A África Antes do Islam e as Fases de Islamização

Publicado: abril 17, 2014 em Diversos

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Sabe se que tanto sob o aspecto geográfico quanto sob o ponto de vista histórico, não se pode falar da existência de uma e sim de várias “Áfricas”. Para efeito do nosso trabalho levando em conta as áreas que efetivamente tiveram seu destino transformado pela expansão da ideologia muçulmana vamos, então, inicialmente dividir o continente africano em duas partes, que seriam respectivamente as grandes áreas acima e abaixo do Saara. Depois, faríamos uma subdivisão compreendendo, primeiro, abaixo do grande deserto, o nordeste africano, incluindo os atuais territórios de Somália, Etiópia e parte do Sudão; e finalmente, uma larga faixa passando mais ou menos pelo meio do continente, indo do Sudão até o Senegal, acima, e até a República dos Camarões, abaixo, compreendendo também Mali, Alto Volta, Niger, parte da Mauritânia, Guiné, Nigéria, Gana, Togo, Costa do Marfim e Chade.

Essa África ao norte do Saara é tradicionalmente conhecida como uma “África Branca”. Embora a moderna historiografia africana, Cheikh Anta Diop à frente, já fale com segurança de um Egito absolutamente integrado na África.

Mas as primeiras relações entre o continente africano e os árabes se deram exatamente naquela porção nordeste do continente, que compreende Somália, Etiópia e parte do Sudão. Tanto que, até o início da era muçulmana, o que o Mundo conhecia da África era somente aquela região, o que inclusive, é a razão da denominação “etíope” ter sido utilizada durante a Antiguidade, e até bem depois, para designar qualquer habitante negro do continente africano.

Chegando à África, os árabes denominaram a faixa de países a que aludimos acima (do Sudão ao Senegal e aos Camarões) exatamente de “Bilad As Sudan”, ou seja, “País dos Negros”. Daí, inclusive a denominação de “sudaneses” (em contraposição à de “bantos”) através da qual se costumam distinguir os africanos ocidentais.

Mas é evidente que desde muito antes da chegada dos árabes e desde o alvorecer da humanidade já ocorriam no “País dos Negros” sérias e profundas transformações. Transformações, inclusive, que faziam nascer civilizações admiráveis.

A partir, como se sabe, de cerca de 4.000 a.C. floresce no Egito uma pujante cultura. E, por volta de 3.200, núcleos agrícolas já se desenvolvem na Etiópia e nos Alto e Médio Níger. De 2.500 a 500 a.C. se processam migrações a partir do Saara, para o sul, o sudeste e o leste da África. E mais ou menos em 1.080 a.C. o Reino de Cuxe se desenvolve extraordinariamente, entre os atuais territórios do Sudão e do Egito.

Cerca de 1.000 a.C. povos semitas da Arábia emigram para a Abissínia. Depois, em 715 a.C. o Rei de Cuxe funda no Egito a 25ª dinastia. Em 553 a.C. Cuxe transfere sua capital de Napata para Meroé, onde, cerca de cinqüenta anos depois, já se encontra uma metalurgia do ferro altamente desenvolvida. E por volta do ano 100 a.C. floresce na Etiópia o Reino de Axum. Quanto à África Ocidental, o tempo que se passou até a chegada dos árabes foi durante muito tempo considerado um tempo obscuro, face à absoluta ausência de relatos escritos que só apareceram nos séculos XVI e XVII com o “Tarik Al Fattah” e o “Tarik As Sudan” redigidos respectivamente por Mohamad Kati e As Saadi ambos nascidos em Tombuctu no Antigo Mali. Mas o trabalho de arqueólogos de nosso século, aliado aos relatos da tradição oral, conseguiu resgatar boa parte desse passado. Prova disso é a descoberta, através de esculturas, utensílios e jóias em bronze e terracota, da chamada civilização de Nok, que teve seu apogeu na atual Nigéria de 900 a.C. até o século 1 da era Cristã. Prova também são as obras de arte encontradas em Ifé, anteriores também à chegada do Islam àquela região.

