos lordes ingleses e matando diversos opositores políticos. Também fazia parte do plano o sequestro da princesa, para a posterior restauração da monarquia de forma católica.

A Fawkes, caberia a responsabilidade de acender o pavio e fugir pelo Tâmisa.

Guy Fawkes

O problema do plano é que o parlamento inglês também era frequentado por importantes políticos católicos (portanto, na visão golpista, inocentes). Algumas cartas anônimas foram então enviadas às casas desses políticos solicitando que se ausentassem das sessões no dia que o plano seria executado. A carta ainda vinha com recomendações de que fosse queimada logo depois de lida.

William Parker, o barão de Monteagle, foi um dos destinatários. Ao invés de seguir as ordens e ficar de boa, na miúda, o nobre barão levou a mensagem ao rei. Talvez tenha o feito por puro interesse, uma vez que fez questão em atribuir a descoberta do plano a si mesmo e tenha recebido até o final da vida uma polpuda recompensa financeira anual pela delatação, vinda do próprio rei.

Na madrugada entre os dias 04 e 05 de novembro, Fawkes foi preso pouco depois da meia-noite, deixando as adegas nos porões do parlamento, munido de fósforos e um relógio. Uma investigação mais profunda desmascarou o golpe, encontrando os barris de pólvora camuflados por madeira e cal. Guy Fawkes foi pego em flagrante e levado ao rei ao amanhecer.

Julgamento

John Johnson foi o pseudônimo usado por Fawkes durante o golpe e foi o nome que ele apresentou quando foi preso na torre de Londres. Após uma semana de tortura, deu o seu verdadeiro nome e a identidade de todos os envolvidos no caso, inclusive o do chefe, Robert Catesby. A sala onde fora interrogado hoje em dia é conhecida como “Guy Fawkes Room”. A assinatura de sua confissão eram garranchos praticamente ilegíveis, o que mostra a brutalidade que deve ter ocorrido para a obtenção das informações.

Além de religioso fanático e terrorista, Fawkes terminou a vida sendo também um cagueta. Oito envolvidos com o plano foram condenados à morte.

Os espetáculos de condenação de criminosos eram um show para a população na época.

A morte de traidores da pátria era particularmente épica: primeiro, o condenado era enforcado de forma somente a perder o ar e não a quebrar o pescoço. Quando estivesse à beira da morte, era resgatado, reanimado, e teria os testículos cortados e queimados em frente de seus olhos. Depois, o peito era aberto, o coração retirado e atirado na sua própria cara (nos tempos de hoje é difícil conceber que é possível jogar o coração da pessoa em sua própria cara sem estar em uma partida de Surgeon Simulator).

Prisão de Guy Fawkes, em 1605

Em seguida, a pessoa (obviamente já morta) tinha os seus membros amarrados a quatro cavalos que eram chicoteados para seguirem em direções opostas, até que o corpo estivesse esquartejado. As partes cortadas eram enviadas para toda a Inglaterra para servir de exemplo ao que acontecia com opositores do rei, enquanto a cabeça permaneceria exposta na Torre de Londres.

No dia 31 de janeiro de 1606, Fawkes e outros dois colegas de golpe (incluindo Thomas Wintour) foram executados. Guy Fawkes pediu o perdão do rei, que não lhe foi concedido. Num último gesto rebelde, Fawkes desvencilhou-se de seus guardas e pulou do palanque onde seria enforcado, se jogando de cabeça em uma escada, onde quebrou o pescoço e morreu, poupando a si próprio de uma sentença mais dolorida e tirando do público parte da diversão daquela fria terça-feira.

Seu corpo ainda foi esquartejado e enviado aos quatro cantos do Reino Unido.

Legado
No ano seguinte ao fracasso, no mesmo dia 05 de novembro, de forma inteligentemente oportunista, o rei instituiu festividades para celebrar o fracasso da Conspiração da Pólvora. Fogueiras foram acesas em diversas praças públicas, na noite que hoje é conhecida como “Bonfire night” ou “Guy Fawkes night“. Até hoje Londres celebra o dia com espetáculos de fogos de artifício em toda a cidade, atualmente (e ironicamente) pagos pelo governo.

O poeminha Remember, remember, usado na história de V de vingança, foi astutamente editado, de forma a dar um sentido épico para o fato. A versão original, entretanto, parece um aviso a todos que tentem se rebelar contra o governo:

Remember, remember the fifth of November,

The gunpowder, treason and plot,

I know of no reason

Why gunpowder treason

Should ever be forgot

Guy Fawkes, Guy Fawkes, ’twas his intent

To blow up the King and Parliament.

Three score barrels of powder below,

Poor old England to overthrow;

By God’s providence he was catch’d

With a dark lantern and burning match.

Holloa boys, holloa boys, make the bells ring.

Holloa boys, holloa boys, God save the King!

Hip hip hoorah!

http://papodehomem.com.br/guy-fawkes-homens-que-voce-deveria-conhecer-40/

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