Em 1910, Leo Frobenius descobria a arte real do Benin e a de Ifé a que a pouco aludimos. A partir daí, a Europa tomava conhecimento dos inestimáveis acervos artísticos do Palácio de Behazin em Abomé; das obras em terracota de Sao, na atual República do Chade; das estatuetas dos países Mandi; dos enfeites de ouro dos Ashanti e dos Baulê. E através de outras fontes tomava conhecimento, por exemplo, de que o Império do Gana já florescia no século IV da era cristã, graças ao ouro, à introdução de novas culturas agrícolas e novos instrumentos.

Antes do efetivo início do processo de islamização do continente africano, como veremos adiante, o “Bilad As Sudan” vai conhecer um padrão de desenvolvimento bastante alto. E Gana, Ifé, Oyó e Benin são excelentes exemplos da pujança das civilizações pré islâmicas da África Ocidental. Segundo Basil Davidson, Gana floresceu entre os anos 700 e 1.200 da era cristã. Entretanto, escritores como Philippe Aziz acreditam que o florescimento desse Império remonte ao século IV.

A capital de Gana se erguia no local hoje conhecido; como Kumbi Salek, na Mauritânia, a cerca de 330 km ao norte da cidade de Bamako, na República do Mali. E em contraposição aos exageros de historiadores, como o árabe Al Fazari, hoje já se sabe que os limites do Império se restringiam apenas a partes dos atuais territórios da Mauritânia e do Mali, fora, portanto, dos limites da Gana atual. No Século XI, em pleno apogeu, os almorávidas bérberes (zenagas e zenatas) comandados por Abu Bakr Ibn Omar, ao mesmo tempo em que conquistam o Marrocos e parte da Espanha, em nome de uma fé islâmica ortodoxa, subjugam e saqueiam o Gana (1076) e convertem vários povos de seu convívio, como tucolores, saracolês, diulas e algumas tribos mandingas. Enfraquecido pelo saque e pelas dissensões internas, o Império do Gana é anexado pelo já maometano Mali, de Sundiata Keita, em 1.235. Entre os séculos VI e XI, vindos do Nordeste em levas sucessivas, os iorubas se estabelecem em seu atual sítio, que compreende partes do sudoeste da Nigéria e partes do Benin e do Togo. Nesse local fundam dois reinos importantes e harmônicos entre si: Ifé e Oyó

Ilê Ifé era um centro político e religioso, principalmente porque, na origem dos iorubas, o mito se integra perfeitamente na realidade. Segundo a tradição, a cidade foi fundada por Oduduwa, o grande ancestral de toda essa etnia, que seria, para uns, filho do próprio Olodumaré (o Allah Supremo), para outros filho de Lamurudu, rei de Makka e para outros, ainda, seria o Nimrod de que nos fala a Bíblia. Já Oyó teria sido fundada pelo filho de Oduduwa, Oranyan, que por sua vez foi sucedido por Xangô, um de seus filhos. Por aqui já se pode avaliar a importante contribuição desses remotos reinos iorubas para a formação de nossa Nação. Seus princípios filosóficos permeiam hoje toda a sociedade brasileira, através de sua cultura e principalmente de sua religião, como veremos adiante. E especificamente quanto ao Reino de Ifé que Frobenius chegou a achar que teria sido a mítica e legendária Atlântida atesta sua grandeza e magnificência de sua arte. A história não registra ao que consta nenhum processo de islamização nem em Ifé nem em Oyó, tendo esses reinos permanecido fiéis à religião tradicional, como é o caso também do faustoso Reino do Benin. Assim, os nagôs islamizados de que falaremos mais adiante certamente se converteram já no Brasil. Igualmente famoso por sua arte, o Benin foi fundado, segundo a tradição, também por Oranyan, pai de Xangô, sendo então intimamente aparentado com Oyé e Ifé. A economia e a estrutura social desses reinos eram bastante peculiares. Intrincadas rotas de comércio os ligavam ao resto da África. Os mercados de aldeia funcionavam todos os dias, tanto como bazares de compras e de trocas como ponto de encontro e intercâmbio de notícias e experiências. Algumas cidades viviam literalmente do comércio, até mesmo internacional. E se tornavam centros irradiando cultura para toda a África, tudo isso dentro de um modo muito próprio de viver e ver a vida. Este então, em linhas gerais, foi o “Bilad As Sudan” que o Islam encontrou em sua arrancada.

Segundo Albert N’Goma, existem dois caminhos tomados pelos muçulmanos: um que chegou pelo mar e se espalhou pela costa oriental do continente até quase Moçambique; outro, que veio por terra, de acima do Saara e se espalhou pelo “Bilad As Sudan” e que é o que interessa ao nosso trabalho. Sobre esses dois caminhos, vejamos as palavras textuais de N’Goma: “As duas expansões têm origens muito diversas: são obra de povos muito diferentes e se acusam mutuamente de desvios tão graves que dificilmente o hiato entre elas poderá ser reparado. Rivais, quando não hostis, elas seguem cada uma o seu destino”. Os muçulmanos que vieram por terra chegaram à África do Norte no século VII. E a história notícia: em 734 uma expedição omíada é mal sucedida na região do Gana; no fim do século, o geógrafo árabe Al Fazari escreve sobre Gana: “País do Ouro”; por volta de 918 são fundadas na atual Nigéria as cidades de Kano, Katsina, Zaria, Gobir, Kebbi e Kororofa. Mas a efetivação real da conquista da África pelo Islam se dá mesmo é no século XI, através da dinastia bérbere dos almorávidas, empurrados pelos árabes da África do Norte para o sul e para o oeste. Aí, no mesmo momento em que os fulas do Senegal, já islamizados, começam a emigrar para o leste esses bérberes tomam o Império do Gana. E de fato é a partir daí que se convertem: o Imperador do Songai, no atual Mali (início do século); o Dia Kossoi de Kukuya, também no Mali (ano 1010); os tucolores e soninkês do Senegal (1040); Umé, rei do Kanen, no atual Chade (1087); e o soberano do antigo Império do Mali (século XII) que então sucede Gana na condição de império mais faustoso e progressista da África. Sobre esse legendário Império do Mali, conta a história que em 1324 depois da conversão ao islamismo, portanto o soberano Mansa Kanku Mussá fez uma peregrinação a Makka acompanhado de cerca de 60 mil súditos, entre nobres, escravizados, sábios e soldados, transportando perto de 2000 toneladas de ouro. No Cairo, quando por lá passou, distribuiu generosamente esse ouro, exatamente para maravilhar os soberanos árabes. De volta, levou para o Antigo Mali sábios e arquitetos, mandando construir em Tombuctu a grande mesquita de Djinger Ber.Com a morte do Mansa Kanku Mussá em 1332, o Império do Mali, que florescera por volta de 1235, começou a declinar perdendo a hegemonia para o Songai mais ou menos em 1350. Mas, voltando a Albert N’Goma vamos ver com ele que a caminhada do Islam pela África adentro pode se dividir em quatro fases:

Fase Bérbere (do Séc. XI ao XIV);

Fase Mandinga (Séc. XIV ao XVI);

Fase Songai (Séc. XVI ao XVIII);

Fase Peule (Séc. XVIII).

E sobre toda essa expansão, que examinaremos mais detidamente adiante, cotejando as diversas fases com os momentos do tráfico de escravizados para o Brasil, vale finalmente transcrever este trecho do historiador alto voltense Joseph Ki Zerbo: “O sucesso da conquista arábico islâmica constitui, de qualquer maneira, um fenômeno histórico de primeira importância para os três continentes (Ásia, África, Europa), na junção dos quais se desenvolveu. Na verdade, na Costa Oriental e através do Saara, os arábico bérberes vão se entregar a um tráfico de escravizados negros, sempre a aumentar até o século XIX. No entanto, deram à África uma das suas principais religiões e transformaram setores inteiros de sua paisagem sócio cultural. Com efeito, os intelectuais árabes, geógrafos e historiadores vão prestar à África o serviço inestimável de dar a conhecer por escrito as realizações sócio-políticas do Bilad As Sudan, a tal ponto que se pode lamentar não terem chegado mais cedo”.

Islamização e Tráfico

O comércio de escravizados da África para a Europa iniciou-se em 1442. E, em 1517, os portugueses começam a embarcar os primeiros africanos para a América.

O tráfico para o Brasil conhece três fases distintas: A fase dos embarques na Costa da Guiné; a fase em que predominam os embarques na África austral; e o momento em que o predomínio se dá na chamada Costa da Mina.

Como já vimos, o processo de islamização da África ocorreu também em fases distintas, quatro exatamente. Começa quando a dinastia bérbere dos almorávidas, no século XI, chega ao Império de Gana; continua com o esplendor do Império do Mali; segue com a hegemonia do igualmente legendário Império Songai; e culmina com o que Albert N’Goma chama de “Domínio dos Peules”.

Na opinião desse mesmo N’Goma, de quem tanto nos servimos neste trabalho, a Fase Bérbere teve um caráter mais político que religioso: começa pela conversão de alguns nobres e se implanta, pela violência, primeiro no Gana e depois entre os tucolores, songais e diulas nos atuais territórios do Mali e do Senegal. Os diulas, aliás, se tornam, pela sua vocação de comerciantes itinerantes, os grandes propagandistas do credo islâmico por toda aquela imensa região, levando o até os limites da floresta equatorial.

Com a derrota militar dos bérberes em várias batalhas, a África conhece em seu processo de islamização o predomínio da etnia Mandinga.

Mandinga é um grupo étnico que compreende os Malinke (povo que ocupa um vasto território compreendendo o nordeste da Guiné, o sudoeste do Mali, e se estendendo de leste a oeste da Costa do Marfim até Gâmbia e Senegal) e seus vizinhos Bambara, que falam quase a mesma língua. Sobre essa etnia, dizia P.F. Bainier em 1878: “A raça negra compreende os Mandingues ou Mandingas, os Sôninké, os Ouolofs ou Yolofs e os Sérères. Os Mandingas ou Malinke vive principalmente nas terras montanhosas (onde o Senegal e Gâmbia têm suas origens) em toda a Senegâmbia e ao sul da Gâmbia. São comerciantes e industriais; são o povo civilizador dessa região; propagador zeloso do islamismo, leva a toda parte, com a religião, suas concepções sobre agricultura e comércio. Os Malinke são agricultores e os Soninké são, sobretudo comerciantes; e todos são guerreiros. Os Mandingas são negros bonitos, grandes, bem feitos, muito bravos, generosos, e têm fama de muito inteligente; todos os Negros da África ocidental se orgulham de seu nome. Os Sussus ou Mandingas convertidos ao islamismo vivem no Soumbaya ou Timmani, região ao sul da Senegâmbia, banhada pelo Mellacory ou Mellacorée, e outros rios; são vigorosos e seus escravizados cultivam a terra”. Durante, então, a Fase Mandinga, que vai do Séc. XIV ao XVI, guerreiros já islamizados desenvolvem o legendário Império do Mali que atinge o auge de seu esplendor com a Mansa Kanku Mussá, como vimos. Mas o Império se torna muito vasto e sem consistência. A nova geração de líderes não sabe manter a coesão das diversas populações, que, além disso, se apega cada vez mais ostensivamente à religião tradicional. No século XVI, entretanto, o Islam toma de novo a dianteira e atinge o seu apogeu nas cidades-estados de Gao, Djenê e principalmente Tombuctu, convertidas desde o Século XI e que eram ponto de encontro de sábios, juristas e letrados em geral. É a Fase Songai. Neste período o tráfico de escravizados era intenso, inclusive para o Brasil. Isto fez com que fossem trazidos ao país escravizados muçulmanos que, mais tarde, organizariam a revolta dos malês.

Capítulo V –

Os Malês

A Revolta dos Malês Ocorreu no início do século XIX. Neste período um senso realizado na época pelo Governador da Bahia, O Conde da Ponte, informava que existiam: 25.502 negros, 14.200 brancos, 11.350 pardos e que a Bahia recebia em torno de 8.000 escravizados por ano. Malê é uma corruptela da palavra árabe Malek, uma das escolas de pensamento islâmico e, não como pensam alguns historiadores, esteja ela ligada ao país africano Mali. Inclusive, os dados históricos e os sensos realizados apontam para um número muito pequeno de escravizados trazidos deste país.

1807

No dia 22 de maio o governador da Bahia descobriu um plano de insurreição que ocorreria em 27 de maio de 1807, este plano tinha o objetivo de tomada da cidade. Foram presos os principais líderes e apreendidas cerca de 400 flechas, facas, espingardas, pistolas. Foram encontradas também composições em árabe, trechos do Alcorão. O governador ordenou um toque de recolher e todo o escravizado que fosse encontrado após as nove da noite na rua seria açoitado até a morte.

1809

Sobre esta insurreição não existe quase nenhum documento. Temos apenas a carta do governador Conde da Ponte para seu amigo D. Fernando José de Portugal, datada de 16 de janeiro de 1809.Na carta ele cita um verdadeiro extermínio com a utilização das forças coloniais contra os que ele chama de “perturbadores do sossego publico e malfeitores”. Segundo historiadores os haussas já figuravam associados aos nagôs.

1826, 1827, 1828,1830. Já na época do império tiveram lugar grandes insurreições. As idéias abolicionistas influenciaram os negros dos engenhos do recôncavo baiano, da capital e vizinhanças.

A revolta de 1826 aconteceu em Cabula, onde os negros resistiram até a morte. As forças oficiais avançaram até um lugar conhecido como “Baixa do Urubu”, lá havia um quilombo e uma mesquita. Um grupamento especial chamado “Segundo Batalhão de Linha” massacrou os negros na região do recôncavo em 1828. O Grande Levante de 1835

Na madrugada de 25 de janeiro de 1835, os negros muçulmanos planejavam aquela que seria a maior batalha campal de todas já idealizadas por eles. Porém, o Presidente da Província, Francisco de Souza Martins, foi avisado dos planos e pediu ao Chefe de Polícia, Francisco Gonçalves Martins, para que tomasse as medidas necessárias para coibir a revolta. À uma hora da manhã, do dia 25 de janeiro, o Juiz de Paz do 1º distrito, acompanhado de paisanos e do Alferes Lázaro Vieira do Amaral, desconfiaram de certos sons que saiam de uma casa onde na janela havia uma negra. Intimada a que abrisse a porta, negou-se e tentou disfarçar, completando assim, as suspeitas que tinham nascido no ânimo dos rondantes. Obrigada a abrir a porta em nome da lei, irromperam então muitos tiros em descarga cerrada, e uma multidão de negros encapuzados e com roupas brancas, armados de pistolas, espadas e espingardas atacaram a ronda e mataram o Alferes Lázaro Vieira do Amaral, fazendo com que os outros membros da ronda fugissem em desabalada carreira.

Porém, transcorreu-se batalhas e enfretamentos em as forças do estado e os revoltos resultando num massacre de milhares de muçulmanos. Notas:

O termo “Malê” não está ligado a Mali – o país, tanto que pesquisando estes arquivos (O arquivo público do Estado da Bahia) se descobre que apenas um pequeno número de escravizados foi trazido deste país. No ioruba Imalê – designa muçulmano. Desta forma, Malê mais parece ser uma corruptela da palavra árabe Malek, como informado acima.

Ocorreu ainda um levante em 1816, mas não existem muitas informações sobre ele.

Conceitos Negros de Ganho: Escravizados que exerciam tarefas diárias fora das casas senhorais, mediante pagamento de uma diária ao seu senhor.

Sendo a maioria deles composta por “negros de ganho”, tinham mais liberdade que os negros das fazendas, podendo circular por toda a cidade com certa facilidade, embora tratados com desprezo e violência. Alguns, economizando a pequena parte dos ganhos que seus donos lhes deixavam, conseguiam comprar a alforria.

Influência Haitiana no mundo
Em janeiro de 1835 um grupo de cerca de 1500 negros, liderados pelos muçulmanos Manuel Calafate, Aprígio, Pai Inácio, dentre outros, armou uma conspiração com o objetivo de libertar seus companheiros islâmicos e matar brancos e mulatos considerados traidores, marcada para estourar no dia 25 daquele mesmo mês. Arrecadaram dinheiro para comprar armas e redigiram planos em árabe, mas foram denunciados por uma negra ao juiz de paz. Conseguem, ainda, atacar o quartel que controlava a cidade mas, devido à inferioridade numérica e de armamentos, acabaram massacrados pelas tropas da Guarda Nacional, pela polícia e por civis armados que estavam apavorados ante a possibilidade do sucesso da rebelião negra.

Por: Honerê Al-amin Oadq II

 

Posse Hausa: http://possehausa.blogspot.com.br/2006/01/palestra-islamizao-da-frica-e-revolta.html

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